TEXTOS DO AUTOR

 

 

ENTREVISTADO

 

MANOEL BATISTA DE SOUZA NETO

 

 

MANOEL DE SOUZA



01) Quem é MANOEL BATISTA DE SOUZA NETO?

Manoel Souza: Nasci em Paranaíba – MS, em treze de novembro de mil novecentos e noventa, mas resido atualmente em Araçatuba; particularmente eu gosto de inovações, tudo o que é moderno e futurístico me atrai; tenho uma personalidade forte que conduz ideias indefensáveis, a arte é a minha janela para a solução, para um novo horizonte, onde há várias maneiras de sentir apenas um só sentimento, onde diversas situações mostram que aquilo que passou apenas foi o início de um longo aprendizado; mudar, repensar, recriar são metas para a conquista exata dos meus objetivos.


02) Antes de começar a falar do seu trabalho, o que o você tem a falar da sua cidade?

Manoel Souza: Araçatuba, não vou mentir, mas acho uma cidade com uma sociedade forte e muitas vezes alienante! Em termos de lazer é uma cidade que tem a oferecer limitados lugares, e diferentes grupos sociais. Tenho a ideia de que o governo tende a depreciar mais e mais os jovens em suas escolhas e Araçatuba é uma amostra perfeita disso, onde hoje nós, jovens, não temos qualificação! Existe uma grande importância nessa cidade para mim, onde ela me acolhe na solidão e nas angústias, minhas ideias sofreram mudanças éticas modificadas por esta cidade em questão. Em uma palavra Araçatuba é 'reconstrutora'.


03) Você gosta mais de ler, de escrever, ou de desenhar e pintar? Por quê?

Manoel Souza: Desenhar e escrever são interligados para mim, não posso desenhar sem escrever porque minhas obras ficariam sem uma 'alma'! Expresso no desenho aquilo que atinge os sentimentos das pessoas em diferentes partes, com outros pensamentos, algo que se revela somente para a pessoa. Quando escrevo libero a ideia do meu pensamento, onde tenho a liberdade de mostrar o sentido daquilo que importa em meu interior, então desenhar, pintar e escrever são constantes e constroem minha opinião diversas vezes, recriam meus pensamentos em cada traçado, a cada letra, construindo um só semblante!


04) Quanto aos seus trabalhos, você tem preferência por quais temas? Por quê?

Manoel Souza: Meus temas são diversos e se modificam em todo momento, um tema que abordo muito é o entendimento da nossa existência! Onde minha imaginação não tem limites, posso criar, recriar a fé ao meu modo, construir ideias, condicionar o pensamento, mas também há um elemento importante nos meus temas: todos possuem sentimentos, porque somente os sentimentos são capazes e vorazes de construir um horizonte ou destruir. Esse é o sentido de tudo o que acontece, o coração de todas as coisas, poderosos alguns com uma fúria incapaz de se deter, que consome tudo, um sentimento trazs ao corpo aquilo que chamo de 'certeza'!


05) Com quem se identifica mais em suas obras? Por quê?

Manoel Souza: A respeito de outros artistas me identifico mais com H. R. Giger e Peter Gric, dois artistas plásticos do movimento Realismo Fantástico, suas ideias são uma das mais magníficas que existem, minhas criações são distintas das deles, mas o modo que retratam a sua ideia é diferente, contém um ar de mistério e desconhecido que ainda pretendo atingir; outro artista que gosto bastante é o Andrew Gonzalez que expressa em suas obras tudo o que é místico, ele desenha o ápice do acontecimento.


06) Como foi a ideia de começar a “fazer arte”?

Manoel Souza: Comecei a desenhar desde pequeno, mas houve então uma modificação, minha irmã que costumava desenhar, eu nem tanto, mas nesse dia decidi fazer algo diferente, então peguei uma tinta guache preta e lápis de cor e juntei tudo isso num desenho, a partir daí uma sequência de desenho aconteceu, no ano sucessor meu estilo de pintar melhorou, comecei a usar mais cores, utilizei até linhas em alguns e seguiu em ideias inacabáveis até hoje.


07) O que o motiva a “fazer arte”? Tem alguma mania ao fazer? Algum "cantinho" especial?

Manoel Souza: Os sentimentos que faltam em mim me motivam a “fazer arte”. Coloco aquilo que os humanos nunca poderão sentir, aquilo que desconhecem por não abrirem os olhos a sua imaginação! Quando crio gosto de ficar sozinho, várias ideias vem como flashes, outras como sonho, outras com a mão do pensamento e sentimentos, não há um lugar especial pra eu desenhar, gosto de ouvir música sempre, a todo momento são elas que protagonizam meu seguimento a cada instante que se passa, cada traço em meu desenho tem um sentimento diferente somando a ele a importância de algo que possui em si - a vida!


08) Com toda certeza já ouviu críticas sobre o seu trabalho. Como as encara?

Manoel Souza: Críticas são reconstrutoras, me fortalecem cada vez mais, criando a força pra reconquistar, superar, seguir em frente, sou como um monólito, não há crítica que me fará parar de desenhar, não recebo muitas críticas hoje em dia, mas se acontecer não me 'paralisarei', usarei isso como a força para recomeçar por um novo caminho, e talvez aqueles que mais caem serão lembrados como aqueles que mais se reergueram, capazes de superar qualquer coisa.


09) Falando sobre seus trabalhos, como decide sobre os títulos?

Manoel Souza: Todas as obras têm títulos, algumas até subtítulos, outras com um aprofundamento mais além com páginas e páginas, os títulos nem sempre contemplam os seres das obras, mas sim o sentido daquilo que acontece, significa a importância naquele desfecho da situação, é difícil de nomear algumas pela vasta explicação, mas o título é, sem dúvida, aquele que constrói a ideia maior no pensamento de quem vê a obra.


10) Como você estabelece uma relação entre o título e a obra?

Manoel Souza: O título resume minha obra em poucas palavras. Aqueles que têm uma percepção maior podem captar a ideia com mais facilidade. Cada obra tem um propósito, essa é a identidade que cada uma possui; a obra condiciona o título, não o contrário. A visão é mais poderosa que uma palavra.


11) Depois que coloca o título, em algum momento já quis mudar o título da apresentação?

Manoel Souza: Aconteceu somente uma vez! Mudei o título de “Solidão” para “Momentos”. Esta obra está exposta na minha exposição, uma que em sua maior parte é composta por linhas e tribais, no centro há uma “janela” que mostra a cidade e um luar solilóquio. Resolvi omitir meu sentimento no nome desta obra, mas seu sentido real é 'solidão', talvez porque não queria revelar realmente, comentei somente isso com uma pessoa, e ela disse que faria mais sentido, agora vocês também sabem. (risadas)


12) Que reação (sensação) você. tem ao ver a tela terminado?

Manoel Souza: É a concepção da minha ideia projetada e concluída; algumas me surpreendem, pois ficaram diferentes dos rascunhos, mas que despertaram um novo semblante, uma nova visão. Somente sinto que as termino quando escrevo o seu texto, sem isso elas ainda estão incompletas, faz uma grande diferença olhar para as obras sabendo o que elas são, qual o seu sentido, o seu propósito.


13) Um pequeno comentário de suas obras. Teve inspiração em quê? Ou em quem?

Manoel Souza: Vou começar por uma que adoro: “A Cura”, com um alienígena e uma mulher sendo curada por ele. Na minha obra escrevo um diálogo entre os dois, pena por que na exposição é uma obra que não tem seu texto exposto (por falta de espaço), fala sobre sentimentos, a recomposição da dor, dos sentimentos! “O Olho de Maia” revela a solução para nosso salvamento em 2012, estudei muito a civilização Maia para escrevê-lo, e refaço o primeiro Katun (previsão), e revelo qual é a solução para o salvamento! “A Face da Criação” me inspirei na fé, não em algo Superior, mas em si mesmo. Um alerta para aqueles que estão perdidos em suas próprias intenções! “Nulli est homini perceptuun bonum” - “A Nenhum Homem foi concebido o bem esterno” - “O Último Despertar” - onde analiso os sentimentos e revelo que acontecerá a união entre o Espírito e a Alma, esse será O Último Despertar. Como você pôde ver, não me inspiro em pessoas para criar, e sim em situações e sentimentos.


14) Ao preparar as suas obras tem em mente passar algum aprendizado?

Manoel Souza: Todas têm um propósito, elas fazem as pessoas refletirem, em suas intenções; gosto de usar a sorte e o místico. Há uma obra que se chama “A Roda da Fortuna”, onde as pessoas podem ver sua sorte em três etapas. Gosto de condicionar o pensamento, levá-lo a outra concepção, redirecionar seus olhos àquilo que ele nunca observou, revelar circunstâncias e problemas mascarados dentro de uma obra onde somente alguns podem ver, onde aqueles que podem fazer melhor atuam, passo adiante mensagens e aqueles capazes de a interpretarem estarão perto de seu autoconhecimento!



15) Como é o "retorno" por parte dos apreciadores da boa arte? Deixa-o satisfeito?

Manoel Souza: Hum, caro editor, as experiências das pessoas estão sendo apagadas por seus problemas, alguns me surpreenderam, outros perdidos em suas concepções apreciam somente a visão, mas não condicionam seu pensamento, não usam seus sentimentos para olhar e ver! Muitos estão sobrepostos por camadas da sociedade, mas ainda há aqueles que puderam ver além daquilo que escrevi, conseguiram 'ver aquilo que está escondido', pode-se perceber que muitos se identificaram com muitas obras, interessante, pois me senti apoiado a continuar.


17 - Você participa de algum grupo de estudo, grupo de arte ou associação cultural?

Manoel Souza: Participo de uma Oficina de Teatro pela Secretaria da Cultura. Estou na turma avançada. Eles abriram outra turma nesse ano, acho maravilhosa a cidade de Araçatuba estar investindo em Cultura. Mas na questão "Da Arte" em si, não participo de nada e nenhum conselho, houve já uma época que sim, mas percebi que a realidade desses grupos restringe suas ideias! Condicionam seus pensamentos a coisas desnecessárias, retiram devagar, mas sutilmente a sua opinião!


18) Aos estudantes, o que indica, tendo em vista a sua pouca idade e com uma responsabilidade enorme?

Manoel Souza: Esqueça suas honras, deixe-se como uma criança. Para conhecer realmente algo você deve desaprendê-lo, pois senão sua essência ficará perdida, não se pode conhecer sob o julgamento! Sob suas indecisões tenha certeza de que está apto a esquecer e perdoar, tente ver e projetar seu caminho, não se deixe preso a ideias opressoras, pois a Arte está em esconder a Arte; ouse, pois somente aqueles que possuem coragem podem fazer mais, a imaginação não repreende, liberta. Liberte a sua fúria e construa seu mundo, domine seus próprios pensamentos!


19) Qual recado deixaria aos leitores do site?

Manoel Souza: Vou colocar um trecho de uma das obras:

Esquecer e perdoar são contradições do sentimento, memórias vazias não existem... São apenas desistências da motivação! Ilusões que o pensamento cria devolve o fôlego, mas remove vagarosamente a realidade! Uma última explosão está por vir! Consiste em dominar o medo, escolher e seguir. Quanto maior a dúvida, maior o Despertar.”


20) Como foi – e está sendo, pra você, o momento que recebeu o convite para expor seus trabalhos no Museu M. C. Rondon?

Manoel Souza: Foi um grande prazer, pois posso mostrar meu trabalho, mostrar quem sou! Minhas ideias e sentimentos, resplandecer aos olhos de quem vê os problemas do mundo e seus problemas interiores, e agora nesse momento está lá para ser apreciado por todos, estou feliz por mostrar aquilo que crio!

* Agradecimento, em especial, para a Nadir Storti. Ela que me descobriu, e se tornou também uma grande amiga, sonhei com a prima dela Elizabeth Storti Lino (falecida) antes de conhecê-la, há uma ligação extraterrena. (risadas)

21) Para finalizar (quase), como você vê o trabalho dos artistas araçatubenses?

Manoel Souza: Vejo Araçatuba um pouco limitada, não em questão de espaço para exposição, mas no pensamento de cada pessoa! Alguns artistas certamente são bem valorizados, enquanto muitos estão por aí sem valor. O principal foco é da participação da população, aqui as pessoas não são unidas, estão preocupadas em viver a sua vida, mas há aqueles que estão já lúcidos quanto a isso. Está acontecendo uma mudança vagarosa, mas está em andamento, devemos despertar Araçatuba!


22) Como se pode ter contato com o seu trabalho?

Manoel Souza: Contato direto e visual no Museu Histórico "Marechal Cândido Rondon", de Araçatuba, onde estão expostas as obras. Um contato maior com meus pensamentos no meu blog (é novo) MANOEL DE SOUZA. Ou pelo meu e-mail se alguém quiser saber mais. Estou pensando em vender algumas obras - os interessados podem me contatar pelo tel (18) 3305-5427 ou cel (18) 81185406, e também estou apto a desenhar por encomendas, mais dúvidas só me chamar.

25/09/2010

Coordenação e realização: Prof. Pedro César Alves, Araçatuba/SP.

*

ABRAÇOS!

 

 




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"Quem não lê não pensa,

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ESTOU MUITO FELIZ!

 

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O artista deu-me a liberdade de usar, durante toda a entrevista, o pronome 'você'.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algumas referências:

 

H. R. GIGER

PETER GRIC

ANDREW GONZALEZ

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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