01) Alaor Tristante Junior:
Nasci, cresci, casei-me com a Márcia, tenho três filhos,
Gabriela, Giovana e Guilherme. Vou vivendo. É o resumo frio.
O quente são os detalhes que me fazem quase feliz e que eu não
posso expressar com palavras, porque as palavras são tristes
eternamente. "Eu é um outro". Porque na vida só
o contraponto a faz suportável. Co-autor dos livros "Araçalinda"
(contos), "Lira dos Araças" (poesia) e "Experimentânea
2" (poesia), autor do livro de poesia "Divagações
de Poeta".
Alaor Tristante Junior assina seus
textos: 'alaorpoeta'.
02) Antes de começar a falar do seu
trabalho, o que o sr. tem a falar da sua cidade?
Alaor T. Júnior: Minha cidade é
o meu destino, onde rego minhas plantas, amo minhas rosas. O resto são
sombras de árvores alheias..
03) O sr. gosta mais de ler ou de escrever? Por quê?
Alaor T. Júnior: Gosto de ler e escrever
porque um dia acordei bemol, tudo estava sustenido, sol fazia, só
não fazia sentido. Então... comecei uma grande viagem...
essa estrada vai longe, mas se for, vai fazer muita falta.
04) Quanto ao que escreve, o sr. tem preferência por quais
temas? Por quê?
Alaor T. Júnior: O poeta se faz vidente
por meio de um longo, imenso e racional desregramento de todos os sentidos.
Todas as formas de amor, de sofrimento, de loucura; buscar a si, esgotar
em si mesmo todos os venenos, a fim de só reter a quintessência.
Inefável tortura para a qual se necessita toda a fé, toda
a força sobre-humana, e pela qual o poeta se torna o grande enfermo,
o grande criminoso, o grande maldito, e o Sabedor supremo! pois alcança
o Insabido. Logo, o poeta é o verdadeiro roubador de fogo. Responde
pela humanidade e até pelos animais; deveria fazer com que suas
invenções fossem cheiradas, ouvidas, palpadas; se o que
transmite do fundo possui forma, dá-lhe forma; se é informe,
deixa-o informe. Achar uma língua; afinal, como toda palavra
é ideia, a linguagem universal há de chegar um dia.
05) Com quem se identifica mais em suas obras? Por quê?
Alaor T. Júnior: Com o José
Tião da Silva. Mas queria muito ser louco, sim, louco porque
quis grandeza qual a Sorte não dá. Sem a loucura que é
o homem mais que a besta sadia, cadáver adiado que procria? Querer
não é poder. Quis o destino que eu fosse igual ao José
Tião da Silva... Tá bom.
06) Como foi a ideia de começar a escrever?
Alaor T. Júnior: Todos os seres têm
uma fatalidade de felicidade.
07) O que o motiva a escrever? Tem alguma
mania ao fazer? Algum "cantinho" especial?
Alaor T. Júnior: O que me motiva é
o soco no estômago que a vida me dá todos os dias. Minha
mania é emprestar tempo ao tempo, que nunca me paga. Meu cantinho
é a solidão, não das pessoas e do mundo, mas de
mim mesmo.
08) Com toda certeza o sr. já ouviu críticas sobre
o seu trabalho. Como as encara?
Alaor T. Júnior: Falou-me um crítico:
- Seu verso é bom, mas falta dinamite! Zás! Plaft! Plic!
Bum! Catapimba! Explodi tudo.
09) Falando de seus trabalhos, como decide os títulos?
Alaor T. Júnior: É fácil.
Porque a poesia não é uma opinião como a prosa,
são todas as opiniões e nenhuma ao mesmo tempo. A poesia
é um espelho, a imagem será exatamente de quem a contemplar.
10) Como o sr. estabelece uma relação entre o
título e a obra?
Alaor T. Júnior: Instintivamente. Sei
que pensar é estar doente dos olhos.
11) Depois que coloca o título, em algum momento já
quis mudar o título da apresentação?
Alaor T. Júnior: Às vezes, quase
nunca.
12) Que reação (sensação)
o sr. tem ao ver o texto terminado?
Alaor T. Júnior: Tudo o que eu faço
alguém em mim que eu desprezo sempre acha o máximo. Mal
rabisco, não dá mais pra mudar nada. Já é
um clássico.
13) A obra "Tempo..." teve inspiração
em quê? Ou em quem?
Alaor T. Júnior: Inspirei-me na velhice
que veio morar no meu espelho. Mas ainda sou tão jovem! Isso
só prova que a velhice é uma mentira. É uma questão
de personalidade. Não paga aluguel. Diz que me paga sim, com
experiência. É folgada. Já entrei com ação
de despejo. Se eu perder, quebro o espelho...
Escrita em 2011:
TEMPO...
"Olhei no espelho
quase não me conheci
espelho velho"
14) O sr. ao preparar as suas obras tem em mente passar algum
aprendizado?
Alaor T. Júnior: Não. A moral
é a fraqueza do cérebro. A poesia não ritma a ação,
ela está na frente.
15) Como é o "retorno" por parte dos apreciadores da
boa arte da escrita? Deixa-o satisfeito?
Alaor T. Júnior: Escrever é
gratuito. Retorno pessoal é palavra riscada, no presente, porque
há os invejosos, no futuro, porque, morto, ainda que gênio,
eu já era. Viver é assim. Fico contemplando o resultado
passivamente: umas vezes passa uma avalanche e não morre uma
mosca... outras vezes senta uma mosca e desaba uma cidade.
16) O sr. participa de algum grupo de estudo ou associação
cultural?
Alaor T. Júnior: Não. Porque
eu não tenho tempo, estou sempre cansado e preciso ficar sem
fazer nada quase o dia inteiro.
17) Aos estudantes, o que indica?
Alaor T. Júnior: A vida pertence a
todos. Sempre existirá o pedreiro, o médico, a faxineira,
o advogado, a prostituta, o sábio, o burro... mas são
apenas rótulos a serem conquistados. Todos têm sua estrela.
Todos têm o seu valor. A vida é simples. O único
mistério é haver quem pense no mistério. Digo apenas,
cuidado com a cultura de massas. O que pode ser apenas mais um modo
de ser, não pode ser o único. Seja o mais autêntico
possível. Viva o seu momento mágico. É perfeito.
Basta existir para se ser completo. Demais, se for necessário,
dê um murro na mesa... sempre haverá alguém para
ouvi-lo. Ainda que seja a sua própria consciência. Não
existem verdades absolutas.
18) De certa forma, a partir das várias leituras que fazemos,
gostamos de algum livro - porque nos marcou, ou por outras razões.
Qual é livro que mais o sr. gostou? Por quê? Indicaria
aos estudantes?
Alaor T. Júnior: Não posso indicar
nada específico. Qualquer menção pareceria imposição
de um estilo. Neste mundo tão repleto de informações
ao alcance de todos não se precisa mais rezar o sermão
da montanha, cada um deve buscar a sua própria estrada entre
as infinitas que existem. Ninguém precisa de guru. Se existe
algum segredo, talvez seja o de não correr atrás das borboletas,
mas cuidar do jardim para que elas venham até nós. Mas
pode vir uma cobra... Seja hospitaleiro. Não esqueça:
O mundo é de todos. A natureza não se entristece.
19) Qual recado deixaria aos leitores do site?
Alaor T. Júnior: A vida é o
que você pensa que é: a barata quando voa pensa que é
passarinho.
20) Como se pode ter contato com o seu trabalho?
Alaor T. Júnior: É simples:
SITE
- ALAORPOETA (lá, todos poderão me
ver nu) e no site "ARAÇATUBA
E REGIÃO"
20/07/2011
Coordenação e realização:
Prof. Pedro César Alves, Araçatuba/SP.