TEXTOS DO AUTOR

 

 

ENTREVISTADO

 

DENIVAL FERNANDES MOREIRA

 

 

01) Quem é DENIVAL FERNANDES MOREIRA?
Denival F. Moreira: Um sujeito comum, que paga impostos, entra na fila do banco, gosta de literatura, bate uma bola no final de semana e que, entre uma coisa e outra, escreve algumas histórias.

02) Antes de começar a falar do seu trabalho, o que o Sr. tem a falar da sua cidade?
Denival F. Moreira: Telêmaco Borba é uma cidade com os mesmos problemas da maioria das outras cidades brasileiras – e isso é uma constatação infeliz! O destaque aqui é a indústria de papel que, por ter uma grande base florestal, também movimenta a indústria madeireira. No âmbito literário, infelizmente, por aqui não acontece praticamente nada!

03) O Sr. gosta mais de ler, de escrever, ou de desenhar e pintar? Por quê?
Denival F. Moreira: Gosto de ler. Eu sou daqueles que acreditam que a leitura muda as pessoas e as torna melhores. Mas não leio para me tornar melhor, leio porque gosto. Quando me sinto melhor ou pior, faço o mesmo: leio; leio sempre! Escrever é uma aventura mais arriscada e trabalhosa, mas muito prazerosa.

04) Quanto ao que escreve, o Sr. tem preferência por quais temas? Por quê?
Denival F. Moreira: Não. Literatura é território em que a liberdade deve predominar. Não se pode restringir a criação e acho que é por isso que não há literatura errada. Mas só acho... (risos) Lembro que nos tempos de colégio os professores davam temas para fazermos redação. Nunca gostei disso.

05) Com quem se identifica mais em suas obras? Por quê?
Denival F. Moreira: Pessoalmente, com ninguém; nem comigo mesmo e dizer a razão disso é difícil. Se eu respondesse que me identifico com o ser humano, seria somente pra dar um tom filosófico à resposta mentirosa.

06) Como foi a ideia de começar a escrever?
Denival F. Moreira: Não acredito que eu tenha tido essa ideia de começar a escrever. Eu escrevo desde criança, sempre gostei de criar histórias a partir de alguma observação. Uma vez tive a ideia de tocar violão. Como a ideia não se concretizou, a boa música brasileira agradece.

07) O que o motiva a escrever? Tem alguma mania ao fazer? Algum "cantinho" especial?
Denival F. Moreira: O que me motiva a escrever é esse negócio que não posso chamar de ideia. Vem lá do contato com minhas primeiras letras. Escrevo em qualquer lugar, desde que sozinho. Se alguém se aproximar para ler o texto enquanto estou escrevendo, fecho tudo e paro. Sei que parece um pudor gratuito, mas faço isso porque aquele momento de criação é só meu e disso não abro mão!

08) Com toda certeza o Sr. já ouviu críticas sobre o seu trabalho. Como as encara?
Denival F. Moreira: Quando o atacante tem categoria literária, fico preocupado, mas a vida segue; quando a crítica é sem fundamento literário, acho graça e a vida segue melhor ainda. Mas, para falar a verdade, minha literatura é muito caseira para ter esse tipo de ‘problema’. Quem sabe mais tarde...

09) Falando sobre seus trabalhos, como decide sobre os títulos?
Denival F. Moreira: Às vezes o título é o próprio ponto de partida, a ideia inicial. Mas quando conto isso a outros eles duvidam, pois dizem que o título só vem depois de pronto o trabalho. Outras vezes o título é ou a pergunta ou a resposta do texto. Seja como for, um título é sempre muito importante e quase sempre muito difícil de definir.

10) Como o Sr. estabelece uma relação entre o título e a obra?
Denival F. Moreira: Quem eu sou, onde estou, para aonde vou! Mas reconheço que isso soa falso para parecer inteligente... (risos)

11) Depois que coloca o título, em algum momento já quis mudar o título da apresentação?
Denival F. Moreira: Já, quando texto e título não chegaram num acordo sobre quem eram, onde estavam e para aonde iam. Preciso ser coerente com o que disse acima!

12) Que reação (sensação) o Sr. tem ao ver o texto terminado?
Denival F. Moreira: É muito gostoso ver uma obra pronta, mas quando isso acontece ainda fico com vontade de mexer mais um pouco. Alguns textos parecem não ter conserto. No geral, sempre tenho a sensação de que nunca está pronto mesmo, que posso cortar ou acrescer outras coisas. Uns dizem que isso é a dinâmica da literatura, ou excesso de capricho, outros podem dizer que sou inseguro mesmo... (risos)

13) A obra “Conto – Viagem ao Interior”, vencedor do Concurso de Contos “Cidade de Araçatuba” teve inspiração em quê? Ou em quem?
Denival F. Moreira: Não foi inspiração, não gosto de usar essa expressão. Tive a ideia e fui escrevendo; e isso dá o maior trabalho! O escritor Raimundo Carrero diz que "a inspiração tem causado muitos danos à literatura brasileira e há escritores inspirados demais por aí, escrevendo histórias bonitinhas. E a culpa é sempre da inspiração." Pra mim, quem escreve precisa mesmo é observar, ler o que acontece e captar as ideias, ou os temas que se apresentam. E ler sempre, ler muito! Os temas estão por todos os lugares, acontecendo, indo e vindo, mas ao escritor essa ideia vem sempre pedindo “me escreve, vai!”. Depois disso, é só disciplina, trabalho pesado e suor. “Trabalho de carpintaria” como dizia Clarice Lispector.

14) O Sr. ao preparar as suas obras tem em mente passar algum aprendizado?
Denival F. Moreira: Lição de moral ou moral da história: definitivamente não. Literatura é um território livre e por si só já é um aprendizado. Ao ler, cada um olha da maneira que lhe for conveniente ou possível. Por isso é que há quem condene e outros que sequer desconfiem da Capitu.

15) Como é o "retorno" por parte dos apreciadores da boa arte da escrita? Deixa-o satisfeito?
Denival F. Moreira: Para ser sincero, não tenho muito contato com isso. Mas o resultado do concurso de Araçatuba foi muito gratificante.

16 - O senhor participa de algum grupo de estudo ou associação cultural?
Denival F. Moreira: Não.

17) Aos estudantes, o que indica?
Denival F. Moreira: Que sonhem, vivam e façam acontecer. E que tomem muito cuidado com esse mundo repleto de falsos prazeres!

18) Qual recado deixaria aos leitores do site?
Denival F. Moreira: Que ensinem às crianças não o hábito forçoso da leitura, mas o gosto por ela, o prazer, a paixão. E que leiam sempre!

19) Como se pode ter contato com o seu trabalho?
Denival F. Moreira: Ainda não disponibilizei nada para consulta.

 

14/08/2010

Coordenação e realização: Prof. Pedro César Alves, Araçatuba/SP.

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ABRAÇOS!

 

 




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"Quem não lê não pensa,

E quem não pensa será para sempre um servo."

 

ESTOU MUITO FELIZ!

 

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