TEXTOS DO AUTOR

 

 

TEXTOS

 

PUBLICADOS NO JORNAL "O LIBERAL"

Caderno C

 

PEDRO CÉSAR ALVES

 

PEDRO CÉSAR ALVES

Pedro César Alves é professor e coordenador do site "Araçatuba e Região".

 

CRÔNICA DA SEMANA - 2011

 

Abril de 2012

CRÔNICA DA SEMANA

LITERATURA É COM ELAS

PARTE III

 

LYGIA BOJUNGAEsta coluna apresentou nos dois últimos sábados comentários sobre as mulheres na literatura. Dando continuidade, esta semana será a vez de Lygia Bojunga Nunes e Lygia Fagundes Telles. Em nível de município os destaques ficam por conta dos trabalhos das escritoras Marianice Paupitz Nucera e Marilurdes Martins Campezi – entre tantas que merecem ser lembradas, pois abriram caminhos e desbravaram espaços que nos era tão limitado. Cora Coralina, Clarice Lispector, Cecília Meireles e Adélia Prado – nível nacional, Ana Almeida, Cidinha Baracat e Emília Goulart – nível municipal, já comentadas. Na próxima semana – encerrando esta primeira série feminina: Zelia Gattai (nacional), Rita Lavoyer e Wanilda Borghi (municipal).
Lygia Bojunga nasceu em Pelotas, a 26 de agosto de 1932. Iniciou a sua vida profissional como atriz, dedicando-se ao rádio e ao teatro, até voltar-se para a literatura. Com a obra ‘Os colegas’ (1972) conquistou um público que se solidificou com ‘Angélica’ (1975), ‘A casa da madrinha’ (1978), ‘Corda bamba’ (1979), ‘O sofá estampado’ (1980) e ‘A bolsa amarela’ (1981). Por estes livros recebeu, em 1982, recebeu o Prêmio Hans Christian Andersen, o mais importante prêmio literário infantil, uma espécie de Prêmio Nobel da Literatura Infantil. O prêmio foi concedido pela International Board on Books for Young People, filiada à UNESCO. ‘Os colegas’ já antes havia conquistado o primeiro lugar no Concurso de Literatura Infantil do Instituto Nacional do Livro (INL), em 1971, com ilustrações do desenhista Gian Calvi. Tem recebido reiterados elogios da crítica especializada, quer brasileira, quer estrangeira. No cenário brasileiro é tida por muitos como a sucessora de Monteiro Lobato por estabelecer um espaço em que a criança tem – através da liberdade da imaginação – uma chave para a resolução de conflitos, o que Monteiro Lobato fazia com maestria.
Lygia Fagundes Telles nasceu em São Paulo, a 19 de abril de 1923. Conhecer sua literatura é dar de cara com personagens interessantes, misteriosos. ‘Ciranda de Pedra’ é o seu primeiro romance (já havia publicado livros de contos), lançado em 1954, e causando espanto em alguns críticos, pela solidez das ideias. Em 1963 lança ‘Verão no Aquário’, vencedor do prêmio Jabuti. Seu terceiro romance, ‘As meninas’, é uma das obras mais conhecidas de sua carreira, que narra os desencontros de três garotas durante a ditadura militar. Lygia é uma escritora engajada e vive a questão do terceiro mundo, buscando em suas obras tocar nos assuntos que de forma suave ou mascarada, mas sem esconder a realidade da cena de seu país. Acumula os mais diversos méritos e em 2005 recebe o prêmio Camões, o mais prestigiado da língua portuguesa, pelo conjunto da obra.
A araçatubense Marianice Paupitz Nucera é aposentada da CEF, formada em Letras, contista, poetisa, cronista e atua atualmente é Coordenadora do Grupo Experimental, da Academia Araçatubense de Letras – e considera que começou um pouco tarde no campo das letras, mas acrescenta: ‘Antes tarde do que nunca’. Mas, mexendo os rascunhos por aqui, encontrei que Marianice teve os seus primeiros poemas publicados no extinto jornal ‘A Comarca’, desde os anos de 1969. A autora gosta de falar das mazelas da vida, porque são tantas – e completa: ‘Ninguém parece enxergá-las’.
Marilurdes Campezi - Lula, araçatubense, membro da Academia Araçatubense de Letras, gosta muito de escrever e acha necessário colocar para fora as suas leituras, repassando ao público o seu aprendizado através de seus escritos. Em seu livro ‘Porta-retrato’, publicado em 1995 pela Academia Araçatubense de Letras, nota-se o amor que a escritora tem pela nossa cidade, retratando bem a história de Araçatuba; na fala da acadêmica Cidinha Baracat, pode ser conferido: ‘É preciso ver esse "Porta-Retrato", essa jóia da genial Lula. Quem nasceu aqui vai se deliciar e morrer de saudade. Quem chegou depois vai conhecer um pouco mais desta centenária senhora que, apesar de alguns pesares, ainda nos faz vibrar de amor e carinho por sua inesquecível história’.
Encerrando os comentários de hoje: ‘Quem é essa Teresa? / A mulher que conseguira penetrar seu próprio mundo ouve a pergunta e, aos poucos reconhece a voz de seu analista. / Nunca vou saber, responde, mas estou certa de que minha alma de mulher é tão vasta e perfeita que nela posso abrigar todas as mulheres do mundo. / Está bem Teresa. Pode abrir os olhos. A sessão já terminou. Está de alta.’ – do conto ‘Tantas mulheres’, de Marilurdes Campezi. – Simplesmente, simples! (Publ. em 28/04/2012)

Abril de 2012

CRÔNICA DA SEMANA

LITERATURA É COM ELAS

PARTE II

 

ADÉLIA PRADONa coluna da semana passada comentei sobre as mulheres na literatura. Dando continuidade, prosseguirei com mais alguns comentários sobre estas mulheres que, desbravando as letras, construíram caminhos maravilhosos, criaram mundos encantadores – e precisam sempre ser lembradas, e não somente dentro das escolas, mas também nos veículos de comunicação.
Cora Coralina e Clarice Lispector – a nível nacional; Ana Almeida e Cidinha Baracat – araçatubenses de destaques na semana passada. Esta semana o enfoque está voltado para Adélia Prado e Cecília Meireles, e a escritora araçatubenses Emília Goulart.
Adélia Luzia Prado de Freitas, escritora e poetisa mineira, nasceu em Divinópolis, no dia 13 de dezembro de 1936. Sua obra recria com uma linguagem despojada e direta, frequentemente lírica, a vida e as preocupações dos personagens do interior de Minas. Aos 14 anos já escreve seus primeiros versos e no início dos anos 70 tem seus poemas publicados nos jornais de sua cidade e de Belo Horizonte. Sua estréia individual acontece em 1976, com ‘Bagagem’, livro que chama a atenção da crítica pela originalidade e pelo estilo. Em 1978 escreve ‘O Coração Disparado’, com o qual conquista o Prêmio Jabuti de Literatura. Em 1979 publica ‘Solte os Cachorros’ e ‘Cacos para um vitral’ (1980) – prosa. O que mais chama a atenção na literatura produzida por Adélia Prado é a religiosidade embutida e/ou subentendida em seus textos. Ela trata e retrata as coisas do cotidiano com perplexidade, entendimento e pureza. Sua obra é atemporal, moderna, transformando em lúdico a realidade descrita, fazendo com que os fatos mais corriqueiros ganhem uma beleza poética de grande extraordinariedade. Na opinião de Carlos Drummond de Andrade, ‘Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo: esta é a lei, não dos homens, mas de Deus. Adélia é fogo, fogo de Deus em Divinópolis’.
Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, na Tijuca, Rio de Janeiro. Foi a única sobrevivente dos quatros filhos do casal. O pai faleceu três meses antes do seu nascimento, e sua mãe quando ainda não tinha três anos. Criou-a, a partir de então, sua avó D. Jacinta Garcia Benevides. Por volta dos 9 anos começou a escrever as suas primeiras poesias, com apenas 18 anos de idade, no ano de 1919, publicou seu primeiro livro ‘Espectro’ (vários poemas de caráter simbolista) – embora fosse o auge do Modernismo, a jovem poetisa foi fortemente influenciada pelo movimento literário simbolista. O gosto pela Literatura Infantil levou-a a fundar a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, em 1934. ‘O Cavalinho Branco’, ‘Colar de Carolina’, ‘Sonhos de menina’, ‘O Menino Azul’ – entre outros poemas infantis, nota-se a musicalidade – uma das principais características de sua obra. Faleceu em 9 de novembro de 1964, em sua cidade natal.
A escritora Emília Goulart nasceu em Buritama, SP. É membro do Grupo Experimental, da Academia Araçatubense de Letras. Teve a participação em várias coletâneas do Grupo Experimental e na coletânea ‘Araçalinda e outras Lindezas’ e coletânea do centenário de Araçatuba. Em 2004 publica ‘Essa gente’ (contos e crônicas, 2004) e ‘O diário de Vó Lina’ (romance datado de 2003 – e lançado em 07 de julho de 2011). Em um rápido papear com a escritora sobre o seu último livro, afirma que: ‘A ideia nasceu, numa rodada de bate papo entre velhos amigos. Na ocasião notei que éramos estranhos para nossos filhos, eles nada sabiam sobre o nosso passado, como se isso não lhes interessasse. Mas, a consequência vem e este distanciamento vai produzir desconforto tanto aos pais como aos filhos. Um diário quase sempre guarda segredos, sentimentos e ressentimentos íntimos. Conflitos interiores preenchem páginas e páginas de diários do mundo inteiro.’ Indaguei-a, ainda, sobre a contestação do personagem: ‘O personagem contesta dois tempos: o de vó Lina e o atual. De modo geral, a sociedade e o preconceito são os alvos preferidos.’ E, fechando o encontro que tive com a autora, perguntei sobre a mensagem do livro, completou respondendo: ‘Que a verdade sempre prevalece. Ensinamento, não, mas se alguém captar desse livro alguma lição, ficarei muito feliz.’
Encerrado os comentários de hoje, cito os versos encantadores de Adélia Prado, do poema ‘Impressionista: Uma ocasião, / meu pai pintou a casa toda / de alaranjado brilhante. / Por muito tempo moramos numa casa, / como ele mesmo dizia, / constantemente amanhecendo.’ – Simplesmente, simples! (Publ. em 21/04/2012)

 

Abril de 2012

CRÔNICA DA SEMANA

LITERATURA É COM ELAS

PARTE I

Estava a separar alguns textos para apresentar em sala de aula e, de repente, veio-me à mente: por que não dedicar parte destas escolhas a esta coluna? Melhor, dedicar a estas mulheres – pois estes eram de autoras – que nos fizeram e fazem mergulhar num mundo enigmático. Muitas vezes, este mundo, é tão introspectivo quanto o próprio entender o ser humano.
Separei alguns nomes – entre tantos – que merecem destaque a nível nacional (e também internacional – pois muitas possuem obras traduzidas para outras línguas), como Adélia Prado, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Cora Coralina, Lygia Bojunga Nunes, Lygia Fagundes Telles, Zélia Gattai. Mas não poderia deixar de citar as escritoras araçatubenses, tais como Ana Almeida, Cidinha Baracat, Emília Goulart, Marianice Paupitz Nucera, Marilurdes Campezi, Rita Lavoyer, Wanilda Borghi – para citar apenas algumas. E destas escolhi quatro nomes para fazer alguns comentários.
Falar da poetisa e contista Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas – Cora Coralina – que nasceu em 20 de agosto de 1889 e morreu 10 de abril de 1985, seriam necessárias muitas linhas, mas resumindo: doceira de profissão, considerada uma das principais escritoras brasileiras, viveu longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários; teve seu primeiro livro publicado no ano de 1965, quase aos 76 anos: ‘Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais’. Em sua obra a autora aborda temas do cotidiano do brasileiro, em especial dos becos e ruas históricas de Goiás.
Clarice Lispector (nascida Haia Pinkhasovina Lispector) em 10 de dezembro de 1920, na Ucrânia e morreu no Rio de Janeiro em 09 de dezembro de 1977. Veio para o Brasil aos dois meses de idade e naturalizada brasileira – considerava o Brasil a sua pátria – e afirmava que não tinha nenhuma ligação com o local de nascimento. Em dezembro de 1943 publica o seu primeiro romance: ‘Perto do Coração Selvagem’. Nas obras de Clarice se destacam o emprego intenso da metáfora, o fluxo da consciência e o rompimento com o enredo. No conjunto, essa técnica colabora para a visitação do mundo interior das personagens, sempre manifestado pela subjetividade em crise. A memória serve de elo condutor entre o subjetivo e o real, favorecendo à autoanálise, numa espécie de um contínuo denso de experiência existencial.
Das araçatubenses, começo com Ana Almeida, a poetisa dos sonhos – autora do blog ‘Poetisa dos Sonhos’, pertence ao Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras. Teve seu primeiro livro publicado ‘Risos e Lágrimas’ – poemas, ao vencer o Concurso da AAL, Prêmio ‘João Scantimburgo’, em 2001. Em seus relatos é possível perceber o amor à vida, à natureza, aos filhos – dos quais vale destacar o poema Filhos – ‘Filhos do amor / filhos da alegria / filhos desejados / filhos muito amados // Filhos queridos / filhos carinhosos / filhos brincalhões / filhos inteligentes // Filhos educados / filhos briguentos / filhos rebeldes / filhos ingratos // Filhos zangados / filhos egoístas / filhos ignorantes / filhos... // Filhos não importam seus defeitos / amados de todo jeito / para as mães os filhos... / São perfeitos’.
Maria Aparecida de Godoy Baracat – Cidinha Baracat: professora, declamadora – que por sinal nunca esqueci ‘Navio Negreiro’, nasceu no ano de 1937, em Macatuba (SP) e veio para Araçatuba no ano de 1955. Ministrou aulas em várias instituições da cidade desde 1957. Recebeu, no dia 17 de dezembro de 1999, o título de cidadã araçatubense, concedido pela Câmara Municipal de Araçatuba. Ocupa, desde 12 de novembro de 1999, a cadeira n.º 20 da Academia Araçatubense de Letras, tendo como patrona a poeta Cora Coralina. Em 1998 publicou ‘Ciranda de Vidro’, livro de poemas e crônicas que recebeu o prêmio ‘João de Scantimburgo’, da AAL. Atualmente ocupa a presidência da AAL – Academia Araçatubense de Letras.
Destas maravilhosas mulheres citadas, cada uma com sua arte de escrever e convencer, muitas coisas me ficaram presas à mente quando as li – e jamais hei de esquecer. E, para encerrar, cito os versos de Cora Coralina: ‘Se temos de esperar, / que seja para colher a semente boa / que lançamos hoje no solo da vida. // Se for para semear, / então que seja para produzir / milhões de sorrisos, /de solidariedade e amizade’. Simplesmente, simples! (Publ. em 14/04/2012)

 

Março de 2012

CRÔNICA DA SEMANA

O PODER DA

BELEZA FEMININA

 

Quando se trabalha com adolescentes – assim como eu trabalho – a visão de mundo fica um pouco diferente. Diferente no sentido de realizar determinadas ações que, possivelmente quem não trabalha diretamente com o jovem, consegue perceber.
Trabalhar com o jovem é entrar num mundo que muitas vezes torna-se estranho – ainda mais quando se vai pegando determinada idade – mesmo estando há anos trabalhando com eles. Estar entre os jovens, ter que pensar em certos momentos como os jovens; ou ainda pior: fazê-los pensar num futuro é algo que realmente dá trabalho – mas que, após determinadas conquistas, os resultados são surpreendentes, principalmente quando se pode vê-los executando certas tarefas que os seus conhecimentos passados a eles estão presentes.
Estes dias estou envolvendo os jovens num assunto um tanto até polêmico: a beleza feminina – e entre os adolescentes isso pesa muito. Tanto é que alguns se acham o ‘patinho feio’ da família, da turma – tanto do lado masculino, como do feminino. É um assunto que levanta muita coisa a ser pensada, pois pode atingir tanto o lado externo, como o lado interno do ser humano, acrescido que não diz diretamente e especificamente à mulher, mas também ao ser masculino que está ao lado dela (ou que estará ainda). Visto por estes lados, há três frentes a seguir – pelo menos é o que pretendo abordar aqui: a mulher pela mulher, a mulher pelo homem, e a mulher e suas realizações.
A mulher vista pela própria mulher é algo incomum – ou seja: é disputa acirrada. E outro dia li numa revista feminina que entre as mulheres existe certa concorrência, uma querendo aparecer mais que a outra – não é à toa que no mundo inteiro produtos destinados ao público feminino geram milhões de dólares por ano; somado ainda que as mulheres, no geral, quase nunca estão satisfeitas com o próprio corpo, necessitando de algumas coisinhas básicas: batom, blush, rímel, base, pó compacto, delineador, perfume, sombra, delineador de lábios, gloss, brilho, gel, esmalte, lixa de unha, brinco, pulseira, anel, colar, hidratante corporal, filtro solar, chapinha, secador de cabelo, escova, pinça, absorvente – e acrescentava ainda: sem contar o que vestem e calçam. Creio eu que fiquei quase sem fôlego ao ler tudo o que havia lá escrito – mas a pura verdade.
Partindo para o segundo item que coloquei nesta minha lista particular, a mulher vista pelo homem, pode até complicar um pouco mais. Complicar no sentido de esta ser ou não ser desejada, de ser ou não ser querida, aceita, paparicada no meio da turma – refiro-me à turma masculina. Isso é bem notório e acrescento que, principalmente nesta fase que ainda estão em desenvolvimento, a algumas a natureza não foi tão generosa, logo permanecem quase que isoladas. Ter notoriedade faz o ego crescer. Mas o tempo passa e é bom lembrar que todo balaio, como diz a sabedoria popular, tem a sua tampa.
No último item: a mulher e suas realizações – fico a pensar principalmente em suas conquistas nas últimas décadas. As mulheres dedicavam, a princípio, ao lar: cuidar do esposo, dos filhos, da casa. Com o passar dos anos começou a seguir determinadas profissões leves e, aos poucos, ganhando espaço no mercado de trabalho – inclusive com profissões que antes eram consideradas apenas masculinas. Apesar de toda conquista, há um detalhe – que faz toda a diferença – e que ainda não foi resolvido plenamente: as questões salariais. Ainda hoje há diferenças salariais de ocupantes de mesma função somente porque são de sexos opostos – e desculpem-me alguns por eu falar a verdade: elas, em muitas ocasiões, dão show!
Encerrando estas colocações sobre o ser feminino, sobre a beleza feminina, sobre a garra feminina, sobre as conquistas femininas, acrescento uma fala dita pelo próprio ser feminino: os homens, algumas vezes, sentem vontade de esganar uma mulher, mas não conseguem, pois elas são tudo o que eles mais desejam – e nada melhor que estas palavras para encerrar o mês dedicado especialmente à mulher. (Publ. em 31/03/2012)

Março de 2012

CRÔNICA DA SEMANA

O PODER DA IMAGEM

Quanto poder tem a imagem? Você já parou e imaginou o que ela pode fazer? Outro dia fiquei pensando sobre as imagens e, de repente uma, que vi recentemente num livro, veio-me à mente e não a consegui esquecer, por isso estou aqui a escrever. Algo em minha mente acontece para que eu escreva sobre a mesma: talvez as múltiplas respostas que encontrei a partir da leitura da mesma.
Neste momento, que estou com esta imagem fixa aqui dentro – não quero deixá-la somente para mim, quero passá-la ao leitor: lindos pés femininos – mas nas pontas dos pés. Tipo bailarina a bailar, a dançar feliz da vida – feliz da vida coloco por conta e risco, tendo em vista que a imagem trazia apenas os pés, equilibrados nas pontas dos dedos.
Imagine você, talvez dentro de um cinema, ou até mesmo à frente de sua televisão – e, de repente, sereno, belíssimos pés saltam-lhes aos olhos a bailar. Você fica a imaginar: será uma bailarina? (Você não pode afirmar nada porque o local não é propício pra isso – imagine ser areia – e você vê somente os pés e parte inferior da perna.) A imaginação é quase tudo na vida do ser humano.
Você fica imaginando: será alguém querendo ver mais longe? Ou, alguém querendo observar por cima do muro? Ou, por cima de uma multidão à sua frente? Ou, se preferir: alguém se alongando – tantas possibilidades. E, se for mais criativo, pode colocar-se frente ao mar: alguém esperando um barco chegar. São tantas as possibilidades que se abrem que o espaço fica reduzido.
E, pensando sobre a imagem, começo a refletir em cada trabalho duro que cada cidadão exerce. A bailarina, por exemplo, desde cedo os familiares a conduzem para o árduo treinamento, pois um dia a querem ver fazendo parte de grandes shows, de uma grande companhia. Outros operários – dos mais diversos setores, às vezes necessitam ficar nas pontas dos pés para conferir determinados trabalhos.
Ou, o que será que aquela figura tentava avistar tão longe – seja por cima do muro, por cima da multidão, ou ao mar alto? Por cima do muro poderia estar espiando o vizinho, ou simplesmente cochichando; por cima da multidão – tentando encontrar alguém querido; talvez, simplesmente, se alongando – e este ser aqui a pensar coisas; espiando o mar – talvez na esperança da breve chegada de seu amado – antes que o sol se ponha. Tantas possibilidades!
Imagem: quanto poder o vosso! Inclusive – dicas passadas aos meus alunos, outro dia ouvi numa palestra: quero enaltecer o ser – tiro a foto de baixo para cima; quero ridicularizar o ser – tiro a foro de cima para baixo. São os poderes que a imagem nos confere – basta usar corretamente. Ou, basta usar o equipamento de forma adequada.
Deste lado aqui da tela, às vezes estando à toa, coloco uma palavra nos buscadores e quantas fotos surgem, quantos ângulos diferentes – quantos segredos guardam as imagens! Quantos? E eu aqui deste lado frio tentando decifrá-las. Oh! Quanto poder o vosso! Que sorte tem o fotógrafo, pois trabalha diretamente com a arte de registrar os acontecimentos, de registrar a vida. Alguns se especializam em ser repórter fotográfico: deve ser um prazer enorme para os tais – principalmente se trabalharem a linha ‘ser humano’, se assim posso dizer.
E o melhor de tudo: cada cidadão imagina algo diferente da imagem – sem contar o lado emocional que a mesma interfere – por que não o lado mais profundo do ser humano: o psíquico? O enigmático.
E, observando novamente imagem – os pés equilibrados nas pontas dos dedos, concluo: quanta força pode expressar tal imagem! E eu prefiro ir além do escrito acima: no poder da imaginação. (Publ. em 24/03/2012)

Março de 2012

CRÔNICA DA SEMANA

OS TAIS PECADOS CAPITAIS

Nada mais divertido que o tal ser que é chamado de ser humano, de pensante, de racional, de homem; de bicho homem. É tão divertido que acaba instaurando em si mesmo os seus pecados (por pecado pode ser entendido: nada mais que suas desobediências perante as leis do seu Criador, Deus) – e a um grupo de pecados atribuiu nome significativo: pecados capitais; fortes vícios de conduta. Apenas sete! Por que não mais, ou menos, mas tem que ser o número sete?
Aliás, o número sete é muito significativo. O número sete para mim é de muita valia, de muita honra – diga-se de passagem. Em seis dias se fez a Terra e tudo que nela existe, no sétimo dia descansou. O mundo antigo com sete maravilhas: Pirâmide de Quéops, os Jardins Suspensos da Babilônia, Estátua de Zeus – em Olímpia, Templo de Ártemis – em Éfeso, Mausoléu de Halicarnasso, Colosso de Rodes e Farol de Alexandria; o mundo moderno com sete maravilhas: Muralha da China, Ruínas de Petra, o Cristo Redentor, Machu Picchu, Chichén Itzá, o Coliseu e Taj Mahal. As sete cores do arco-íris: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. Poderia citar outros – como o dia em que nasci, mas passando a outro assunto.
Os tais pecados capitais, que também são sete – a gula, a ira, a inveja o orgulho, a avareza, a preguiça e a luxúria – estão tão presentes no homem que, por deveras vezes vi estes se enfartarem, principalmente com o primeiro. Incorporei-me hoje no papel de um ‘espeto observador’ que, tranquilamente na mão de seu amigo garçom-condutor, passa mesa a mesa servindo o homem e, ao mesmo tempo, observando tudo.
É um lugar aconchegante, a churrascaria. Sentem-se, os humanos, no céu. Divagam em seus pensamentos – ainda mais quando acompanhados – e ainda mais quando acompanhado de um bom vinho. Mas, antes de entrar neste particular, os outros pecados me parecem também um tanto pesados. Um homem irado pode acabar com sua casa, com sua vida em poucos minutos – é a presença da destruição; a inveja faz o mesmo regredir, faz o mesmo perder o contato com as reais possibilidades – já ouvi muitas histórias neste sentido; o orgulho faz com que o ser pensante se torne diferente dos outros, se infla, apesar de ir para o mesmo lugar – a sepultura; a avareza faz com que o ser racional se sinta apegado a alguma coisa, passando a ter medo de que algo lhe falte; a preguiça faz com que este ser que se intitula homem passe a não pensar, passe a ser o bicho homem; a luxúria – o excesso em ter, inclusive no prazer; e por último a gula – que merece um parágrafo à parte.
Segundo alguns estudiosos, e segundo as minhas observações, o ser pensante quando diante de iguarias – muda! Transforma-se! Até enfarta-se! A gula é a busca incontrolável pela comida e pela bebida, e até por tóxicos – engolir e não digerir. Prendo-me não apenas ao citado acima, mas indo um pouco mais adiante, na simbologia significa voracidade – que também pode ser usado no sentido de comprar, de usar, de possuir. E fico a pensar: o que será que leva o homem – um ser tão pensante como é – a cometer tal pecado?
Pelos comentários ouvidos, as guloseimas que o homem faz desde que aprendeu a pensar, o levou a perdição. Alguns acham tal perdição uma das sete maravilhas do mundo! Há deliciosas receitas – de muitas já participei efetivamente sustentado-as no fogo – o que não é nada fácil, mas fui treinado para isso – e tais receitas fazem as partes internas do ser humano delirar.
Fico imaginando – a partir dos meus poucos conhecimentos, o que será que os atletas pensam quando estão diante de certos pratos e não os podem comer? – pois querem ir a Londres. (Publ. em 17/03/2012)

 

Março de 2012

CRÔNICA DA SEMANA

A SOLIDÃO PEDE PASSAGEM

 

DAR PASSAGEM À SOLIDÃONão sei se posso dizer que é opção, ou imposição da vida, mas muitos vivem sozinhos. Viver sozinho não é nada interessante como dizem, mas o contrário – pelo menos penso assim. Muitos cidadãos ilustres registraram os seus pensamentos sobre o assunto ao longo da existência da raça humana na Terra e vale muito conferi-los antes de eu começar a divagar sobre o assunto.
É divagar mesmo: termo que veio do latim divagari, que quer dizer vaguear, andar em diferentes sentidos; discorrer sem nexo – cito alguns pensamentos: ‘Há certo gosto em pensar sozinho, é ato individual, é como nascer e morrer.’, de Carlos Drummond de Andrade; ‘Se você sente tédio quando está sozinho é porque está em péssima companhia.’, de Jean Paul Sartre, ‘Nunca estou mais acompanhado do que quando estou sozinho.’, de Marcus Cícero; ‘Para mim, o maior dos suplícios seria estar sozinho no Paraíso.’, de Johaan Goethe.
Alguns alegam que viver sozinho é ter liberdade total, é fazer o que bem entender a qualquer momento, é conhecer o mundo sem pedir licença a alguém, é o ir e o vir sem dar explicação, entre outras coisas mais. Em parte é tudo isso – talvez até um pouco mais, mas será que vale a pena? Será?
Outro dia, sentado sozinho à mesa de um bar-lanchonete, com visão privilegiada, contemplava a multidão que alegremente dançava ao som da voz rouca e bêbada dos cantores, dos instrumentos – e fiquei a imaginar o que alguns e algumas faziam após o término do show: a vida não pode parar – voltavam para baixo de seus respectivos tetos, sozinhos – pois conhecia a vida de alguns ali presentes, e começavam a falar com as paredes – assim como já ocorreu algumas vezes com este que vos escreve. De tanto imaginar, certo dia aconteceu o inesperado – e veio tal acontecimento a confirmar o que eu já tinha provado na pele, mas que imaginava ser fruto de minha farta imaginação.
Cessou a voz rouca e bêbada dos cantores; aproximaram-se de mim; a roda se abriu, as conversas tomaram muitos caminhos, mas o fim chegou – a noite fazia-se já alta. Fecharam-se as cortinas do palco da vida, mesmo que de forma parcial, e eu a levei para sua casa. Ofereceu-me água, e ficamos por algum tempo a conversar. Ela, altiva e bela, confessou-me: “O difícil começa agora: o estar sozinha.” Pensei com meus botões dourados: também estou nesta, menina-moça-mulher!
Logo, por que não deixar a solidão ir embora? Por que não aceitar certas convivências a dois? Por quê? E se começasse a citar, vários motivos seriam citados aqui. O que será que acontece com os homens e mulheres que se mostram alegres, mas ao apagar das luzes a solidão permanece – não pede passagem?
Parece-me que é mais ou menos assim: vivemos sozinhos, vivem sozinhos; não amamos, não amam; pois – ‘Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção’, como disse Antoine de Saint-Exupéry, autor de ‘O Pequeno Príncipe’, um dos livros mais educativos que já li e reli várias vezes em minha vida. E, como sempre estamos correndo atrás, completa: ‘Num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo’, e – por minha conta e risco, arrisco: e temos medo!
Será que estamos voltando para dentro de nós – como disse Mário Quintana: ‘Sonhar é acordar-se para dentro.’ – e não estamos dando passagem à solidão? Refiro-me aos que nesta situação se encontram (outros, a trancos e barrancos – como dizem – levam a vida a dois... – ou, tentam levar).
É fácil para quem está de fora a comentar, mas o difícil é o viver, difícil é o conviver com a solidão; ou, difícil é conviver... Então, dar ou não dar passagem a tal solidão? Você – se é o caso de estar nesta situação – decida! Ou seja, não dê espaço ao outro para que decida por você – lembre-se o que Bob Marley disse: ‘Eu olho para dentro de mim, e não me importo com o que as pessoas fazem ou dizem, eu me preocupo só com as coisas certas.’ – logo, a decisão é pessoal, intransferível. (Publ. em 10/03/2012)

 

Março de 2012

CRÔNICA DA SEMANA

AINDA HÁ ESPERANÇA

Os tempos finais estão chegando e há sinais por todas as partes – como pregam muitas religiões, mas poucos ouvem – poucos serão os escolhidos. Mas dizem, apesar dos sinais claros dos fins dos tempos, das dificuldades, sempre haverá esperança – e por mais péssima que esteja a situação.
Fico a pensar sobre o que é a esperança – ou sobre o significado de esperança nos diversos segmentos da sociedade moderna – como cito abaixo – e surpreendo-me cada vez mais com o que me vem à mente. E neste pensar perturbo-me ainda mais: será que apenas eu sou o sonhador? Será que o meu vizinho vive a sonhar? Ou, será que o mundo vive a sonhar?
Há sempre os velhos dizeres – e a exemplificar: a esperança é a última que morre! É um ciclo de buscas, de realizações que movem o mundo – é a esperança em ter dias melhores que faz a humanidade caminhar – mesmo que em meio a grandes atrocidades.
O pobre sempre tem a esperança que um dia melhorará a sua posição social (será? – depende mesmo da sorte de ganhar algo extraordinário dentro de uma casa lotérica); o cidadão de situação razoável espera galgar cada vez mais um patamar mais alto; o que está em cima – no topo – o que dizer? Bem, este eu já não sei o que esperam – mas, creio que esperam sempre ter algo mais e cada vez mais saciar o próprio ego – poucos, neste nível, pensam no próximo.
Na realidade, a criança quer logo ser adolescente, o adolescente quer logo ser adulto – obter a maioridade – ter liberdade; o adulto quer chegar a ancião – e este, com a experiência que possui, tem a vontade de viver sempre mais: é a esperança que move o mundo.
O pequeno ser em formação começa a mexer nos jornais, revistas e livros e logo quer ler; aprende a ler: alguns querem sempre mais (ler, compreender, reproduzir, produzir); outros, já não são assim. Os primeiros cultuarão durante a sua vida o gosto pelo ato de ler, e a este gosto associarão a vontade de escrever – que seguirá durante o seu existir na face desta Terra. Outros pelo ler e escrever se tornarão grandes profissionais: é a esperança crescendo, são as notícias chegando, as histórias sendo contadas e recontadas, inventadas – é a vida continuando.
Mesmo sendo trágico e sofrido o fim que certas doenças causam, sempre há no ser humano um último fio de esperança, seja pela dosagem dos remédios ingeridos, ou pela fé religiosa. Esperança é o que mais prega as religiões – e o homem se apega a este fator.
O trabalhador consciente de seus atos procura sempre fazer o melhor na esperança de ser promovido a partir do seu próprio esforço, de receber mais – e com tais indícios, doam-se. Dobram-se. Desdobram-se. Produzem – enriquece o outro.
Uma nação, mesmo estando em guerra civil, nutre em seu povo a esperança de dias melhores. O derramamento de sangue (e alguns, mesmo sabendo que poderão perder suas respectivas vidas, passam a lutar na esperança de serem heróis – de serem aclamados pelo povo) traz esperança. Traz – pregado por alguns exaltados – até certo ponto, dignidade.
Retomando o parágrafo inicial: os tempos atuais estão cada vez mais difíceis – mesmo contando com toda tecnologia que temos. Chegaremos, talvez, a próxima grande guerra, em situação diferente: com paus e pedras – rudimentarmente falando. Mas o que faz a humanidade caminhar é que a cada vida que nasce renova-se a esperança do homem no próprio homem. (Publ. em 03/03/2012)

 

Fevereiro de 2012

CRÔNICA DA SEMANA

BIVER BEM É ARTE NA VIDA

Viver bem é uma arte – principalmente para os menos favorecidos. Considerando que viver bem é uma arte – pelo menos penso assim, logo, poucos possuem esse dom – pois os dons foram divididos entre os homens e ninguém possui habilidades em todas as áreas (que bom!). Assim sendo: o que os outros fazem – a maioria da população?
Quando me refiro ao ato de viver bem, começo pensando em viver bem comigo mesmo, a partir do meu ser – e aí começa o grande problema, ou os problemas. Estamos em constantes mudanças (e ainda bem!) e precisamos de nos encontrar para vivermos bem – e, nessa busca constante acabamos esquecendo que viver é necessário. Assim, como disse o poeta: ‘navegar é preciso’.
Alguns optam por viver a sós. Será a solução de se encontrar? Creio que não – a solidão é um momento (ou momentos) que gostaríamos de deixar para trás sempre. Pensando outro dia sobre o assunto – solidão – haveria de ter em nós um pequeno botão onde poderíamos, às vezes, deletá-la; ou, simplesmente, pedir a ela que se ausentasse: seria a maneira ideal de viver um pouco. Seria – olha bem o que digo: seria.
Viver bem seria, também, ter um bom salário – ou, como alguns preferem dizer: um salário digno. Viver bem seria, também, ter direito a uma boa moradia, a uma boa saúde, a uma boa educação, a um bom lazer, a um bom poder judiciário, a um bom poder público, a uma boa administração pública, a um tanto enorme de coisas boas – será que temos? Sabemos que não – pelo menos três quarto da população não tem – mesmo os órgãos de pesquisas responsáveis por tais dados dizerem que a vida do brasileiro mudou muito, e para melhor.
A vida do brasileiro, concordo, mudou muito – mas com um detalhe que ainda faz a diferença do povo brasileiro: é acomodado. Poucos saem às ruas para protestar contra as infâmias criadas pelos sistemas, sejam eles sociais, políticos, econômicos, trabalhistas, etc. A maioria, pacíficos, ficam esperando a minoria se mexer – consequência: continuamos caminhando a passos largos, frouxos – não sei se pra frente ou para trás. Lembro-me de uma canção que remete ao assunto: ‘Este é um país que vai pra frente’, cantado pelos Os Incríveis.
Algumas pessoas passam a viver só e acostumam – passam a não querer mais serem incomodadas. Diga se a verdade: será que se sentem bem assim? É uma pergunta que faço ao meu próprio ser – pois vivo assim. Ou, como andei a ler estes últimos dias: será medo de enfrentar as angústias que o viver a dois oferece? Será?
Na verdade, não sei o que responder. Na verdade – como li – será que queremos viver a dois? (Ainda mais quando se passa um tempo vivendo sozinho, sendo dono do próprio nariz, sem ter que dar satisfação a ninguém...) Será que queremos mudar? Será?
Às vezes me pergunto e fico com tamanha incógnita na cabeça que prefiro parar de pensar e viver. Viver bem, viver bem melhor! Como dizem que viver é uma arte, vou tentar imitar a arte – ou a arte me imitar – o que provavelmente não acontecerá. Em que nível estou não sei, se lá ou cá, prefiro que o leitor – astuto observador textual – tire as suas conclusões. E, se conseguir chegar a alguma conclusão, que me avise, pois estou aberto ao ato de repensar sempre!
Fechando esta coluna, quero agradecer os vários comentários recebidos – e foram muitos – sobre o nostálgico texto ‘Infância num bairro quase nobre’, onde relatei a infância minha, e a de muitos, no tão nobre bairro São João. (Publ. em 25/02/2012)

 

Fevereiro de 2012

CRÔNICA DA SEMANA

ENTRE ANJO E DEMÔNIO:

O QUE SOMOS?

Outro dia fiquei a pensar sobre anjo e demônio – e, às vezes, nos deparamos com eles bem ao nosso lado, aqui nesta Terra de bênção e de maldade – mas não é por isso que vamos desanimar. Estamos, afinal, aqui para isso: para vencer sempre; fracos são aqueles que, durante a caminhada, desistem e ceifam a própria vida – será que, pelo menos nos momentos que antecedem ao ato, não pensam na angústia que deixarão aos entes queridos?
Uma proposta difícil: escrever sobre anjo e demônio, mais anjo que demônio; fiz algumas reflexões – que você, caro leitor, pode também fazer e tirar as suas próprias conclusões. E, nas minhas reflexões de pensador desocupado (pelo menos neste momento), somos nós mesmos os anjos e os demônios. Às vezes fazemos o bem, às vezes – e sem querer, fazemos o mal: por quê? Por quê?
Nós, humanos, entramos constantemente em contradições: às vezes queremos certas coisas, logo depois queremos outras coisas – e ‘assim caminha a humanidade’, como diz a canção. Mas, afinal, caminhamos; progredimos. E, progredindo, poderemos alcançar a Terra prometida.
Pense num anjo; pense num demônio. A imagem ilustrativa que lhe vem à cabeça já diz tudo e é melhor que a minha escolha, se eu a colocasse aqui. Disse-me certa vez um amigo que nos meus textos seria melhor eu colocar uma imagem ilustrativa (e não a minha imagem). Acredito que sim!
E creio, ainda, que nascemos anjos – ou como disse Cícero, uma das mentes mais versáteis que Roma teve: ‘Não sabermos o que aconteceu antes de termos nascidos é permanecermos eternamente crianças’. Alguns, com o correr da vida, desviam – tornam-se instrumentos do mal. Por quê? Ou, como disse Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço: ‘Todos nós nascemos originais e morremos cópias’ – bem interessante esta colocação que leva a muitas reflexões.
E muitas vezes me pego escrevendo sobre o anjo chamado mulher – que, e ao mesmo tempo, também não o é. Como são, em determinados momentos, terríveis! Mas, apesar do adjetivo citado, são ao mesmo tempo adoráveis (quando querem). Por quê? Será que algum dia alguma ‘anjinha’ me responderá o porquê de tantas contradições na alma feminina? (Cito a alma feminina porque é mais fácil falar da alma oposta, e não da alma de quem está escrevendo – a alma masculina, e sem machismo algum.)
Às vezes penso que uma anja ‘torta’, loira, de olhos claros fora indicada pelo Criador para estar ao meu lado – mas, como eu recusei – não tenho certeza disso (pois deve ter sido inconscientemente), sempre acabo me dando mal. Creio que a minha preferência difere do Criador.
E, lembro-me neste momento de alguns versos do poeta: “Quando nasci, um anjo torto / desses que vivem na sombra / disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida” – este belíssimo texto, o ‘Poema de Sete Faces’, foi publicado em 1930, no primeiro livro de Carlos Drummond de Andrade, intitulado Alguma Poesia. Gostaria de acrescentar em minhas reflexões: como será a alma feminina: anjo ou demônio?
Apesar de tudo, ainda continuarei a buscar uma resposta – e não somente na alma feminina: somos nós anjos ou demônios? Somente para um dia ter a certeza de, ou pelo menos em parte, entender e afirmar com mais convicção. Afinal, tenho que pesquisar – e muito, estou muito bem vivo, não é mesmo?
Ou, como muitas vezes ouvimos: entre anjos e demônios, a grande maioria procura a sua alma gêmea – e acaba se pervertendo para o outro lado (e de ambos os lados). Mas, refletimos sobre as palavras do filósofo iluminista Rousseau: ‘Todo Homem nasce livre e, por toda parte, encontra-se acorrentado’. (Publ. em 18/02/2012)

 

Fevereiro de 2012

CRÔNICA DA SEMANA

INFÂNCIA

NUM BAIRRO QUASE NOBRE

Esta semana deparei-me com fatos e fotos que já povoaram a minha cabeça – parte real, parte imaginária, mas que aos poucos vão sendo esquecidos.
O bairro São João, onde vivi a minha infância e adolescência, não me sai da mente – pode passar tempos sem eu passar por lá, basta um trafegar pela rua Marechal Deodoro que tudo vem à tona. E, o começo de tudo: as torres da Igreja São João e São Judas Tadeu – um dos mais belos e conservados templos religiosos de nossa região. Lá no alto das torres os relógios que, em época áurea, marcavam perfeitamente o meu viver, o viver do povo daquela região e proximidades, pois os sons iam longe. Dos quatro lados das torres, apenas um não tinha relógios com ponteiros – lado interno – frente a frente apenas se olhavam. Os relógios marcavam perfeitamente a vida do cidadão daquela região, pois a cada quinze minutos badalavam os sinos: quinze, trinta e quarenta e cinco minutos que decorei com o passar dos anos vivendo ao lado daquelas máquinas – sem contar as horas fechadas que badalavam sem parar dia e noite. Eu que fui criado naquele pedaço de chão sentia falta quando os sinais de tempo não batiam.
Ainda, da Igreja, lembro-me de sacerdotes que marcaram em seu tempo: o padre Carmélio, que passeava pelas ruas do bairro em sua bicicleta visitando os fiéis; e, sem pestanejar, não poderia esquecer as turmas de escoteiros.
A praça São João foi um marco em minha vida. Gostava de chegar cedo ao trabalho (que era na esquina da praça, menos de duas quadras de minha casa) só para sentar nos bancos sob frondosas árvores; ou ainda, caminhar em volta da piscina central com seu chafariz que, à noite, iluminava coloridamente os que por lá passavam. Nestes mesmos bancos eu e meus amigos e amigas de trabalho nos encontrávamos e era uma algazarra só – éramos, na época, jovens e acreditávamos na força de nosso trabalho: estávamos a conquistar o mundo, pedacinho a pedacinho. Jogamos, sentados naqueles bancos, muita conversa fiada – além de alguns afagos que corriam soltos.
Na esquina o cinema – bons tempos quando este funcionava! Houve época que o mesmo lugar serviu de templo religioso. Passo por ali e lembro-me de algumas reformas que o prédio passou.
Na outra ponta da esquina da praça – com a rua Marechal Deodoro: bar – depósito de bebidas, mercado, farmácia, banco, lojas. Ali, naquele pedaço, comecei a trabalhar – todo mundo me conhecia – fui criado no bairro! Lembro-me que ao anoitecer, um senhor colocava o seu carrinho de lanche – ainda está por lá. Quantas saudades!
Neste bairro, que ainda permanece gravado em minha mente, aprendi as primeiras letras na escola ‘Índio Poti’. Ah, como é bom lembrar os velhos mestres, a primeira professora – dona Marli, que nunca esquecerei! Minha mãe ensinou-me alguns rabiscos, e dona Marli ensinou-me o mundo da leitura me alfabetizando. Lembro de outros mestres: seu Quinzé, que desenhava livremente, perfeito, na lousa o mapa do Brasil; o seu Ribamar, de Educação Física: sua voz ainda soa alto aos meus ouvidos – e, digo de passagem que suas aulas começavam às seis da manhã! E sem esquecer que naquela época os meninos não faziam aulas com as meninas – e estas de saias brancas, curtas, camisetas brancas, shorts vermelhos, meias e tênis brancos – como adorávamos chegar cedo nestes dias em que elas faziam aulas!
Cresci. O tempo passou e hoje tenho saudades. Grandes feitos. Grandes lembranças que dificilmente o tempo apagará; apenas aos que partem estas ficam apagadas, mas na memória de outros estes permanecerão – e, quando seus feitos forem pesados, o de melhor praticado ficarão: jamais se perderão, mas permanecerão na luz da eternidade. (Publ. em 11/02/2012)

 

Fevereiro de 2012

CRÔNICA DA SEMANA

CONVITE INTRANSFERÍVEL

Hoje há muitos convites – desde os mais absurdos, que levam à prática do mal, aos mais saudáveis, que indicam o caminho do bem. Mas o convite de hoje é um pouco diferente, intransferível: é sobre o ato de escrever.
Escrever é um ato positivo – se não o fosse, muitos conhecimentos que temos hoje não teríamos, pois os nossos antepassados deixaram muitas coisas boas registradas – e, desde os desenhos nas pedras das cavernas até nossos dias, muitas coisas aconteceram: evolução na certa!
Mas para tudo tem um preço – e a evolução também teve um preço que, aos poucos, estamos conhecendo: pagando caro, muitas vezes. E um dos mais altos preços é o distanciamento do homem perante o próprio homem – as conversas noturnas nas calçadas já não existem mais, principalmente nos grandes centros urbanos. Nas pequenas cidades ainda se vê tal prática, mas também aos poucos está se perdendo. O que fazer?
O leitor que ainda nos dias atuais tem acesso a jornais, revistas ou internet possui, até certo ponto, um conhecimento ávido do que estou escrevendo – e, com certeza, não discordará de mim. Tal conhecimento mostra que a raça humana está, aos poucos, se distanciando do objetivo de seu Criador: que é o amor. E o Filho do Criador disse-nos: ‘amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei’ – e nessa situação, pergunto novamente: o que fazer?
Uma das poucas saídas que temos é lançar um convite à escrita. Escrever, escrever e escrever. Antigamente o povo tinha gosto pela escrita – poucos sabiam (mas muitos queriam aprender e não tinham oportunidade), e estes que sabiam eram rodeados, por exemplo, quando uma carta era entregue – notícias dos seres queridos seriam anunciadas. E hoje?
Hoje: ao contrário de antigamente. Muitos sabem ler e escrever, mas poucos – pouquíssimos – escrevem! Há saídas?
Quanto às saídas é fácil de dizer que sim, mas será que – principalmente os jovens – querem? Creio que a resposta é imediata por parte de todos: dificilmente um jovem quer realizar tal atividade. O poema ‘Sou a palavra e te convido’ – que não me recordo a autoria – traz os seguintes dizeres: ‘Jovem, escreve tudo aqui / a tua palavra / a tua frase / o teu parágrafo / a tua redação / o teu nome / o teu sentimento / a tua emoção / teu secreto desejo / tua ambição / tua rebeldia / tua história / teu poema / teu discurso’ - e vai mais adiante ainda. Será que o jovem realmente escreve por gosto? Ou, apenas cumprem ‘tabela’ nas aulas de Português?
Fiz um pequeno teste e coloquei tal poema na lousa. Solicitei espaço para que preenchesse segundo as suas convicções. Concluí que jovem tem muitas ideias. Boas ideias. Mas não as coloca em prática, por quê?
Será que estamos diante de uma geração que quer tudo pronto? Pelo menos a grande maioria é assim – e ainda bem que salvam alguns; poucos, mas salvam. O que será de nós daqui a alguns anos – e não muito distante? Onde estará a Literatura?
Fechando estas linhas, convido todos a escreverem – não precisa ser muito, mas pelo menos um pouco por dia, pois, caso contrário, em breve esquecerão os traçados correto das letras, como por exemplo: invertendo o ‘s’, ou o ‘z’. E chorar não vai adiantar muito, não é mesmo? (Publ. em 04/02/2012)

 

Janeiro de 2012

CRÔNICA DA SEMANA

FINAL DE FÉRIAS

O ano de dois mil e doze há pouco se iniciou. O mês de janeiro (que sempre foi abarrotado de contas) está chegando aos seus derradeiros dias e a grande massa estudantil, em algazarra, estará de volta aos bancos escolares – mais um ano letivo a iniciar, novas amizades, novas expectativas e, para alguns, significa ao final deste ano estar com um certificado que lhe confere o direito de ser chamado de profissional em sua respectiva área de escolha.
Muitas promessas serão feitas – tanto o aluno a si mesmo, como aos pais, como aos professores: mas será que serão cumpridas? Será que, pelo menos, oitenta por cento cumprirão as promessas? (Que seja assim, amém!) Ou, principalmente pais e professores, chegarão ao mês de dezembro e dirão: fizemos o que pudemos, a nossa parte – mas o meu filho, a minha filha, o meu aluno, a minha aluna não desempenhou satisfatoriamente o seu aprendizado – e agora?
Alguns serão – mesmo não atingindo as metas previstas de aprendizado – promovidos; outros, promovidos com o mínimo de aproveitamento; outros serão reprovados. Mas, ao fim de tudo fica uma pergunta, principalmente aos que não atingiram nem o mínimo das metas: como recuperar, posteriormente, o aprendizado não apreendido?
Aprender é uma coisa; apreender é um pouco mais profundo – pelo menos na minha visão de observador do mundo. Aprender coisas novas faz bem, é necessário; agarrar novo aprendizado é melhor ainda – é degustar pedacinho por pedacinho do que é passado pelos mestres; pela vida.
Por outro lado, frente ao processo facilitador das novas mídias, o professor está um pouco atrasado neste ponto. Ultimamente as pesquisas apontam para isso: poucos conseguem usar todas as mídias frente ao que o aluno tem fora da sala de aula – é a pura verdade! O que fazer? A possível saída seria fazer o mestre caminhar junto às novas mídias, logo estaria lado a lado com o seu alunado – o que é um pouco complicado, pois muitos resistem às novas tecnologias.
Retomando tudo o que foi dito acima: final de férias, promessas e mais promessas que serão ou não cumpridas, atingir as metas que o aprendizado propõe a cada um, apreender, as novas mídias – que nem sempre são acompanhadas, afinal: é hora de acordar e voltar com gás total! É hora de, como dizem por aí, ‘pegar pesado’ nos estudos e mostrar pra que estão na escola e fazer deste lugar o melhor lugar para se valorizar o aprendizado. Afinal de contas, não é mesmo, a escola é um dos melhores lugares para se apreender.
Plantar agora para colher no futuro é o que sempre se faz, mas por que não aproveitar desde agora? Como citei acima – estão todos esperando – seja este ano ou nos próximos – um canudo (certificado) que concederá a todos os que valorizaram o aprendizado o direito de erguer as mãos aos céus, agradecer ao Criador a dádiva recebida e dizer que venceram mais uma etapa e estão aptos para exercer a função que escolheram. Restará, apenas, a dura e árdua batalha de se encaixar no mercado de trabalho. Assim, com muito conhecimento já é difícil ter uma boa colocação neste tumultuado mundo de trabalho, imaginar com pouco conhecimento é pior ainda, não é mesmo?
Então, o melhor de tudo é aproveitar o agora: aprender, apreender e ir desde já colocando em prática – pois no futuro não cobrará a si mesmo (nem será cobrado) pelas oportunidades que não foram aproveitadas. E sem remorso algum! (Publ. em 28/01/2012)

MUSICALIDADE ARAÇATUBENSE

Hoje tenho o maior prazer em escrever sobre uma arte milenar – e, com doce paixão! Estudei durante algum tempo da minha vida esta arte de manifestar os diversos afetos da nossa alma mediante o som – que é a música!
A música faz a gente viajar no tempo, principalmente as mais antigas – sem tirar o mérito das atuais, mas com ressalvas que muitas não passam de comerciais apenas – sem qualquer linha de conteúdo que se possa aproveitar. A viagem que a música proporciona eleva o espírito, rejuvenesce. Lembro-me perfeitamente dos meus dedos sobre as chaves da minha primeira clarineta em dó, madeira, de treze chaves – e eu, na força da minha juventude, fazia som a todo pulmão! Ganhei-a dos meus pais aos meus oito anos e a mantenho comigo até hoje – é relíquia, lembranças que não voltam mais. Às vezes, ainda arrisco algumas músicas nela.
Mas, passado o entusiasmo da musicalidade que me corre nas veias, venho discorrer sobre um importante canal que Araçatuba tem: a ALMA – Associação Livre dos Músicos de Araçatuba, que desde o último dezembro tem sua sede na Rua XV de Novembro, nº 185, e tem como presidente o senhor Daniel Freitas. E você, cidadão araçatubense, conhece este canal?
A ALMA, através do esforço de seu presidente e associados, vem desenvolvendo um excelente trabalho de reconstrução da memória musical da cidade de Araçatuba, pois muitas músicas que fizeram sucesso (e algumas ainda fazem) saíram de nossa terra. Na internet, a ALMA possuí um canal - CANAL 'MEMORIAL DA ALMA'- que o cidadão do mundo pode ter acesso a mais de duzentos vídeos musicais e suas respectivas explicações – os amantes da música se deliciarão com o trabalho.
Gostaria de, além de citar também comentar os grandes nomes que por aqui passaram e lá estão registrados, mas não é possível por razão de espaço, mas os amantes das boas canções acessarão e poderão conferir – e, para deixar alguns com água na boca, cito: a banda The Yellows (com sucessos dos Beatles e da Jovem Guarda, embalaram bailes e festas entre as décadas de 60 e 70), a dupla araçatubense Cleyton & Cristiane (na década de 80), Calixto Marangoni (que iniciou seu trabalho artístico em 1981 – e deixou 180 canções de sua autoria, além de ser considerado um ‘papa festival’: conquistou dez festivais em Mato Grosso), José Calixto (que aqui chegou em 1976 e fez grandes trabalhos no cenário musical araçatubense), Edmundo Alves e João Santiago (que atuou da década de 50 até inicio da década de 80 – e foi reconhecido nacionalmente por grandes nomes da música brasileira, como Adoniram Barbosa e o grupo Demônios da Garoa), Tião Carreiro e Pardinho (que canta a belíssima canção ‘Filho de Araçatuba’ – que a levou por todo Brasil), Zé Renato Gimenes e Gustavo Barbosa Lima (com música de um povo imaginário), Mário Eugênio (que iniciou sua trajetória na música aos oito anos), o doutor Renato Monteiro, Grupo A Fábrica da Arte (com Márcio Kadá, Paulinho Belúcio, Rico Belúcio e Val Carvalho), Banda Fast Fusion, Mauro Rico, Rhany Lima, Marco Zambom, Juninho Abrão, Téo Dornellas, Grupo Corda & Voz, Olívio Tinti, Magno Martins, a dupla João Mulato e Douradinho, Mário Tozzi, o Duo Carajás (formado pelo casal de namorados Laerte e Tidinha); e fechando estes grandes nomes não poderia deixar de citar o Carlinhos do Cavaco (Carlinhos Santiago) que partiu de entre nós no último dia dezessete deste mês – o que deixa órfã a nossa cidade após longos setenta anos de musicalidade.
Araçatuba no cenário musical nacional sempre será lembrada pelas belíssimas canções que aqui foram produzidas, pelas vozes que daqui saíram – mas nem sempre o cidadão araçatubense tem conhecimento, mas nada mais justo do que neste momento acessar e deliciar-se com as produções recuperadas pelo Memorial da Alma que merece os nossos parabéns. (Publ. em 21/01/2012)

AUTOESTIMA

Muitas pessoas não possuem autoestima suficiente para sobreviver, sem sofrer, dentro da sociedade atual. Alguns não conseguem, ao menos, receber críticas – ou, pelo menos, diferenciar as negativas das positivas. E, com isso, sofrem e muitas coisas acontecem.
E entre as coisas que possivelmente podem acontecer – segundo a psicóloga Ana Maria Rossi, podem ser citados: o stress, agradar os outros para ser aceito em determinados grupos, exagero dos defeitos e minimização das qualidades, pensar ‘por que não sou assim’ – ao encontrar alguém bem-sucedido na vida, não poder contar com os amigos por ter amizade superficial, exigir muito de si mesmo que dos outros, sentir que vai fracassar antes mesmo de realizar determinada ação, não cria intimidades com as pessoas, insegurança ao encarar novos desafios, sente-se culpado quando as coisas não saem como o planejado, desconfia de elogios quando as coisas saem satisfatórias, não gosta de pedir ajuda diante de um problema porque acha que é sinal de fraqueza, tomar bebida alcoólica ou calmante antes de compromissos sociais – entre outros. Mas, analisando toda citação acima, quem será que nunca passou por isso? Quem? Creio que todos.
É claro que já passamos por isso na vida, e ainda passamos – principalmente na adolescência. O jovem de hoje em dia passa constantemente por isso – e, levando em conta os meios de comunicação atual, fica um pouquinho pior. A mídia passa certos padrões que, na verdade, são quase que impossíveis de serem vivenciados – mas, o que fazer?
Não há muito a fazer contra a mídia, mas muito a fazer internamente: cuidar-se para não ser contaminado pelas astutas ciladas que são derramadas diariamente. E entre os cuidados está o ato de fazer uma reflexão sobre qual sentido está dando à vida nesta oportunidade de estar na Terra: a começar sobre a valorização da vida – sobre a existência humana.
Penso eu que, sendo assim, o melhor a fazer é não sofrer muito – evitando o stress; fazer o melhor para si mesmo, evitando pensar em agradar determinados grupos somente para ser aceito; exagerar em exibir as qualidades, minimizando os defeitos; não querer ser igual a outro ser bem-sucedido, mas ser melhor – e sem ser invejoso, mas usar das capacidades natas; escolher e ter boas e fortes amizades, logo, nunca ficará na superficialidade, nunca ficará sem amigos; ser justo ao cobrar de si mesmo determinadas exigências pessoais; sempre pensar positivo, esquecendo possíveis fracassos – tropeços existem para criar em nós coragem de lutar, de vencer; estreitar os laços de intimidade com as pessoas; sentir-se seguro ao encarar novos desafios dizendo a si que é capaz; não se sentir culpado quando as coisas não acontecem como haviam sido planejadas: erros existem para mostrar que é possível planejar melhor e executar com mais êxito; aceitar os elogios como encorajamento (se foi elogiado porque houve competência); as pessoas ao redor estão postas para nos auxiliar, logo, devem ser acionadas quando precisarmos delas – não é sinal de fracasso, mas de compartilhamento; bebidas alcoólicas, cigarros, calmantes não ajudam em nada, pelo contrário – causam complicações, vícios desnecessários. Posição pessoal frente ao que já vivi.
Será que o jovem está pensando nos valores que a vida tem? Ou, simplesmente está jogando tudo para cima e levando a vida na ‘corda bamba’?
E termino o texto por aqui passando ‘a bola’ para frente – chamando você, caro leitor, a uma reflexão: pense nas ponderações que fiz no quinto parágrafo a partir do que escreveu Ana Maria Rossi, ou vai penar depois. A decisão é toda sua! (Publ. em 14/01/2012)

 

A CORUJA

CRENDICES E TRADIÇÕES

Muitas pessoas têm medo da coruja, pois a aparência desta ave de rapina é estranha, mas poucas pessoas sabem que ao longo da história da humanidade ela simbolizou conhecimento e pavor, além de muitas outras crendices – e, de acordo com a época, de acordo com os reinados o seu poder fantasiava a mente humana nas mais diversas áreas.
Estou a escrever sobre a coruja nesta data porque fui para comprar uma numa feira de artesanato e acabei ganhando – ganhei porque estava junto com ela, dona Santa, e ao comprar ela pagou dizendo-me que era presente. Fiquei agradecido e ela está aqui na mesa do meu computador: veio de longe, de outras terras. Está pousada com um pé sobre uma coluna – como a dos impérios romano e grego, e o outro pé sobre um livro aberto: sinal da busca do conhecimento. E comprei-a porque na noite anterior, com um maravilhoso firmamento estrelado, a coruja pousou próximo de onde eu balançava na rede – fez o seu canto e menos de cinco minutos alçou vôo. Fiquei observando e gostei do animal no momento em que o vi, lembrei-me da capa do certificado do meu Curso de Letras, lembrei dos vários causos de agouros contados pelos mais velhos, dos meus anos, e do comentário de dona Santa – que não gostava em nada do animal por perto de sua casa.
O olhar da coruja é medonho para muitos, para outros não. Fico a observá-la atentamente e noto que por trás do olhar desta ave noturna existe certo mistério: qual? – ou é a minha visão? Ou a minha possível imaginação? Não sei, mas há – aliás, creio que toda criação da natureza traz os seus mistérios. No certificado que tenho do Curso de Letras, como citei acima, a coruja está lá: e toda imponente – o saber no campo das letras!
A deusa grega Athena – da guerra e da sabedoria, tinha como mascote uma coruja. E alguns citam que os gregos, principalmente os de pensamentos filosóficos, consideravam a noite um momento de revelação – e a coruja, sendo uma ave noturna, acabou representando a busca do saber. Mas no império romano a ave era considerada um animal agourento – pois seu canto anunciava a aproximação da morte (e tais fatos permanecem até hoje na mente de muitos). São as tradições sendo, em parte, mantidas. Citando as tradições, dizem que três penas de coruja trazem sorte no amor; piando no telhado está cortando a mortalha; sentando em batente de porta tem um parto ruim; quando quebra ovo e sinal de guerra!
Procurei na internet, e segundo o horóscopo Xamânico (que provém dos nativos norte-americanos, sendo baseado em todo o universo – desde os minerais ao homem), as corujas são muito observadoras e silenciosas – pessoas ‘coruja’ são inteligentes, bem articuladas e discretas. Seu olhar para os detalhes faz delas perfeccionistas, necessita de liberdade de expressão, é vivaz e presta muita atenção nos detalhes, curiosa e adaptável, tende a abarcar mais do que pode, valente e decidida, versátil, sincera, estudiosa e pode ser muito compreensiva; no amor adora aventura e é atraído por pessoas exóticas – precisa de intensidade de sentimentos, acima de tudo precisa de alguém com quem possa conversar e compartilhar seus múltiplos interesses intelectuais. Descobri porque gostei da coruja!
Sou um cidadão que preza o conhecimento repassado através da oralidade – pois muitos de nossos entes queridos mal sabem escrever o nome, mas na oralidade permanecem firmes e muitos ‘causos’ são mantidos vivos por isso. E isso é bem notório, pois a pessoa viaja em suas histórias! E, como bom observador, viajo também. E nestas duas últimas semanas do ano vivi essa oralidade nos confins do Mato Grosso do Sul! (Publ. em 07/01/2012)

 

Dezembro de 2011

RETRO E PERSPECTIVAS 2012

Em 2011, que dentro de poucas horas se finda, como colunista falei de tudo um pouco: desde enaltecer a nossa cultura, o nosso povo até fazer críticas sobre os mesmos – mas críticas que procuravam apontar possíveis saídas aos araçatubenses que nos liam, que nos enviavam e-mails, ou faziam comentários quando nos encontravam nos ir e vir da vida. E, claro que não são muitos, mas os poucos que tecem seus comentários deixam o cronista a pensar cada vez mais na responsabilidade do ato de escrever, logo, é necessário ler constantemente, estar aberto a receber opiniões e sugestões, e estar por dentro do que acontece em nossa cidade e região.
Numa breve retrospectiva, abrindo o ano falamos de sorte, de sucesso e – acima de tudo – de trabalho: tudo pode correr a favor, mas somente o trabalho que concretiza. Somado a tudo isso, o caminho do amor faz crescer quando a felicidade está em nós: ou seja, depende exclusivamente de nós. No segundo mês continuamos falando de transformações e que dias melhores viriam – bastando apenas fazermos a nossa parte. Em março os araçatubenses foram ressaltados com citações de várias atividades culturais, fechando – ainda – com um episódio interessantíssimo: ‘Velas coloridas’ (presente a uma namorada). Em abril o destaque ficou por conta da crônica ‘Sonho de um sonhador cultural’, onde ficaram registrados os premiados do Troféu Odette Costa 2011, onde este colunista também recebeu o prêmio por divulgação cultural na categoria Blog de Mídias Livres. Maio destaca-se pelo assunto de como ter um bom blog. Em junho ‘Cronicando’: um rápido comentário sobre os tipos de leitores e seus interesses dentro do jornal. No mês de julho ‘Ser escritor ou estar escritor’: um rápido comentário sobre o dia do escritor. No mês que não tem feriado, agosto, os e-mails entraram em discussão – ter ou não ter: é necessário? Em setembro os destaques dos textos ficaram por conta da Semana de Literatura – ação, reação e participação. Outubro e as flores nas janelas. Novembro de pura reflexão: o brasileiro acaba se contentando com um pouco de amor, de pão e de circo – será? Fechando o ano, ficou registrado o aniversário de nossa cidade, completando 103 anos – e com muita arte.
E para o próximo ano, o que se pode esperar o leitor?
Pode esperar, novamente, de tudo um pouco: paixão, amor, felicidade, dores, sorte, sonhos, sobre a arte de escrever e seus escritores, literatura e suas boas leituras, atividades culturais – teatro, danças e seus festivais, sobre fé e suas religiosidades, sobre Araçatuba! E sem esquecer, com certeza, de comentários sobre um dos assuntos que mais tomarão as páginas dos jornais: as eleições municipais. Quais serão os candidatos ao cargo Executivo? Quais serão os candidatos aos cargos do Legislativo? Alguns serão eleitos pela primeira vez, outros tentarão ser eleitos novamente – mas todos, a princípio, com um único propósito: servir o povo – como diz todo cidadão de sã consciência. Como eu gosto de usar esta expressão: será?
E fechando este ano, este colunista deseja a todos os leitores que o ano que dentro de poucas horas se inicia seja repleto de paz, de amor, de felicidades, de grandes sonhos realizados e que, acima de tudo, o Ser Maior – Deus, nosso Criador, esteja presente em todos os lares com suas bênçãos e dando a força necessária a cada um para vencer os desafios que a vida proporciona, pois somente através d’Ele que alcançaremos o que desejamos tornando-nos mais que vencedores. Feliz 2012!
(Publ. em 31/12/2011)

 

 

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

 

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ABRAÇOS!

 

 




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"Quem não lê não pensa,

E quem não pensa será para sempre um servo."

 

ESTOU MUITO FELIZ!

 

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