TEXTOS DO AUTOR

 

 

ENTREVISTADO

 

ANDRÉ KONDO

 

 

01) Quem é ANDRÉ KONDO?

Kondo: Alguém que ama viajar e escrever, se possível, ao mesmo tempo.

02) Antes de começar a falar do seu trabalho, o que o Sr. tem a falar da sua cidade?

Kondo: Tenho várias cidades, rs. Sou meio nômade, sem deixar de me apaixonar pelo chão que acolhe os meus passos. Nasci em Santo André, mas morei grande parte da minha vida em Taubaté, depois morei no Japão, na Austrália, voltei ao Brasil e morei em São Paulo, Caraguatatuba, Sorocaba e atualmente moro em Jundiaí-SP. Carrego todos os lugares pelos quais passei com grande carinho em meu peito.

03) O Sr. gosta mais de ler, de escrever, ou de desenhar e pintar? Por quê?

Kondo: Eu gosto mais de ler e escrever. Por quê? Bem, porque eu não sei desenhar nem pintar, rs.

04) Quanto ao que escreve, o Sr. tem preferência por quais temas? Por quê?

Kondo: O caminho percorrido entre o nascimento e a morte é um bom tema, isto é, a vida. Há algo mais fascinante do que isso?

05) Com quem se identifica mais? Por quê?

Kondo: Identifico-me com o agora. Porque é o único momento em que posso ser eu mesmo. O passado apenas mostra uma sombra do que eu fui, o futuro é apenas uma promessa do que eu poderei ser, mas o presente, este sou eu.

06) Como foi a ideia de começar a escrever?

Kondo: Quando aprendi a escrever as primeiras letras... é uma paixão antiga, rs.

07) O que o motiva a escrever? Tem alguma mania ao fazer? Algum "cantinho" especial?

Kondo: Tudo me motiva a escrever, até o nada. Manias, sei lá. Minha esposa diz que eu tenho, acho que mania é algo que só quem está de fora consegue ver. Um cantinho especial para escrever? O coração.

08) Com toda certeza o Sr. já ouviu críticas sobre o que faz. Como as encara?

Kondo: Confesso que já tive muito medo das críticas. Creio que esse medo é natural a todo escritor. Uma palavra desnuda a pessoa que a profere de uma forma ainda mais intensa do que mostrá-la sem roupa. A palavra desnuda a alma do escritor. É natural que eu tivesse medo, ainda mais que os meus primeiros livros foram autobiográficos, sobre as minhas viagens pelo mundo, sobre as minhas esperanças e desilusões nos caminhos que me levaram para os quatro cantos deste mundo. No começo, a pior crítica que recebi foi a do meu pai. Ele não queria que eu me iludisse com o sonho de ser escritor. Se analisarmos friamente, ele tinha razão. O caminho de um escritor é repleto de dificuldades e críticas. A principal crítica é considerar um escritor como um vagabundo, pois escrever não é considerado como um trabalho de verdade, que ganha dinheiro. Bem, como eu encarei a crítica do meu pai? Pegando a mochila e caindo na estrada, sem destino. O dinheiro acabou, dormi em uma barraca, a barraca quebrou, dormi na rua, comi frutos pelo caminho, batatas que caíam dos caminhões, tornei-me um andarilho por alguns meses. Voltei para casa, quinze quilos mais magro. Ao passar fome, compreendi o que o meu pai queria dizer. Ele só estava preocupado comigo, com o fato de eu querer me tornar um escritor - como profissão. Minha paixão pela escrita sobreviveu à fome... e, hoje, ele até gosta do que eu escrevo! Aprendi que somente as críticas de quem eu amo me interessam, porque sei que estas são críticas que tentam me levantar, mostrar um caminho. Quanto às outras... tento identificar àquelas que me ensinam, ignorando o que está lá só pela crítica, do tipo que não tenta melhorar em nada o que está sendo criticado.

09) Falando sobre seus textos/livros, como decide sobre os títulos?

Kondo: Alguns títulos, como o "Além do Horizonte" já nascem prontos. O livro é dedicado ao meu amigo Felipe Firmo. Quando éramos crianças, costumávamos correr atrás dos trens. Tentávamos saltar neles... meu amigo me disse, em certa tarde de nossa infância, que queria ir para onde os trens iam. E para onde o trens vão? Para o meu amigo, ele ia para algum lugar, além do horizonte... Foi essa a mensagem que eu escrevi em sua coroa de flores, que ele tivesse uma boa viagem... para esse algum lugar... além do horizonte.

10) Como o Sr. estabelece uma relação entre o título e o trabalho feito?

Kondo:Obviamente, o trabalho nasce antes do título. Eu leio o que escrevi e coloco o título depois. Simples assim. Na verdade, não sou muito bom com títulos. E como você pode ver nesta entrevista, nem com respostas. rs

11) Depois que coloca o título, em algum momento já quis mudar?

Kondo: Se já está impresso, não, porque o que eu poderia fazer? Mas enquanto o cursor está saltando diante de mim, quero mudar várias vezes, até que ele me vence e deixo como está mesmo.

12) Que reação (sensação) o Sr. tem ao ver o seu trabalho terminado?
Kondo: Se o trabalho ficou bom, sinto-me como um pai orgulhoso do filho que vence uma competição ou que tira uma nota dez. Se ficou ruim, sinto-me como um pai cujo filho colocou um chiclete na cadeira da professora.

13) A obra "DESCULPA... MAMÃE", menção honrosa no Concurso de Conto "Cidade de Araçatuba", teve inspiração em quê? Ou em quem? Comente um pouco sobre.

Kondo: Seria um caso de inspiracão inversa. A mãe do conto "Desculpa... mamãe" é uma mulher que sequer queria ser mãe, completamente diferente da minha. O interessante da ficção é que podemos brincar com a "realidade". Quando terminei o conto, percebi o quanto eu tenho uma mãe no sentido pleno da palavra. Não é apenas o caso de dizer que sem ela eu não teria nascido. Nascer é apenas um ato biológico, como o narrado em meu conto. Agora, o que a minha mãe fez por mim foi me fazer viver. Isso sim, é uma mãe de verdade. Aproveitando, quero agradecer a ela por tudo... e ao meu pai também. Se sou o que sou hoje, é pelo corpo que eles me deram e pela alma que eles preencheram.

14) O Sr. ao preparar as suas obras tem em mente passar algum aprendizado?

Kondo: Toda palavra é um aprendizado, mas cada um recebe apenas o aprendizado que está disposto e preparado a receber. Uma mesma mensagem pode ser interpretada de várias formas, de acordo com a pessoa que a recebe. É como se diz na Índia, a verdade é uma só, mas são vários os caminhos que levam até ela.

15) Como é o "retorno" por parte dos apreciadores? Deixa-o satisfeito?

Kondo: Tenho consciência de que estou apenas começando... Mas ver uma citação de um trecho de um livro meu em um blog de um desconhecido ou ver uma obra minha inclusa em um perfil do orkut como "o melhor livro" e até em uma comunidade como um dos livros que seriam salvos em uma pergunta hipotética em que se poderia salvar apenas uma obra se todos os livros do mundo fossem queimados... bem, isso me deixa mais do que satisfeito. Isso me deixa feliz!

16) Aos estudantes, o que indica?

Kondo: Estudar.

17) Qual recado deixaria aos leitores do site?

Kondo: Escrevam as suas próprias vidas.

18) Como pode ser encontrado os seus trabalhos?
Kondo: Em meus blogs há um link para as livrarias virtuais que disponibilizam os meus livros. Caso prefiram, podem escrever para mim: ANDRÉ KONDO .

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AMOR SEM FRONTEIRAS *********Blog no "Jornal Bom Dia" - ANDRÉ KONDO

 

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07/08/2010

Coordenação e realização: Prof. Pedro César Alves, Araçatuba/SP.

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E quem não pensa será para sempre um servo."

 

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