Setembro de 2010
CALA A BOCA,
MAURICE...
Uma
Academia de Letras tem a finalidade de cultivar a língua e a
literatura nacional. Temos a nossa aqui em Araçatuba e os objetivos
acima mencionados, ela luta por cumprir.
Fui buscar no discurso de Machado
de Assis, no longínquo julho de 1987, a certeza de que os nossos
acadêmicos procuram atender ao apelo que o grande escritor fez
no seu discurso de posse, como presidente:
“Passai aos vossos sucessores
o pensamento e a vontade iniciais, para que eles o transmitam aos seus,
e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes páginas
da nossa vida brasileira”
Fiat lux....lux, no caso, o Grupo
Experimental da Academia Araçatubense de Letras.
Criador e criatura, hoje, esquecendo
ligeiros e ocasionais percalços, se integram em cultivar a língua
e a literatura nacional. Ultimamente, também a literatura “
da casa”, posto que diversos autores da cidade tiveram suas vidas
e obras levadas às escolas na Semana da Literatura. O meu grupo,
já no ano passado, falou da escritora Rita Lavoyer. Este ano,
falamos de Marilurdes Martins Campezzi e de José Geraldo Martinez.
A meninada quis saber sobre eles,
o que faziam, onde moravam, disputaram os seus livros e se entusiasmaram...
parece que desconheciam que aqui temos os nossos escritores e que eles
são tão bons quanto.
“os confrades e confreiras
que, até agora, mais deram respaldo a Helio Consolaro nesta significativa
obra que é o Grupo Experimental da AAL... foram Cecília
Ferreira, Tito Damazo e Lúcia Piantino”.
Ainda estão presentes;
mais diretamente Cecília Ferreira, Marilurdes Campezi, Yara Pedro
e mais à distância, mas nunca negando uma palavra de incentivo
e carinho os demais, dentre os quais, destaco por imperioso, o professor
Tito, a acadêmica Maria Luzia Vilela, minha querida amiga e a
minha também muito querida, professora Maria Aparecida Baracat.
Mas voltemos ao Maurice, que
outro não é senão o Maurice Druon, escritor que
escreveu o sanguinário Chat dês Partisans; o cidadão,
na velhice, deu uma de machista, bombardeando a entrada das mulheres
na Academia Francesa de Letras. Dizia que elas, se admitidas, fariam
grupos “ tricotando” durante as discussões sobre
o dicionário.
Mon Dieu! Não seria “
bunitinho” ver a Lula, a Cecília, a Yara, a Cidinha, a
Pinhatino, dona Maria Luzia, fazendo os seus tricozinhos durante as
reuniões acadêmicas?
Ainda bem que o Maurice perdeu
a batalha; esteja onde estiver, o danado deve estar vendo o que estão
fazendo as nossas acadêmicas.
...E Deo Gratias!
osé Hamilton é
escritor e membro do Grupo Experimental da Academia Araçatubense
de Letras.
* J.Hamilton
escreve neste espaço toda semana.
O QUE FAZER?
Trabalhou a vida inteira. Amava
o que fazia; era uma atividade dinâmica. A competição,
acirrada. Justificava-se tanta garra com a necessidade de ganhar o sustento
da família. Havia, no íntimo, uma mola poderosa que o
impelia cada vez a dedicar-se mais. Queria, na verdade ser o melhor.
A estrela que mais brilhasse. Ser apontado como o de carreira mais promissora.
Havia sempre dois ou três que deveriam ser observados, pois eram
os que com ele mais competiam pelo lugar mais alto no podium. Não
há quem não queira o sucesso e isso não é
pecado. Colocar o produto no melhor ponto de venda, fazer a operação
mais lucrativa e fazer convergir sobre ele os olhos admirados dos superiores.
Ganhar os prêmios e comissões, chegar em casa e ver o orgulho
estampado nos rostos da esposa e dos filhos. Quantas noites em claro,
lutando para entender o desgraçado do tal de ciclo RAA, uma maldita
de uma renina que sob a ação de um angiotensiógeno
se tranformava em angiotensina um e que... puxa vida. E não soubesse
essas desgraceiras todas pra ver. Mais era bom chegar nas convenções
e ganhar o videocassete dado ao primeiro lugar na simulada médica.
Quantas foram as madrugadas
nas quais pegava o carro e ia cobrir o setor de trabalho ou para as
reuniões de ciclo, nas quais os resultados eram cobrados , os
novos objetivos traçados e as avaliações de conhecimento
eram feitas.
Toda essa carga de responsabilidade,
tendo, em muitas ocasiões, um filho doente no berço ou
uma dívida pendente.
Havia, é verdade, toda
uma assessoria auxiliando na preparação do profissional
e dando-lhe suporte mas, em quantos momentos foi decisivo o fato dele
se bastar. Não tinha essa de se tornar celebridade, mas quando
os holofotes o procuravam nos eventos internos da empresa, tudo se ajustava
na cabeça, as emoções do reconhecimento fazendo
esquecer todas as agruras.
A alternância entre os
momentos de doçura e os de amargura era tão repentina,
que não havia tempo para o prazer ou o sofrer... Mas o pouquinho
de prazer que se conseguia, era eterno. Esquecia-se do resto.
Mas essas coisas não
são próprias somente dessa atividade. E daí, não
se está falando de todas, mas de uma só... A dele.
De repente, um flash de amargura
vem com o quantum de tempo já ido. Olha em volta, vê uma
garotada, vê antigos colegas, competidores dignos já com
os chinelos e pensa: está chegando a hora. Quando chegará
a minha ?
- Deus, afaste este cálice
de mim.
Mas Ele não tem muito
a ver com isso, tudo fruto da nossa própria organização
de vida. Será procurado para dar conforto nas horas de amargura,
servir de lenitivo, fazer o papel de Pai.
De repente e não mais
que de repente.. "cadê você, cadê você...
outros repetem as suas jogadas... no vídeo taipe da vida, a história
gravou".
Um dia, levantou-se para a jornada
diária de trabalho. Como fazia sempre, foi barbear-se.
No espelho, o "outro" lhe disse, quase que sussurrando:
- Vai dormir, seu tonto. Você
já era.
José Hamilton é
escritor e membro do Grupo Experimental da Academia Araçatubense
de Letras.
* J.Hamilton
escreve neste espaço toda semana.
Agosto de 2010
O SUPINO?
O dia mais difícil da
sua vida, foi o ontem.
Nele, veio ao mundo em um lar,
família classe média, proprietária de terras, gente
boa e trabalhadora.
Perto da casa, um rio, uma cachoeira
pequena, um remanso onde havia uma bacia natural na qual as mulheres
lavavam as roupas.
A vida corria, como se diz:
legal.
Um dia, ainda recente na memória
apesar do tempo, o menino ficou em pé na porta da cozinha, com
as pernas e braços abertos. O cachorro da casa, não tendo
por onde passar, passou por entre as suas pernas e o levou junto lá
pra baixo..., a casa ficava mais elevada, para evitar os danos do rio,
nas enchentes.
Um braço quebrado. Era
tarde, quase por anoitecer. Seu tio, colocou-o nas costas e foi rumo
à estação para pegar “o noturno”; esse,
já havia partido. Restou uma caminhada de mais de vinte quilômetros
até a cidade, onde os cuidados médicos seriam tomados.
O tempo passou, o braço
sarou e a vida mudou.
Já meninão, foi
estudar para ser padre, por influência do meio no qual vivia e
porque alguns amigos disseram que iam, foi também.
Rezar, estudar, praticar esportes.
Quando não era assim, era praticar esportes, estudar e rezar.
Vocês sabem o que é o supino? Pois é: ele sabe.
Nos retiros espirituais, por
ocasião da semana de carnaval, incomunicabilidade por três
dias consecutivos. Formava-se grupo de três seminaristas que caminhavam
pelas dependências do seminário, sob observação
dos padres e a única coisa permitida era rezar o rosário.
Havia um puxador e os outros ficavam com os ora pro nóbis.
Ave Maria, cheia de graça:
“Cacete, você me deu uma paulada naquele lance”, o
senhor é convosco "Ah! Você que é frouxo”,
bendita sois vós: “Frouxo é sua mãe”.
E assim oravam, conversavam
e acho que Nossa Senhora ria lá de cima... Corja!
Havia um padre que gostava de
vinho. No ofertório, o coroinha colocava três gotas no
cálice. O padre ficava esperando, olhando com cara de bravo.
O menino colocava mais um pouquinho... nada. O padre ali, olhando feio.
O jeito era derramar. Um dia, na sacristia, o padre disse:
- Olha, “firio”
io non vô ti excomungá. Vô te quebrar a cara, desgraciato.
O vinho é seu?
Deus dispôs e o menino
saiu do seminário; aliás, Ele não dispôs.
Na verdade, pôs um rabo de saia no caminho do já adolescente,
em uma das últimas férias. Viram, contaram para o pároco
da cidade e a igreja perdeu, quem sabe, um bispo ou até mais.
Mas o que aprendeu, serviu para a vida. Ficou sabendo a respeito de
uma língua, que já era morta; mas o que deu de trabalho,
a desgraçada. Foi ali que ficou sabendo do supino, do dativo,
do ablativo e outras figuras...
Uma vez, tomando o café
da manhã na companhia do bispo, estava descascando a laranja
com garfo e faca. A maldita escapou, correu pela mesa, bateu no bule
de café, caiu tudo na roupa do santo homem. Foi excomungado.
Virou Corintiano.
Ad aeternum. Por sinal, aeternum
está no acusativo, regido pela preposição ad.
Bem, no seminário a matemática
não era lá muito estudada. Padre, já que não
aprende a somar, também não multiplica. A divisão
que pregam não necessita de cálculos. Só restou
ao ex-seminarista, o clássico. Depois fez um curso de Letras
e por fim, de Direito.
Do ontem até hoje...
se não caiu do céu, também não teve que
cavucar muito. Se houve alguma dificuldade, foi ontem e ele, já
era.
O que tinha que fazer na vida,
já fez.
Agora, prest’enção
nos filhos e netos... só observando.
Ah! Sim. E o supino?
José Hamilton é
escritor e membro do Grupo Experimental da Academia Araçatubense
de Letras.
* J.Hamilton
escreve neste espaço toda semana.
SENHORES E SENHORAS
Aqui fala o comandante deste
vôo, que ora decola rumo às eleições; façam
um bom percurso e que Deus nos ajude.
É comum ouvir de pessoas
de “fina stampa” que eleição é
isso e aquilo, que o voto não deveria ser obrigatório,
que nas eleições as pessoas deveriam ir para um retiro,
que não há renovação de políticos
e o resultado é a repetição de velhos vícios.
Quem entra para uma disputa
eleitoral, acusa o opositor de fazer política com as “
mãos sujas”; bastou ganhar uma eleição e
está lá: não há sabão suficiente.
O cenário não
muda, os atores não mudam e o que é pior, permanecemos
presos às nossas ultrapassadas convicções: não
votar é ruim e outras.
Em verdade, digo: não
votar com consciência é pior.
Outro dia li uma manchete: "a
esquerda somos nós”; e eu pensando que esse negócio
de direita, centro e esquerda, hoje, fosse coisa de mão de trânsito.
Nada disso, sem essas baboseiras, como um político-raposa vai
filosofar.
"Falando assim, até
parece que o PSDB está à esquerda do PT."
"Mas nós estamos
à esquerda mesmo”.“O PT não é esquerda.
Já foi.”
Parece coisa do Heráclito.
- Uai, esse eu não conheço,
candidato a quê?
- Não é candidato,
é um filósofo maluco que dizia que o que é, não
é. O que não é, é. O que... sei lá
mais o quê. Ou seja, para ele tudo se origina na oposição
dos contrários.
Quando a Rita Lavoyer deu essa
aula de filosofia no Grupo Experimental, pensei: “Tadinha, ficou
igual.”
Quando um governante é
pego com a mão na botija, diz que cometeu equívocos. Quando
é o adversário, aí sim: é safado, corrupto.
E o Congresso, as comissões
parlamentares de inquérito, como diz famosa música: “tudo
acabado e nada mais...”
Chegou a um ponto a encrenca,
que uma política aqui da vizinhança disse: “hoy,
resulta que es lo mismo ser derecho que traidor”.
Eis a confirmação
do que disse aquele maluco: é mas não parece.
Parece mas não é. Deus!
Então, o que se presume,
é que deve haver por parte das pessoas de boa vontade, preocupação
para que desenvolvam esforços no sentido de convencer a sociedade
a se mobilizar para acabar com a ideia que eleição é
porcaria, que todos os políticos são corruptos e que nada
mais vale a pena. Somos frutos da política vinte e quatro horas
por dia. Ao dar uma descarga, haverá injunções
de ordem política no fato.
Na eleição, vá
para um retiro, não vote e você verá aumentar o
número de crianças na rua, o número de desabrigados,
maior delinqüência, maior lotação dos presídios,
mensalidades escolares mais caras, menos salas de aulas... e o culpado
é você. Sem tirar nem por.
Há quem diga que: “político
de carreira é aquele que faz de cada solução, um
problema”.
Não sei se é verdade
ou não. Para que não corramos o risco, vejamos se entre
os nomes a serem sufragados na eleição vindoura, existe
algum que não se encaixe nesse perfil.
Parece que as coisas estão
melhorando. Enquete da Folha da Região mostra que 47,16% acompanham
a vida política. Somemos os 36,93% que procuram se informar e
teremos um quadro animador.
É bem verdade que os
retiros ficarão vazios mas uma oração estará
sendo rezada na postura consciente de um eleitor exercendo a sua cidadania.
Talvez seja por onde começar
a ter consciência no ato de votar.
José Hamilton é
escritor e membro do Grupo Experimental da Academia Araçatubense
de Letras.
* J.Hamilton
escreve neste espaço toda semana.
A LÁGRIMA
Uma lágrima é uma
lágrima e nada mais. Um pouco de h2O, impregnada de elementos
químicos. Nas aulas de anatomia, sua vida é contada, suas
qualidades enaltecidas.
Mas é em outro contexto
que a lágrima ou o que ela reflete ocupa um espaço, uma
maior exploração: o poético. Poesia em toda parte
e de todas as formas e se não a citam nominalmente, sugerem-na.
"E só agora, a partir
de agora, posso lhe dar meu colo, tardio de mãe, minha voz solitária,
e essa lágrima quente enterrada há mais de um século
no aperto inexplicável desse coração de cor vermelho”,
na poesia “menino de couro”, de Hila Godinho. Lágrima
citada e sugerida; quase sempre mostrando um coração em
frangalhos.
Lágrima de alegria, não
dá poesia.
Talvez porque, segundo Rubem
Alves “os olhos dos poetas são sempre olhos que se despedem”.
São vertidas por saudade,
por existir uma distância, por falta de encanto, por um lugar
vazio, um leito frio, por medo de perder, de sofrer e até, de
ser.
Elas ocupam sempre um lugar
que ficou vazio em nossas vidas. Lágrima e solidão combinam
mais que arroz com feijão.
Ah! Foste embora. Deixaste esta
vida e foste para o além, onde um dia nos encontraremos, frente
aos anjos e arcanjos... Deus do céu!
Lágrima de alegria incontida...
alguém conhece algum poema famoso que fale de alegria incontida?
Frente aos que falam de miséria, de desgraça, não
pagam nem placê.
Lágrima de amor... existe?
Tá certo, existe pela falta dele.
Há quem diga que lágrima
não faz mal, que lubrifica os olhos e coisa e lousa. Olho lubrificado,
alma enferrujada.
Não dá outra.
Se for para escolher, eu escolho os colírios.
Às vezes a gente chora
por um bom motivo: lágrima por um justo orgulho. Ver um filho
se formando, um neto nascendo e outros mais... mas não, poesia
não dá; faltam boas rimas para esse tipo.
Quando, dentro da gente, mora
um sentimento bonito, alegria, a poesia, se feita, não faz sucesso...
parece praga, sio!
A não ser em velório,
onde se chora acompanhado de outras pessoas, sempre quando a lágrima
aparece você está sozinho. “Na solidão sozinha,
eu acordei...” o que tem de poesia começando mais ou menos
assim.
Lágrimas de esperança...
serão lágrimas doces ou amargas?
O que é esperança?
Esperar o que se deseja, mas ainda não tem? Expectativa? Ter
fé em conseguir?
Sabe, esse papo de lágrima,
já deu o que tinha que dar.
José Hamilton é
escritor e membro do Grupo Experimental da Academia Araçatubense
de Letras.
* J.Hamilton
escreve neste espaço toda semana.
Julho de 2010
PELAMORDEDEUS!
Sentimento é uma disposição
de afeto com relação a algo ou a alguém e se manifesta
em determinadas circunstâncias; pergunto, houve durante esta Copa
do mundo um sentimento de brasilidade, como se viu por exemplo, em 1958
ou 1970?
Houve emoção exacerbada como de
outras vezes?
Sentimento e emoção caminham juntas
e não havia sentimento suficiente para gerar uma forte emoção
na torcida brasileira desta feita.
Tratava-se de uma Seleção Brasileira
ou de brasileiros do Milan, do Barcelona, da Inter de Milão;
nessa Seleção, quantos jogadores atuavam no São
Paulo, no Corinthians, no Palmeiras, no Inter de Porto Alegre, no Botafogo
ou Cruzeiro, clubes que estão presentes no cotidiano de todos
nós, nas conversas nos botecos ou nos campos das várzeas?
Quem poderia despertar maior sentimento na torcida,
o Kaká ou o Ganso, o Luiz Fabiano ou o Kleber, o Josué
ou o Hernanes, o Juan ou o Miranda, o Júlio César ou o
Vitor; os “estrangeiros” estão alheios à realidade
da pátria e quase sempre, são os piores, fisicamente falando.
Onze craques não fazem um time. O que faz um time é uma
boa seleção de valores e um bom treinamento.
Não é só o Galvão,
é a imprensa inteira a mais valorizar quem trabalha na Europa
e cercanias. Onde já se viu: na Fórmula Um o carro é
estrangeiro, a estrutura também, assim como a infra-estrutura
e todo o capital envolvido e o Bueno a berrar feito um tarado: Brasiilll!
Brasiill!! Brasiiilll!!!
No futebol brasileiro, ou mais precisamente, na
imprensa esportiva brasileira tem uns “trecos” que não
dá para entender. Sei não que diabo de escolas de jornalismo
estes caras cursaram. Vivem falando em renovação:
- Que é isso, sio, o Ricardo Teixeira esta
há mais de trinta anos na Confederação Brasileira
de Futebol; ou sai ou a gente tira o sujeito de lá. Ele é
a desgraça.
Imediatamente perguntam:
- E ai Kfouri, quem você acha que é
o melhor nome para assumir como técnico na renovação
pretendida pela CBF.
- Uai, Felipão ou Luxemurgo.
“ Má“ que bela renovação,
cacete.
São bons nomes?
São, claro. Mas se é para renovar,
por que não considerar nomes que nunca estiveram lá e
que possuem “curricula” abonadores? Quem foi o técnico
mais vitorioso nestes últimos anos no Brasil, senão o
Muricy Ramalho? O que dizer do jovem e competente Silas ou ainda do
bom trabalho do Mano Menezes ou ainda Dorival Nunes?
Para cada jogador que trabalha fora, temos aqui
um de valor correspondente; é só convocar os melhores
do momento e dar-lhes bom treinamento... Será, como diz o seu
Zé: 'macuco no emborná'.
Haverá mais identificação,
como consequência, mais envolvimento entre Seleção
e torcida e as emoções transbordarão e serão
inesquecíveis, como já se viu.
Gostei quando disseram que a Copa da África
foi a bafana, bafana e aqui será a afana, afana. Estádio
novo com dinheiro público... Tá bom.
Querem que o meu Tricolor gaste seiscentos milhões
de reais para sediar uma abertura da Copa. Vão sediar abertura
na... na... então, lá mesmo.
É por essas e outras que estou gostando
cada vez mais de pescar.
José Hamilton é
escritor e membro do Grupo Experimental da Academia Araçatubense
de Letras.
* J.Hamilton
escreve neste espaço toda semana.
UM LUGAR ESPECIAL
Todas as vezes que o litlle Joe
quer impressionar uma linda jovem ele a leva até à margem
de um grande lago, de onde se descortina uma visão encantadora.
Se amar é bom e lindo, ali há a potencialização
do prazer.
Quando a lindinha se embasbaca
com o espetáculo, o desg... quer dizer, o jovem vaqueiro alia
um sorriso número 38 com um olhar 55 e dá o retoque final
no seu empreendimento de sedução. Pena que quase sempre,
no final do capítulo, a coitadinha morre ou sai de cena. Acho
que o produtor ou o diretor do filme tem uma queda pelo artista e...
quem usa, cuida.
Aqui um parêntese para
um fato e uma pergunta. O fato: Ponderosa é uma imensidão
de cactus e pedra. Como aquele povo ficou milionário com gado?
São quatro e mais um cozinheiro chinês. Chaparral ainda
tem muitos empregados, se vê algumas vacas que adoram comer galho
seco e pedra; isso, sem falar no Cochise e sua corja enchendo o... a
paciência. Acho que fazendeiro brasileiro gosta mesmo é
de chorar de barriga cheia.
Um lugar especial para viver...
Aqui temos um.
Não viveria melhor à
beira mar, desfrutando as visões paradisíacas das chapadas
ou os encantos das quedas de água, como as de Iguassu ou Iguaçu,
como preferir.
Não há beleza
em nenhum canto se na alma não mora o encanto. (Se você
conhece quem tenha dito esta frase, ponha aspas. Eu não ponho.)
Outro dia, levei uma dama para
ver a luz da lua incidindo no filete de água do nosso riozinho
Machado de Mello. Cercava-nos o silêncio da madrugada. Vislumbrávamos
pequenas flores dando sinal de vida com a iminente presença do
sol. Fiz como litlle Joe, armei meu sorriso 38 mas não deu tempo
de armar o olhar:
- Vamos embora...
Ela não se sentiu amada,
diriam uns. Tenha paciência, outros. Mas em mim não aconteceu
uma profunda dor ou estado de torpor, não fiquei cheio de frustrações
e dúvidas, como acontece nas grandes tragédias, nada de
crise exsistencial. Pensei: não dá com Maria, procuremos
Sofia.
Só que não é
bem assim. Não se leva a vida dando de ombros. Assim como existem
estradas que se bifurcam, temos a que convergem.
Procurarei então o ponto
de convergência no meu caminho e lá, por certo, encontrarei
alguém que, na pior das hipóteses, queira, porque gosta,
ver o “ Machadinho” nas noites de lua.
Assim: beber um chope no Bola
ou comer um cupim casqueirado na Chopompeu e na madrugada, ver o riozinho
e o sol nascer... seria um belo começo para uma segura indução
a um fim sabido e desejado.
Como diz uma letra do Roberto:
"Se o amor está, tudo faz sentido, tudo é permitido,
tudo fica em paz". Mas é preciso que tenhamos sensibilidade
para ver encanto em qualquer canto, senão, ainda lembrando o
Rei: “Quando o amor não está, sob a luz da lua,
as pequenas ruas, já não são iguais”.
José Hamilton é escritor
e membro do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras.
* J.Hamilton
escreve neste espaço toda semana.
Coordenação: Prof. Pedro
César Alves, Araçatuba/SP.