TEXTOS DO AUTOR

 

 

ENTREVISTADO

 

MAURO RICO

 

MAURO RICO

 


01) Quem é MAURO RICO?

Mauro Rico: Um homem simples, caseiro, que ama a sua família acima de todas as coisas que existem. Sou uma pessoa que procura na vida, a cada dia, a oportunidade de aprender alguma coisa boa e a concretizar meus sonhos.

 

02) Antes de começar a falar do seu trabalho, o que o Sr. tem a falar da sua cidade?

Mauro Rico: Araçatuba é meu ninho. Aqui estou onde deveria estar. Amo Araçatuba porque é uma cidade que reúne todas as boas coisas que uma boa cidade deve ter, como trabalho, moradia, qualidade de vida, educação, saúde, segurança, lazer, cultura e mobilidade social. Não falem mal de Araçatuba pra mim, por favor. Me entristece saber que algumas pessoas que aqui conseguiram tudo o que têm, insistem em falar mal de Araçatuba. Por que não deixam a cidade então?

 

03) O Sr. gosta mais de ler, de escrever, ou de desenhar e pintar – ou, ainda, encenar? Por quê?

Mauro Rico: Gosto de todas as artes, sem exceção. Minha formação acadêmica e profissional, que é a arquitetura e o urbanismo, me obriga a estar antenado com o que está acontecendo, ao consumo e ao aprendizado, ainda que autodidata, de todas as artes. Como artista, sou mesmo é compositor e músico, contrabaixista. A música é responsável, excetuando-se os momentos com a família, pelos momentos mais agradáveis da minha vida. Algumas artes, como as plásticas, são elementos importantes no meu trabalho de arquiteto e programador visual, mas não sou artista plástico, nem tenho competência para isso. A Literatura me fascina, gosto e preciso de escrever. Como consumidor de literatura, já fui um grande devorador de livros. Hoje não leio com a frequência recomendada e raramente compro um livro. Quando o faço, é para suprir alguma necessidade técnica em meu trabalho ou de amigos autores. Comigo tem acontecido um fato curioso, os livros que eu preciso ler, acabo ganhando-os. Agora, de todas as artes, a que mais me inquieta é o Teatro. Todas as vezes em que fui assistir a uma peça, sem exceção, não consegui me sentir envolvido pelo espetáculo e passo o tempo todo da peça observando isoladamente, a iluminação, o plano utilizado pelo diretor, o cenário e o pior, a sensação permanente e absurda que o ator está na eminência de errar o texto. E você há de convir comigo que não dá pra ficar numa sala de espetáculo com uma ansiedade dessas, certo? Vou ao Teatro geralmente nas estréias dos amigos atores aqui de Araçatuba e pronto. Das artes cênicas, o Cinema e a Dança são as minhas linguagens preferidas. Mas aí você me pergunta: se o Teatro lhe causa tantos conflitos, como você escreve um musical, como é o caso das Aventuras do Rio Tietê e se propõe a encená-lo? Não sei o que lhe responder. Só lhe digo que estar no palco, sob a personagem de O Fogo, e no envolvimento com os outros atores do musical, me dá grande prazer.

 

04) Quanto ao que escreve, o Sr. tem preferência por quais temas? Por quê?

Mauro Rico: No momento, tenho me dedicado à produção de dois livros: um é sobre gastronomia, minha grande paixão. Esse livro, que deverá se chamar “Pour mes amis” (Para meus amigos) é composto somente com receitas de minha autoria, criadas a partir de respostas colhidas em um questionário que elaborei com todos os ingredientes alimentares possíveis, e que foram enviados a 50 amigos meus. Esse é um projeto que me traz grande contentamento e que deverá, se tudo correr bem, ser publicado em 2011. O outro, ao qual me dedico já há 7 anos, é um livro sobre a história da música em Araçatuba. Atualmente esse trabalho se encontra com cerca de 70% da pesquisa realizada e será um trabalho que por enquanto, não tenho como dizer quando ou se será publicado.

 

05) Com quem se identifica mais em suas obras? Por quê?

Mauro Rico: Bem, não sou um literato. Sou um compositor, faço músicas. Escrever para mim, como no caso do texto das Aventuras do Rio Tietê, foi uma necessidade. Necessiade de contar para as crianças, de uma forma mais alegre e convincente, os problemas ambientais advindos do atual modelo de contato do Homem com a Natureza.

 

06) Como foi a ideia de começar a escrever?

Mauro Rico: A ideias de escrever o musical foi a partir de uma viagem que a banda da qual faço parte, a Banda Companhia & Música, que na época era formada pelo César Menezes, pelo Querô, e pelo Daniel Sécolo, foi convidada para animar o Congresso Estadual da Sociedade Civil dos Comitês de Bacia na cidade de Praia Grande, em 2006. Na volta, viemos eu e o Cesar Menezes conversando sobre o assunto e chegamos à de que, em congressos dessa natureza, há muita conversa e muitas propostas mas, que o foco estava errado, deveria ser outro, a forma da abordagem deveria ser outra. As crianças deveriam ser o alvo principal e a abordagem não deveria ser acadêmica e nem formal. Daí surgiu a idéia do musical.

 

07) O que o motiva a escrever? Tem alguma mania ao fazer? Algum "cantinho" especial?

Mauro Rico: No que diz respeito aos textos, sejam eles artísticos ou técnicos, o que me motiva a escrever é a necessidade. Não me utilizo da arte de escrever para o meu prazer. Para isso, uso a música. Quando preciso escrever algum texto, sento-me em meu escritório com meu computador e escrevo. Depois de escrito, desligo o computador e saio, vou fazer outras coisas. Volto mais tarde e aí então, viro crítico de mim mesmo, faço correções, consulto dicionário, faço consultas com amigos, até chegar a uma forma e conteúdo que considero adequados.

 

08) Com toda certeza o Sr. já ouviu críticas sobre o seu trabalho. Como as encara?

Mauro Rico: Quem disser que não fica magoado perante uma crítica desfavorável ao seu trabalho, mente. A crítica desfavorável magoa porque ela não considera o estágio evolutivo e muito menos o esforço de quem produziu a obra. Por outro lado, saber encarar com serenidade, ainda que com dificuldade, esse tipo de situação, é muito importante porque você pode estar à frente de três situações boas: a primeira, é o crítico ter razão e você vai aprender com isso; a segunda, é o crítico não ter compreendido o seu trabalho e você vai ter a oportunidade de explicá-lo e por último, o crítico não tem competência para criticá-lo e isso vai fazer com que você o identifique como uma pessoa a ser evitada, o que é bom também.

 

09) Falando sobre seus trabalhos, como decide sobre os títulos?

Mauro Rico: No caso das minhas composições musicais, eles vem por último. No caso dos dois livros que estou escrevendo, eles vieram primeiro e definiram o rumo a seguir. Isso não quer dizer que, quando prontas, as obras não possam ter outros nomes.

 

10) Como o Sr. estabelece uma relação entre o título e a obra?

Mauro Rico: Eu acredito que quando você produz alguma coisa em termos de arte, os processos criativos são tantos que, particularmente eu não consigo defini-los com precisão. Em alguns momentos, o título nos conduz ao processo, em outros o processo é inverso. Não sei como definir como isso ocorre comigo. Em algumas canções, esse processo inclusive não existiu. A música chegou pronta, inclusive com o título. Acho que a Música, pelo fato de ser dentre as artes a mais etérea e impalpável, propicia essa quebra de procedimento, de “modus operandi”. É aquela coisa do quando pensei em ser, já era.

 

11) Depois que coloca o título, em algum momento já quis mudar o título da música?

Mauro Rico: Sim. Alguns inclusive são alterados por sugestão de amigos.

 

12) Que sensação o Sr. tem ao ver o seu texto terminado?

Mauro Rico: Creio que toda pessoa que se dedica à produção de arte, sente um imenso prazer e euforia quando conclui o seu trabalho. Não tem como não se sentir dessa maneira. É a recompensa pessoal que é conferida por Deus a todas as pessoas que criam alguma coisa boa. Digo isso porque, a arte, em todas as suas manifestações e segmentos, são os bens mais preciosos de todas as civilizações e culturas, e isso confere aos artistas, o status de seres especiais nesse planeta. Quando concluo um trabalho, sinto-me feliz por ter contribuído para o estabelecimento de alguma coisa boa, ainda que ninguém possa sentir a mesma coisa ou dar a devida importância a isso.

13) Antes de falar de “As aventuras do Rio Tietê”, fale um pouquinho do seu trabalho como ator/produtor.

Mauro Rico: Bem, eu não sou um ator como eu lhe disse. Sou músico e minha experiência é toda calcada na música e creio que foi por isso que não pensei em escrever uma peça de teatro, mas um musical, onde eu pudesse participar também sem ter que passar pelos árduos processos de construção de uma personagem por que passam os atores. O Alexandre Melinsky, nosso diretor, certamente desistiria de nos dirigir, se eu teimasse em fazer algum papel como o Tietê, por exemplo. No palco, sou um músico que encarna a personagem O Fogo. Estou ali para me movimentar como O Fogo e tocar o meu instrumento, só isso. Tenho uma fala só, bem curtinha e no entanto já aconteceu de esquecê-la na hora. Decididamente, meu negócio não é o teatro.

Como produtor, estamos em fase de consolidação da Cobra D’água Produções Artísticas e Culturais Ltda., nossa pequena empresa. Ela foi criada para viabilizar legalmente as nossas produções e a dos amigos que necessitam sair da informalidade para serem contratados por empresas e entidades como o SESC, SESI, prefeituras, empresas, etc... A Cobra D’água é uma empresa que tem, além do objetivo comercial, comum a todas as empresas, a mudança de paradigma no que diz respeito à mudança da práxis do capitalismo, através da adoção dos conceitos do Ecomercado, tendência de empresas que pregam a sustentabilidade e atitudes humanitárias em seus relacionamentos comerciais, contratados e colaboradores.

Uma das marcas da Cobra D’água Produções é o seu compromisso ambiental. Através de nosso selo de certificação, o Carbono Cultural, todas as atividades em uma produção que realizamos, desde ensaios, produção de impressos, consumo de energia elétrica, combustíveis, etc..., são computadas as emissões de gás carbônico decorrentes dessas atividades e são feitas as devidas neutralizações do carbono emitido, através do plantio e manutenção de árvores por 02 anos em nosso pequeno bosque, na Lagoa do Miguelão, aqui em Araçatuba. E acreditamos estar no caminho certo. Fundada em 2008, a Cobra D’água tem auxiliado um grande número de artistas da cidade, o que fez com que fossemos agraciados com o Troféu Odette Costa nos anos de 2009 e 2010.

 

14) A obra "AS AVENTURAS DO RIO TIETÊ", que está entre as três finalistas do Concurso Nacional Prêmio ANA, instituído pela Agência Nacional de Águas teve inspiração em quê? Ou em quem?

Mauro Rico: “As aventuras do Rio Tietê” veio da necessidade de se aparelhar o Comitê da Bacia do Baixo Tietê, do qual fazia parte na época, de uma instrumento de Educação Ambiental não formal para ser aplicado nas escolas da rede oficial, nos 42 municípios que fazem parte da bacia hidrográfica do Baixo Tietê.

A inspiração veio, como lhe disse anteriormente, durante nossa viagem ao congresso na Praia Grande juntamente com a Banda Companhia & Música e de minha conversa com o César Menezes mas, no que diz respeito ao conteúdo instrucional do musical, a inspiração e argumentação para a criação do texto, veio de um trabalho que a Selma Rico e eu fizemos em 1997, juntamente com o Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia Legal e o Rotary Club Araçatuba, que foi o filme “Tietê, onde estão tuas tietes?”.

Esse filme, um documentário sobre o Rio Tietê, desde a sua nascente até a foz, nos fez percorrer o Tietê em seus 1.250 quilômetros, de automóvel, à pé e de barco e demandou dois anos de pesquisa e seis meses de filmagem. Teve a participação de uma equipe fantástica, como o Kato da Kato Videosom como Diretor de Imagem, a Ana Paula Junqueira como repórter e o arquiteto Sérgio Honda como Diretor de Arte. Pois então, toda a pesquisa feita pela Selma acabou servindo de base para a criação do texto porque, infelizmente, a realidade ambiental do Tietê, continua a mesma de então.

 

15) O senhor participa de algum grupo de estudo, artes cênicas ou associação cultural?

Mauro Rico: Participo como sócio-fundador da ALMA – Associação Livre dos Músicos de Araçatuba da qual sou o 1º Secretário, participo também da ASSESA – Associação das Escolas de Samba de Araçatuba na qual faço parte do Conselho Fiscal e ainda faço parte do CMPCA – Conselho Municipal de Políticas Culturais do qual sou o 1º Secretário e Conselheiro Titular, representando as Empresas Produtoras de Arte e Cultura de Araçatuba.

 

16) Aos estudantes, o que indica?

Mauro Rico: Dedicar-se de corpo e alma a alguma forma de expressão artística, procurar abster-se de televisão e videogames para se divertir, ter alguns amigos de verdade, ler um livro por mês e serem sempre responsáveis pelos seus atos. Fez cagada? Assuma, aprenda e siga em frente.

 

17) Qual recado deixaria aos leitores do site?

Mauro Rico: Nenhum, o que tinha a dizer, foi dito. Agradeço o privilégio de poder dizer o que penso nesse veículo tão importante como o seu Boletim Cultural.

 

18) Como se pode ter contato com o seu trabalho?

Mauro Rico: Através do meu e-mail COBRA D'ÁGUA PRODUÇÕES. Estou sempre pronto a colaborar.

 

23/10/2010

Coordenação e realização: Prof. Pedro César Alves, Araçatuba/SP.

*

ABRAÇOS!

 

 




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