TEXTOS DO AUTOR

 

 

ENTREVISTADO

 

NALBERTO VEDOVOTO

 

NALBERTO VEDOVOTTO

 

01) Quem é Nalberto Vedovotto?
Nalberto: Sou formado em Direito, pela Toledo, jornalista profissional, radialista, com pós graduação em gestão de finanças e produção, também pela Toledo. Atualmente exerço a função de Superintendente do Instituto de Cidadania Criança Feliz, na cidade de Araçatuba, ministrei até o mês de agosto, aulas pelo Instituto Premier, em parceria com a Faculdade Salesiano, e escrevo todas as quintas-feiras a coluna “Retalhos”, no jornal “Folha de Birigüi”, da cidade de Birigui.

02) Antes de começar a falar do seu trabalho, o que o Sr. Tem a falar sobre a nossa cidade?
Nalberto: Moro em Birigui, e para falar da sua cidade, Araçatuba, vou ater-me ao meu relacionamento e conhecimento em função de meu trabalho à frente da ONG. Araçatuba, apesar de ser sede administrativa da 9ª. Região fica muito a dever no oferecimento de oportunidades de trabalho a seus habitantes. Sua economia é baseada na agro-pecuária, e os principais pecuaristas têm se caracterizado por ganhar dinheiro em Araçatuba e investir em outros estados, como o Mato Grosso, por exemplo. Outra fonte importante de desenvolvimento são as Usinas de Açúcar e Álcool, mas também dão pouco retorno em investimento à cidade. Sua economia é gerada sobre micros e pequenas empresas (indústria e comércio), não oportunizando vagas de empregos suficientes à população, notadamente ao jovem e adolescente, e o que se vê é o crescente aumento da pobreza na periferia. Mas, a população de Araçatuba é muito cordial, receptiva, e hoje me sinto perfeitamente à vontade na cidade.

03) O Sr. Gosta mais de ler ou de escrever? Por quê?
Nalberto: Gosto das duas coisas igualmente. Não consigo ficar uma noite sem ler uma revista (Veja, Pesca & Cia; Você & Cia e Pro-Teste), ou páginas de um livro. Sempre estou lendo algo. Acabo de ler um e logo a seguir inicio a leitura de outro. Na semana passada acabei de ler o segundo volume da obra de Dostoievski – “Crime e Castigo”, e agora iniciei a leitura do livro de Augusto Curi – “O Vendedor de Sonhos”. Por ler de forma intensa, escrever assiduamente é uma forma de colocar em prática o que aprendo na teoria.

04) Com qual escritor se identifica mais? Por quê?
Nalberto: Não tenho um escritor preferido e, tampouco, uma leitura restrita. Busco sempre ler os livros que estão na relação das principais revistas, e tomo por base a Revista Veja, através da qual já li os livros: “O Monge e o Executivo”, “Seja um Lider servidor”, ambos do autor James Hunter, o livro “O Segredo, “O Caçador de pipas”, “Quando Nitzche chorou”, “A menina que roubava livros”, “Marlei & Eu” e tantos outros.

05) Como foi a idéia de começar a escrever?
Nalberto: A leitura entrou muito cedo em minha vida, por volta de 12 anos de idade. Nessa época trabalhava como mirim, na Prefeitura de Birigui e estudava no período noturno. Por não ter muito tempo de sobra para a leitura, o fazia no trajeto de minha casa ao trabalho e do trabalho de volta para casa, no horário do almoço. Quantas vezes topei com o poste de energia elétrica!!! Como gostava de ler, com 14 anos de idade, fui até o Jornal da minha cidade – “O Noroestino” e pedi uma oportunidade ao editor para escrever uma coluna semanal sobre quaisquer assuntos. Ele topou e não parei até hoje.

06) O que o motiva a escrever? Tem alguma mania ao escrever? Algum cantinho especial?
Nalberto: No jornal, na minha coluna semanal, tenho como missão escrever um artigo, sempre com a finalidade de aproveitar algo que aprendi para deixar como mensagem ao leitor. Quase sempre escrevo sobre o cotidiano, algum assunto envolvendo política, economia, amenidades, ou sobre um livro que li, ou mensagem que recebo pela Internet. A Coluna é completada com entrevistas de pessoas, não necessariamente famosas, faço uma pequena entrevista, busco extrair o que tem de melhor e passo a mensagem ao leitor. Para escrever não tenho nenhuma mania. É só ter um computador disponível, em casa ou no escritório, e sentar à frente para colocar no papel aquilo que me vai à alma.

07) Escrever traz ás vezes, sucessos. Como encara isso? E como sua família vê isso?
Nalberto: Apesar de ter três livros publicados: “Birigui – A revolução que começou pelos pés”; “Só por Deus” e “De mendigo, andarilho a bacharel em Direito”, não me considero escritor. O primeiro o fiz para deixar registrada a história do setor calçadista de Birigüi, o segundo: “Só por Deus” é a história de uma mulher birigüiense que tinha três filhos normais, e que a partir dos sete anos de idade, todos perderam a capacidade motora e ficaram completamente dependentes da mãe, até para se alimentar (é aquela doença que foi retratada no filme “Óleo de Lorenzo”), e o último, é a história verídica do cidadão Ivanilton. Tanto o livro “Só por Deus”, quanto “De mendigo, andarilho a bacharel em Direito”, os escrevi porque são histórias reais, maravilhosas, de dois seres humanos fantásticos, e todo o produto da venda está sendo destinado aos dois.
Tenho 56 anos de idade, penso que sucesso é ser feliz, ter uma família bem estruturada, um emprego do qual consiga pagar todas as minhas contas, poder dar uma pescadinha de vez em quando, e admirar o mais que puder a natureza. Ter uma fé em Deus e vivenciá-la por meio de exemplos e ajuda ao próximo. Isso é sucesso para mim. Minha família – esposa e filha – sempre me incentivou e apoiou.

08) Os textos, como toda certeza, emocionam. Dos que o Sr. Escreveu, qual emocionou mais?
Nalberto:
Eu gosto de transmitir emoção ao leitor, e escrever sempre para que fique uma lição, um exemplo positivo a serem seguidos. Foi no caso da Fátima – a mãe dos três meninos de “Só por Deus”, cuja lição foi sua total renúncia à própria vida para viver integralmente a dos filhos. No caso do Ivanilton: “De mendigo, andarilho a bacharel em Direito”, várias são as lições para que nos miremos. A falta de amor dos pais, e o que isso representa de negativo, nefasto na vida de um filho, as pessoas que cruzaram seu caminho e o ajudaram sem nenhum interesse, sua vida com a droga, tráfico e sua força de coragem para largar tudo e começar a vida com integridade, o seu amor à leitura, conhecimento, estudos etc. Enfim, são essas atitudes de pessoas simples, do povo, que me emocionam e me levam a ficar um, dois ou mais anos a trabalhar sobre um tema, sem ganhar nenhum centavo por isso. A alegria de contar uma bela história não tem preço!

09) Escreve baseando-se em fatos que acontecem em sua vida ou em observações ao seu redor?
Nalberto:
Os livros e os artigos que escrevo para o Jornal são todos baseados em fatos que acontecem em minha vida, no dia-a-dia. Mas, daqui a uns dois ou três anos, quando me aposentar definitivamente, com todo o tempo do mundo a meu dispor, tenho muita vontade de começar a criar ficção, personagens, histórias infantis etc. Não sei se conseguirei, mas me sentiria muito realizado se Deus me desse esse dom.

10) Falando do texto em questão “De mendigo, andarilho a bacharel em direito” como decidiu o titulo?
Nalberto:
Quando finalizei o livro, o submeti a uma análise crítica de uma empresa especializada que existe na cidade de São Paulo. Uma empresa editorial que faz a correção gramatical e sugere várias alterações no texto e até no título. Por exemplo, o título deste livro seria: “Sequidão d’alma”, mas essa empresa mostrou que não despertaria o interesse do leitor, daí mudar para “De mendigo, andarilho a bacharel em Direito”.

11) Que reação o Sr. Teve ao ver o texto terminado?
Nalberto:
Olha, a reação é indescritível, a mesma de um atacante que faz um gol de bicicleta, em pleno Maracanã lotado, decidindo o título do Campeonato Brasileiro entre Flamengo e Corinthians! É uma emoção única, como se tivesse nascido um filho, cuja gestação foi acariciada nos nove meses. Ainda mais para quem escreve, como eu, por diletantismo, sem a preocupação com a crítica especializada, ou se vai despertar algum interesse dos ditos intelectuais da cidade, ou mesmo para colocar o livro à apreciação de um grande número de leitores. O aspecto da solidariedade – ajuda ao próximo – sempre vem em primeiro lugar.

12) Houve retorno por parte dos leitores? Deixou-o satisfeito?
Nalberto:
As pessoas que lêem dificilmente entram em contato com o autor. Tiro por base a mim. Creio já ter lido mais de 1.000 obras e nunca me interessei em entrar em contato com nenhum escritor. Mas, nos dois casos, da Fátima e do Ivanilton, várias foram as pessoas que chegaram a mim para cumprimentar pela iniciativa, e se mostravam muito tocadas por ambas as histórias. Outros iam além e diziam mais ou menos isso: “A partir de hoje nunca reclamo da minha vida”. Isso deixa o autor feliz, porque seu trabalho atingiu o objetivo.

13) Falando de sua obra, existe alguma realidade entre o que o Sr. Escreve e os outros escritores?
Nalberto:
Acredito que sim, pois são histórias reais, verídicas, e o ser humano é igual em todas as partes do mundo. Mudam-se apenas o nome, endereço, mas basicamente todos amamos, sofremos, construímos nossas famílias, vencemos profissionalmente ou fracassamos, participamos politicamente de nossa comunidade ou nos alienamos por inteiro, passamos uma vida ajudando o próximo, ou simplesmente buscando bens materiais, riqueza, fama e sucesso. Como vê, o ser humano é igual em todo o planeta, o que muda às vezes é sua cultura, sua forma de encarar o que está a sua volta. Por isso acredito existir muita semelhança entre as histórias que narrei, com outros livros já escritos, mas em momento algum tentei ler um livro para reproduzi-lo naquilo que estava escrevendo.

14) O Sr. Participa de algum grupo de escritores (reuniões de escritores)?
Nalberto:
Não, já cansei de participar de associações, agremiações, clubes de serviços, instituições profissionais. Hoje eu quero mais é sossego, como diria o filósofo Tim Maia. E sinceramente? Acho esse negócio de associação disso ou daquilo, uma perda de tempo, falta de ter o que fazer de positivo a si mesmo ou ao próximo.

15) E da academia Araçatubense de letras?
Nalberto:
Creio que não participaria de uma Instituição dessas, mas sou humano, vai que de repente a mosca da vaidade me pica? Imortal? Somente nosso grande Mestre – Jesus Cristo.

16) O que tem a dizer a Academia Araçatubense de letras?
Nalberto:
Nada, não conheço e não tenho o mínimo interesse em conhecer.

17) Aos estudantes do Ensino Médio daria quais dicas de leitura?
Nalberto:
Olha, meu filho, só há uma saída na do ser humano, que é por intermédio da leitura, conhecimento. Aquele que não gosta de ler, trate de mudar seu paradigma o mais rápido possível, pois ficará na rabeira da história. Se leitura não fosse algo que trouxesse benefícios reais ao ser humano, principalmente para um bom e disputado profissional, só o prazer que causa é algo que ninguém pode descrever, é uma felicidade única, intransferível. Se um dia Deus me privar da visão, não puder mais ler, pediria que tivesse um ser humano que o fizesse a mim. Não consigo imaginar minha vida sem a leitura diária de algum texto, por insignificante que seja. Até mesmo a leitura de uma bula de remédio traz informações importantes, interessantes. Infeliz daquele coitado que desperdiça preciosos minutos da sua vida no ócio, sem um texto à mão para deleitar-se, ter prazer, emocionar-se... Bem, para o estudante do Ensino Médio, o conselho que dou é buscar livros que ajudem a melhorar a sua auto-estima, o capacite no tocante à comunicação (existem vários autores brasileiros que são ótimos), passeie por autores nacionais: Machado de Assis, Carlos Drumond de Andrade, Jorge Amado, Erico Veríssimo, Augusto Curi, Graciliano Ramos, Rui Barbosa, os que constam das listas de revistas Nacionais ou Internacionais – que são Best Sellers, e ao decidir-se por uma carreira profissional, buscar autores diversos que tratam do mesmo tema, para que não forme uma única opinião a respeito. Ah! não esqueça de ler muito, mas muito mesmo, biografia de vencedores, do Brasil e do Mundo.

18) Quer deixar algum recado aos nossos leitores (publicação no site)?
Nalberto:
Gostaria de deixar os meus sinceros agradecimentos pelo interesse neste meu livro, e que a leitura traga a todos uma visão diferente acerca do que é a vida. O personagem Ivanilton, que saiu das cinzas, como ele mesmo falou, mostra-nos que é possível conseguir atingir o objetivo a que se propôs na vida. Nada é impossível àquele que tem uma fé inabalável, primeiro em Deus, e depois em si mesmo. O Brasil é um pais maravilhoso, pleno de oportunidades aos jovens que querem fazer a diferença. Eu afirmo que qualquer jovem que tenha um ideal, por mais pobre e miserável que seja, vindo de onde vier, do fundo do poço, de uma família completamente desestruturada, que se ele quiser chega lá, é só estudar, ter amor a si próprio, ao próximo, aproveitar as oportunidades que surgem à sua frente, e fazer de sua história uma “lenda a ser seguida”. Nós nascemos para ser feliz!!!

Nalberto Vedovotto concedeu entrevista aos alunos:
Matheus Borges Jamariquele, Luiz Fernando Rocha, Mike, Carlos Eduardo, Rodolfo , 1º Colegial 'E' (2008).

Coordenação: Prof. Pedro César Alves, Araçatuba/SP.

 

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ABRAÇOS!

 

 




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"Quem não lê não pensa,

E quem não pensa será para sempre um servo."

 

ESTOU MUITO FELIZ!

 

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