TEXTOS DO AUTOR

 

 

ENTREVISTADA

 

MARIA TERESA H. FORNACIARI

 

 

01) Quem é Maria Teresa Hellmeister Fornaciari?

Maria Teresa: Maria Teresa Hellmeister Fornaciari é uma mulher ávida por conquistar, por meio da palavra, conhecimento do mundo, do outro e de si mesma. Professora de Língua Portuguesa, sente-se privilegiada por “procurar a chave” para desvendar os mistérios deste espaço de sedução e encantamento, cotidianamente.

 

02) Antes de começar a falar do seu trabalho, o que a Sra. tem a falar da sua cidade?

Maria Teresa: Moro em São Paulo, cidade de contrastes e de desafios. Cidade onde se encontram raças as mais diversas, onde as culturas se mesclam a cada esquina, onde não há tempo para muitas trocas, mas que oferece oportunidades de trabalho e de aprimoramento. Cidade cinza e verde, veloz e culta. Cidade muito amada.

 

03) A Sra. gosta mais de ler, de escrever, ou de desenhar e pintar? Por quê?

Maria Teresa: Gosto mais de ler e de escrever, mas também gosto de pintar. Pintando, refugio-me e reflito, feliz com essa possibilidade de encontro comigo. No entanto, o escrever é minha maneira de enxergar melhor e sentir os aromas do universo. Escrever tornou-se quase um vício.

 

04) Quanto ao que escreve, a Sra. tem preferência por quais temas? Por quê?

Maria Teresa: Prefiro temas que levem à introspecção, ao espelhamento do eu. Essa é minha forma de enxergar-me, de conhecer-me.

 

05) Com quem se identifica mais em suas obras? Por quê?

Maria Teresa: Tenho profunda admiração pelos autores clássicos, mas aproximo-me dos mais modernos, principalmente daqueles que mergulham para dentro e emergem cheios de sondagens do que existe de mais íntimo. Aprecio muito Clarice Lispector, Drummond, Mia Couto e Philip Roth, dentre tantos outros.

 

06) Como foi a ideia de começar a escrever?

Maria Teresa: Fazer diários desde muito cedo, esse sempre foi o meu hobby.

 

07) O que a motiva a escrever? Tem alguma mania ao fazer? Algum "cantinho"
especial?

Maria Teresa: Uma de minhas manias é levar uma espécie de caderninho na bolsa, para dele lançar mão toda vez que uma ideia boa surgir, ou mesmo uma palavra que me chame atenção. Isso já me rendeu alguns constrangimentos, pois nem sempre os lugares são os mais apropriados; por exemplo, na quietude da sala escura do cinema, muitas vezes “tive” que fazer alguma anotação, para pasmo do estranho que estava ao lado. Aliás, tenho vários caderninhos espalhados aqui e ali, para alguma emergência.

Quanto ao motivo do que me leva a escrever, cito as leituras, os acontecimentos mais banais do cotidiano, as sensações, as viagens, as alegrias e, muitas vezes, as tristezas bem doídas.

 

08) Com toda certeza a Sra. já ouviu críticas sobre o seu trabalho. Como as encara?

Maria Teresa: Encaro-as com coragem e com a consciência de que só assim o trabalho poderá tornar-se mais amadurecido e muito mais satisfatório.

 

09) Falando sobre seus trabalhos, como decide sobre os títulos?

Maria Teresa: Gosto de títulos curtos, de preferência de uma palavra só. Procuro sempre
grande concisão e pretendo que eles sejam bem fiéis em relação àquilo que representam. Títulos são sinônimos de tarefa muito árdua.

 

10) Depois que coloca o título, em algum momento já quis mudar o título da apresentação?

Maria Teresa: Já me senti tentada a isso, mas procuro não alterar os títulos que também têm relação com uma certa intuição, com um certo casuísmo.

 

11) Que reação (sensação) a Sra. tem ao ver o quadro/tela terminado?

Maria Teresa: Sensação de prazer imenso, de espaço conquistado, mesmo sabendo que o caminho ainda é muito longo e as buscas, infindáveis.

 

12) A obra "Tambores e Violinos" teve inspiração em quê? Ou em quem?

Maria Teresa: O livro de poesias TAMBORES E VIOLINOS foi grandemente inspirado em minhas atividades como professora de Literatura. Professora dentro da sala e vinculada à escola dentro de casa.

 

13) A obra "SINFONIA", menção honrosa no concurso de Contos “Cidade de
Araçatuba”, teve inspiração em quê? Ou em quem?

Maria Teresa: O conto “SINFONIA” foi inspirado em um conto de Lygia Fagundes Teles chamado “Venha ver o pôr do sol”. Conto que muito me marcou e que me fez refletir sobre os relacionamentos possessivos e doentios. Sobre pessoas egocêntricas e infelizes.

 

14) A Sra. ao preparar as suas obras tem em mente passar algum aprendizado?

Maria Teresa: Procuro sempre refletir sobre a vida, mas não tenho em mente objetivos pedagógicos e moralizantes. Nunca tive.

 

15) Como é o "retorno" por parte dos apreciadores da boa arte da escrita? Deixa-a satisfeita?

Maria Teresa: Fico constantemente muito feliz com um retorno positivo, com uma palavra carinhosa em relação ao que registrei por escrito. Cada texto é meio filho e quem fala bem do filho...

 

16 - A senhora participa de algum grupo de estudo ou associação cultural?

Maria Teresa: Gosto muito de participar de Cursos de Escrita Criativa e sempre que possível frequento instituições que os oferecem. Sempre há o que aprender, sempre há o que refletir a respeito do fazer estético.

 

17) Aos estudantes, o que indica?

Maria Teresa: Leitura, leitura, leitura. Muita leitura para arejar as ideias e depois desembaraçar a mão. Escrever é como andar de bicicleta numa prova ciclística. Há muitas quedas e arranhões, mas o prazer ao cruzar a reta de chegada é alentador.

 

18) Qual recado deixaria aos leitores do site?

Maria Teresa: Diria que a palavra é poderosa e que, se bem tratada, funciona como um amigo fidelíssimo. É companheira e, muitas vezes, salva e redime. Merece ser cultivada.

 

19) Como se pode ter contato com o seu trabalho?

Maria Teresa: Tenho um blog - OUVINDO MEUS BOTÕES - onde costumo eriodicamente registrar impressões, postar pequenos textos, falar por escrito. Será um prazer encontrar por lá quem tiver vontade de registrar “dois dedinhos de prosa”.

 

19/09/2010

Coordenação e realização: Prof. Pedro César Alves, Araçatuba/SP.

*

ABRAÇOS!

 

 




restaurante recife

 

"Quem não lê não pensa,

E quem não pensa será para sempre um servo."

 

ESTOU MUITO FELIZ!

 

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