01) Quem é FRANCISNO ANTÔNIO FERREIRA TITO DAMAZO?
Tito Damazo: Minha formação:
professor de Português (Funepe, 1972); Especialista em Literatura
e Teoria Literária (Funepe, 1980); mestre em Letras na área
de Literatura Brasileira (Unesp. S.J. do Rio Preto, 1999); doutor em
Letras na área de Literaturas de Língua Portuguesa (Unesp.
S.J. do Rio Preto, 2005). Na escola pública oficial, fui professor
efetivo de Português; Diretor Regional de Ensino e Diretor de
Escola. Na escola particular, fui professor de Literatura no Colégio
Toledo, no Objetivo/COC. Sou professor de Literatura Brasileira e Teoria
Literária e Coordenador do Curso de Letras no UniToledo, desde
1990. Sou poeta com dois livros de poesia publicados: Insubmissão
(Academia Araçatubense de Letras, 1994) e Contrabaixo
(Paco, 2010); um livro de ensaio: Ferreira Gullar: uma poética
do sujo (Nankin, 2006). Publico a coluna Poetagem na Folha da Região
(segundo domingo de cada mês), desde 1994. Sou membro da cadeira
17 da Academia Araçatubense de Letras (que tem como patrono Carlos
Drummond de Andrade), da qual fui presidente no biênio 2007/2008.
02) Antes de começar a falar do seu
trabalho, o que o Sr. tem a falar da sua cidade?
Tito Damazo: Nasci em Avanhandava,
morei, no período da adolescência/juventude, em Penápolis.
No início da carreira de professor em Rosana, durante seis anos.
Em 1978, com minha família, passei a residir em Araçatuba.
Aqui tivemos o filho caçula. Portanto, sou, efetivamente, Araçatubense,
pois praticamente, aqui, comecei minha cidadania como homem adulto produtivo
e contribuinte. Aqui me arraiguei, criamos nossos filhos, criamos laços,
consequentemente, gosto muito de Araçatuba e a considero minha
terra.
03) O Sr. gosta mais de ler e de escrever, ou de desenhar e
pintar? Por quê?
Tito Damazo: De desenhar
e pintar sou completamente incapaz. Ler e escrever são duas atividades
pelas quais sou apaixonado e que integram uma das principais atividades
de minha vida.
04) Quanto ao que escreve, o Sr. tem preferência por
quais temas? Por quê?
Tito Damazo: Todos. Pois
todos os temas e assuntos decorrem da condição humana,
o que é, ao final, a razão última por que se escreve.
05) Com quem se identifica mais em suas obras?
Por quê?
Tito Damazo: Muito difícil, se não
impossível, saber isso. Os grandes poetas e prosadores clássicos
e modernos, os grandes teóricos de literatura, os grandes filósofos
são a seara por que me incursiono constante e infatigavelmente.
Logo, se não todos, uns e outros ressoam em minha literatura.
06) Como foi a ideia de começar a escrever?
Tito Damazo: Isso é
algo também meio inconsciente. Quando não, pegamo-nos
escrevendo e tendo prazer em fazê-lo. Julgo haver também
uma forte dose de aptidão.
07) O que o motiva a escrever? Tem alguma mania
ao fazer? Algum "cantinho" especial?
Tito Damazo: O que me motiva
a escrever é a vida, a condição humana. Escrever
é essencialmente um ato solitário, por isso precisamos
de um lugar em fiquemos tão somente nós e a criação.
08) Com toda certeza o Sr. já ouviu críticas
sobre o seu trabalho. Como as encara?
Tito Damazo: Esforço-me
por aceitá-las. As críticas decorrem de vários
fatores, desde a leitura acurada, à antipatia pessoal que causamos
até à ojeriza pelo nosso estilo.
09) Falando sobre seus trabalhos, como decide sobre os títulos?
Tito Damazo: Também
é algo inconsciente. Ora o tema nos leva imediatamente ao título,
o qual pode mudar depois, ora nos leva a nos preocuparmos com a criação
do texto de que acaba emergindo o título.
10) Como o Sr. estabelece uma relação entre o
título e a obra?
Tito Damazo: O título
não é gratuito. Sempre tem uma relação intrínseca
com o conteúdo e ou a forma.
11) Depois que coloca o título, em algum
momento já quis mudar o título da apresentação?
Tito Damazo: Como disse acima,
isso acontece às vezes.
12) Que reação (sensação) o Sr.
tem ao ver a obra terminada?
Tito Damazo: Não é
única. Às vezes de contentamento. Outras, no entanto,
de incompletude, como se não atingíramos ainda o que pretendíamos.
13) A obra "BILY NÃO THE KID"
teve inspiração em quê? Ou em quem? (Se
me permite, escolhi esta obra porque estou trabalhando em sala de aula
com ela.)
Tito Damazo: Gostei desta
percepção que teve entre o fazer a telha e o construir-se
da personagem. A criação poética é muito
diversa e, muitas vezes, estranha. Veja. Sou um amante de um bom western.
A história do lendário Billy the Kid, caçado e
exterminado por Pat Garret é um dos filmes que volta e meia revejo.
O “meu Bile” baseia-se num sujeito cujas determinações,
disciplinas e capacidade de enfrentar a vida de frente me foi lembrada
pelo filme, quando o revi. Aspectos do personagem me foram “concedidos”
pela pessoa com a qual convivi naquele meio e que era apelidada de Bil.
14) O Sr. ao preparar as suas obras tem em
mente passar algum aprendizado?
Tito Damazo: Não.
Como fica subentendido na entrevista, escrevemos por necessidade, uma
coisa meio compulsiva. Mas toda obra tem algo a dizer, tem mensagem,
ainda que não tenhamos intenção. O que efetivamente
se quer é ser lido.
15) Como é o "retorno" por
parte dos apreciadores da boa arte da escrita? Deixa-o satisfeito?
Tito Damazo: Ora satisfeito.
Ora desolado. Ora surpreendido. Ora... Enfim, ficamos como todos ficam
diante de uma apreciação de seus atos.
17 - O senhor participa de algum grupo de estudo
ou associação cultural? A Academia de Letras de Araçatuba/
outros – como funciona?
Tito Damazo: Bem, como já
disse, faço parte da Academia Araçatubense de Letras.
Não participo de grupos de estudos sistemáticos, embora
tenha uma relação assistemática com um grupo de
professores de vários estados do País, que se aproxima
em torno de um temário que pesquisa sobre o mesmo e que, periodicamente,
num congresso em que nos encontramos anualmente, apresenta seus estudos,
concluídos ou em andamento.
18) Aos estudantes, o que indica?
Tito Damazo: Seria enorme
a lista do que indicar. Entretanto, recomendo que leiam, além
dos grandes autores universais, os “clássicos” autores
brasileiros, desde Alencar a Clarice Lispector e João Guimarães
Rosa (prosadores) e desde Tomás Antônio Gonzaga a João
Cabral de Melo Neto e Ferreira Gullar (poetas). Além disso, sugiro
descobrirem os grandes autores contemporâneos: Rubem Fonseca,
João Ubaldo Ribeiro, Milton Ratoum, Cristovão Tezza (prosadores);
Manoel de Barros, Paulo Henriques Britto, Fabrício Carpinejar,
Eucanaã Ferraz (poetas); os grandes clássicos de outros
países de língua portuguesa, desde Eça de Queirós
a Fernando Pessoa; Agualusa, autor angolano; Mia Couto, autor moçambicano.
19) Qual recado deixaria aos leitores do site?
Tito Damazo: O óbvio,
que às vezes não é devidamente pensado: leiam,
leiam e, aos que gostam, escrevam, escrevam.
20) Como se pode ter contato com o seu trabalho?
Tito Damazo: Meu primeiro livro está
esgotado (deve ser encontrado na AAL - Academia Araçatubense
de Letras). Ferreira Gullar: uma poética do sujo e Contrabaixo
são encontráveis na livraria Nobel, no Shopping,
e ainda Contrabaixo, na Livraria dos Amigos.
Obs.: sobre o professor doutor Tito
Damazo, o professor Hélio Consolaro (Secretário de Cultura
de Araçatuba) escreveu e VALE
A PENA LER.
16/10/2010
Coordenação e realização:
Prof. Pedro César Alves, Araçatuba/SP.