01) Quem é ZULMAR LOPES?
Zulmar Lopes: Zulmar Lopes é
um jornalista carioca que desejava ser cineasta, mas atreveu-se na literatura.
Tem alguns prêmios literários, além de contos e
crônicas publicados em diversas antologias. Escreve um romance
há anos e espera terminá-lo ainda nesta encarnação.
02) Antes de começar a falar do seu
trabalho, o que a Sr. tem a falar da sua cidade?
Zulmar Lopes: Nasci no Rio de Janeiro
e nele sempre vivi. Sou uma espécie de provinciano enjaulado
numa cidade cosmopolita. O Rio de Janeiro hoje enfrenta uma série
de problemas sociais mas é impossível ficar alheio ao
seu charme. Encravada entre o mar e a montanha, dona de belezas naturais
incomparáveis e de uma arquitetura e história espetaculares,
o Rio merece ser tratado com mais carinho. Não consigo me imaginar
vivendo em outra cidade.
03) O Sr. gosta mais de ler, de escrever, ou de desenhar e pintar?
Por quê?
Zulmar Lopes: Pelo incrível
que pareça, prefiro a leitura à escrita. Nela eu me transporto,
esqueço da vida, dos meus problemas. A leitura é a minha
droga. Gosto muito de escrever, mas confesso que a obrigação
da escrita, fruto do meu trabalho de jornalista, me deixa um pouco preguiçoso
quando me aventuro na literatura. Não sou um escritor obcecado
por minha obra, daqueles que se angustiam diante da tela em branco do
computador.
04) Quanto ao que escreve, o Sr. tem preferência para
qual (quais) temas? Por quê?
Zulmar Lopes: Observo que a solidão
é um tema recorrente em minhas histórias. Acredito que
o homem moderno cada vez mais se enclausura em si mesmo, deixando de
lado as relações pessoais. Creio que a Internet é
um pouco culpada por este fenômeno. Vivemos atualmente isolados
atrás de monitores de computadores. Temas urbanos e a cidade
onde moro também estão presentes em minhas narrativas
por motivos óbvios. Notei que ultimamente tenho escrito bastante
sobre a velhice, talvez em virtude do meu amadurecimento.
05) Com quem se identifica mais? Por quê?
Zulmar Lopes: Identifico-me bastante
com Nelson Rodrigues e seu retrato da classe média decadente
e sem pudores. Aqueles contos onde suas personagens trabalhavam no centro
do Rio e pecavam e Copacabana (bairro onde moro), sempre me fascinaram.
No começo, minha escrita se assemelhava muito, tanto em forma
quanto em conteúdo, a do Nelson, mas com o tempo fui adquirindo
o meu próprio estilo.
06) Como foi a ideia de começar a escrever?
Zulmar Lopes: Começar a escrever
foi consequência do leitor ávido que sou. Porém
meus primeiros textos eram sofríveis. Fiquei bastante tempo sem
escrever por achar que não possuía talento suficiente,
mas a popularização dos computadores na década
de 90 me deram um novo alento. A facilidade eletrônica de poder
corrigir, aperfeiçoar, burilar o texto me fez descobrir que eu
não era tão medíocre quanto pensava. Faltava carpintaria
ao meu estilo.
07) O que o motiva a escrever? Tem alguma mania ao fazer? Algum
"cantinho" especial?
Zulmar Lopes: Creio que o prazer
de contar uma boa história seja a minha maior motivação.
Sou, antes de tudo, um contador de histórias. Manias creio que
eu não tenha alguma, contudo prefiro o silêncio ao escrever.
Quanto ao "cantinho" especial, hoje, em virtude de uma doença
que afetou minha coluna cervical e não me permite ficar muito
tempo sentado, escrevo no conforto de uma poltrona reclinável
com o notebook no colo, ou seja: tenho um local especial por força
das circunstâncias.
08) Com toda certeza o Sr. já ouviu críticas
sobre o que faz. Como as encara?
Zulmar Lopes: Com a maior naturalidade
possível, principalmente quando elas são construtivas
e visam o aprimoramento do meu trabalho. Seria muita petulância
eu acreditar que sou um autor já formado. Estou sempre em busca
do meu aperfeiçoamento como escritor mesmo tendo a consciência
de que esta perfeição será relativa, nunca absoluta.
E para tal, a crítica sempre será bem vinda.
09) Falando sobre seus textos/livros, como decide sobre os
títulos?
Zulmar Lopes: Em geral, o título
é a última coisa em que penso quando escrevo. O título
funciona como a moldura de um quadro e não se começa uma
tela pela moldura.
10) Como o Sr. estabelece uma relação
entre o título e o trabalho feito?
Zulmar Lopes: Creio que o título
deva chamar a atenção do leitor para a história,
contudo não precisa necessariamente ser floreado a ponto do leitor
ficar em dúvida sobre o que ele irá ler. Ainda usando
a alegoria do quadro e da moldura, o que importa mais é o conteúdo,
mas o título, assim como uma moldura, deve enfeitar o texto,
mas ele não é, segundo o meu entendimento, o item mais
importante.
11) Depois que coloca o título, em algum
momento já quis mudar?
Zulmar Lopes: Algumas vezes, mas
em geral o titulo permanece. Tenho um conto chamado "A Ratoeira"
onde só é revelado ao final que a personagem que está
sendo alvo de uma perseguição é um rato. Evidente
que o título matou a surpresa do final. Talvez um dia eu o troque.
12) Que reação (sensação) o Sr.
tem ao ver o seu trabalho terminado?
Zulmar Lopes: Alegria e alívio, pois demoro
muito a concluir minhas histórias. Algumas passam anos passeando
pela minha mente até serem definitivamente escritas. Pode-se
imaginar então a felicidade quando eu as finalizo.
13) A obra "A PROFESSORA DE CALIGRAFIA",
menção honrosa no Concurso de Conto Cidade de Araçatuba,
teve inspiração em quê? Ou em quem? Comente um pouco
sobre.
Zulmar Lopes: Inspirei-me em um fato
relatado por uma amiga. Sua vizinha tinha um namorado que ia a sua casa,
pedia que ela cozinhasse e depois levava as sobras. Imaginei uma personagem
entrada na terceira idade (Gertrudes), professora de caligrafia, profissão
em declínio em virtude dos computadores, que sente-se humilhada
quando seu amante, depois de satisfazer-se sexualmente dela, pede que
ela faça um bolo de laranja e leva o que sobrou para a esposa.
14) O Sr. ao preparar as suas obras tem em
mente passar algum aprendizado (lição de vida)?
Zulmar Lopes:Não. Concentro-me
em contar um boa história, seja o final edificante ou não.
15) Como é o "retorno" por parte dos apreciadores
da boa escrita? Deixa-o satisfeito?
Zulmar Lopes: Fico muito satisfeito quando comentam
que os meus finais são surpreendentes. É claro que um
retorno positivo ao nosso trabalho nos deixa satisfeitos, mas procuro
manter a humildade e procurar melhorar sempre.
16) O Sr. participa de algum Grupo de Escritores?
(Se sim, como é o trabalho lá?)
Zulmar Lopes: Participo de dois grupos na rede de relacionamentos
do Orkut. A "Concursos Literários" que com
o tempo se tornou ótima fonte de divulgação de
editais e regulamentos para concursos. Em quase todos os concursos literários
do circuito brasileiro temos alguém da nossa comunidade premiado,
o que nos deixa orgulhosos e felizes pelo serviço que estamos
prestando a novos autores que buscam esta forma de reconhecimento.
Participo também da comunidade literária "Bar
do Escritor", celeiro de ótimos autores. Já
lançamos uma antologia e agora estamos preparando a segunda que
será lançada em agosto durante FLIP (Festa Literária
internacional de Paraty), em Paraty.
17) Aos estudantes, o que indica?
Zulmar Lopes: Aos mais novos, Monteiro
Lobato, sempre. Aos adolescentes, indico uma leitura que me cativou
na juventude. "Um Certo Capitão Rodrigo",
de Érico Veríssimo. Nem só de bruxos ou vampiros
se faz literatura de ação que desperte interesse nos mais
jovens.
18) Qual recado deixaria aos leitores do site?
Zulmar Lopes: Deixo o meu agradecimento
pelo espaço concedido e peço que leiam cada vez mais.
O Brasil precisa de leitores
19) Como pode ser encontrado os seus trabalhos?
Zulmar Lopes: As antologias são
difíceis de serem encontradas pois se tratam de premiações
e, consequentemente, são distribuídas gratuitamente pelos
organizadores. Fiquei um tempo sem publicar na internet por motivos
de direitos autorais, mas agora estou reativando meu blog. Quem desejar
conhecer um pouco do meu trabalho pode acessar ZULMAR
LOPES - BLOG .
01/08/2010
Coordenação e realização:
Prof. Pedro César Alves, Araçatuba/SP.