01)Quem é ANTENOR ROSALINO?
Rosalino: Sou araçatubense, aposentado pelo
serviço público municipal, tendo interrompido os estudos
ao ingressar no 3º ano do Curso de Ciências Econômicas,
e aproveito esta maior disponibilidade de tempo para ler e escrever,
que são coisas que sempre gostei de fazer, desde a minha juventude,
quando a minha primeira crônica foi publicada no extinto Jornal
'A Comarca'. Atualmente faço parte do Grupo Experimental, da
Academia Araçatubense de Letras.
Em meio a nossa entrevista, leia algumas
poesias do autor:
REBENTO DO SEU DIÁRIO
Entre vírgulas, pontos, reticências,
ostento pepitas de poesia
buscando idéias em frases perdidas!
Reflito sobre as ilusões terrenas...
E despojando lamentos e hiatos tristes,
suspiro verbos que falam ao coração!
Na vinha dos meus sonhos,
as palavras que profiro
trás em si uma razão...
São desejos incontidos de paz
e do sentido da graça e do perdão:
lenitivos da alma e do coração!
Vencendo intempéries, revezes...,
entre côncavos e convexos,
vivo o amor e doces quimeras!
Sem interrogações, ou narrativas de dores,
tornei-me assim o rebento
do seu diário de flores!
02) Antes de começar a falar do seu
trabalho, o que o Sr. tem a falar da sua cidade?
Rosalino: A minha cidade é o aconchego dos
meus sonhos, das minhas raízes. É onde também nasceram
os meus filhos. Eu adoro a minha cidade e fico triste quando vejo bloqueado
o seu desenvolvimento por questões de incapacidade política.
03) O Sr. gosta mais de ler ou de escrever?
Por quê?
Rosalino: Se me permite, eu direi que não posso
desassociar uma coisa da outra. Ler é uma necessidade para engrandecimento
espiritual e para a obtenção de conhecimentos inenarráveis.
Por outro lado, escrever também é uma necessidade que
sinto de trazer à luz, o que está latente no mais íntimo
do meu ser.
04) Quanto ao que escreve, o Sr. tem preferência
por quais temas? Por quê?
Rosalino: Preferencialmente gosto de escrever poemas
diversificados. Isto porque, eu não tenho um estro poético
definido. Não me atenho a apenas um enfoque, como por exemplo,
o amor. Gosto de escrever em tom poético tanto do amor como da
natureza ou de qualquer coisa do cotidiano. Cito como exemplo, um poema
que fiz recentemente sobre a lamentável tragédia em Realengo.
Sobre o amor: 'Silêncio do Amor"
“Como um mimo frouxel de ninho,
é leda espera constante e não perece,
nem mesmo na amplidão da madrugada triste,
quando deixa de ser espera
para se tornar saudade!...”
05) Com quem se identifica mais em suas obras?
Por quê?
Rosalino: Identifico-me com o romantismo de Fernando
Pessoa e de Machado de Assis, pois ambos expressam com invulgar lirismo
não só as nuanças e complexidades do amor, mas
também a mais alta poesia da natureza e as venturas e desventuras
do ser.
06) Como foi a ideia de começar a escrever'?
Rosalino: Desde a infância eu já ouvia
declamações e me emocionava. Na adolescência ouvia
muitas crônicas poéticas pelo rádio. Certo dia de
domingo, na minha juventude, caía uma chuva fina pela cidade,
mas a noite estava convidativa e ainda pairava estrelas no céu.
Neste cenário, deparei-me com alguns colegas de trabalho e, de
repente, eu disse a eles que iria escrever algo sobre aquela noite.
E assim o fiz. No dia seguinte escrevi a minha primeira crônica.
07) O que o motiva a escrever? Tem alguma
mania ao fazer? Algum "cantinho" especial?
Rosalino: A minha inspiração é
motivada por qualquer coisa que desperta a minha atenção.
Não tenho determinadas manias. Procuro apenas estar a sós
com a minha imaginação.
08) Com toda certeza o Sr. já ouviu
críticas sobre o seu trabalho. Como as encara?
Rosalino: Sim, já recebi críticas e
as encaro como uma motivação a mais para aprimoramento
dos meus escritos. Entendo que, quem não aceita críticas,
não merece ser elogiado.
09) Falando sobre seus trabalhos, como decide
sobre os títulos?
Rosalino: É preciso que o título traga,
abreviadamente, o enfoque daquilo que está sendo tratado. Todo
o contexto deve estar ligado ao tema.
10) Como o Sr. estabelece uma relação
entre o título e a obra?
Rosalino: O título deve trazer o enfoque do
contexto. Deve causar algum impacto que possa despertar a atenção
do leitor para a ideia que o autor deseja transmitir.
11) Depois que coloca o título, em
algum momento já quis mudar o título da apresentação?
Rosalino: Em algumas ocasiões, sim. Não
pelo título estar em desarmonia com o texto, mas apenas por questão
de estética.
12) Que reação o Sr. tem ao
ver uma obra terminada?
Rosalino: A sensação que tenho é
de um prazer incontido, por acreditar que sempre há alguém
compartilhando com o meu pensar. Confesso, porém, que muitas
vezes refaço alguns parágrafos ou versos, sempre em busca
da perfeição por inteiro.
Sobre poesia: "Legado"
“Postergar a poesia
é ver o mundo à meia-luz.
É buscar apenas víveres
na obscura existência
e resumir a sua história
com súplices hiatos tristes.”
13) A obra "Paisagens Verbais"(2007)
teve inspiração em quê? Ou em quem?
Rosalino:
Na verdade, o título seria Prisma Poético, porque
eu gosto muito de utilizar metáforas nos meus poemas. Com base
nisso, imaginei que esse título poderia ser, subentendido como
paisagens que visualizamos poeticamente. Por exemplo, se eu me refiro
ou escrevo a palavra estrelas, logo o leitor imagina um céu estrelado.
Daí o título empregado. Entretanto, um dos meus filhos
sugeriu o título 'Paisagens Verbais'. Adorei a sugestão
e assim ficou.
14) O Sr. ao preparar as suas obras tem em
mente passar algum aprendizado?
Rosalino: Eu sempre espero contribuir de alguma forma
com o resgate da poesia em nossos dias atuais e, ao mesmo tempo, transmitir
um sentimento que se identifique com pensamento do leitor e traga algum
lenitivo para a alma.
15) Como é o "retorno" por
parte dos apreciadores da boa arte da escrita? Deixa-o satisfeito?
Rosalino: Surpreende-me a aceitação
ao meu trabalho. Tenho recebido inúmeros comentários elogiosos,
algumas homenagens e milhares de leituras estão computadas na
minha página no site do RECANTO
DAS LETRAS, onde publico os meus escritos. Fico
imensamente feliz e gratificado ao saber que o meu propósito
não está sendo em vão.
16) O senhor participa de algum grupo de estudo
ou associação cultural?
Rosalino: Participo da Rede Social Araçatuba
- que é fomentada pelo SENAC, e do Grupo Experimental da Academia
Araçatubense de Letras.
17) Aos estudantes, o que indica?
Rosalino: Que não desistam jamais dos seus
ideais. Por maior que sejam as dificuldades, estas deverão ser
enfrentadas com perseverança, pois o estudo é o único
caminho para evolução do ser e do mundo. Além disso,
a recompensa a este denodado empenho é de um valor indizível.
Sobre vestibulandos: "Vestibulando"
“A decisão emanada é elogiável!
Sua mente não mais divaga:
é concentrada, fixada
no sublimado ideal
do sonho universitário.
Suas mãos cansadas e suadas,
seguram a inseparável caneta
a deslizar em simétricas formas,
a grafia delineada em azul da cor do céu.”
18) Qual recado deixaria aos leitores do site?
Rosalino: Eu gostaria que os leitores jamais deixassem
de visitar este site e que, preferencialmente, o fizessem com constância
e ajudassem no propósito altruístico do mesmo que é
difundir e promover cultura e tudo o que Araçatuba e toda a Região
têm de melhor.
19) Como se pode ter contato com o seu trabalho?
Rosalino: Através da minha página no
site do Recanto das Letras, cujo link é o seguinte: - RECANTO
DAS LETRAS, e para contatos via e-mail: ANTENOR
ROSALINO
20) De certa forma, a partir das várias
leituras que fazemos, gostamos de algum livro - porque nos marcou, ou
por outras razões. Qual é livro que mais o sr. gostou?
Por quê? Indicaria aos estudantes?
Rosalino: Impossível para mim designar apenas
um livro, mas citarei aquele que mais gostei entre os que li recentemente.
É de autoria do Dalai Lama (Prêmio Nobel), em parceria
com Howard C. Cutler, cujo título é “A arte
da felicidade” – um manual para a vida. Eu gostei
pela capacidade que os autores tiveram de transmitir com simplicidade,
clareza e objetividade, os pensamentos que nos levam a atitudes de plena
harmonia física e espiritual. Sugiro aos estudantes primordialmente,
livros de grandes autores, como este, por exemplo. Outro livro marcante:
"Helena", de Machado de Assis.
Caro leitor, deleiteie-se:
Mansão do Silêncio
Além do horizonte e da face sombria do mundo,
edifiquei na minha mente a mansão do meu silêncio:
um santuário alicerçado com pérolas de paz,
no outro lado da vida!
Em harmonia com a natureza,
distante da fragilidade dos castelos de areias
e da ilusão terrena, o meu construto difere,
com perpétua solidez divina!
Na magia da distância afugento-me, assim,
da transitória vestimenta de autoridade
dos seres que, por nada, digladiam-se...
E no meu recato, liberto da Terra
tristonha e poluída, contemplo chuvas de prata
com laivos de poesia!
Envio-nos o autor:
"A interação com o maior número
possível de pessoas que gostam de literatura e poesias é
culto permanente de solidariedade para um mundo melhor. Sou uma pessoa
que cultua a simplicidade e espontaneidade das pessoas, a natureza,
o convívio fraterno e o amor. A poesia, a meu ver, integra tais
valores, por ser a representatividade viva dos sentimentos humanos;
razão pela qual, amo a poesia em suas diversas formas, e aprecio
romances e obras filosóficas. No meu pensar, somente o amor ao
próximo, permisto com o reto pensar é que transforma os
nossos construtos em atos imortais."
05/06/2011
Coordenação e realização:
Prof. Pedro César Alves, Araçatuba/SP.
- Junho de 2011.
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"Quem não lê não
pensa,
E quem não pensa será
para sempre um servo."
ESTOU
MUITO
FELIZ!
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Editor Prof. Pedro César Alves.
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