Tive a felicidade nesta segunda
semana de julho de entrevistar a escritora, poetisa e contista Marianice
Paupitz Nucera (também Coordenadora do Grupo Experimental da
Academia Araçatubense de Letras) e, entre nossas conversas (que
pode ser lida abaixo) ela se considera em 'início de carreira'
no campo das Letras, mas acrescenta: "um pouco tarde, mas antes
tarde do que nunca".
Durante a nossa conversa a escritora
acrescentou que já participou de vários Concursos Literários,
como o de Porto Seguro, Bahia (este ano), na categoria 'contos', e o
seu conto "O grito" foi escolhido entre 180,
dos 2.900 contos inscritos. Em breve estará participando de uma
Antologia, também classificada na 2º fase, onde estão
escolhidos os cinco melhores. Ganhou também o Concurso do SESC
sobre o 'Saci', obtendo a sétima colocação. No
Concurso de Poesia Prêmio "Osmair Zanardi", promovido
pela Academia Araçatubense de Letras ficou com o segundo lugar,
com a poesia "O reflexo".
Num papo descontraído,
Marianice comentou:
01) Quem é MARIANICE PAUPITZ NUCERA?
Marianice: Sou aposentada da CEF,
formada em Letras, contista, poetisa, cronista e atua atualmente sou
Coordenadora do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de
Letras
02) Antes de começar a falar do seu trabalho, o que a
Sra. tem a falar da sua cidade, a cidade de Araçatuba?
Marianice: Amo esta cidade onde nasci;
a vi muito bem cuidada, depois abandonada, mas agora parece que estão
dando um trato, que não esteja eu enganada.
03) A Sra. gosta mais de ler, de escrever,
ou de desenhar e pintar? Por quê?
Marianice: O meu fraco é escrever,
apesar de também gostar de ler.
04) Quanto ao que escreve, a Sra. tem preferência
para qual (quais) temas? Por quê?
Marianice: Gosto de falar das mazelas
da vida, porque são tantas, e ninguém parece que enxerga.
05) Com quem se identifica mais? Por quê?
Marianice: Francamente nunca pensei
nisto.
06) Como foi a ideia de começar a escrever?
Marianice: Escrevo desde minha tenra
infância, no primário, atual Ensino Fundamental, já
era considerada como quem escrevia melhor na classe, depois o tempo
passou, escrevi muitos poemas que foram publicados no Jornal "A
Comarca", de 1969 a 1981, mais ou menos; gosto muito de escrever.
Se eu pudesse só fazer isto, me sentiria muito feliz.
07) O que o motiva a escrever? Tem alguma mania
ao fazer? Algum "cantinho" especial?
Marianice: Não sei, sei que me vem uma parada,
assim parece que todo o cosmo para e eu junto, me vejo muito pensativa,
depois pego um caderno e rabisco, até surgir algo interessante.
08) Com toda certeza a Sra. já ouviu críticas sobre o
que faz. Como as encara?
Marianice: Não me abalo, nem me abato, acho
que tudo é crescimento. Aceito numa boa.
09) Falando sobre seus textos/livros, como
decide sobre os títulos?
Marianice: É difícil,
estou com um livro prontinho para ir a Editora, já passou por
revisão, já tem prefácio, e também o titulo,
eu escolho de acordo com que eu interpreto os meus contos. Por exemplo
este livro terá o seguinte título: "O ponto
final que não foi o fim do conto".
10) Como a Sra. estabelece uma relação entre o
título e o trabalho feito (texto/livro escrito)?
Marianice: É como eu disse
acima, eu escrevo querendo que o final seja dado pelo leitor, pelo menos
tento.
11) Depois que coloca o título, em algum
momento já quis mudar?
Marianice: Não.
12) Que reação (sensação)
a Sra. tem ao ver o seu trabalho terminado?
Marianice: Uma sensação
de missão cumprida, como é bom, sinto-me leve!
13) A obra "O ponto final que não
foi o fim do conto" teve inspiração em quê?
Ou em quem?
Marianice: Na rotina da vida.
14) A Sra. ao preparar as suas obras tem em mente passar algum
aprendizado (lição de vida)?
Marianice: Não lição
de vida, mas, como direi: um alerta para certas atitudes.
15) Como é o "retorno" por
parte dos apreciadores? Deixa-a satisfeita?
Marianice: Depende das pessoas, algumas
me colocam para cima, outras, me deixam com a alta estima baixa, mas
faz parte.
16) A Sra. participa do Grupo Experimental,
da AAL. Como é o trabalho lá?
Marianice: Sou a Coordenadora, gosto
muito, mas já está na hora de outra eleição.
Eu procuro fazer com que os participantes exercitem a arte de escrever,
promovo palestras de professores de categoria; procuro a cada dia incentivar
mais e mais os meus companheiros.
17) Aos estudantes, o que indica?
Marianice: Para nunca pensarem em
parar de ler, isto é tudo na vida, ao escolher entre um supérfluo
e um livro, por favor caros estudantes escolha o livro, mesmo que você
não tenha maturidade para aquela leitura, se for assim, guarde
o livro e um dia o lerá com toda a maturidade do mundo.
18) Qual recado deixaria aos leitores do site?
Marianice: A vida é muito
curta, vamos viver a cada minuto como se fosse o último, este
é o melhor jeito de viver, não se prenda ao passado, nem
pense muito no futuro, pois se assim faz não conseguirá
viver o presente, que sempre nos é tão prazeroso.
19) Como pode ser encontrado os seus trabalhos?
Marianice: Nos "Cata Ventos"
(Informativo do Grupo Experimental), no Jornal Folha da Região
(mas nem sempre estão publicando)
POESIA "REFLEXO"
Dobra-se uma pele,
outra, e mais outra,
é um plisse se formando.
Dobra-se um tecido,
uma, outra, e mais uma vez,
é uma saia de plisse!
Hoje no rosto as rugas,
resultado das rusgas.
No armário, o vestido
de plisse, pendurado.
No rosto as dobras,
das cansadas sobras
de todas as suas obras
de um tempo que se foi!
O vestido de plisse
está no armário, empoeirado.
O rosto, com pó de arroz,
está no espelho em plisse! - 2ª colocação
no Concurso "Osmair Zanarde"
POESIA: "O PALHAÇO"
Cabisbaixo e mudo...
Está ali o palhaço
A vida lhe foi um aço
Mas, a curtiu passo a passo!,
Pensativo, solitário e triste.
Volta ao remoto passado,
Nos picadeiros do circo
Só alegria trazia
Na solidão de seu quarto
Apesar de mulher não ser,
Sente como se fosse um parto
As dores lhe saindo do corpo
E a voz feminina dizendo
- Eu parto!
Lhe caem lágrimas doídas,
Nunca antes sentidas,
Vendo a amada partindo
Lhe deixando sem saída!
Agarra, da moça, as mãos
Implora sua estadia
e ela sem pena, arredia,
se afasta com ousadia!!!
POEISA: "O PÂNICO"
Fuga,
da realidade,
da calamidade,
da impossibilidade!
Não se quer o sofrimento,
a tragédia,
o empecilho
o pânico!
Sofrimento e realidade
Não se tratam de opostos
São vertentes do mesmo lado
Estão sempre a postos.
Tragédia e calamidade:
Caminham juntas
De mãos dadas!
O empecilho, o impedimento,
A tranca, o impossível,
São assim; irreversíveis
Os caminhos são travados
Não tirando o homem do ninho
Aconchegando-o em pânico,
Dentro de um pergaminho!!!
CONTO: O GRITO
O espírito natalino já
caminhava no ambiente daquela casa.
No jardim, a esposa do cultivador
de rosas perfumadas, o encontra com uma chávena de café.
Uma maneira de pedir desculpas
por não o ter tratado muito bem naquela manha, ter sido grossa
com um ser tão dedicado a seu trabalho. O rapaz agradece e com
gestos firmes arranca ervas daninhas daquele jardim, sua mente após
o tão bom café,se concentra naquele trabalho, em volta
dele tudo acontece, mas o moço não percebe nada. A jovem
esposa se retira cumprimentando a copeira que acaba de chegar a mansão,
brinca com o minúsculo cachorro e se encaminha até a lavanderia
da residência onde cuidará da roupa dos moradores deste
lar. No caminho ainda dá uma olhada nos canários da índia
pertencentes aos donos da mansão, faz um carinho em suas penas,
ouve o canto mavioso dos mesmos e se encaminha ao seu labor.
Alguém, ,estaciona o
carro no gramado, muito lentamente, suas pernas caminham até
a mansão não atina a presença do cuidador de flores
que muito envolvido ali trabalha.
Quando não se ouvia nem uma palavra, ouve-se um estridente grito,
vindo de um dos cômodos da tão linda residência.
Neste momento o cultivador de
flores se assusta saindo de sua concentração.
Em seguida ouvem-se passos rápidos
saindo da bela residência: o jardineiro agora observa que não
era o morador, mas o carro é de um dos donos da mansão.
O jardineiro fica em dúvida se foi o dono que havia chegado,
ou, aquele que está saindo em disparada neste momento.
Abandona seus afazeres e entra
na residência, subindo a tão tradicional escada que acaba
em forma de épsilon, muito rapidamente entra em um dos aposentos,onde
numa linda alcova o ato sexual está sendo praticado na mais saudável
harmonia.O jardineiro muito discretamente sai dali.
São muitos quartos, vários
banheiros,salas e outros.
Resolve o nosso amigo olhar
em todos os outros cômodos da referida casa, até que num
determinado momento ao adentrar à cozinha vê sobre a mesa
uma enorme leitoa morta.
19/07/2010
Coordenação e realização:
Prof. Pedro César Alves, Araçatuba/SP.