CRÔNICA
DA SEMANA
Dezembro de 2011
RETRO E PERSPECTIVAS
2012
Em 2011, que dentro de
poucas horas se finda, como colunista falei de tudo um pouco: desde
enaltecer a nossa cultura, o nosso povo até fazer críticas
sobre os mesmos – mas críticas que procuravam apontar possíveis
saídas aos araçatubenses que nos liam, que nos enviavam
e-mails, ou faziam comentários quando nos encontravam nos ir
e vir da vida. E, claro que não são muitos, mas os poucos
que tecem seus comentários deixam o cronista a pensar cada vez
mais na responsabilidade do ato de escrever, logo, é necessário
ler constantemente, estar aberto a receber opiniões e sugestões,
e estar por dentro do que acontece em nossa cidade e região.
Numa breve retrospectiva, abrindo o ano falamos
de sorte, de sucesso e – acima de tudo – de trabalho: tudo
pode correr a favor, mas somente o trabalho que concretiza. Somado a
tudo isso, o caminho do amor faz crescer quando a felicidade está
em nós: ou seja, depende exclusivamente de nós. No segundo
mês continuamos falando de transformações e que
dias melhores viriam – bastando apenas fazermos a nossa parte.
Em março os araçatubenses foram ressaltados com citações
de várias atividades culturais, fechando – ainda –
com um episódio interessantíssimo: ‘Velas coloridas’
(presente a uma namorada). Em abril o destaque ficou por conta da crônica
‘Sonho de um sonhador cultural’, onde ficaram registrados
os premiados do Troféu Odette Costa 2011, onde este colunista
também recebeu o prêmio por divulgação cultural
na categoria Blog de Mídias Livres. Maio destaca-se pelo assunto
de como ter um bom blog. Em junho ‘Cronicando’: um rápido
comentário sobre os tipos de leitores e seus interesses dentro
do jornal. No mês de julho ‘Ser escritor ou estar escritor’:
um rápido comentário sobre o dia do escritor. No mês
que não tem feriado, agosto, os e-mails entraram em discussão
– ter ou não ter: é necessário? Em setembro
os destaques dos textos ficaram por conta da Semana de Literatura –
ação, reação e participação.
Outubro e as flores nas janelas. Novembro de pura reflexão: o
brasileiro acaba se contentando com um pouco de amor, de pão
e de circo – será? Fechando o ano, ficou registrado o aniversário
de nossa cidade, completando 103 anos – e com muita arte.
E para o próximo
ano, o que se pode esperar o leitor?
Pode
esperar, novamente, de tudo um pouco: paixão, amor, felicidade,
dores, sorte, sonhos, sobre a arte de escrever e seus escritores, literatura
e suas boas leituras, atividades culturais – teatro, danças
e seus festivais, sobre fé e suas religiosidades, sobre Araçatuba!
E sem esquecer, com certeza, de comentários sobre um dos assuntos
que mais tomarão as páginas dos jornais: as eleições
municipais. Quais serão os candidatos ao cargo Executivo? Quais
serão os candidatos aos cargos do Legislativo? Alguns serão
eleitos pela primeira vez, outros tentarão ser eleitos novamente
– mas todos, a princípio, com um único propósito:
servir o povo – como diz todo cidadão de sã consciência.
Como eu gosto de usar esta expressão: será?
E fechando este ano, este
colunista deseja a todos os leitores que o ano que dentro de poucas
horas se inicia seja repleto de paz, de amor, de felicidades, de grandes
sonhos realizados e que, acima de tudo, o Ser Maior – Deus, nosso
Criador, esteja presente em todos os lares com suas bênçãos
e dando a força necessária a cada um para vencer os desafios
que a vida proporciona, pois somente através d’Ele que
alcançaremos o que desejamos tornando-nos mais que vencedores.
Feliz 2012! (Publ.
em 31/12/2011)
Dezembro de 2011
VÉSPERA
DE NATAL
Hoje, sábado, vinte e
quatro de dezembro: véspera de Natal – um dos dias mais
comemorado dentro das celebrações cristãs, pois
o Verbo se fez carne e nasceu para salvar o mundo, ou pelo menos para
as criaturas que n'Ele crer.
Fez-se carne e habitou entre os homens; ainda
menino, no meio dos doutores foi encontrado e havia de muito os superado;
adolescente foi batizado; homem feito realizou curas, milagres, ressuscitou
morto e cumpriu o propósito do Pai: morreu crucificado para salvar
a humanidade de todos os males cometidos (e perdoou os que o crucificaram,
pois não sabiam o que faziam) – mas ainda hoje poucos dão
valor a este feito.
Na data de hoje as famílias se reúnem
de todos os cantos – são estradas movimentadas e nem todos
respeitam o trânsito, causando assim tristezas e mortes –
para a celebração cristã: mas será que todos
sabem do valor (e dar valor) a esta data simbólica tão
maravilhosa? Ou será que é apenas mais um dia de grandes
banquetes, regados a muitas bebidas, conversas fiadas e, quando não,
discussões desnecessárias – pois mentes alteradas
geram confusões.
Famílias reunidas em busca da paz –
a paz que o menino Jesus pregou desde que nasceu, pois a sua estrela
brilhou altamente no céu e os reis vieram de longe adorá-lo,
presenteá-lo: nascia o Rei dos reis. Hoje, independente do credo
religioso, todos buscam esta estrela maior: a representação
da paz. Um ponto de apoio que almejam; que precisamos.
Natal traz em si uma mensagem que, ao longo dos
anos, foi sendo espalhada entre os povos – e, de geração
em geração, chegou aos nossos dias como conhecemos: paz,
muitas comidas e bebidas boas, inclusive com o Papai Noel em seu trenó
distribuindo presentes – e a criançada toda feliz esperando
pela hora do ‘bom velhinho’. (E muitos ainda pensam em dizer
aos pequenos que o ‘bom velhinho’ não existe, que
é apenas uma criação ilusória – mas
por que não deixar este ser folclórico, se assim posso
dizer, na mente dos pequenos somados a mensagem natalina? É hora
de pensar de maneira diferente deixando sempre a paz reinar.)
Apesar de todo propósito que o Ser Maior
criou e com o envio do menino Jesus reforçou-o, o Homem –
um ser que Ele criou a sua imagem e semelhança, muitos pensam
apenas em aproveitar do seu próximo, seja na exploração
através da mente ou do trabalho (e, provavelmente neste dia estarão
sentados à mesa fartamente, junto de seus familiares, sem pensar
nos males que cometeram – mas será que no último
dia, no juízo final, se livrarão da condenação
final?).
Neste dia – que todos buscam a paz, a solidariedade
entre os povos, é mais um momento de reflexão e de perdão
interior. É mais um momento de remissão dos possíveis
pecados cometidos consciente ou inconscientemente – mas, tendo
em vista que os cometidos conscientemente têm um peso bem maior
em cada ser.
E, fechando esta penúltima coluna do ano,
desejo aos leitores e aos nossos familiares um Natal repleto de paz,
de amor, de reunião em família – e de promessas
de grandes realizações para o próximo ano: da busca
da paz entre os homens e, principalmente, da busca da paz interior.
Feliz Natal! (Publ. em 24/12/2011)
Dezembro de 2011
MUDANÇA
DE ARES
Sabemos que as mudanças
de ares de vez em quando fazem bem. E não somente ao corpo, mas
também a alma. Logo, se assim é, por que não mudar?
Dizendo de forma mais objetiva, por que não ousar de vez em quando
– ou sempre?
Mudar faz ter novos olhares sobre as coisas –
são novos paradigmas que, aos poucos, vão sendo (re) criados.
Mudança faz pensar. E, por mais que pareça complicado
dizer, poucos seres hoje em dia andam a pensar – pois boa parte
prefere pegar pronto.
Algumas pessoas prometem a si mesmas que, pelos
mais variados motivos, o iniciar de cada novo ano será de mudanças
– e preste bastante atenção em seus amigos e amigas,
pois o dia primeiro de janeiro está chegando! Mas o ano começa,
depois segue mês a mês e logo termina e nada de mudanças.
Por quê? Será medo? Ter medo do desconhecido faz parte
do ser humano – por isso ele ainda vive, mas faz parte da espécie
humana ser ousada.
As mudanças podem e devem ocorrer de forma
significativa em cada ser – pois cada ser é único,
logo, somente cada ser pode fazer com que as mudanças ocorram.
E, se cada ser pensar que somente ele faz a diferença em si e
em seu espaço (junto dos outros seres dentro da comunidade em
que está inserido), não titubeará nunca por mudar.
Pelo olhar do corpo, os novos ares – as
mudanças em si – causam preocupações, além
de alguns incômodos. É uma inquietude danada, um cansaço
físico que demanda esforço de adaptação.
E, pensando bem, o homem saiu do campo e veio para a cidade –
e aqui se estabelecendo ao longo dos anos passou a respirar um ar poluído,
além de ser ainda mais escravo dos deveres. Passou a ser escravo
de si mesmo – seguido cada dia mais de perto da escravidão
tecnológica que tanto pode ajudar, como também pode causar
danos irreversíveis quando não usada de forma adequada.
Pelo olhar da alma, os novos ares – as mudanças
em si – causam preocupações sim, mas faz com que
o ser humano olhe além do horizonte. E olhar além do horizonte
é reconhecer que está vivo e que precisa de transformações
– e de certa forma urgente. Olhar além do horizonte é
viver a imaginação – é viver cada vez mais
as fantasias que ultrapassam os seus limites: é a busca da plena
realização como ser pensante que é. É o
ser Homem.
Alguns homens, como tal que foram, conseguiram
grandes mudanças. E tais mudanças fizeram grandes diferenças
a raça humana – e até os dias atuais alguns exemplares
da raça humana ainda fazem a diferença. Para entender
melhor o que escrevo, as grandes invenções fizeram do
homem o que ele é hoje – alguns exemplos: a energia elétrica,
o telefone, o computador, as grandes descobertas científicas
em busca da cura. Tecnologia! É muito ruim imaginar as coisas
sem a energia elétrica: como ter claridade durante a noite; como
falar com amigos de longas distâncias; como ler mensagens instantâneas,
ou até mesmo acessar excelentes bibliotecas virtuais; como ter
o prolongamento da vida. A citar apenas estas, mas muitas outras poderiam
ilustrar este parágrafo – e você, caro leitor, pode
fazer uma varredura em sua mente e, com certeza, acharás muitas
coisas inventadas pelo homem que até hoje fazem diferença
– e melhor de tudo: a cada momento que passa o ser humano vai
aprimorando o que os seus ancestrais construíram (pena que nem
tudo leva a edificação!).
Aproveite o final de ano e o iniciar do próximo
e não prometa mudanças de ares, mas faça as mudanças
de ares acontecerem – comprometa-se com você mesmo e mude!
Só você pode fazer a diferença em você e no
local em que você vive. Pare, pense e mude: faça a diferença!
(Publ. em 17/12/2011)
Dezembro de 2011
A ESPERA
Você, caro leitor, já
imaginou o que a palavra ‘espera’ causou, causa e ainda
causará nas mais prodigiosas mentes humanas? Imaginou?
Pis bem, o ser humano é o único
ser que – de acordo com a ciência – pensa! Sendo assim,
em primeiro plano, a ideia de esperar é desafiadora. Desafiadora
de todos os pontos de vista. De todos mesmos, a começar pelo
ponto mais próximo: a própria espera de revelação
do ‘eu’ pessoal. O próprio se encontrar no mundo.
IImagine-se numa situação de espera
em uma rodoviária, ferroviária ou em um aeroporto a espera
de uma pessoa amada e, lá fora, o tempo desaba em águas:
muita a água a cair mesmo, trovoadas, relâmpagos, raios
a rabiscar o céu e ninguém a dar uma simples informação
– e já se vão mais de meia hora de espera!
Imagine-se como amante, após uma longa
discussão, a espera de um novo encontro para tentar reativar
os laços que os une, as juras de amor – a espera da paz.
Imagine-se à frente de uma vaga de emprego – vários
candidatos; entrevista e dias de espera no desejo de ser chamado. Ou,
após o árduo e doloroso vestibular, imagine-se...
Imagine-se um político que, a princípio,
defende de unhas e dentes os direitos dos cidadãos – mas
sempre de olho no resultado das próximas eleições.
Imagine-se um médico que, à beira do leito de um paciente
moribundo – e que já fez o que estava ao seu alcance, vê
ela se aproximar – a morte – e nada mais pode fazer. Imagine-se
um advogado que, por ofício de profissão – mesmo
sabendo do erro do condenado a ser julgado – faz o melhor para
inocentá-lo, ou – se ainda possível, pelo menos
abrandar a pena a parti do ato que cometeu.
Imagine-se um professor que, durante todo o ano
letivo, ministrou conteúdos à sua turma – mas alguns
ficaram (não conseguiram êxito), pois não conseguiram
acompanhar. Imagine-se um escritor que, após longas horas de
trabalho, espera pela publicação e momentos de autógrafos
– a glória!
Imagine-se um goleiro de seu time em final de
campeonato – e não podendo levar gol – mas seu time
não ataca, pelo contrário, sofre grandes ataques... Imagine
a consagração, ou a insatisfação de ficar
com o segundo lugar e balbuciar que faltou pouco!
Imagine-se um pai de família que aguarda
trinta dias de árduo trabalho para pegar o seu salário
(digno, mas em sua maioria muito pouco) para sustentar esposa e filhos
– quando não, e também, certos vícios. Ou
doenças;
Imagine-se a futura mãe a espera de um
resultado de teste de gravidez – um filho, uma filha! Se positivo,
nove meses de expectativas. O nascimento, o desenvolvimento, a infância,
adolescência, idade adulta, velhice... O ciclo da vida! (E, depois,
muitos filhos e filhas não dão o valor necessário
aos pais!) Que mundo, meu Deus, de esperas!
São tantas coisas a imaginar pela espera
– inclusive pela publicação destas poucas linhas:
e, ao acordar de mais um sábado, recolher o jornal e ler –
novamente – o texto materializado no papel. São tantas
esperas... E em breve: a chegada do natal, do ano novo. E com isso o
ser humano vai se realizando, vai renovando as esperas – e estas,
aos poucos, vão sendo realizadas tornando-se assim um ciclo de
novas esperas, de novas realizações, de novas imaginações.
(Publ. em 10/12/2011)
Dezembro de 2011
ANIVERSÁRIO
DE ARAÇATUBA COM ARTE
Mais uma vez Araçatuba
está em festa: 103 anos! E com muita arte e beleza: ‘II
Olhar Arte’, Circuito de Artes Plásticas. Os festejos aconteceram
no MAAP – Museu de Artes Plásticas e no Teatro Castro Alves
– ambos na rua Duque de Caxias.
Durante a semana dos festejos – que se iniciou
no dia 24 de novembro – o público que por lá passou
apreciou obras de artistas locais que nada deixaram a desejar de artistas
renomados, além de apresentações musicais, workshop,
intervenções, bar cultural e festa a fantasia. E tudo
numa excelente harmonia e organização.
Na semana ainda houve a premiação
do II Olhar Arte, sagrando vencedora a artista plástica Fernanda
Russo, pelo conjunto da obra: Imaginário Feminino – desenho
digital sobre fotografia. Em segundo lugar ficou Paulo Martins, com
a escultura ‘Casal’. Em terceiro lugar Roberto Raniel, com
a obra ‘Representação’, categoria pintura.
O circuito de artes também contou com a participação
de Edna Badu (menção honrosa, com a obra Força
da Floresta, Série Amazônica – óleo sobre
tela), Ronaldo Almada (menção honrosa, com a obra Fragmentos
– pintura e desenho), Margareth Martins (menção
honrosa, com a obra Musa Ausente – escultura), Mário Bueno
(pintura), Ana Almeida (mosaico), Duxtei Vinhas Itavo (óleo sobre
tela), Thiago Gomes Rabelo de Melo (mosaico), Henry Mascarós
(acrílico sobre tela), Mildred Lourdes Pacitti Rocha (nanquim
sobre papel), Jane Andrade Valença Ramos (nanquim sobre papel
cartão), Dior Orlando dos Santos (aerografia sobre tela), Marta
Recchia Prado (óleo sobre tela).
Também durante esta semana de festejos,
a Oficina Cultural ‘Silvio Russo’, entregou à população
araçatubense um painel restaurado do pintor Sílvio Russo
– que aqui viveu durante certo tempo de sua vida e pai da artista
plástico Fernanda Russo – e que está numa das paredes
do MAAP. Além da entrega neste último dia primeiro de
dezembro, foi exibido um documentário de 45 minutos sobre a vida
do artista.
Desde sua fundação – há
103 anos, Araçatuba passou (e passa) por grandes transformações.
E entre as transformações, passou de uma simples cidade
pacata do interior para uma cidade que apresenta, em seu meio artístico,
grandes acontecimentos: Festara – Festival de Teatro, Semana de
Literatura, Concurso Internacional de Contos, Circuito de Artes Plásticas,
entre outros – e ainda conta com nomes locais de peso em todas
as áreas. E, tudo isso, vem somar e diversificar a vida dos que
aqui vivem, aumentando o desejo de crescer.
Com toda certeza, cabe ao cidadão araçatubense,
incentivar ainda mais (cobrar quando pode) e comparecer aos eventos,
pois está se fazendo, está acontecendo, mas ainda há
pouca participação dos munícipes. E fico cá
a pensar: se temos tão poucos acontecimentos artísticos,
estes – com certeza – deveriam estar lotados. Mas, onde
estão os nossos amigos-cidadãos? Depois, não adianta
reclamar, pois avisados estão. Há um versículo
bíblico que diz: ‘No pouco foste fiel, no muito te colocarei’.
Logo, se temos pouco, temos que comparecer – e, comparecendo,
automaticamente nossos políticos poderão acordar e trazer
mais acontecimentos artísticos. Mas é preciso comparecer!
(Publ. em 03/12/2011)
Novembro de 2011
SENSAÇÕES
EXTERNAS
O ser humano possui sensações.
Algumas são indefinidas; outras até podem ser tidas como
complicadas – mas vale muito pensar sobre de forma a compreendê-las.
E, destas sensações, algumas queremos senti-las continuamente
– o que nem sempre é possível.
Aguns estudiosos dizem que as sensações
podem ser classificadas em três grupos: externas, internas e especiais.
As sensações externas – a que pretendo me prender
nestes enunciados a seguir – são aquelas que refletem as
propriedades e aspectos de tudo que o ser humano encontra no mundo exterior,
e para tal valemos dos órgãos dos sentidos: visão,
olfato, audição, gustação (paladar) e tato.
E pensando em cada órgão de nosso
sentido é interessante explorá-los de forma significativa
e, por conseguinte, dominá-los ao máximo. Temos que ter
em mente, sempre que possível, que tais sentidos estão
interligados, que precisam um do outro e assim se completam.
A visão nos proporciona algo maravilhoso:
ver a beleza da vida. É triste olhar e não ver –
pois, como diz o velho ditado popular: o pior cego é aquele que
não que ver; que não quer enxergar! Ou ainda pior: aqueles
que estão apegados às coisas materiais e delas querem
tirar o maior proveito – logo, não vivem – elevando
para um plano maior. As mãos do Criador fizeram tudo perfeito
em sua criação – e ver é uma delícia:
no mais amplo sentido da existência. Fico a imaginar as pessoas
que não podem ver, pois quão triste deve ser não
poder, por exemplo, contemplar a sua própria face e a de seus
semelhantes. E muitos não dão valor no ato de ver.
Quanto nos proporciona o olfato? Sentir, por exemplo,
o suave cheiro dos alimentos, das plantas, da vida! As rosas, por exemplo,
exalam um perfume muito bom, por excelência! É um cheiro
que, em muitas ocasiões, proporciona paz, amor, harmonia. E,
pensando um pouco mais adiante: como é bom sentir o doce perfume
que o companheiro (ou companheira) traz na alma – com um deliciar
mais profundo de sabedoria!
A audição faz-nos sentirmos seguro
em muitas situações: ao atravessar a rua, por exemplo.
Quando somos chamados: que bom ouvirmos o nosso nome! Ao ouvirmos sabemos
que somos conhecidos, lembrados, amados, desejados! Ou, ainda, ouvir
o som de uma canção, de um pássaro. E por ai podemos
seguir um caminho longo.
O paladar, em suas divisões: doce, salgado,
quente, frio, amargo, suave – quantas emoções ao
saborearmos um alimento que nos enche os olhos – são sensações
sendo interligadas. Fazemos sem perceber, mas fazemos. E ao fazermos
estamos exercendo o dom que o Criador nos proporcionou para vivermos
melhor nesse planeta Terra.
O tato dá-nos o direito de tocar, de sentir,
de acariciar. E acariciar o outro, ou a outra, é um poder que
muitos não sabem medir o quanto pode em seus efeitos! Sentir
a chuva tocando a pele em dia ensolarado. Sentir a brisa, o vento ou
a ventania (ou ainda o frio) no rosto é poder sentir que está
vivo! E viver é o melhor que se tem!
A soma destes sentidos, destas sensações
externas, faz o ser humano ser o que realmente é. Viver tais
sensações em harmonia – apesar de algumas serem
incompreensíveis do ponto de vista carnal – é a
constituição plena do ser, do existir. É a saída
do corporal para o espiritual. É o outro lado da existência:
que muitas das vezes não há explicação –
mas complicações. (Publ. em 26/11/2011)
Novembro de 2011
VIDA E FELICIDADE
Será que é fácil
ter uma vida feliz e com bons propósitos? Parece ser uma questão
simples, mas não é, pois de todos os lados aparecem complicações
que deixam o ser humano com muitos e muitos pontos de interrogação.
È o mesmo que pensar que a vida é simples – e ela
é, mas o ser humano que complica. É este mesmo ser que
cria barreiras que, posteriormente, terá que transpor. Por isso
a vida é, mas ao mesmo tempo não é simples.
Entre os vários propósitos da vida
do ser humano, alguns são inesquecíveis: religião,
trabalho, relacionamento, decisões, dinheiro e luxúria,
entre outros; e, para finalizar: existe felicidade? Ou, tudo depende
de metas traçadas e serem postas em prática?
No primeiro propósito – é
a lei divina sobre a lei humana: a religião. Por mais que alguns
dizem que não acreditam em nada, em alguma coisa acabam acreditando,
pois o nada também é o tudo – e até certo
ponto contraditório, não é mesmo? A religião
existe para que o próprio homem dê seguimento ao que foi
ensinado há séculos – e passado de geração
em geração.
Outro propósito que pode ser abordado:
o trabalho – e este, por sinal, é bendito! O trabalho foi
dado ao homem para ocupar-se, para ter a mente ocupada – logo,
evitam-se confusões. O ser humano que trabalha pode, às
vezes até com muita dificuldade (tendo em vista que vivemos num
mundo de desigualdades), sustentar uma família; oferecer o que
ela realmente precisa. E, ainda falando em trabalho, o melhor seria
trabalhar com o que gosta, sempre que possível – pois estaria
de certo modo se realizando pessoalmente, profissionalmente e ganhando.
Se for o contrário, com certeza este ser humano será infeliz
e, consequentemente, fará outros seres humanos infelizes também.
O relacionamento é complicado – por
assim dizer. A princípio: nunca casar por interesse, ou porque
a família escolheu, ou por outro motivo qualquer. Casar tem que
ser por amor – por assim dizer. Ou, ainda, por princípios
comuns, por afinidades entre as partes envolvidas. É uma escolha
totalmente pessoal – sem interferências de outros, porque
na hora dos apuros o casal que tomará as decisões –
não os de fora. E tem mais: quando os de fora colocam o dedinho,
como dizem os velhos ditados, nos por finais acaba – na verdade,
prejudicando. Deixando em situações mais desagradáveis
– na maioria das vezes.
Na hora de tomar decisões – que é
outro propósito que constantemente o ser humano precisa atuar,
este deve ser o mais preciso possível, pois, posteriormente,
não deverá chorar pelo que fez. Logo, pensar antes de
decidir é a melhor saída. Mas muitos não pensam
e, consequentemente, sofrerão – mas devem ser lúcidos
e acatar o que vem de encontro às decisões tomadas.
Alguns seres humanos escolhem o dinheiro como
propósito primordial à sua vida – esquecem o restante
que os cercam. O dinheiro traz muitas coisas – entre elas, uma
das mais perigosas faltas de virtude que circundam os seres humanos:
a ganância. E, aliada a ela, a luxúria. Mas, por outro
lado, precisa-se de paz: mas já pensaram que o dinheiro não
traz paz?
E, tentando terminar este texto: existe felicidade? Ou, para tê-la,
é preciso metas e estas traçadas minuciosamente? E, antes
de responder, e pensando em tudo, concluo que a felicidade não
passa de um estágio passageiro – logo, felicidade existe
num estágio passageiro; por outro lado, traçando metas
é possível alcançar os objetivos. E tais objetivos
levarão, parcialmente, a felicidade. (Publ. em 12 e 19/11/2011)
Novembro de 2011
AMOR, PÃO
E CIRCO
Ser feliz, para muitos, pode
centrar em três coisas: amor, pão e circo. E cada uma tem
o seu parecer – pelo menos por parte deste que vos escreve. Cada
item acima citado promete algo – e o leitor, por excelência,
saberá decifrar e aproveitar o que melhor lhe encaixar.
Para muitos de nossos conterrâneos, ter
felicidade é ter pão – o que significa ter em sua
mesa o básico: alimentação para si e seus familiares.
Para outros, não basta apenas ter pão, precisa de algo
mais: possivelmente o circo – um pouco de diversão, de
lazer, somado ao pão de cada dia. Sem tirar o mérito de
ninguém, a política oferece miseravelmente um pouco disso:
trabalho aos famintos, dando-lhes o direito de comer, somado a pouca
diversão – filmes na tevê, quando estes já
se propagaram em todos os canais. Ou, míseros programas de auditório,
ou ainda: horário político!
Observando de perto, os tais canais de televisão
chamados de abertos deveriam ser revistos, tendo em vista que são
concessões. Se estes são concessões, são
do povo – logo, deveriam apresentar excelentes programações
– e tudo em primeira mão. Mas não é o que
acontece, e estamos cansados de saber, mas poucos brigam por uma tevê
mais digna.
Em terceiro, apesar de citado em primeiro –
propositalmente, é um sentimento que deu (e dá) origem
a belíssimas obras de arte, tais como telas, poemas, esculturas,
músicas, encenações... Mas, o que pensam as pessoas
a respeito do amor?
Na visão deste construtor de texto, em
muitas telas pode observar jovens casais – ou até de mais
idade, sentados lado a lado, às vezes abraçados, reclinados,
ambos observando-se a beleza (reciprocidade), passando a não
ter fronteiras o amor, independente das barreiras de raça, cor,
religião, nível cultural ou social.
Outro dia abrindo um livro didático deparei-me,
novamente, com uma tela que acho bastante interessante: ‘O Beijo’,
de Gustav Klimt (1907-1908). As cores são vibrantes, maravilhosas
aos meus olhos – o amarelo resplandecente prende a minha leitura
a cada vez que a vejo. Neste mesmo livro trazia um belo texto: ‘Poema
dos olhos da amada’, de Vinicius de Moraes, que é considerado
um dos escritores brasileiros que mais falaram desse sentimento que
colore os dias dos seres humanos: ‘Ó minha amada / Que
os olhos teus / São cais noturnos / Cheio de adeus / São
docas mansas / Trilhando luzes / Que brilham longe / Longe nos breus...
(...) Ah, minha amada / De olhos ateus / Cria a esperança / Nos
olhos meus / De verem um dia / O olhar mendigo / Da poesia / Nos olhos
teus’. Maravilhoso, não é mesmo?
Fazendo uma pausa por aqui – e concluindo
no parágrafo a seguir, pois deveria seguir adiante, tendo em
vista que muito se pode falar do sentimento chamado amor através
de muitas outras canções, esculturas, encenações,
entre outras – mas o espaço físico é curto.
Assim como dois corações quando se encontram e querem,
como num único lance, solucionar todo o tempo perdido. Impossível,
mas os amantes sempre querem!
E, tentando fechar um assunto que nunca se esgota
– amor, pão e circo, o melhor de tudo seria os três
caminharem próximos – de preferência lado a lado.
Assim, a humanidade teria o amor no coração, trabalharia
com gosto, teria dignidade em ter o seu pão e, com toda certeza,
a diversão apareceria. Afinal, nada melhor que após um
dia de trabalho, ter um pão para saciar a fome, seguido de pequenas
diversões, aliado ao amor entre os familiares. E, lembrando,
ainda: o amor supera tudo – desde que bem vivido! (Publ.
em 05/11/2011
Outubro de 2011
A CONSTANTE PROCURA
DA ALMA GÊMEA
A situação nos
dias de hoje – aliás, desde tempos atrás, é
problemática. Cada vez mais o ser humano procura o outro –
e, às vezes, depara-se com o que costuma chamar de alma gêmea.
Mas nem sempre pode ser visto assim, pois o que pode parecer nem sempre
o é.
E assim começa: no olhar o brilho –
talvez a procura de alguma lembrança. Quem sabe um encontro que
há muito tempo era desejado: possíveis almas gêmeas.
No momento – o coração – cobrava decisão.
Necessitava urgente de uma escolha – mesmo que mais tarde o arrependimento
batesse.
Via-se um no outro. Via-se – mesmo sabendo
que a separação poder-se-ia ser inevitável. O proteger-se
(ou, a outro a proteção dar) levava ao ato de não
enxergar, ou – ao que pode ser dito: faltava coragem para viver!
E viver no mais amplo sentido da vida. Vivia apenas de lembranças
– felicidade à distância, vigiada, fragilizada.
Dorme. Acrescenta-se, ainda, um vulto a seguir;
tentava esconder; passos, desespero. Portas são fechadas. Espia
– sombra! Põe se a gritar – ninguém ouve.
Olha pela janela: desesperadamente tenta fugir nos pensamentos confusos.
Desperta – o suor escorre-lhe pelas faces; volta a dormir. Volta
a sonhar: quer ser amante – quer ter um coração
farto de amor; brincar com fogo; sufoco – pouca saída à
paixão que queima e une os amantes na arriscada caminhada entre
os mais ocultos e obscuros segredos. Desespero novamente, loucura; medos
e incertezas; pactos; magia, emoção; vontade de viver:
felicidade intransferível – mesmo que momentânea.
O dia amanhece e com ele muitas incertezas continuarão
a existir. As mudanças ocorrerão – talvez golpes
inesperados, indesejados; provocados. Talvez seja a hora do ‘recomeçar’.
Do despertar para a vida, ressurgir das cinzas, do encarar-se de frente
e de forma corajosa – tirando forças de onde, possivelmente,
pareciam esgotadas, mas possível ao que crê. E, no palco
da vida, embora o espetáculo já tenha começado,
apesar do riso ou do pranto, mesmo que a dor se apresente – talvez
até de certo modo passageira, há alegria em viver. Flores
na janela – sorrir, cantar, escrever. Viver!
Homem. Mulher. Na indecisão: ama! Teme,
treme! Teme pelo presente; treme pelo que pode vir a acontecer. Mas
ergue-se sempre – e desde os tempos mais antigos que se pode imaginar.
Muda, mas não perde a essência do ser humano. Por isso
é humano.
Na ânsia de voar, de sentir-se livre, de
possuir o vento – voa longe na contramão do tempo: aparelha-se
ao outro, depois aos outros, e mais outros, pois só assim o vôo
fica mais leve – cansa menos, assim como os pássaros em
forma de ‘v’. Deixa, momentaneamente, de ser livre –
e encontra no outro uma parte de si, de felicidade – algo incomum,
inexplicável! Duradouro, ou não, talvez seja a maior questão
a se pensar.
As horas passam, e com elas os dias, os meses,
os anos – a vida! E passa velozmente que poucos perceberam que
ela passou – mas passou! Em alguns as marcas foram deixadas visivelmente
– pois alguns legados aos homens das futuras gerações
deixaram. Outros, porém, apenas passaram. Apenas passaram.
E a situação continua de forma problemática,
pois o ser humano anda sempre a procura da sua alma gêmea –
e que muitas vezes encontra-se tão perto, mas tão distante
ao mesmo tempo, principalmente de se enxergar. (Publ. em 29/10/2011)
Outubro de 2011
SE FOSSEM DUAS...
Há muitas coisas na vida
que, se fossem duas, muito se faria valer. Não que uma seja pouca
– ou insuficiente, mas é de se pensar – e ainda mais
quando se fala em pessoas com boas qualidades. Quando se trata do oposto,
se diz que uma já é o suficiente – para não
dizer outra coisa.
Estava eu sem fazer nada e, ao mesmo tempo, pensando
no que escrever: mas nada de concreto me vinha à mente. O dia
passou velozmente – os afazeres diários consomem rapidamente
cada valioso segundo. A noite chegou e com ela o lado pessoal (não
de trabalho): deleitar nos braços da vida.
Mas tardava-me a vir ideia de sobre o que escrever
– e o cronista, quando não tem sobre o que escrever, o
nada passa a ser tudo. Interessante, e ao mesmo tempo útil. O
tempo passava velozmente, a hora da entrega se aproximava – e
nada. Sabia que lá no fim do túnel, possivelmente, haveria
uma salvação. Resolvi ligar para amigos próximos,
pois quem sabe trocando palavras o assunto surgisse: fiz cerca de sete
ligações.
Alguns me atenderam de forma desconfiada –
pois a primeira pergunta que ouvi foi, após o boa noite: ‘Aconteceu
alguma coisa?’ Por que as pessoas pensam em algo trágico
quando alguém liga – e não se tem o costume de ligar?
Outro ponto a se pensar (pois poderiam pensar em algo positivo, alegre).
Dizia que não era nada, que apenas estava ligando para dar um
salve – como diz a mocidade de hoje. Outros, apesar de poucos
(dois), ficaram felizes – ou menos preocupados com o que tinha
acontecido para que eu ligasse. O ser humano é complicado.
E destas ligações cheguei à
conclusão que algumas coisas e alguns seres humanos deveriam
ser – sem tirar nadinha de nada – duplicados. Esquisito
– mas ao mesmo tempo interessante? Clonagem – possivelmente,
e por que não?
Há coisas que muitas pessoas querem ao
mesmo tempo – pode ser complicado, mas às vezes é
possível – porque são coisas. Mas há pessoas
que também desejam pessoas que, por sinal, são desejadas
por muitas outras pessoas: o que fazer? Eis a incógnita que não
sabemos, ainda, decifrar. É fácil querer outra pessoa,
mas não é fácil, por exemplo, disputar as pessoas.
Quando se parte para a disputa de pessoas complica-se muito, geram conflitos
– e, às vezes, até morte pode sair. Não se
é possível saber o que existe dentro da mente humana,
pois se soubéssemos seria fácil do homem ser pacificado.
E as disputas pessoais implicam em consequências que levam o próprio
homem ao precipício.
A clonagem, se bem digerida dentro da sociedade
– e, é claro, de sucesso em suas realizações
– seria uma excelente saída: terminaria os problemas entre
casais somados a mais alguém – o famoso triângulo
amoroso! Creio que alguns pactuariam comigo essa bandeira – estranha
a ideia, mas não é de jogar fora. Exceção:
alguns já pensariam que não deveria clonar os chefes –
principalmente aqueles que não possuem competências! Ah!
Não poderia esquecer: não deveriam clonar os maus administradores
dos bens públicos.
E, retomando a ideia exposta no título
– se fossem duas – ficaria feliz em ter amigas duplicadas,
pois estariam estas com outras amigas e comigo ao mesmo tempo; algumas
mulheres duplicadas – pois, com toda certeza, algumas eu deixaria
aqui! E você, já pensou em se duplicar? (Publ.
em 22/10/2011)
Outubro de 2011
AS FLORES NAS
JANELAS
ESTÃO
EM EXTINÇÃO
Flores na janela. Sim, mas por
que em extinção? Muitos já escreveram sobre este
assunto, mas partindo também deste ponto de vista tentarei falar
sobre perspectivas diferentes – tentarei. Ganhei flores e as coloquei
na janela do meu apartamento: sinceramente, ficaram lindas!
Foi no decorrer desta semana que ganhei tais flores
– dois pequenos vasos de calanchoe – nome científico
– kalanchoe: flor da fortuna, como uma amiga me disse. Ganhei-os
de onde trabalho: vermelho e amarelo-limão: até numa brincadeira
meio que disputada. Em um café oferecido pela instituição
sentei-me só numa mesa e quatro amigas vieram depois; conversamos,
deliciamos com o café oferecido e depois elas discutiram sobre
quem levaria a flor no final – mas decidiram que eu levaria para
não dar conversa, mas no final do café foi oferecido a
cada participante um vaso semelhante – saí no lucro! Dois
vasos da fortuna. Possivelmente fortuna ao quadrado – ou material
ou espiritual! Melhor assim.
Esta semana havia flores por todos os lados –
inclusive a semana era propícia para que as mesmas aparecessem
mais belas ainda do que o comum: dia da criança, festas religiosas,
dia do professor. Precisa de mais? A criança, em sua essência,
é uma flor que, não muito distante, se abrirá –
e enquanto não acontece, é o que mais puro se tem nesta
face de terra. Religiosidade: é preciso – ninguém
há de negar, pois o homem sem um guia espiritual, praticamente,
fica sem ponto de referência – apesar de muitos, sei bem,
contradizerem o que acabo de escrever. Quanto ao professor: parágrafo
à parte – creio que escrevo aqui não por ser professor,
mas por ser um cidadão em primeiro lugar.
Ser professor não é privilégio
de poucos, mas de todos – de todos os seres humanos, pois desde
os primórdios da civilização os conhecimentos foram
passados através dos chefes, que na verdade eram os mais velhos,
mestres, professores – guardiões do saber. Os tempos foram
passando, modernizando e – nos dias atuais – professor está
extinção. Professor no sentido mais puro da palavra (e
moderno): aquele que ensina ou transmite algo, que transmite conhecimento
– e não é difícil saber: basta olhar as condições
da humanidade nos dias atuais e perguntar, principalmente ao jovem,
se ele quer ser professor. A resposta é rápida (pelo menos
para os maiores, pois os menores ainda possuem a doce paixão
pelo aprender): “Deus me livre!” – e alguns ainda
acrescentam os porquês: desvalorização salarial,
falta de apoio da própria sociedade, falta de educação
dos próprios alunos.
E precisaria mais argumentos para dizer que os
mestres estão em extinção? As flores nas janelas
estão extinção! E, se não houver mudanças,
em breve não existirão mais profissionais qualificados...
Possivelmente vai ficar pior (salvo se nossa sociedade
fizer alguma coisa)! Há lugares/cidades que determinadas matérias
não possuem mais profissionais capacitados. O que fazer? Seria
já a hora, creio que até já passou da hora, da
sociedade cobrar por melhorias na educação, pois cidadãos
mais qualificados, melhores serviços poderão oferecer
dentro da comunidade. Aliás, ganham todos – inclusive o
próprio cidadão em exercício.
Mas o que fazer para que a sociedade acorde e
cobre de seus governantes as melhorias necessárias para o bom
desempenho de todos? Cobrar, cobrar, cobrar – será esta
a questão? Será esta a saída? Ou, não, melhor:
temos que lembrar que o próximo ano é eleição
e está na hora de analisarmos friamente cada proposta. Ser, ou
não ser, estar pronto para votar, ou não, eis a questão.
É de se pensar.
Aos mestres desta imensa nação brasileira,
amigos, desbravadores do cérebro humano, o mais digno e sincero
voto de bravura por desempenhar função primordial em seus
respectivos postos de trabalho. Salve os professores! Salve os professores.
(Publ. em 15/10/2011)
Outubro de 2011
REFLEXÕES
DE MUNDO
Tempos modernos – será?
Ou podemos caracterizar de maneira diferente? Ou está na hora
de parar, pensar, refletir – agir? E este último, agir,
é um problema constante em nossos dias: muitas coisas pedem ações.
Muitos se importam apenas com o que os outros
pensam – não pensam em si. Esquecem do seu eu interior
que clama por socorro, um socorro rápido antes que desfaleça
sufocado, tendo em vista a atual sociedade consumista; alienada.
Outros pensam que nasceram em mundo errado, ou
melhor: em época errada. Errada do ponto de vista da vida cotidiana
que é lamentável, alarmante, assustadora, preconceituosa,
dominadora, estúpida. As pessoas estão preocupadas o tempo
todo com o que o outro pensa, com o que a moda dita, com o que toca
na mídia, com o palavreado – com as gírias do momento;
talvez medo de ser discriminado, ridicularizado – mas esquecem
de si. Pior: esquecendo de si, do seu lado positivo, também esquece
o outro e do outro – tornando-se uma escala.
Não se preocupam em adquirir culturas e
tradições – estas, por vez, acabam se perdendo (ou,
poucos as cultivam). Não reivindicam seus direitos de saber;
esquecem os ideais. Esquecem de denunciar, de ultrapassar os limites;
esquecem de lutar, de protestar, de provocar. De valer de seus direitos.
Nota-se muito conformismo.
Às vezes, como poucos, penso que estou
vivendo em época errada – nasci em época errada,
talvez. Gosto de ser, de estar, de ficar. Penso muito em mim; no respeito
ao próximo, na troca mútua – no que os outros pensam
sobre os outros. E pensar assim já é visto como um fato
complicador. É visto como um ser fora do comum.
Já pensei diferente... Mas agora penso
nas coisas simples da vida, como uma canção do Cartola,
um clássico de Machado de Assis. Ou, mais profundo: um texto
de Clarice Lispector. Pensar diferente sem deixar do lado o meu ser,
pois o meu eu vale muito – e, na sociedade, na maneira do possível,
deixar a minha marca. Defender os direitos à cultura. (Enxergam-me,
talvez, como um ser que está totalmente fora de órbita,
por assim dizer, mas tenho que ser, que estar...)
As pessoas, às vezes, nos tiram do chão
– e por inúmeras razões: positivas ou negativas
(o que depende muito do olhar). Quando negativas, perdemos tempo tentando
analisar – mas jamais conseguiremos entender a alma humana, principalmente
a alma feminina – que, a meu ver, é inexplicável.
Quando positiva: é tudo de bom: é felicidade, é
paz e amor – amar e ser amado; é a valorização
do próprio sentimento, a valorização do próprio
ser.
Logo, todos os itens acima são, de maneira
geral, o ser humano – o ser humano em suas diversas versões
– se é que assim se pode dizer. Tais versões levam
tanto ao prazer, como ao desprazer. O prazer deixa qualquer um em alto
astral, se opondo a falta deste. É uma reflexão sobre
o hoje, que, possivelmente, vai ser diferente do amanhã. (Publ.
em 08/10/2011)
Outubro de 2011
A FORÇA
DA IMAGEM
Outro dia estava a ver algumas
imagens e dei-me conta que tudo depende do olhar; da posição
do olhar frente ao que se olha. Melhor: da formação cultural
de cada um.
As imagens citadas no parágrafo acima –
que me deram essa s poucas linhas, são de Araçatuba –
uma quantidade enorme que oferece anos de trabalho a um pesquisador.
Fotografias digitalizadas, sem data, sem identificação.
Esse arquivo chegou às minhas mãos por meio de uma amiga
de profissão, não da minha área de atuação,
mas de História – lembranças da professora Mônica.
Tal material tento organizar – e, quando
estiver pronto, ficarão expostas em um blog especial para este
assunto. É extenso: quase seiscentas imagens que, historicamente,
é a vida de minha cidade. É a minha vida – a nossa
vida, araçatubense. Usei-as nestes últimos quinze dias,
nos Cursos de Turismo e de Crônicas – Resgate da memória
de um povo, do nosso povo. Em ambos os cursos há pessoas com
boa idade de vivência: imagine você quantas boas histórias
escreveram! Sem falar nas boas conversas trocadas a cada foto que passava.
Um verdadeiro resgate da memória dos araçatubenses.
Algumas já foram possíveis de leitura
e chamaram-me a atenção. A crônica escrita por Antônio
Roberto Almeida: ‘Araçatuba nos tempos – esporte’.
Esta conta a história do time Canarinho – AEA – Associação
Esportiva Araçatuba, que foi fundada no dia 15 de dezembro de
1972, que fez parte da elite do futebol paulista, tropeçou, caiu,
despencou... Talvez, como cita o cronista, pela má administração.
Ainda, cito outra crônica – escrita
por José Hamilton da Costa Brito: ‘Olhe a rua e verás
o mundo’. Esta pelo motivo simples: emoção! Que
não é tão simples assim. Solicitei, após
assistirem aos slides das fotografias citadas acima, que escrevessem
uma crônica de memórias e, no final, que lessem –
e, ao lê-la, a emoção do cronista foi enorme. (Fico
imaginando o que lhe ocorreu do momento da escrita.) Esta narra parte
de sua vida na rua Bandeirantes.
Também em tempo, duas crônicas sobre
os trilhos que Araçatuba perdeu. A primeira, escrita por Marianice
Paupitz Nucera: ‘A estação ferroviária’.
Esta é uma verdadeira viagem no cruzar dos trilhos, à
beira da Avenida Mário Covas, a autora se depara com o passado:
e, no lugar do asfalto e dos carros, vê os trilhos e as locomotivas
e seus vagões – sem esquecer o almoço delicioso
no restaurante da composição – um bom e inesquecível
bife a cavalo. A segunda, escrita por Ana de Almeida dos Santos Zaher:
‘Caminhando nos trilhos de Araçatuba’ – a cidade
que a cronista diz conhecer a partir da sua juventude, mas que sempre
estará em seu coração: ‘Hoje Caminhando nos
trilhos da imaginação vem a lembrança nítida
de vários episódios reais nos Trilhos de Araçatuba,
até meus pés ficaram firmes e minhas mãos tocando
a realidade tão bem vivida e que será mesmo inesquecível’.
E acrescenta que o tempo faz a mudança, necessária, e
que as imagens passarão a fazer parte do álbum de família.
E o poder da fotografia não para por aí.
É um recorte da realidade – seja pelo fotografar de uma
obra de arte, ou pelo click de uma máquina fotográfica
– que me fascina! Fico imaginando coisas – quando é
uma tela, o momento da criação; quando do click da máquina
fotográfica, o ângulo – que poderão existir
por trás de tudo que a luz (ou a falta da mesma) proporciona.
Será, a imagem, ilusão? Ou... Não
sei realmente o que pensar, o que discorrer sobre. Mas que me fascina
– não posso negar! (Publ. em 01/10/2011)
Setembro de 2011
CRÔNICAS
-
SEMPRE BOAS LEITURAS
Esta semana estou a ler três
livros de crônicas que entraram nos portões escolares:
’50 crônicas escolhidas’, de Rubem Braga, ‘Crônicas
para ler na escola’, de Ignácio de Loyola Brandão
(seleção de Regina Zilberman) e ‘Crônicas
para ler na escola’, de Carlos Heitor Cony (seleção
de Marisa Lajolo) e vou prender-me neste último a produção
de hoje.
Lajolo faz a abertura do livro – que contém
49 crônicas, com a seguinte explicação sobre crônicas:
‘Cintilações rápidas, elas fazem brilhar
por instantes um episódio qualquer, cotidiano e corriqueiro.
Um episódio que poderia fazer parte da vida de todo mundo. Coisinha
de nada, um apelido, um bicho de estimação, uma fantasia
de carnaval, o cronista escava da memória sua crônica e...
pronto! Lá tem o leitor sua dose diária de sonho e de
fantasia.’ E, como estou mergulhado este final de ano no assunto
– crônicas – estou, então, um pouco empolgado.
E faço o convite aos leitores que acessem, por intermédio
de seus filhos, estes livros – pois vale muito lê-los –
é prazeroso!
Eu as li e algumas me chamaram a atenção,
como a crônica ‘Tentativas de explicação dos
apelidos’ – principalmente os apelidos aleatórios
(e que alguns serão carregados pela vida afora!). Outra que também
me chamou a atenção foi a crônica ‘O buraco
da memória’. O autor cita: ‘Na infância, ficava
intrigado: quanto mais terra tirava, mais terra havia. O buraco não
acabava, a menos que eu fosse parar no Japão, que me garantiam
estar bem embaixo do meu quintal, no Lins Vasconcelos, mas do outro
lado do planeta. (...) Memória também é um buraco,
quanto mais se tira matéria, mais matéria aparece.’
E completa, ainda, citando Santo Agostinho: ‘a memória
era o ventre da alma’.
Pensei: temos quanto de memória? E ainda
pensando cá com meus botões: quantas coisas podem sair
de nossa memória se a escavarmos! É quando escavamos nossa
memória que as mínimas coisas passam a ter sentidos notórios.
Passam a ser valorizadas por nós. O cronista tem um olhar diferenciado
sobre o mundo: das mínimas coisas tira-se proveito! O cronista,
artífice das palavras, desenvolve essa sensibilidade a cada dia
que pratica a sua profissão: escrever, relatar as coisas do cotidiano.
É um registro da realidade, um registro da sociedade.
Continuando a leitura, há outras crônicas
que me chamaram a atenção, como ‘O batizado da bruxinha’
– ironicamente uma conversão! ‘A banalização
do erro’, ‘Nostalgia das galinhas’, ‘A vaca
virtual’, ‘Das vascas do meu avô’ – uma
reflexão sobre vida e morte, ‘Anatomia das segundas-feiras’
– que termina com os seguintes dizeres: ‘Por tudo isso,
acho que houve engano dos historiadores quando afirmam que Cabral avistou
o Brasil num domingo. Deve ter sido numa segunda-feira.’, ‘Vizinhos
e internautas’ – onde é tratado o comportamento humano
frente ao que chamamos de correria da modernidade, ‘O morcego
encantado’ – meninos fantasiados de morcego (carnaval),
e, fechando o livro: ‘O mundo e o menino’, de profunda reflexão
e que o último parágrafo diz: ‘Até o dia
em que a menina me chamou para o porão da casa dela. Achei aquilo
errado, mas fui. O mundo ficou mais complicado, mas também mais
bonito.’ – escolhas maravilhosas que deleitam o olhar.
Você, leitor, que gosta de ler textos curtos
e que relatam fatos do cotidiano, tens um bom presente às mãos:
leia-as e deleite-se na linguagem simples, no cotidiano expresso de
forma diferente, na reflexão a partir de pequenas coisas. Lembre-se
que a crônica, a partir do olhar diferenciado do cronista, tem
esse poder! (Publ. em 24/09/2011)
Setembro de 2011
ARAÇATUBENSE
-
E SUA PARTICIPAÇÃO?
Esta semana que se encerra Araçatuba
viveu a III Semana da Literatura – sucesso nas atividades propostas,
mas há alguns pontos que devem ser considerados – principalmente
a participação do público. Aliás, onde estavam
os homens e mulheres que se dizem ‘das letras’ em nossa
cidade? Mas, antes de fazer comentários sobre o assunto, uma
rápida passagem pela semana.
Na noite de abertura, dia 13 – terça-feira,
aconteceu a premiação dos vencedores do 24º Concurso
Internacional ‘Cidade de Araçatuba’ (contato com
o livro de ‘Contos Premiados’) e apenas cinco premiados
compareceram – pior: até araçatubense premiado não
compareceu (e nem mandou representante) – é, ou não,
de se pensar? Continuando, fez-se presente o escritor pernambucano Marcelino
Freire, ganhador do prêmio Jabuti 2006, que falou sobre a produção
de textos sucintos – tendo em vista as redes sociais, sua trajetória
e seu contato com a poesia de Manuel Bandeira onde o fez querer ser
escritor. Na segunda noite membros do Grupo Experimental fizeram noite
de autógrafos, seguido da palestra do escritor Menalton Braff,
prêmio Jabuti 2000, que falou sobre as ‘Ciladas da Literatura
Infantojuvenil’. Na terceira noite houve uma mesa de debates sobre
o papel das bibliotecas na leitura. Ontem o ator Ayrton Salvagnini fez
performance sobre a Semana de Arte Moderna de 1922 e, hoje à
noite, encerrando a III Semana, após a missa na Catedral Nossa
Senhora Aparecida, às 20h30, Ayrton Salvagnini faz performance
do ‘Sermão da Sexagésima’, do Padre Antônio
Vieira. E vale lembrar, ainda, que em todas as noites os visitantes
saíam do auditório do Senac com um livro na mão
– além do contato direto com vários escritores e
autógrafos.
Agora, voltando ao assunto deste texto –
onde estava o público araçatubense nestes dias? Faço
esta pergunta pelo simples motivo de o auditório ter muito lugares
vazios – mas muito mesmo! Será que estavam em outro acontecimento
cultural, ou trabalhando? (Se estavam em outro evento cultural –
perdoados; alguns, provavelmente, estavam trabalhando – mas, e
os outros? Aliás, muitos que ostentam títulos de literatos
não se deram ao prazer de se fazer presente! Como cobrar dos
outros? Ou, será que estou pegando muito pesado?) Comento aqui
as palavras de Tarso José Ferreira (vencedor na Categoria Regional
com o conto ‘Amizade Sincera’) ao receber o seu prêmio
– ‘é uma vergonha para Araçatuba quando olhamos
este auditório’. Que imagem os nossos visitantes levaram
de nossa cidade? E ele está certo – aliás, certíssimo!
Tão certo que, parando, pensando, analisando: como cobrar da
população se os que exercem direto (ou indiretamente)
o exercício da escrita não comparecem em tais eventos?
Passo (e penso), então a dizer, que a população
é inocente!
Sei que muitos não pensam assim –
e vão levando a vida. Mas precisamos nos engajar em movimentos
de luta – não me refiro a luta armada, mas sim numa luta
contra certas situações desconfortantes, seja esta social,
política, econômica, entre outras. Quando disse, há
duas semanas, que poucos educadores se preocuparam em receber escritores,
alguns acordaram e me escreveram. Quando escrevo agora perguntando onde
estava a população araçatubense – espero
que esta acorde! Quando digo que os que se acham literatos não
compareceram (com algumas exceções) – espero que
também acordem. Ou seja, que apareçam, inclusive, para
visitarem as escolas. Pois – que me perdoem todos – encontrei
muitos escritores do Grupo Experimental – mas, e os de cima? Sempre
os mesmos.
Cabe ao escritor, aquele que propõe registrar
os fatos de uma sociedade, ‘denunciar’ a realidade que o
cerca – e neste momento fico preocupado, assim como o Tarso José
e muitos dos que lá estavam presentes, com os rumos da literatura
araçatubense: será que, enquanto cidadãos araçatubenses,
queremos homens e mulheres de nomes – com livros publicados apenas,
ou cidadãos – mesmo que sem livros publicados, mas ativos?
Pense!
(Publ. em 17/09/2011)
Setembro de 2011
LITERATURA -
AÇÃO E REAÇÃO
Na última semana comentei
aqui neste espaço sobre a 3ª Semana da Literatura em nossa
cidade e também das visitas de escritores araçatubenses
nas escolas na semana que antecede: poucas escolas solicitaram visitas
– e obtive comentários interessantes – boas reflexões.
Inclusive comentários de ilustres cidadãos de outras cidades.
Algumas escolas alegaram que não ficaram
sabendo – como não? Pelo que acompanhei, houve alguns meios
de divulgação: a própria Secretaria Municipal de
Cultura – que promove o evento – enviou e-mails para todas
as escolas, a Secretaria Estadual de Educação também
enviou e-mails às escolas – através da Diretoria
de Ensino, os veículos de comunicação também.
Será que não estão lendo os e-mails? Ou, aliás,
não sei nem o que pensar!
Por outro lado, algumas escolas ‘acordaram’
e mostraram que estão preocupadas e solicitaram visitas –
encaminhei-as ao secretário da pasta. Outras, ainda, estão
preocupadas em inserir em suas respectivas grades aulas de leitura –
refiro-me à rede particular, pois na rede estadual já
se faz presente: excelente ação! Mas muita atenção:
não esquecer, senhores diretores e coordenadores, que o profissional
tem que, além de ser da área, gostar muito de ler. E,
se possível, de escrever. E, ainda se possível, de contar
histórias. Melhor ainda a soma destes três elementos.
Um pequeno lembrete: aqui em nossa cidade há
profissionais que estão propiciando cursos de ‘contação
de histórias’ – alguns são gratuitos (oferecidos,
por exemplo, pela Oficina Cultural ‘Silvio Russo’), outros
a preços acessíveis, basta querer se aperfeiçoar.
Voltando ao assunto em questão, a visita
de escritores araçatubenses nas escolas, a escola em que trabalho
– EE “Dr. Clóvis de Arruda Campos”, o Paraisão
– recebeu visitas de duas escritoras esta semana: terça
e quinta-feira. E houve grande interação, participação
efetiva por parte do alunado. Acompanhei de pertinho a visita; quando
as agendei fiz questão de que estas fossem dirigidas aos alunos
que trabalho – um público que varia entre doze e treze
anos. Ali pude notar como os olhinhos destes brilhavam! O contato com
o escritor (que é diferente do contato apenas com o texto –
e alguns trabalhados em sala de aula) faz perceber que também
são seres humanos – que não estão estes num
pedestal, que não estão longe da realidade deles. Logo
perceberam que também podem escrever. Naquele momento pude perceber
que o nosso trabalho como professor, e/ou como escritor, pode mudar
sistematicamente a cabeça deste cidadão em formação.
Ainda estamos engatinhando neste assunto – uma vez por ano, mas
já começamos!
Estiveram presentes as escritoras Ana Almeida
e Anna Himel. Ana Almeida – a ‘poetisa dos sonhos’
– falou sobre a importância da leitura e da escrita, da
arte da escrita – principalmente da poesia – e de nunca
desistir dos sonhos. Anna Himel falou sobre contos, inclusive veio a
caráter! – e comentou sobre o conto ‘O gato na janela’
– que receberá no próximo dia 13, no Senac, a menção
honrosa em nível regional.
Fechando o assunto de hoje, as escolas que não
participaram devem rever os seus conceitos, pois a Literatura causa
ação e reação nos indivíduos e, para
isso, também deve ser pensado que nós, educadores, somos
formadores de opinião – e formar opinião começa
por participar! (Publ. em 10/09/2011)
Setembro de 2011
REFLEXÃO
PARA QUEM NÃO SOLICITOU VISITAS DE ESCRITORES
Na última quinta-feira,
em uma das salas do MAAP – Museu Araçatubense de Artes
Plásticas – aconteceu mais um encontro de escritores araçatubenses
preocupados em aproximar, ainda mais, suas produções com
o alunado araçatubense, tendo em vista a 3ª Semana de Literatura.
A Semana de Literatura acontecerá entre
os dias 13 a 19 de setembro, no Senac, onde acontecerão feira
de livros, palestras, visitas de escritores, rodas de conversas, lançamentos
de livros, oficinas literárias, a premiação do
24º Concurso Internacional de Contos ‘Cidade de Araçatuba’
– e a tradicional chuva de livros. E, desde ontem (sexta-feira),
a cidade de Araçatuba já conta com visitas de escritores
nas escolas e que se estenderá até o dia 12.
Estive presente na reunião e estranhei,
como alguns presentes também estranharam, o fato de algumas escolas
não serem citadas – ou seja, não se inscreveram
para receber os conterrâneos em sua própria casa –
e acompanhei de perto e sei que houve um longo espaço de tempo
para que isso acontecesse. É um fato a se pensar.
É um fato a se pensar – e com muita
seriedade – principalmente por parte dos senhores educadores que
exercem a função de gerenciar uma unidade escolar e que
neste momento ‘pecaram’ – ainda mais, tendo em vista
que não havia custos. A presença do escritor seria um
momento de desmistificação de que escritores não
são apenas os já tidos como grandes nomes, desmistificar
a imagem destes no ‘altar’ – mas que temos bons escritores
– também de peso – aqui em nossa cidade. Escritores
que estão preocupados com o registro e a representatividade de
nossa cidade, como sociedade, na história das letras.
Fiquei a pensar ainda: como posso eu cobrar do
meu aluno certas atitudes se eu – tendo a oportunidade, não
a uso? Aliás, eu – como educador – tenho por obrigação
de propiciar o melhor a estes, mesmo sabendo que poucos aproveitarão
a chance dada. Mas, por outro lado, poderei dormir sossegado sabendo
que perante a sociedade fiz a minha parte.
Logo, creio que este texto serve de alerta aos
senhores e senhoras que exercem a função de educar, a
função de – como representantes do Estado –
oferecer o que tem de melhor. E, socialmente, valorizar o que a nossa
cidade, Araçatuba, possui: pessoas capacitadas e com boas intenções
em levar – mesmo que uma vez ainda ao ano, e em menos de duas
horas – um pouquinho do que é Literatura, um pouquinho
do que é escrever, do que é ler. Do prazer de ler. Mesmo
que sendo apenas uma visita-convite – mas que poderá, por
muitos outros meios, ser prolongado.
Quem trabalha com educação com um
‘olhar diferente’ – e realmente sabe o que é
ver um pequeno ser em formação brigando com as palavras,
não perderia por nada a oportunidade oferecida de mostrar a ele
o que é um escritor em ‘carne e osso’.
Por outro lado vale ressaltar que houve escolas
que solicitaram duas, três e até quatro vistas: preocupação
em propiciar ao aluno o encontro com um ser que, às vezes, podem
até ser tomado como diferente – e realmente é! –
mas que carrega, de certa forma, certa magia ao trabalhar com as palavras.
E que na verdade é um trabalho duro, mas compensador!
Aproveitando, também, para ressaltar o
trabalho dos escritores araçatubenses que compareceram à
reunião e que mostraram disposição para efetuarem
este trabalho sem nada receber: visitar as escolas chamando os alunos
e professores para comparecerem e prestigiarem o evento, pois só
assim se faz um povo culto. Monteiro Lobato escreveu: “Um país
se faz com homens e livros.”. (Publ. em 03/09/2011)
Agosto de 2011
UM PASSEIO AO
FUTURO
O ser humano pensa – e
ainda bem – muito longe; e, graças ao seu raciocínio
que somos o que somos. E, por pensar longe acabamos, muitas vezes, viajando
ao futuro.
Viajar ao futuro não significa apenas sonhar
(como vou discorrer abaixo) – sonhar faz parte, mas também
compartilhar e, se possível, indicar possíveis soluções
tendo em vista que somos cidadãos de um mesmo lugar – pertencemos
a uma comunidade.
É um sonho ver, por exemplo, uma cidade
com visão futurista. Li reportagens esta semana que – finalmente
– algo se fará pelo zoológico municipal em Araçatuba:
já era em tempo! O tempo, nosso maior inimigo, nos dará
prova da realização de um lugar digno de lazer ao cidadão
araçatubense – que por vias de cidade, não possui
muitos lugares para lazer.
Mas não poderia parar de sonhar –
não digo que estacionou, mas às vezes nota-se pouco emprenho
(ou, ainda, a demora por parte dos órgãos competentes
em se fazer presente ao atendimento das necessidades dos cidadãos).
Há vários pontos que deveriam ser
mexidos – pelo menos pela visão deste sonhador. Mexidos
no sentido de melhorar cada vez mais o atendimento, o ambiente –
em fim: melhoria do todo. Sonhar, por exemplo, eu sonho – mas,
quando acordo (tanto eu como muitos cidadãos araçatubenses),
vejo-me despido deste em virtude da realidade cruel que cerca a nossa
sociedade. E temos que considerar que ainda somos uma parcela da população
mundial privilegiada.
Sonharia eu – como professor de Língua
Portuguesa – em entrar numa biblioteca flutuante – e não
estou em nenhuma estação espacial. Quem nunca imaginou,
com certeza, nunca soube o que é viajar. Então, vivo neste
instante um mundo fantástico, imaginário: seria, para
exemplificar, um lugar que, ao abrir a porta de acesso, ser acolhido
num ambiente maravilhoso, ao som de uma bela canção, com
frases chamativas, com alegria por toda parte, com os mais diversos
personagens saindo das páginas dos livros e vindo ao meu encontro
(euzinho mesmo!) e se apresentassem com toda a criatividade que seu
criador – o autor – tivera ao criá-lo. Como é
impossível, poderia sonhar mais baixo: ser uma biblioteca com
ambiente agradável, títulos e mais títulos (renovados
e adquiridos constantemente), escritores, se possível, de plantão
(e não somente em semanas do livro, do escritor, da literatura).
Seria um show o ato de ler – seria, para ser mais claro: uma plena
realização ao convite da leitura.
Ou, então – ainda pensando nos assuntos
a serem mexidos – praças públicas mais agradáveis;
limpas, cheias de áreas verdes, bancos disponíveis e conservados;
e, seguras. A citar um exemplo: a praça do jardim Guanabara,
em Araçatuba (exceto pela segurança – que está
complicada em todos os lugares!).
Para encerrar este sonho de sonhador futurista,
que tal começarmos por nós mesmos? Respeitando os nossos
deveres (e não pensando somente em nossos direitos), exercendo
a cidadania em prol do próximo, mas também ensinando,
exigindo – na maneira do possível – que o outro (o
que está ao nosso lado) participe mais. E assim reconheceremos
que temos o nosso lugar ao sol viajando sempre! (Publ.
em 27/08/2011)
Agosto de 2011
ANDAR NOTURNO
Muitos animais têm o habito
noturno – refiro-me aos animais irracionais (neste momento), mas
o ser humano, o homem, racional, também: mas este, em sua grande
maioria, por opção – quando não, por necessidade.
Nos animais irracionais o andar noturno já
é nato – faz parte daquela espécie. Já no
ser humano é – ou melhor, foi diferente. A princípio,
o homem teve o dia para viver e a noite para descansar. Tempos depois,
com a invenção do fogo e o aprimoramento das ferramentas
– ainda rudimentares, começou a perambular pela noite.
Com a invenção da energia elétrica, bem posteriormente,
fez suas escolhas.
O andar noturno trouxe ao ser humano, por sua
vez, certa angústia – medo, mas ao mesmo tempo fascínio.
Angústia do desconhecido, fascínio pelo desconhecido –
sem meios termos. E alguns trocam o dia pela noite, outros apenas carregam-na
um pouco mais adentro – talvez até algumas estrelas fugirem
do manto celeste. E por que será que o homem, com todo o raciocínio
que possui, ainda pensa na noite como algo deslumbrante?
Hoje, menos do que ontem, mas ainda prefiro a
noite. Não tanto para saídas, baladas – mas para
curti-la: de preferência sossegado em algum canto, por exemplo;
sem muita bagunça: num barzinho ao som calmo de uma voz e violão.
Ou batendo papo com os amigos – ou até mesmo com quem não
era amigo e passa a ser daquela hora para frente. Ou, ainda, em casa
com um som razoável. A noite, a meu ver, tem algo de misterioso!
De magnífico! Como dizer – de algo a ser desvendado, mas
que precisa procurar com grandes lupas.
Em razão de várias mudanças
– que às vezes nem sempre queremos, nos últimos
seis para sete anos ando a trabalhar constantemente durante o dia: ando
a cansar-me mais, pois o trabalho noturno, apesar de ser um pouco mais
perigoso, não me cansava tanto. Mas... Não se pode reclamar
de tudo, pois às vezes não sabemos o que o tal senhor
Destino nos prepara. Temos, antes de qualquer coisa, agradecer pelo
que temos.
Hoje posso ir vagar acompanhado noturnamente pelos
shoppings, cinemas, avenidas, praças, barzinhos e restaurantes,
casas noturnas (o que não fazia quando trabalhava à noite)
– mas não vamos constantemente! Esporadicamente, apenas.
Mesmo não estando sozinho, rendo-me, ainda, à solidão
– (ou ao acaso, por assim dizer). Não a solidão
propriamente dita, mas a solidão de estar entre as pessoas e
estar só em pensamentos – o que me leva a crer que a noite
é a melhor amiga – ou a única que não se
sente irritada quando questionada; aliás, poderiam dizer: nada
ela diz mesmo – tudo bem, mas propõe, ao lado do senhor
Destino, caminhos sinuosos.
Também não é à toa
que a senhora Noite é a mais amada dos boêmios, dos poetas
(vale lembrar que muitas das belas canções que conhecemos
hoje foram produzidas em mesas de barzinhos) – entre outros. Encerrando
este andar noturno, os textos mais dignos que fiz, não desprezando
os outros, foram à noite: no silêncio desta... Rasgando
madrugas a espera do senhor Sol, astro maior, nascer. (Publ.
em 20/08/2011)
Agosto de 2011
RISOS DE HERÓIS
Na vida há heróis
reais e irreais – e deles, muitas vezes, os seres humanos mais
jovens querem copiá-los (e muitas incertezas, posteriormente,
aparecem) – mas nem sempre com sucesso.
Na vida irreal, ficcional, os desenhos animados
dão vida a figuras que, na verdade, estão muito longe
de serem reais – mas as crianças estão ali olhando,
assistindo e tirando delas suas conclusões que, em parte, se
não possuírem bons apoios em casa – sentirão,
quando entenderem, grandes frustrações.
Já na vida real, os pequenos seres espelham-se
nos mais próximos: familiares. Pai! O pai é o primeiro
herói que os pequenos, em sua grande maioria, conhecem. Os valores
contidos nos pais serão, ao longo dos anos, copiados pelos filhos
(até de certa forma idêntica – ou não) e posto
em prática – sempre que possível.
E pensando em tudo o citado acima – por
que rir? Explico: no último dia 31 de julho estive na Praça
‘João Pessoa’ para assistir a um show do Sanduba
Delivery, da Cia. Suno – uma programação do SESC
Birigui, Pólo Avançado de Araçatuba, que levou
encantamento a todos os presentes. Senti-me uma verdadeira criança.
O palhaço Sanduba chegou com sua bicicleta vestido de garçom
para fazer entregas e distribui cardápios à platéia,
em cada um estavam dez cenas das quais poderiam ser escolhidas. Gostaria
de ter tido a coragem naquele momento de diminuir-me mais e ter gritado,
como as crianças presentes, que eu queria escolher o cardápio
– assim como fez uma moça da plateia – mas tive,
em parte, vergonha, tendo em vista o grande número de crianças
acompanhadas de seus pais – e estas grandes figuras de heróis
riam ‘seu riso de herói’ – pois eram, ao lado
do palhaço, verdadeiros heróis!
Li outro dia que o pai herói é o
que demonstra e age com amor, compaixão, tem um caráter
consistente, é integro e como resultado seu filho segue o modelo
do pai herói. Meninos e meninas buscam um herói porque
desejam se parecer com ele, imitam sua voz, imitam sua maneira de andar
e vestir, ou seja, querem seguir o estilo de vida do herói –
o pai. Logo, o relacionamento deve ser bem estreito!
E, para ilustrar esse dia ‘comercial’
que acontece amanhã – mas que tenho clara convicção
que tem que ser todos os dias o dia deste grande herói, o pai,
vale citar a belíssima composição ‘Pai’,
de Fábio Jr. – nela o ‘eu poético’ diz
que daqui a algum tempo haja mais tempo pra gente serem mais do que
dois grandes amigos: pai e filho talvez! Pense bem: falta tempo para
terem atitudes de verdadeiros amigos, assim como o relacionamento pai-filho
pede. E continua: não faz questão de ser tudo, mas não
vai ficar mudo pra falar de amor – e pense ainda: falar de amor
pra você, pai! Ainda: pede ao pai que se sente para o jantar que
está na mesa e lhe ensine o jogo da vida – ensinar o jogo
da vida e quem muito já viveu sabe bem que os pais têm
esse poder de ensinamento. Pede que o pai perdoe a sua insegurança.
Pede para ir a casa dele e brincar de vovô com o filho dele no
tapete da sala! Maravilhoso!
É realmente maravilhoso pode dizer –
cantar a belíssima canção: “Pai! Você
foi meu herói meu bandido / Hoje é mais / Muito mais que
um amigo / Nem você nem ninguém tá sozinho / Você
faz parte desse caminho / Que hoje eu sigo em paz / Pai! Paz!...”
– significativamente maravilhoso!
Claro que aqui também fica os nossos sentimentos
àqueles (ou àquelas) que não possuem mais os seus
respectivos pais – mas que sejam lembrados sempre pelas benfeitorias
que em vida fizeram, pois o homem pode passar para a outra dimensão,
mas seus feitos nesta terra é que marcarão o que realmente
ele foi! E, aos leitores que são, ou ainda vão ser pais:
deixem sua marca na terra para que nunca seus filhos esqueçam
e, se possível, que fique marcado por algum feito positivo a
humanidade. (Publ. em 13/08/2011)
Agosto de 2011
SEM E-MAIL
Já ouvi alguns dizerem
que quem não tem e-mail não é gente. Fiquei a pensar:
talvez nos tempos atuais seja necessário, mas não chega
a tanto: ou chega?
Necessário, sim, mas não a ponto
de deixar de ser gente – claro que é um exagero da parte
de quem assim diz – e sem medir tamanha proporção
de conteúdo. E fica evidente o exagero de quem diz assim, pois
muitos de nossos leitores não entendem até hoje como ligar
ou desligar esta máquina chamada computador. E-mail? Nunca tiveram!
Não muito tempo atrás o computador
foi criado – fevereiro de 1946: exatamente sessenta e cinco anos
e meio atrás, pelos americanos John Presper Ecketer e John W.
Mauchly, da Eletrocic Control Company. Tempos depois (não muito),
nos tempos remoto da Guerra Fria, a Internet foi desenvolvida com o
nome de ArphaNet para manter a comunicação das bases militares
dos Estados Unidos – passada a ameaça da Guerra Fria, os
militares não achando-a mais tão importante, permitiram
o acesso de cientistas, que por vez estenderam às universidades,
posteriormente aos usuários comuns para pesquisas (que cada vez
aumenta mais os bancos de dados) – até onde conhecemos
na atualidade.
Mas, principalmente no final da Guerra Fria (que
envolvia Estados Unidos e União Soviética num conflito
de ordem política, militar, tecnológica, econômica,
social e ideológica), os computadores começaram a popularizar,
seguidos da Internet – rede mundial de computadores. Estabeleceu-se,
ainda – e muito útil, os correios eletrônicos: e-mail.
Um mecanismo ágil, e muito, na vida humana – que apareceu
para diminuir o trabalho dos servidores dos Correios – pelo menos
em parte.
O correio eletrônico exerce importante papel
dentro de uma sociedade – e também na vida pessoal do indivíduo.
Na sociedade os e-mails são utilizados para fazer divulgações
das mais diversas, tais como propagandas de produtos e serviços,
ou ainda: dentro de uma empresa para dar dinamismo aos meios de comunicação
– evita-se grande quantidade de papel (poupa-se o corte de árvores
para este fim) – ou de que determinada informação
chegue ao destino de forma adulterada. Na vida pessoal serve para comunicação
mais rápida entre amigos, parentes, namorados – poucas
pessoas ainda utilizam a carta convencional: e muitos destas têm
saudades.
Saudades que alguns ainda tentam manter viva.
Viva no sentido tão completo que, por vezes, outros acham que
é capricho – mas creio que não! O ato de escrever
com caneta num papel se faz pensar: requer habilidade na caligrafia
– pois o outro tem que entender; requer certo tempo, pois tem
que ser postada – há a ida às agências de
Correios. Sem contar na expectativa da espera: pois quem envia sempre
espera o retorno. E esta poderia, às vezes, ser perfumada –
ou, ainda, acompanhada de uma pétala de flor, em se tratando
mais de casos amorosos.
Voltando ao e-mail: neste não há
necessidade de uma bela caligrafia – pois é digitada, nem
necessita de tempo para ir aos Correios, pois basta apenas um click
e lá se foi a mensagem.
E, para concluir, nos dias atuais o e-mail é
importante em vários setores, como os citados acima – e,
ultimamente, vem crescendo sistematicamente atingindo os mais diversos
setores, inclusive o setor público. Um exemplo claro é
que o servidor público necessita de um e-mail, pois anualmente
é feito o recadastramento – e on-line, e pede, durante
o processo de recadastramento, que o servidor forneça um e-mail
válido para quaisquer problemas posteriores (e, se não
oferecer, alguns setores não concluem o cadastro) – ou
seja: não tem e-mail, não é gente! (Publ.
em 06/08/2011)
Julho de 2011
OS CLÁSSICOS
- UMA VISÃO DIFERENTE
Sistematicamente os professores
indicam aos alunos do Ensino Médio a leitura dos clássicos
– ou, pelo menos, todos os profissionais da educação
que têm consciência fazem isso – e desta época
do ano para frente ainda mais: vestibular às portas. Mas, ultimamente
os conceitos têm mudado um pouco essa maneira de como apresentar.
As mudanças ocorrem pela fugacidade do
tempo – hoje, num estalar de dedos, as informações
estão em nossas mãos. A mídia eletrônica
faz com que tudo mude – inclusive a maneira de se ensinar. Antigamente
– não muito tempo atrás – os professores exigiam,
sem nenhuma culpa, de seus alunos a leitura dos clássicos, somado
a tudo que a Escola Literária referente à obra oferecia.
Hoje é um pouco diferente: pede-se ao aluno que leia os clássicos.
A mídia eletrônica fornece ao educando – e ao leitor
em geral – um resumo da obra, comentários e até
filmes.
Para exemplificar: o clássico poema ‘Morte
e Vida Severina’, de João Cabral de Melo Neto, publicado
pela primeira vez em 1966 (escrito entre 1954 e 1955), onde Severino
é um retirante: ele é como muitos outros e que está
partindo para o litoral, fugindo da seca, da morte. A vida na Capital
parece mais atraente, mais vida, menos severina. Em suas andanças,
entretanto, Severino se depara a todo momento não com a vida,
mas sim com o que já conhece como coisa vulgar: a morte e o desespero
que a cerca. Para este grande clássico há versão
completa para baixar em pdf, resumos literários, filmes e, recentemente,
o filme em história em quadrinhos (enviado recentemente às
escolas públicas do Estado de São Paulo). Pergunto: uma
visão diferente de se ensinar?
Outro exemplo: o romance ‘Grande Sertão:
Veredas’, do mineiro João Guimarães Rosa, é
considerado uma das mais significativas obras da literatura brasileira,
publicado em 1956, inicialmente chama atenção por sua
dimensão – mais de 600 páginas – e pela ausência
de capítulos. Guimarães Rosa fundiu nesse romance elementos
do experimentalismo linguístico da primeira fase do modernismo
e a temática regionalista da segunda fase do movimento, para
criar uma obra única e inovadora. Também temos versão
completa para baixar em pdf, resumos literários, filmes. Pergunto
novamente: uma visão diferente de se ensinar?
Talvez – mas de se pensar.
Mas em todas as versões citadas acima há
o lado bom e o lado – por assim dizer – não tão
bom. O lado bom é que, de uma forma ou de outra, o aluno (ou,
os interessados em ler) têm acesso e lêem. Por outro lado
– o não tão bom – é que leva alguns
preguiçosos a se limitarem ainda mais na questão do ato
de ler. Quando se tem acesso a um resumo – como o próprio
termo já diz: é um resumo – e muitas coisas podem
ser omitidas (e são!), pois depende de quem o escreve. Quando
se tem acesso a um filme (seja ele da maneira que for – ou como
citei por último: história em quadrinho), também
se fica limitado à interpretação dos atores/atrizes
– ou do desenhista/cartunista. Um exemplo bem claro é do
poema de João Cabral de Melo Neto citado acima: quem nunca o
leu, ao assistir o filme ou o filme em forma de história em quadrinho
ficará um tanto perdido.
Olhando atentamente em tudo citado no parágrafo
anterior: em todos os processos ocorrem leitura; mas fica um ‘ato’
a se pensar: nada substitui o prazer de pegar um livro e lê-lo
na íntegra – só nele há de se encontrar realmente
o que o escritor quis transmitir através do poder da palavra.
Seja ele clássico, ou não, o livro tem o poder de transformar
completamente, enquanto que, o resumo, parcialmente. (Publ.
em 30/07/2011)
Julho de 2011
SER ESCRITOR
- ESTAR ESCRITOR
No próximo dia 25 de julho,
segunda-feira, comemora-se o Dia Nacional do Escritor, que, segundo
o escritor Laé de Souza, foi instituído em 1960, após
o sucesso do I Festival do Escritor Brasileiro, promovido pela UBE –
União Brasileira de Escritores, tendo, na época, como
presidente João Peregrino Júnior e vice-presidente Jorge
Amado.
Aqui em Araçatuba a programação
sofreu alteração: foi comemorado ontem, sexta-feira, e
juntando o passado, presente e, olhando para o futuro, comemorou de
forma diferente: sarau blogueiro. Um olhar para o passado (escritor
da ‘pena’ – sem ir muito distante), somado ao presente
e futuro: os autores de blogs. Sendo este último (blog) temido
por alguns escritores, mas que aos poucos vai ganhando – por assim
dizer, a simpatia até dos mais tradicionais
Mas, na verdade, o que é ser escritor?
Janethe Fontes, romancista, diz que ‘para ser escritor neste país
é necessário muito mais do que amar a escrita, do que
ter a cabeça fervilhando de histórias: é necessário
ser imune à desmotivação’. E, quem realmente
quer ser escritor (ou tenta) sabe muito bem o que estas palavras representam,
pois, quando se sente necessidade de publicar um livro – começa
os entraves.
E na verdade, o que é estar escritor? Será
que é circular no meu literário? Ter um conto, ou poesia,
publicado em uma antologia? Ou, ainda – mais moderninho: ter um
blog com textos de ficção (cartas, crônicas, contos
e até romances) ou de poesia?
Antes de chegar às definições
dos termos acima (ou pelo menos aproximar), vale lembrar que o escritor
– pelo menos quem tenta intitular-ser de – deve, em primeira
mão, ser leitor! E, segundo Jonas Lopes, ‘o escritor é
um leitor, antes de tudo. E o que é um leitor, senão um
acúmulo de ideias conflitantes e/ou convergentes, um punhado
de concordos e discordos que, fundidos, formam um quociente?’
E pensando um pouco, antes de voltar à
temática deste texto, até há cursinhos para ser
escritor – mas será que se ‘forma’ escritor?
Concordo que há grupos de literatos preocupados com a perfeição
do texto – excelente proposta! Aqui em Araçatuba há
essa preocupação por parte da Academia Araçatubense
de Letras através do Grupo Experimental. Então, ‘formar’
escritor é impossível – pelo menos do ponto de vista
deste rabiscador.
Retomando, ser escritor é olhar o mundo
com olhar diferente, é dizer o que já existe de forma
diferente – ‘o livro – um grande escritor não
precisa inventá-lo, no sentido comum, pois ele já existe
em cada um de nós, e sim traduzi-lo’, citando Proust. E,
estar escritor é descobrir o escritor que há (se há)
dentro de si. E, ao longo do tempo, criar seu próprio estilo
– e isso só acontece com o tempo – nada melhor que
este para dizer se é, ou não, escritor.
Completando a ideia do texto: o melhor é
ser e estar escritor. E, para colocar em prática, nada melhor
que começar a escrever sobre o que o rodeia – pois só
assim tem-se conhecimento sobre o que se escreve – e sem pairar
dúvidas. A frase a seguir, de Guimarães Rosa, ilustra
bem: ‘Sou donde nasci’. Então, os melhores textos
para tais situações iniciais sãs as crônicas
– que alguns estudiosos consideram literariamente menor. Pense:
você é um escritor, é um estar escritor, ou: você
é e está escritor? (Publ. em 23/07/2011)
Julho de 2011
TER UMA FEZINHA
Ter uma fezinha – muito
a se entender. Depende, também, de quem lê e com qual intenção
se lê, aliás, tudo neste mundo depende das intenções.
Ainda em tempo: por mais aprimoradas que se possam ser, sempre enxergarão
algo que consideram contraditórias em nossas intenções.
Será que as pessoas param e pensam no que
é ter fé? Há muitos tipos de fé –
desde o crer em um Ser Superior – ou inverso (conforme o pacto
de vida que se tem), até crer em nada, ou no dinheiro (na riqueza),
ou ainda na própria capacidade de raciocínio, de inteligência,
de sabedoria. E ter fé, assim penso, é crer em primeiro
lugar na própria capacidade de um Ser Maior estar ao seu lado
– se pensar sempre pelo lado cristão de ser, independente
da religião que se segue.
Muitos têm fé num Ser Superior, num
Ser Maior – pelo menos grande parcela da população.
Ser Superior, Ser Maior – que muitos de nós chamamos de
Deus – Deus Pai. Este Ser Superior, segundo a fé cristã,
criou tudo que há no mundo – inclusive nós, os humanos.
E, às vezes, esquecemos d’Ele. Melhor dizendo: lembramos
d’Ele com maior frequência nas horas de aperto. E, relembrando
os ensinamentos cristãos: ai de nós se assim não
fizermos!
Outros, com citei acima, têm fé em
algo perecível: a riqueza, por exemplo. Esta é perecível
– não se carrega para o túmulo, ou para além-vida!
Mas os que a possui, com raras exceções, se acham os melhores.
Porém, deveriam, sim, aproveitá-la para se beneficiarem,
mas sem exageros – usando uma frase pronta: acham que o dinheiro
compra tudo. Acham, mas acham errado: compra ‘quase’ tudo.
O ‘quase’ aparece sempre, a bem da verdade.
Além destas citadas acima, há muitos
outros tipos de fé – inclusive alguns ‘tipos’
que são considerados ilegais. Opa! – diria o leitor. Quando
falo assim, mudo o conteúdo do texto: refiro-me aos jogos –
que datam sua tradição de muitos anos... E alguns jogadores
dizem: Vou fazer uma fezinha – e lá vão eles às
suas apostas.
Por parte do governo brasileiro, alguns jogos
são considerados legais, outros não. Os legais, por assim
dizer, são aqueles que, em primeiro lugar são reconhecidos
pelo próprio governo e que destes são retirados certas
quantias destinadas a algum benefício à população
– como assistência a jogadores, por meios dos devidos comitês
esportivos existentes. Ou ainda, mesmo que de certa forma estranha ao
analisar, certas cartelas de sorteios também se incluem aqui.
Os ilegais são aquelas apostas feitas irregularmente –
sem reconhecimento governamental, como exemplo: o jogo dos bichos.
Se você, caro leitor, desconhece a origem
do jogo dos bichos, pesquisando achei – segundo a Wikipédia:
“o jogo do bicho é uma bolsa ilegal de apostas em números
que representam animais e foi inventado em 1892, pelo barão João
Batista Viana Drummond, fundador e proprietário do Jardim Zoológico
do Rio de Janeiro, em Vila Isabel”. Seguindo, explica-se ainda:
“a fase de intense especulação financeira e jogatina
na na bolsa de valores nos primeiros anos da república brasileira
imprimiu grave crise ao comércio e para estimular as vendas,
os comerciantes instituíram sorteios de brindes; assim é
que, querendo aumentar a frequência popular ao zoológico,
o barão decidiu estipular um prêmio em dinheiro ao portador
do bilhete de entrada que tivesse a figura do animal do dia, o qual
era escolhido entre os 25 animais do zoológico e passava o dia
inteiro encoberto com um pano, e tal pano somente era retirado no final
do dia, revelando o animal do dia; posteriormente, os animais foram
associados a séries numéricas da loteria e o jogo passou
a ser praticado largamente fora do zoológico, a ponto de transformar
a capital da república (de 1889 a 1960) na capital do jogo do
bicho".
Finalizando, é sabido por todos que as
tais ‘fezinhas’ são ilegais, mas – como diriam
muitos: jogue a primeira pedra quem nunca fez (ou teve a curiosidade
de fazer) – poucos salvariam, se é que se salvariam! (Publ.
em 16/07/2011)
Julho de 2011
RECICLANDO IDEIAS
Você, caro leitor, já
parou para pensar em reciclar ideias? Se não parou para pensar
– mas que inconscientemente faz (e ainda bem) – está
na hora de parar e pensar que todas as ideias são, de certa forma,
recicláveis.
Entramos num período de recesso escolar
e muitos nesta época não querem nem ver as cores dos cadernos,
livros ou apostilas, mas nem por isso deixo-me de dirigir a palavra
aos estudantes – principalmente os estudantes do Ensino Médio,
pois no final do ano participarão de vestibulares que, de certa
forma, mudarão a maneira de viver: aliás, é uma
escolha que, dificilmente, voltará atrás. Então,
reciclar ideias faz parte do cotidiano do ser humano: talvez aquela
imagem que nada é novo, mas que tudo é cópia –
transformação, já se foi; talvez o termo melhor
a se aplicar é reciclar.
Nós, seres humanos, somos recicladores
de ideias. Aliás, o termo copiadores de ideias, como disse anteriormente,
é ultrapassado – nos dias atuais é melhor dizer:
reciclei a ideia de fulano – evita-se posteriores punições.
Como humanos, estamos a todo momento olhando o nosso próximo
e, às vezes, discordamos do que este faz (ou fez), e passamos
a fazer de forma diferente (quase parecida) – por isso passamos
a reciclar.
Há algumas ideias que devem ser recicladas,
ou seja: aproveitadas, mas com algumas restrições. Na
área política, por exemplo, poucas ideias são dignas
de serem reaproveitadas, mas não se pode descartar e dizer que
não há o que reciclar. Há políticos que
merecem o respeito, que possuem a dignidade de suas ideias serem recicladas
– poucos, mas há – como em qualquer classe social
(abrindo parênteses: hoje quase em extinção).
No setor educacional há bons profissionais
que, de certa forma, vale a pena reciclar suas ideias. Eu, por exemplo,
sempre tive em mente que determinados mestres deveriam ser imitados
– deveriam ter suas ideias recicladas: e eu os imitei. Houve um
mestre que me marcou profundamente pelo seu grau de conhecimento –
e, de certa forma, por fazer-me ver o que realmente era a educação.
Ele – como tantos outros que pela minha vida passaram, marcou
pelo seu modo ‘carrasco’ de ser. Nas primeiras aulas do
Curso de Letras testou-me dizendo que não servia para tal profissão,
que estava em área errada. Meio constrangido, retruquei e segui
em frente – vendo que eu não desanimava, que era aquilo
que eu realmente queria, começou a me incentivar e a passar os
seus conhecimentos mais profundos. A minha persistência, somado
ao conhecimento que o mestre passou-me – e os estudos posteriores,
sou hoje um profissional realizado: que realmente gosta do que faz e
que faz com dignidade.
Aprendi que quando lemos um livro, uma revista,
um jornal, um material na internet há ideias. Estas ideias devem
ser, de certa forma, analisadas. Se boas, aproveitadas – recicladas
e colocadas em prática de maneira apropriada para momento.
Na sociedade há muitos a seguir. Há
muitas ideias que devem ser seguidas – recicladas, reaproveitadas.
Existem pessoas que promovem o bem sem olhar a quem – como diz
o dito popular. Fazem pelo gosto de se sentirem realizadas. Estas, sem
olhar o lado político que move o mundo – pois é
sabido, como escrevi outro dia aqui neste espaço: há política
em tudo que fazemos – sentem-se plenamente realizadas; sentem-se
dignas de estar aqui neste mundo fazendo o bem.
Portanto, reciclar ideias é um termo que
uso aqui no sentido olhar o outro – de olhar o próximo
– e dele aproveitar o que há de bom, de atitude digna.
E, aprendi ainda, que todo ser humano possui coisas boas – depende
apenas do momento para poder colhê-las. (Publ. em 09/07/2011)
Julho de 2011
PASSAR PARA O
OUTRO DIA
Outro dia... Realmente sempre
estamos passando os nossos afazeres para o ‘outro dia’ –
pois nem sempre conseguimos tempo suficiente para realizarmos o que
gostaríamos. Creio eu que, com certeza, os que já se foram
de entre nós diriam que tempo lhes faltaram para cumprir tudo
que gostariam de fazer (se um dia pudessem retornar para nos dizer)!
E, pensando um pouco sobre isso, resolvi rabiscar
as linhas a seguir. Será que realmente pensamos no amanhã?
Se realmente pensarmos, não deixaríamos nada para o amanhã
– que pode ser tarde! Mas deixamos sempre! Aliás, creio
que é isso também, entre outras coisas, que move o ser
humano.
Temos, quando criança, algumas metas a
ser alcançadas (metas estas que são, de certa forma, involuntárias):
uma delas é crescer para ser logo um adolescente; quando adolescente,
ser adulto – responsável pelos próprios atos. Depois,
pensando um pouquinho mais longe, constituir família, amadurecer.
E, bem depois, se possível, envelhecer – finalmente o que
ninguém espera – mas que temos consciência, o fim
de todos: a morte!
Falando nestas fases (em outros dias) –
ser criança é a melhor coisa, a melhor fase: não
tem malícia. São inocentes, de pureza e alegria no olhar.
Quase tudo – quando bem educadas – lhe servem. E quando
brigam umas com as outras, minutos depois estão novamente juntas!
Que emocionante! – poderia acrescentar.
Esta criança crescida, quando adolescente,
não sabe esperar pacientemente as ordens dos pais, dos mais velhos
– quer atropelar a tudo e a todos – aliás, pais nessa
época da vida só servem para ditar regras. São
estes considerados chatos, não é mesmo? (E quem trabalha
com adolescente – como eu – sabe muito bem disso.) Quanta
teimosia que chega a gerar grandes irritações! E depois
– nós, os mais velhos, somos tidos como culpados –
que ironia!
Com um diploma na mão, adulto, tenta buscar
a formação de uma família (quando não, muitos
fazem antes do tempo – precocidade da mocidade! – formam
lares e que pedimos a Deus que durem, se possível, para sempre,
mas que haja amor – e não apenas o dever de estar juntos
– talvez por causa dos filhos ou da própria família
das partes envolvidas). E desses lares, filhos, e dos filhos, novos
filhos, e o círculo estará sempre feito – e desde
que o homem foi posto na Terra!
Pensando assim, analisando superficialmente, não
deixe para ‘outro dia’ o que você pode fazer agora;
não ‘durma’ para o tempo passar: então vá
viajar – se não puder ir, vá pelo menos em pensamentos,
ou em boas leituras; vá curtir o sol nascer e se pôr –
que é maravilhoso! Ver a lua no céu, ou coberta por densas
nuvens – juntamente com as estrelas: paixão dos enamorados...
Vá ser – ou pelo menos tentar – ser feliz momentaneamente!
E, para finalizar este pensamento, para buscar
a felicidade: não fique remoendo coisas ruins (vire a página,
como se costuma dizer) – viva o momento em sua maior plenitude;
reviva apenas as coisas boas – de resto, deixe passar, pois assim
como vem o dia de chuva, passa, e no outro vem o sol – e torna
a brilhar como se nada tivesse acontecido, assim é a vida. (Publ.
em 02/07/2011).
Junho de 2011
O QUE SERIA
AS PALAVRAS SEM
VIDA?
Por esta ideia colocaria muitas
coisas no papel, mas pensando bem seria justificável trabalhar:
as palavras sem a vida ou a vida das palavras? Enquanto estou aqui a
pensar, veio-me outra sentença: A vida sem as palavras, então,
o que seria? Seria já outro texto.
Poderia ficar num eterno brincar de jogo de palavras
a completar os espaços em branco que aqui restam, como aquele
aluno que pergunta: Quantas linhas, professor? Trinta, quarenta, cinquenta,
sessenta, ou mais (conforme o tipo de texto) – e lá vai
o aluno procurando dar vida às palavras. Um eterno teimar entre
a vida e a morte, a morte e a vida das palavras, pois estas têm
poder de criar, de recriar, de imortalizar, de satirizar, de construir,
de destruir, de matar... De matar um coração humano.
Até de matar um coração humano...
Um sentimento humano – que poder!
O eterno jogo de poder que elas exercem sobre
os cidadãos é tão forte quanto maior for a cultura
destes cidadãos que as tomam emprestadas. Emprestadas? Do bisavô,
que passou para o avô, que passou para o pai, que passou para
o filho e que este passará para as próximas gerações
num constante fugidio. Jamais param no tempo. Jamais! É como
o vento que nunca se sabe de onde vem e para onde vai: norte, sul, leste
ou oeste – assim as palavras também.
Correndo daqui para ali, e de lá para cá,
as palavras escorregam nos lábios do prosador, do contador de
história, da poetisa debruçada na janela ao clarão
da lua – talvez acompanhadas de violetas na janela; escorrega
das penas do poeta-escritor, do contista, do autor de romances e de
novelas, do jornalista – que prima pela boa apresentação
da notícia; escorrega nos palcos da vida: teatro, cinema, filmes...
Escorregam e vão criando imagens, criando vida, criando asas
em cada mente humana. Asas da imaginação que só
o homem pode ter. Só o homem pode viajar!
Imaginação que cada mente humana
cria a partir da palavra. Da palavra escrita, da palavra encenada, da
palavra cantada, da palavra murmurada, da palavra sussurrada ao pé
do ouvido de corações apaixonados; ou, de palavras a plenos
pulmões – como dos políticos em época de
campanha! A imaginação só se dá ao passo
de termos consciência do poder que as palavras possuem. Cada palavra
adquirida, uma nova imaginação pode ter – pode criar.
A cada nova imaginação adquirida,
incorpora-se junto uma nova fragrância: a magia. Esta, por sua
vez, faz de cada momento um encanto. De cada encanto uma magia. Uma
troca constante do amor e do ódio; da alegria e da tristeza;
da paz e da guerra; do melhor de cada um e do pior de cada um. Uma constante
que só as palavras podem trazer. Um subir e descer que faz o
homem se expressar. Elas exercem um grande poder sobre o homem: o poder
da expressão.
O poder da expressão: expressar bem ou
mal. Expressar-se bem por satisfação pessoal; pelo bem
de um bairro, pelo bem de uma cidade, pelo bem de um estado ou país.
E por que não para salvar o planeta Terra? Tal poder de expressão
pode modificar muitas coisas, inclusive as mais famosas insinuações.
Pelo mal, desde a insatisfação pessoal até o mais
alto escândalo possível – ou, imaginário:
por este lado melhor nem entrar em detalhes.
Assim, as palavras criam um imaginário tão poderoso que
aos menos avisados lhe faltam dar vida; aos mais sábios são
conselhos vivos e os mais astutos são primícias de convencimento,
de argumentação. Só para completar, vale lembrar
o que Cecília Meireles deixou-nos: “Ai, palavras, ai,
palavras, / que estranha potência a vossa! / Todo o sentido da
vida / principia à vossa porta; / o mel do amor cristaliza /
seu perfume em vossa rosa; / sois o sonho e sois a audácia, /
calúnia, fúria, derrota...” – e assim
é a vida das palavras! (Publ. em 25/06/2011).
Junho de 2011
PESQUISAR É
COISA BOA
Estava em casa nesta última
quinta-feira, feriado, e fiquei pensando no que escrever aqui neste
espaço. Costumo, quando me falta assunto, recorrer aos muitos
e-mails que recebo, ou então, ler bons textos na rede mundial
de computadores e, às vezes, surgem ideias boas.
E nestas andanças – pela rede –
encontrei um assunto que há muito tinha recebido via e-mail.
Olhei-o atentamente por alguns instantes. Refleti – e sei que
muitos conhecem, mas nem todos – mas vale reler e ter tais metas
em mente.
O assunto trata-se de uma das tão comentadas
conferências que Bill Gates fez em uma escola secundária
sobre onze coisas que estudantes não aprenderiam na escola e
como esta política tem levado as pessoas a falharem em suas vidas
posteriores a escola. Todos esperavam que ele fosse fazer um discurso
de uma hora ou mais, mas ele falou por menos de cinco minutos, foi aplaudido
por mais de 10 minutos sem parar, agradeceu e foi embora em seu helicóptero.
A primeira: A vida não é fácil.
Acostume-se com isso. – e como é verdade. Depois de certo
tempo tendo tudo em casa, os filhos quando precisam enfrentar o mundo,
principalmente o mundo do trabalho, até acostumar-se é
meio que pesado. A segunda: O mundo não está preocupado
com a sua autoestima. O mundo espera que você faça alguma
coisa útil por ele antes de sentir-se bem com você mesmo.
– situação interessante, e na verdade querem muito
de nós, principalmente este mundo capitalista em que vivemos,
mas – e nós?
A terceira: Você não ganhara muito
dinheiro por mês assim que sair da escola. Você não
será vice-presidente de uma empresa com carro e telefone a disposição
antes que você tenha conseguido comprar seu próprio carro
e telefone. – quer dizer: temos que trabalhar muito primeiro,
conseguir com o próprio suor. A quarta: Se você acha seu
professor rude, espere até ter um chefe. Ele não terá
pena de você. – e eu, que sou professor de ofício,
vejo o quanto os alunos acham-nos ruim quando chamamos a atenção
– mas sempre para o bem, sempre alertando. E como somos considerados
rudes!
A quinta: Vender jornal velho ou trabalhar durante
as férias não está abaixo de sua posição
social. Seus avós têm uma palavra diferente para isso:
eles chamam de oportunidade. – refletindo: desde os meus vinte
anos sempre tive dois trabalhos, e nunca me envergonhei deles; das férias:
poucas vezes tive. A sexta: Se você fracassar, não é
culpa de seus pais. Então não lamente seus erros, aprenda
com eles. – cada um é dono do seu caminho; pai ou professor
ensinam o caminho, mas o trilhar cabe a cada um.
A sétima: Antes de você nascer, seus
pais não eram tão críticos como agora. Eles só
ficaram assim por pagar as suas contas, lavar suas roupas e ouvir você
dizer que eles são "ridículos". Então
antes de salvar o planeta para a próxima geração
querendo consertar os erros da geração dos seus pais,
tente limpar seu próprio quarto. – e muitos, ao levantar,
nem este último item (arrumar o quarto) o fazem, e querem cobrar
dos pais o que eles próprios não fazem. A oitava: Sua
escola pode ter eliminado a distância entre vencedores e perdedores,
mas, a vida não é assim. Em algumas escolas você
não repete mais de ano e tem quantas chances precisar até
acertar. Isto não se parece com absolutamente nada na vida real.
Se pisar na bola, está despedido, rua! Faça certo da primeira
vez. – a democratização do ensino nem sempre é
bem executada.
A nona: A vida não é dividida em
semestres. Você não terá sempre os verões
livres e é pouco provável que os outros empregados o ajudem
a cumprir suas tarefas no fim de cada período. – logo,
pense. A décima: Televisão não é vida real.
Na vida real, as pessoas têm que deixar o barzinho ou a boate
e ir trabalhar. – trabalhar, e muito, se quisermos alcançar
os objetivos que nos propomos alcançar. A décima primeira:
Seja legal com os CDFs (aqueles estudantes que os demais julgam que
são retículos). Existe uma grande probabilidade de você
vir a trabalhar para um deles. – aliás, pense, e muito
bem pensado, no amanhã.
Encerrando os comentários: primeiramente
temos que lembrar que estamos num mundo capitalista e que cada vez mais
exigem de nós, caso não queiramos fazer – lá
fora há dez (ou mais) esperando o nosso lugar, portanto, pense
em você e faça o melhor possível.
Junho de 2011
CRONICANDO
Crônicas. Nesta semana
dirijo-me aos leitores que, sempre ao amanhecer, esperam ansiosamente
o jornal na busca de ações novas, sejam estas por parte
de algum cidadão que se apresente com algum projeto inovador
– ou rejuvenescido, da sociedade (de forma geral), dos governantes
– e que nem sempre encontram.
Alguns leitores buscam na primeira página
o resumo do conteúdo interno – e vão direto aos
assuntos que lhes interessam; outros, lentamente, folheiam-no lendo
título a título até a última página
e só depois retomam ao que interessam; os que possuem mais tempo
olham atentamente o título, buscam na ‘linha fina’
a ideia resumida da matéria, descem o olhar para a foto ilustrativa
e, finalmente, degustam o texto. Mas também notei que muitos
vão diretamente à parte, por assim dizer, mais deliciosa
do jornal: a crônica. Mas, com toda certeza, há variações
de ordem segundo o público que o lê.
O público mais adulto busca primeiramente
as notícias – que por vezes são pesadas. Estes também
se deliciam com a parte política, com o recado dos leitores,
economia, sem esquecer a leitura do editorial, pois nele reside a vida
do jornal – a linha mestra, por assim dizer. O público
mais jovem já tem outra preocupação: buscam o caderno
de variedades – aqui o Etc... – que sempre traz comentários
de bandas, de artistas renomados; um texto variado (artigo ou crônica),
resumos de novelas, cruzadinhas, horóscopo, histórias
em quadrinhos, programação de cinema e TV, comentários
de filmes, receitas culinárias e coluna social.
Mas muitos se prendem, após vários
assuntos pesados – como notícias desastrosas e política
(e atentem que a política é um assunto necessário
a todos) – na leitura do artigo ou da crônica. A responsabilidade
de quem faz este espaço é imensa: não adianta escrever
qualquer coisa; necessita-se escrever assunto do momento – a crônica
desempenha este papel (exceto quando se fala de crônica literária
que muitos mestres nos deixaram e que nos deliciamos até hoje,
como Stanislaw Ponte Preta). Ao cronista, como a qualquer cidadão
que dedique parte do seu tempo a escrever, tem o dever de andar com
uma cadernetinha de anotações no bolso – assim,
não se perde uma oportunidade de anotar e, posteriormente, desenvolver
o assunto.
No último dia 11 de junho saiu na Folha
de S. Paulo uma excelente matéria sobre o cronista Rubem Braga.
Nela há uma passagem que o escritor deixou escrito: “Há
homens que são escritores e fazem livros que são verdadeiras
casas, e ficam. Mas o cronista de jornal é como o cigano que
toda noite arma sua tenda e pela manhã a desmancha, e vai”.
Ainda: “Não sou um homem de inventar coisas, mas de contá-las.
Seria preciso talvez dar-lhes um sentido, mas não encontro nenhum.
As coisas, em geral, não têm sentido algum”.
Falando, ainda, em Rubem Braga, na mesma matéria
Danuza Leão faz um depoimento: “Rubem gostava de mulheres
bonitas, muito bonitas, e se apaixonava por elas. A beleza para ele
talvez fosse mais fundamental do que para Vinícius. Das feias,
era apenas amigo”. E em crônica inédita – Terraço
–, para entender o espírito de Braga: “(...) A verdade
é que o jardim reflete um pouco a gente, o meu é desarrumado
como eu. Sou um homem quieto, o que eu gosto é ficar num banco
sentado, entre moitas, calado, anoitecendo devagar, meio triste, lembrando
umas coisas, umas coisas que nem valia a pena lembrar.” –
E como reflete!
Assim vejo-me o cronista que tento ser: no sossego
de minha casa, no meu alpendre, entre as muitas plantas que cá
estão florescendo – recheadas de verde: samambaias, dedinhos
de moça, lírios, avencas, cactos, flor-de-maio, orquídeas,
comigo-ninguém-pode, gérbera, africana, pata-de-elefante,
kalanchoe, begônias, onze horas, rosas, violetas, jiboia, renda
portuguesa, cabelo-de-nego – entre outras! Cadeiras preguiçosas
convidam-me a sentar e sentir o ar (impuro) do final da tarde. Busco
nas lembranças o ser calado que fui (hoje um pouco menos) e não
consigo encontrar-me totalmente. Espero, um dia, não como o autor
citado acima, mas pelo menos em parte alegrar os olhos de alguns que
me lêem. (Publ. em 18/06/2011).
Junho de 2011
ENAMORADOS SEMPRE
Sem superpoderes, não
vieram do espaço e não sabem voar – mas estão
na lista dos super-heróis: os amantes – namoradas, namorados.
Às vezes são heróis e heroínas, outras vezes,
vilãs e vilões – entre o bem e o mal (dependendo
do campo de visão de quem analisa) – é o resumo
da identidade de cada heroína, de cada herói.
Travam, estes, uma luta contínua contra
o sentimento mais profundo que atormenta o homem: a vingança.
Ainda: são suscetíveis a pecados (e muitas vezes sofrem
por não serem perdoados).
Possuem poder inimagináveis, vivem em espaços
imagináveis (ou quase reais) e querem sempre voar além
dos limites da mente humana – e, às vezes, estão
na lista de mais de um coração: arrebentando-os, dilacerando-os.
Simplesmente amantes!
Amantes, amantes; vilãs, vilões.
Lutam permanentemente contra o seu próprio ‘eu’.
Amante-amiga, amante-amigo! Sempre dependendo do campo de visão
de cada um – ainda, talvez, a busca da identidade. Na luta contínua
dessa busca profunda, o amor sofre para vencer os mais árduos
preconceitos. Vence – mas nem sempre. Às vezes, na derrota,
aprende. Faz reflexões.
Amanhã, dia dos namorados, são vitórias
para muitos (derrotas para outros) – mas sinto o gosto de declarar
aqui neste espaço mais uma vitória pessoal: bodas de algodão!
Foi um ano de sonhos, mas também um ano duro, pois todo começo
traz dúvidas e incertezas. Mas estamos conseguindo deixar o amor
que nos uniu falar mais forte e florescer como os ramos de algodão,
que representam o brotar cheio de luz de mais uma nova etapa em nossas
vidas. O conviver entre duas almas diferentes, difíceis, é
complicado – mas nada supera o que se sente: ainda mais um amor
à primeira vista; uma conquista contínua a cada dia –
e de ambos os lados.
Dedico a você, Ana Maria, este texto, pois
a cada dia que passa o que sinto por você aumenta – somos
pessoas completamente diferentes, mas voltados para o mesmo intuito:
crescermos juntos na busca de nossas realizações pessoais,
profissionais – amorosas. Somos, assim como tantos outros casais,
heróis neste mundo, pois a cada dia vencemos os novos desafios
que a vida nos proporciona. Feliz dia dos namorados! Feliz seja sempre
o nosso dia! (Publ. em 11/06/2011).
Junho de 2011
FELICIDADE SEM
DORES
Antônio Carlos Jobim e
Vinícius de Moraes cantaram: ‘Tristeza não tem fim
/ Felicidade sim’. (Será?) Em ‘Receita de Felicidade’
Toquinho canta coisas maravilhosas e eu, a ler, comecei a viajar. Como
definir felicidade?
Muitos já tentaram definir o que é
felicidade, seja a partir de prosa ou verso, ou de filmes, como: ‘A
felicidade não se compra’ – um filme dirigido por
Frank Capra (EUA, 1946), que narra a história de um anjo que,
precisando merecer suas asas, desce à Terra para salvar um homem
que sempre fez o bem e que agora se vê dissipados seus sonhos
de felicidade. Ou, ainda, ‘À procura da felicidade’
– (EUA, 2006), inspirado em fatos reais, que conta a história
de um vendedor que vive no limite da pobreza, abandonado pela mulher,
passa a criar sozinho o filho de 5 anos, acabam sendo despejados do
apartamento em que vivem e são forçados a dormir em abrigos
comunitários e até mesmo no banheiro de uma estação
de metrô, mas com determinação, amor e a confiança
do menino, o pai dá a volta por cima.
Toquinho diz que sonhar ainda é fundamental.
Sonhe! Em sua receita pede pedacinhos de afeto, de ilusão, misturados
à amizade; um pouquinho de paixão, pitadinha de saudade
– e quem nunca teve saudade? Uma estrofe ímpar! E continua:
o dom de ser mulher, de ser mãe; o sorriso da criança
(inocência); o primeiro amor – a esperança. Como
diz: só sendo mãe para poder dizer o que realmente é
ser mãe! Criança-esperança. E quem nunca teve a
ingenuidade de amar? Quatro elementos essenciais na vida humana. Na
terceira estrofe: ternura, os que amam pra valer (muito amor, pois amor
nunca faz mal), a vida é um arco-íris de prazer. Que doçura,
que sonho! Afinal, o que é felicidade?
Em ‘Felicidade’, poema de José
Maria de Souza Dantas, o autor diz que é feliz porque sente vergonha
diante da fome, do desespero; diante da dor e da solidão; diante
da alegria e da felicidade; da natureza – do sol considerador
e da lua perceptiva. Diante de tudo isso não consegue mais ser
infeliz – é olhar a vida de jeito diferente!
Em ‘O alquimista’, de Paulo Coelho,
é relatado que um mercador mandou o seu filho aprender o Segredo
da Felicidade com o mais sábio de todos os homens. O rapaz andou
durante quarenta dias pelo deserto até chegar a um belo castelo,
no alto de uma montanha, pois lá vivia o Sábio que o rapaz
buscava. O Sábio ouviu atentamente o motivo da visita do rapaz,
mas disse-lhe que naquele momento não tinha tempo de explicar-lhe
o Segredo da Felicidade e sugeriu ao rapaz que desse um passeio pelo
palácio e voltasse dali duas horas – mas pediu-lhe um favor,
estendendo-lhe uma colher, onde pingou duas gotas de óleo: ‘Enquanto
você estiver caminhando, carregue esta colher sem deixar que o
óleo seja derramado’. O rapaz foi pelo palácio –
subiu e desceu escadas, mantendo sempre o olhar fixo na colher. Duas
horas depois retornou à presença do Sábio, e este
lhe perguntou: ‘Então, você viu as tapeçarias
da Pérsia que estão na minha sala de jantar? Viu o jardim
que o Mestre dos Jardineiros demorou dez anos para criar? Reparou nos
belos pergaminhos de minha biblioteca?’ O rapaz, envergonhado,
confessou que não – pois a preocupação era
não derramar o óleo. O Sábio pediu que voltasse
a passear novamente e conhecesse as maravilhas do seu mundo, alegando:
‘Você não pode confiar num homem se não conhece
sua casa.’ Mais tranquilo, o rapaz pegou novamente a colher e
voltou a passear pelo palácio: observando cada detalhe, cada
obra de arte, cada maravilha. Tempos depois retornou à presença
do Sábio, que o indagou: ‘Mas onde estão as duas
gotas de óleo que lhe confiei?’ Olhando para a colher,
o rapaz percebeu que as havia derramado. ‘Pois este é o
único conselho que eu tenho para lhe dar – disse o mais
Sábio dos Sábios – O Segredo da Felicidade está
em olhar todas as maravilhas do mundo, e nunca se esquecer das duas
gotas de óleo na colher’.
Fechando este pequeno texto sobre a busca da felicidade,
nota-se que em todos os textos citados acima é mostrado que a
felicidade está em nós e não no outro. Cada um
tem que fazer a sua parte – buscar o que é seu, e não
olhar para o outro com olhar de inveja pelo que o outro faz, ou pelo
que o outro recebe. Pelo contrário, espelhar-se no lado positivo
do outro – pois vale lembrar que somos humanos e plausíveis
de erros. Felicidade é acreditar primeiramente em si, em seu
potencial. (Publ. em 04/06/2011).
Maio de 2011
MÉRITO
PELO QUE SE FAZ
As pessoas, quando indicadas
a receber alguma promoção ou prêmio – por
menor que este seja, com certeza devem sentir aquele friozinho a correr
pelo corpo: podem até não ganhar, mas só de pensar
que foram indicados... Às vezes, o trilhar destes caminhos –
promoção em trabalho, música, danças, teatro,
literatura, entre outros – é complicado, mas vale a pena.
E passar por isto é sentir um algo a mais.
O caminho para o sucesso, às vezes, é
tido por muitos como complicado, árduo – e tem, necessariamente,
de ser. Se não fosse, não teria o gostinho especial –
como aquela velha frase que diz que sucesso só vem na frente
de trabalho no dicionário – do contrário: primeiro
trabalha-se muito para alcançar o que ser quer – o que
muitos chamam de sucesso.
Quando se faz as coisas por gosto – e não
por imposição – e ainda é reconhecido: melhor
ainda (e se for reconhecido monetariamente – bem melhor ainda!).
Muitos praticam determinadas ações com o intuito de um
dia ser reconhecido pelo que fez (ou faz) – em parte é
bom, mas nada melhor quando reconhecem o que você fez sem você
se dar conta de que era observado o tempo todo, de que todo seu trabalho
era analisado, para – posteriormente e em época oportuna
– ser valorizado.
Em muitas empresas acontece isso – e, quando
acontece, qualquer funcionário acha-se no direito de dizer a
si mesmo: ‘Mais uma vez (ou pela primeira vez) reconheceram a
minha dedicação’ – mas nem sempre é
assim. Já no setor público raramente acontece fatos assim,
pois boa parte das promoções são vias concursos
– alguns casos por mérito.
Na vida artística-cultural também.
Em Araçatuba desde 1967 existe o Conselho Municipal de Cultura
e a partir de 2009 foi transformado em Conselho Municipal de Políticas
Culturais de Araçatuba, criado pela Lei Municipal nº. 7.152,
de 31 de agosto de 2009, que é um órgão normativo,
propositivo, orientador, consultivo, recursal, deliberativo e fiscalizador
das ações culturais do Município – que possui
41 conselheiros titulares (e 41 suplentes). E estes conselheiros –
que representam a sociedade civil araçatubense junto ao poder
público – fizeram em abril seus apontamentos destacando
personalidades e entidades que se destacaram dentro do cenário
cultural araçatubense. Divididos em 16 categorias, estes foram
premiados na última terça-feira com o Troféu ‘Odette
Costa – 2011’.
Há algumas semanas escrevi neste espaço
que um dos trabalhos que realizo foi reconhecido pelo Conselho Municipal
de Políticas Culturais e nesta última terça-feira
fui receber o prêmio que me fez sentir muito honrado – e,
ao mesmo tempo, mais confiante de que o ser humano pode fazer algo positivo
pelo lugar em vive. Trabalho este que é o de fomentar a cultura
araçatubense, levando aos mais longes recantos de nosso Brasil
– através do blog ‘Araçatuba e Região’,
o nosso maior bem: a cultura – seja ela através da música,
das danças, da escultura, pintura, teatro, literatura.
Vale lembrar ao leitor que cultura é o
conjunto de atividades e modos de agir, costumes e instruções
de um povo. É o meio pelo qual o homem se adapta às condições
de existência transformando a realidade. Ainda: é um processo
em permanente evolução, diverso e rico. É o desenvolvimento
de um grupo social, uma nação, uma comunidade; fruto do
esforço coletivo pelo aprimoramento de valores espirituais e
materiais. É o conjunto de fenômenos materiais e ideológicos
que caracterizam um grupo étnico ou uma nação (língua,
costumes, rituais, culinária, vestuário, religião
etc.), estando em permanente processo de mudança.
Logo, há necessidade de se fazer –
e com bastante rapidez – esta cultura chegar às mais diversas
pessoas – e cá estou eu sempre a fazer pelo lugar que nasci.
(Publ. em 28/05/2011).
Maio de 2011
PENSAMENTOS CRUZADOS
II
Pensando? Pensando! Pensando...
Às vezes, de imediato, não se tem o que escrever. São
tantos os assuntos que, por vias das dúvidas, não se sabe
o que escrever. Às vezes – nem tudo que se escreve, pode
cari na graça de todos. Assim, resolvi escrever sobre os pensamentos
cruzados que a vida nos oferece – que por sinal são muitos.
E, tendo em vista tal assunto – por onde começar?
Talvez, em nossa cidade, no cruzamento da Avenida
Mário Covas, que corta o centro de nossa cidade, com a Avenida
Baguaçu, com a Avenida Brasília, ou a própria Avenida
Brasília com a Avenida Pompeu de Toledo, ou em quaisquer outras
ruas que oferece ao transeunte atento tudo de bom que nos oferece a
nossa cidade: desde o clima, apesar de quente, mas agradável,
até os excelentes pontos de degustação –
principalmente ao cidadão que gosta da vida noturna; talvez nas
ideias cruzadas da menina-moça-donzela com o garotão-garanhão
– uma fase que ainda está por definir: adolescência;
talvez no cruzamento (e que acontece muito!) das linhas telefônicas
e ouve-se muitas conversas fiadas, de negócios, de amores e desamores
– mas sem saber quem fala e para quem fala – e que muitas
vezes dá-nos a vontade de entrar no meio da conversa, discutir
(dizer que não é assim, que é de outro jeito) –
passar experiências, tomar as dores; talvez no cruzamento das
ideias dos alunos (que são complexas, por sinal: às vezes
tidas como desajuizadas, desajustadas); dos professores – tomadas
como detentores, em parte, do saber revolucionário, mas que ao
mesmo tempo que ensina, aprende; dos escritores e dos poetas –
que, às vezes, possuem brilhantes ideias que compartilham conosco
em suas obras de tirar o fôlego – como no poema de Manoel
Bandeira: ‘Vou-me embora pra Pasárgada’ – lá
é o melhor lugar que eu tenho notícia, lá –
o poeta – é amigo do rei, tem a mulher que quer e na cama
que escolher – ah! É de suspirar; dos românticos
– que sob qualquer luar, por assim dizer, encontra a magnitude
do amor – que, em sua cegueira deslumbra mil vezes; dos boêmios
– que levam, por puro prazer, a vida como ela deve ser levada:
livre, leve, solta – as preocupações ficam para
os homens, talvez, de boa vontade; dos políticos – estes
que, às vezes, nem merecem ser falados! Ou, se dispuser a falar,
há muito sobre o que falar, pois tudo na vida se faz através
da política... – que merece um belíssimo sinal gráfico
de reticências! Quantos pensamentos cruzados a citar? Muitos,
por sinal!
E, de pensamentos cruzados em pensamentos cruzados,
tudo fica cruzado. Até os meus dedos no teclado ficam cruzados.
Os meus pensamentos continuam cruzados. As minhas palavras continuam
cruzadas. A vida é uma cruzada cheia de cruzamentos. Há
tantos cruzamentos que nem a filosofia da vida pode explicar. Ou, o
melhor é não explicar. O melhor é o inexplicável.
As explicações, na maioria das vezes, acabam não
explicando – mas complicando! Quem dera que todas as explicações
realmente explicassem, e não complicassem!
Continuar com pensamentos cruzados ainda é
a solução para melhor se viver – assim não
se vegeta! Pois, enquanto um fio dela estiver embaraçado há
mãos tentando desembaraçá-lo, mas quando o fio
estiver sem nó não haverá mais mãos nele;
logo: pensamentos cruzados, mente pensando, agindo, procurando solução
e, às vezes, sem solução. (Publ. em 21/05/2011).
Maio de 2011
VIRADA CULTURAL
PAULISTA
Das 18 horas deste sábado
até 18 horas de amanhã (domingo), acontece a Virada Cultural
Paulista em Araçatuba (e em mais 22 cidades do Interior Paulista
e Litoral), que oferece gratuitamente cultura e arte, reunindo shows
de artistas reconhecidos em todo o país, acrescido de apresentações
de artistas locais.
Este ano a Virada Cultural Paulista em nossa cidade
contará com 35 atividades: espetáculos de dança,
música, artes cênicas, exposição de artes
plásticas e encontro literário – com apresentações
em sete ambientes: Catedral Nossa Senhora da Aparecida, Teatro Unip
(palco interno 1), Praça Getúlio Vargas (palco externo),
Teatro Municipal ‘Paulo Alcides Jorge’, MAAP – Museu
Araçatubense de Artes Plásticas (Rua Duque de Caxias,
29 – Centro), Stella Maris Academia de Dança (Rua Euclides
da Cunha, 906), Teatro Municipal ‘Paulo Alcides Jorge’ (palco
interno 2).
Abertura Oficial com Heiner Müller em Repertório
– Cia Nova de Teatro, no Teatro da Unip (18h). Na Praça
Getúlio Vargas as atividades iniciam-se a partir das 18h30: DJ
Rafael Cancian (música).
A participação de artistas locais
este ano é significativa: shows da Banda Swing Snake Blues (sábado,
21h, Praça Getúlio Vargas), do DJ Rafael Cancian, performance
cênica do ator Edi Barba e da artista plástica Fernanda
Russo; “Exposição Correntinhas”, da artista
plástica Mildred Pacitti Rocha, no MAAP – Museu Araçatubense
de Artes Plásticas, domingo, às 11h30. Domingo, às
11 horas, na Catedral Nossa Senhora Aparecida: Banda de sopros –
Projeto Guri.
Entre os grandes nomes da música brasileira,
apresentam-se: Zeca Baleiro – zero hora do domingo; Fafá
de Belém – às 17h30 (encerrando as atividades) –
ambos na Praça Getúlio Vargas.
A Cia Vitrola Quântica faz duas apresentações:
sábado, às 20h30, ‘She’s Lost Control’,
no Teatro Municipal ‘Paulo Alcides Jorge’, e, no domingo,
às 13h, ‘Composição de Risco’, na Stella
Maris Academia de Dança
Na arte de escrever, o grande destaque é
o Encontro Literário com o escritor Ignácio de Loyola
Brandão, no Teatro Municipal ‘Paulo Alcides Jorge’,
das 14h30 às 16h30. O escritor e jornalista Ignácio de
Loyola Brandão nasceu em Araraquara em 1936. Tem 35 livros publicados
entre romances, contos, crônicas, viagens e infantis. Seu mais
recente lançamento foi a biografia ‘Ruth Cardoso, Fragmentos
de Uma Vida’. Um dos livros programados para publicação
em 2011 é ‘O Menino Que Perguntava’, continuação
de ‘O Menino Que Vendia Palavras’, que recebeu o Jabuti,
como Melhor Livro de Ficção de 2008. Durante este espaço
de tempo, além do bate-papo entre o escrritor e os presentes,
membros da Academia Araçatubense de Letras e do Grupo Experimental
farão apresentação de textos.
Fechando este espaço, Araçatuba
contará com 24 horas de pura emoção: basta ter
fôlego para acompanhar de perto – mas mesmo tendo todo fôlego
é impossível, pois simultaneamente acontecem espetáculos.
Mais informações podem ser adquiridas diretamente do site
da Secretaria de Estado da Cultura: www.cultura.sp.gov.br – vale
a pena conferir de perto!
Maio de 2011
COMO TER UM BOM
BLOG
Muitos blogueiros ficam pensando
– assim como eu: que conteúdo ter em seus respectivos domínios
para que estes tenham um número razoável de visitas? Ou,
como atrair o internauta para que este volte sempre? É uma pergunta
que não é fácil de responder.
Pensando em tudo isso, resolvi pesquisar e encontrei
algumas ideias – na verdade são sugestões que, se
postas em prática poderão responder, pelo menos em parte,
as angústias que temos.
O ponto inicial é a apresentação:
o primeiro impacto é marcante – e muito! Já ouvi
de alguns internautas que, assim como uma boa capa de livro ajuda muito
na vendagem, assim também a primeira página do blog –
portanto: capricho faz bem; o humor com que é apresentado –
distração (nada truculento, mas com seriedade); a leveza
– abertura rápida: imagens e gráficos devem ser
leves, o que torna rápidos em sua abertura – mas sem perder
a qualidade (algo entre 80 a 100 kb); a organização: um
blog ‘bagunçado’ deixa a desejar – já
um menu organizado facilita o acesso às partes internas do mesmo;
ser (ou ter) dinâmico quanto à leitura; se possível:
ter interatividade – levar o leitor a envolver-se com o conteúdo
do blog. Falando por último (mas que é a chave de qualquer
blog): o conteúdo – que merece um parágrafo à
parte.
Um bom blog tem que oferecer um bom conteúdo,
original – sem plagiar, com volume satisfatório e segmentado.
Acrescento: o conteúdo oferecido deve ser dominado pelo blogueiro,
ou seja, da área de atuação do mesmo – e
não ser um aventureiro no assunto. O leitor quer sempre saber
mais, e, quando há interatividade, se não for da área,
como discutir? Outra dica importante: a composição do
texto deve ser clara já no primeiro parágrafo –
e, se possível, deixe apenas o primeiro parágrafo na página
inicial, o restante do texto em página interna – é
um convite ao leitor que este acesse mais conteúdos dentro do
blog.
Li numa das páginas que pesquisei que um
blog (ou site) é como um restaurante: há os pratos principais,
mas há também variações de pratos oferecidos
– ou seja, além do conteúdo principal, o blog deve
oferecer conteúdos diversificados, que cative o leitor, pois
assim voltará.
Pensando, ainda, em fazer o internauta acessar outras vezes o blog:
constantes atualizações – e estas atualizações,
de preferência diárias, que façam o leitor pensar,
refletir. Seja coerente! Você também pode usar as redes
sociais para divulgar. Ainda pode usar algumas técnicas de otimização
de sites (SEO) que ajudam a melhorar a posição nos resultados
das pesquisas e em sites de busca.
O mundo virtual é interativo, dinâmico
e em constante mutação – pensando assim, você
pode fazer um blog – ou, se queres ter um pouco de noção,
faça um pequeno curso de ‘Escritor Blogueiro’ que
será oferecido gratuitamente no dia 28 de maio, sábado,
das 8h às 12h e das 13h às 18h, na escola ‘Paraisão’
– uma parceria do Programa Escola da Família (PEF) com
a Secretaria Estadual de Cultura, através da Oficina Cultural
‘Sílvio Russo’. Entre em contato através do
e-mail abaixo, ou ligue diretamente na escola. (Publ. em 07/05/2011).
Abril de 2011
HÁ SEGREDOS
PARA ESCREVER?
Esta semana pensando sobre o
que escrever nesta coluna, coloquei-me a visitar vários sítios
da rede mundial de computadores em busca de ideias e, de repente, deparei-me
com um assunto que chama muito a atenção, aliás,
intriga: dicas para escrever.
Sei que há manuais que prometem deixar
o futuro escritor craque na produção de textos, mas nem
sempre acontece – pode até ajudar, mas depende muito do
cidadão que quer tornar-se escritor; depende muito do empenho,
do esforço.
Sou meio supersticioso – os números
sete e treze são importantíssimos em minha vida. E, nessa
busca de ideias, encontrei um sítio que trazia treze dicas para
o bom desenvolvimento da escrita. Achei-as interessantes e passo a comentá-las.
A primeira dica era ler muito – aliás,
quem lê constantemente tem maior facilidade em desenvolver assuntos
variados; a segunda dica: escrever muito (é aqui, creio eu, que
está o ponto principal: assim como o músico só
fica apto a partir do momento que ensaias muitas vezes a partitura,
assim também o escritor); a terceira é ter um horário
determinado para escrever – por exemplo: final de tarde, antes
de dormir; o quarto apontamento é a visita a comunidades de outros
escritores: a leitura de ‘blogs’ d outros escritores leva
o futuro escritor a ter conhecimento de diversos estilos – e,
a partir das visitas, dos conhecimentos, poderá estabelecer seu
próprio estilo; o quinto passo trata-se de textos grandes (muitas
páginas): fazer um esboço é a melhor solução;
a sexta dica: nuca desistir de uma ideia, mesma que esta seja um pouco
confusa, difícil – mas faça-a funcionar (aqui vale
muita a persistência); quem tem a pretensão de escrever
carrega consigo um bloquinho para anotações, diz a dica
de número sete; a oitava dica: ser liberal com os próprios
rascunhos – por isso chama-se rascunho (enumere-os, se necessário)
– você ainda vai passar a limpo muitas vezes; a próxima
dica: reescrever, sempre que possível – o ato de passar
a limpo é pouco cultivável entre os estudantes, ou seja,
quando o professor diz que precisa primeiro escrever no caderno e depois
reescrever para entregar – já é demais; a décima
dica: não jogue nada no lixo – guarde uma cópia
(ou, salve-a), pois em algum momento poderás precisar; outra
dica: organização (essencial em qualquer trabalho); a
penúltima: nunca estar satisfeito com os próprios textos
– sempre há o que mudar em um texto – alguns autores
publicam seus textos e, após alguns anos, precisam reeditá-los:
é a hora em que alguns mudam novamente seus textos.
A última dica, de certa forma, é
interessante: intitular-se escritor. Muitos (incluo-me entre eles) não
se consideram escritores – consideram-se rabiscadores. Até
certo ponto entendo-os, partindo de mim, creio que ter o título
de escritor é viver da escrita: e poucos conseguem, poucos mesmo!
Se seguir estas dicas há uma boa chance
de tornar-se um escritor – e possivelmente, um escritor de sucesso
– ou, pelo menos pegar o gosto (hábito) pela escrita, pois
assim como o músico que cada vez quer praticar mais para se apresentar
melhor, assim será com o futuro escritor. (Pub. em 30/04/2011)
SONHO DE UM
SONHADOR CULTURAL
Às vezes nos deparamos
com situações interessantes – ou, às vezes,
sonhamos um sonho de um sonhador. Ou, ainda, andando pelas ruas da cidade
determinadas pessoas nos chamam a atenção levando-nos
às lembranças um tanto quanto dolorosas, ou – por
outras vezes – alegres. E dos sonhos acordados recordo-me de alguns.
Num dos sonhos eu era um príncipe montado
num belo cavalo preto, talvez motorizado, a conquistar garotas. Em outro
sonho eu era um excelente político – pelo menos na arte
da palavra: sabiamente convencia o povo a acreditar em mim. Em outro
eu era... Mas no último sonho eu era um cidadão de bem
(não que durante os outros sonhos não era eu um cidadão
de bem, mas...), que lutava pela cultura de um povo – do meu povo!
E neste sonho de sonhador passei a escrever sobre
a cultura de um povo; sobre a cultura do meu povo: da cidade de Araçatuba.
Nestas andanças pelas ruas fiz muitas amizades, conheci muitos
homens e mulheres letrados que, apesar de toda base de conhecimento,
não se deixam levar pelo egoísmo de manter-se em pequenos
grupos – com raras exceções, é claro!
Ser um sonhador cultural – um divulgador
cultural – faz parte de poucos seres humanos. Nomes, pequenos
nomes que, com o passar do tempo, tornaram-se grandes nomes: alçaram
vôo. Suavemente espalham seu legado a humanidade. Seus contos,
crônicas, poesias, pensamentos filosóficos permanecerão;
se eternizarão no coração dos homens sábios
que os lêem.
O tempo passou – e eu, um sonhador acordado,
passei a querer sempre mais. Procurei meios para exercer com mais maestria
este legado deixado por poucos à humanidade. Portas abriram,
portas fecharam – correndo sempre atrás. Alguns elogiando,
outros criticando – mas nunca desistindo: e de tudo tirando o
máximo proveito; sem nunca desanimar – apesar de confessar
que, às vezes, bate esta dúvida: vale a pena? Lembro-me
nestes momentos do poeta português Fernando Pessoa.
Volto-me para dentro de mim: acho-me e digo a
mim mesmo: você sempre quis fazer isso, por que parar agora? Refaço-me;
tomo fôlego – e continuo a caminhar. E a caminhar sem nunca
pensar numa recompensa maior, a não ser a de ser um dia reconhecido.
E acaba de acontecer.
Neste último dia 13 de abril a Secretaria
Municipal de Cultura de Araçatuba divulgou os 16 vencedores do
Troféu Odette Costa 2011 – que contempla as pessoas, empresas
ou instituições que se destacaram no fomento, produção,
difusão, circulação e preservação
cultural: e o meu trabalho de fomentação e difusão
cultural foi reconhecido (eu nem sabia que concorria ao troféu!).
Mas no próximo mês terei o prazer de receber o troféu
na categoria ‘Destaque em Mídias Livres’ –
sinto-me tremendamente orgulhoso!
Vale parabenizar a todos os vencedores, sendo:
Artes Plásticas e Visuais: Henry Mascarós; Áudio
Visual: SESC; Dança: Nina Queirós; Destaques em Mídias
Livres: Site Araçatuba e Região; Documentação
da Vida Cultural: Caderno Vida (FR); Entidades Difusoras de Cultura:
SESI; Espaços de Difusão Artístico-Cultural: SENAC;
Evento Cultural de Organização Coletiva: Astros de Sempre;
Literatura: Grupo Experimental; Manifestação Folclórica
/e ou Cultural: Associação Nipo-Brasileira; Música:
CD Coletânea Alma Volume I; Produtores Culturais: Stella Maris
Companhia de Dança; Rádio: Programa Hélio Negri;
Teatro: Grupo Deixa Que Eu Conto; Personalidade da Vida Cultural: Salomé
Macedo; Prêmio Especial: Mauro Rico.
Depois de tantas emoções, vale sorver
suavemente a beleza da vida, pois a vida passa rapidamente. E, se possível,
nunca parar de acelerar. Nunca parar de sonhar! (Pub. em 16/04/2011)
Abril de 2011
REFLEXÃO
SOBRE
UMA TRÍADE
PIRAMIDAL
Há alguns anos li o livro
“Versos, Crônicas e Apontamentos”, do professor e
escritor Osmar Antunes Sanches, da vizinha cidade de Birigüi. Excelente
livro!
Antes de começar a falar do livro, escrevo
como tive acesso ao mesmo. Não tinha muito serviço naquela
época – lembro-me ainda do dia: quarta-feira, quatro de
abril de quatro anos atrás – e saí para pagar algumas
contas e em determinado lugar teria que esperar meia hora para o estabelecimento
abrir – horário de almoço, para não ficar
ali parado, desci mais três ou quatro quadras até a Biblioteca
Pública Municipal ‘Rubens do Amaral’. Li o Jornal
do dia e, já que estava ali, pensei comigo, vou levar uns dois
livros para casa para ler (na biblioteca da escola em que trabalho tem
excelentes livros – mas gosto de passear pela biblioteca, sentir
o cheiro dos livros!). Comecei a passear pelas estantes... Gosto dos
pensadores – e como já sei onde estão, dirigi-me
para lá. Peguei um, outro, devolvi. Dirigi-me à estante
de poesias. Peguei dois livros e num deles reparei que era de autor
da minha terra, o outro, desconhecido. Ah! E faço questão
de lembrar que até hoje ainda sou sócio de carteirinha
e apareço entre os novecentos primeiros que se associaram.
Naquela ocasião, a quinta-feira seria livre:
ninguém trabalharia. Coloquei-os na bolsa e preparei outra bolsa
com muita quinquilharia (e comida) e segui para a beira do Tietê.
Chegando lá escolhi um lugar calmo, silencioso e comecei a folheá-los.
Um deles tratava-se de um autor de nossa região – da vizinha
cidade Birigui. O livro chamou-me muito a atenção com
seus textos, fiquei mais atento ainda ao observar o texto intitulado
‘Tríade Piramidal’, citado nas páginas 54
e 55.
Caro leitor, se tempo tiveres, busque-o em sua
biblioteca local ou entre em contato com o autor (escreva-me que passarei
o endereço do mesmo). E antes de comentar o texto das páginas
citadas acima, é possível observar que dentro da obra
há a celebração à vida, a começar
pelo sorriso: “Sorria, sorria que o sorriso é graça,
/ Graça que enternece e encanta”. Todos sabem que sorrir
rejuvenesce – e se atentarmos para o fato que encanta –
melhor ainda, pois às vezes esquecemos que oferecendo um sorriso
podemos obter muitos sorrisos. Na época estava este rabiscador
muito empolgado em escrever cartas, postava-as no meu site – mesmo
que estas não eram respondidas – o autor também
se refere a elas: “Carta / Longa ou curta / Mata saudades / Distâncias
encurta”. Cultua também a mais encantadora das criaturas,
a mulher – de um ponto de vista ímpar! Cultua a flor que
nos deu a vida: as mulheres-mães. Estes são algumas ‘pitadas’
do livro para aguçá-lo a ler, pois há outros assuntos
que merecem toda nossa leitura e reflexão.
E, como citei, prendi-me muito ao ler o texto
‘Tríade Piramidal’. Nele é tratado que há
muitas tríades que marcam presença na vida do ser humano.
Citando algumas: criança, jovem adulto; cedo, tarde, noite; esposo,
esposa e filhos; escola, professor, aluno; água, fogo, ar; Pai,
Filho e Espírito Santo, entre outros citados (e sabemos que podemos
levantar muitos outros). E termina o texto dizendo que “Ontem
plantamos, hoje colhemos, amanhã será o que fizermos agora.”
Reflexivo!
Passaram-se quatro anos e estou sempre a refletir
sobre os textos escritos pelo professor Osmar Antunes Sanches –
são reflexões que nos levam para mais perto de nós
mesmos – para mais perto de nosso Criador. Um exemplo bem claro:
quando pensamos na tríade Santíssima. O Pai, nosso senhor
Deus Todo-Poderoso, Criador, fez homem a sua imagem e semelhança:
notem bem que alegria podermos dizer que somos semelhantes ao Pai. O
Filho, nosso senhor Jesus Cristo, Salvador, deu sua vida para redimir-nos
do pecado. O Espírito Santo – enviado pelo Pai para nos
consolar até enviar-nos novamente o Filho para nos resgatar deste
mundo. Que mais queremos? Somos mais que vencedores! (E há, ainda,
aqueles que atentam contra a vida.)
Esta é uma simples reflexão minha
a partir do livro lido, com destaque especial do texto intitulado ‘Tríade
Piramidal’. O lado espiritual está presente neste livro
– os leitores mais espirituosos sentirão muito bem com
a leitura desta obra. (Pub. em 09/04/2011)
Abril de 2011
JAMAIS SE ESQUECE
A PRIMEIRA VEZ
Por mais que tentamos esquecer,
nunca esquecemos a primeira vez – não importa qual o assunto,
seja ele mais sério ou menos, mas sempre fica marcado. Assim
também com a nossa primeira professora.
A imagem da primeira professora marcará
para sempre a nossa vida na terra – embora exista quem diga que
somos professores (pois ensinamos e aprendemos a todo instante), digo
que não sou totalmente a favor da ideia, mas parcialmente. Mas
como o assunto aqui não é para tanto, deixo-me levar pelas
letrinhas do teclado e passo a relatar algo que marcou a minha vida.
A minha primeira professora – tratarei do
texto em primeira pessoa, pois foi a minha primeira professora: dona
Marli – não sei se ainda vive, pois perdi o contato com
ela há mais de dez anos. A infância é povoada de
assuntos e entre eles: o primeiro dia de aula, a primeira professora,
as primeiras letras, as primeiras histórias – e naquele
tempo poucos passavam pela pré-escola. Eu fui direto para a primeira
série – chamada naquela época de primário.
Dona Marli trazia consigo o carisma que –
por incrível que pareça – quase toda professora
das primeiras letras têm. Exuberava em talento. A maestria de
suas aulas fazia-me apaixonar pela arte de ensinar – talvez naquela
época não conseguisse ainda perceber tal ação,
mas hoje sei que o amor que tenho a minha profissão (ao magistério)
venha daquele tempo. É um amor que arde a mente e o coração
quando noto que algum aluno realmente aprendeu (mas aprender no sentido
mais profundo do que é realmente aprender). Raros momentos o
professor tem de emoção, pois a cada ano novas turmas
são formadas – e o mestre continua ali: firme e esperando
o próximo ano para começar tudo novamente. Raras vezes
consegue formar discípulos, mas dona Marli no seu esplendor de
ensinar formou um discípulo: eu!
Creio que ela formou não apenas eu, mas
vários que passaram pelas suas mãos estão hoje
no magistério. Pelo mito da arte de ensinar, escrevi certa vez
em meus rabiscos que um dia gostaria de ver formado pelas minhas mãos
pelo menos um discípulo – digo pelas minhas mãos
no sentido de ter ouvido do futuro professor: “Assim como o senhor
me ensinou e me mostrou que ser professor vale a pena, também
vou ser professor...” – será? Fiquei muito tempo
esperando – mas aconteceu.
Há doze anos ouvi de uma aluna do último
ano do Ensino Médio que seria professora. Não acreditei,
mas fiquei na expectativa – será que o meu desejo se realizaria?
E, pensei ainda: lecionei para esta aluna apenas um ano e agora vem
com a história de que vai ser professora seguindo os mesmos passos
que eu (Letras), e ainda mais alegando que nunca tinha tido aulas de
Português nos moldes que tinha tido comigo durante aquele ano.
Os anos se passaram. Mudei de escola – mas
sempre tendo em mente o que aquela aluna tinha dito. Esperança
sempre é a última que morre – ainda mais em professor.
Pouco tempo atrás recebi um e-mail dizendo: “Professor,
você se lembra de mim? Creio que não, faz muito tempo que
o senhor lecionou pra mim. Hoje sou um profissional da área da
Saúde. Mas, o senhor se lembra da ‘fulana’ que disse
que seria professora e todos nós rimos? Pois bem, meu caro professor,
hoje ela é professora – aliás, acaba de concluir
o mestrado na área de letras e segue para o doutorado.”
Hoje escrevo neste espaço cumprindo a promessa
que fiz a mim mesmo: quando soubesse que algum aluno meu, hoje colega
de profissão, estivesse exercendo a árdua missão
de ensinar, daria um jeitinho de publicar. Sinto-me feliz neste momento
– aliás, desde o momento que recebi a notícia, pois
formar cidadãos dedicados a arte de ensinar nos dias atuais não
é nada fácil, pois além da baixa remuneração,
o desgaste é enorme. Assim, jamais esquecerei a minha primeira
professora! (Pub. em 02/04/2011)
Março de 2011
VELAS COLORIDAS
Às vezes surgem ideias
que são consideradas estranhas - até certo ponto –
mas será que realmente são estranhas? Você, caro
leitor, já pensou em receber velas de presente de aniversário?
Ou de comemoração de alguma data muito importante –
como aniversário, namoro, casamento? (Se já recebeu, relata-me
através de um e-mail qual foi a sensação –
por favor.)
Outro dia estando em sala de aula ouvi algo que
me chamou a atenção. Determinada aluna, muito comunicativa
– por sinal, relatava a amiga que seu irmão era muito estranho
– atentei ainda mais os ouvidos, pois coisas estranhas podem gerar
caminhos para a produção de um texto. Estranho, o irmão
era, até na hora de dar presentes: tinha dado a namorada uma
cesta cheia de velas aromatizadas, de vários tamanhos e coloridas.
Não aguentei, entrei na conversa e, após alguns risos,
fiz até comentários – e por fim prometi pensar carinhosamente
sobre o assunto e escrever um texto, se possível.
Em casa coloquei-me a pensar sobre o assunto:
velas versus presentes. Mas, por que dar velas de presente? Será
que – em data especial: aniversário, comemoração
de namoro, de casamento – flores não seria melhor? Ou bombons?
Ou até mesmo roupas, sapatos, acessórios?
Velas são coisas que, segundo costumes
religiosos, servem para outros fins: iluminar caminhos. São usadas
em templos religiosos, procissões de ruas, e até mesmo
em funerais. Agora, presentear alguém com velas... Pensei um
pouco mais profundo: quando se envia flores, a pessoa que as recebe
fica imensamente feliz (podendo até chorar de emoção)
– depois de algum tempo se familiarizando com o presente, as colocará
em um recipiente com água para que as mesmas não murchem,
mas que continuem por um tempo maior exalando seu perfume e embelezando
o ambiente – e, por fim, guardará a embalagem, ou até
mesmo algumas pétalas secas em alguma agenda, ou livro –
lembranças de fulano. Quando os bombons chegam – se não
for muito vaidosa dirá que, por ser uma data especial, não
brigará com a balança – nem com as espinhas (não
posso afirmar se é verdade ou mito, mas dizem). Roupas, sapatos
e acessórios são um pouco problemáticos, até
certo ponto compreendo, pois algumas peças – por mais que
você queira que venha cair perfeitamente no corpo da pessoa a
ser presenteada, nem sempre dão certas. Agora velas...
Agora, pelo lado humano, fiquei a pensar: como
se sentiu a pessoa que recebeu a cesta de velas aromatizadas, de vários
tamanhos e coloridas? Será que se sentiu feliz? Será que
pensou nas particularidades de ter sido presenteada com uma cesta de
velas?
Você, caro leitor, em poucos minutos de
reflexão: coloque-se no lugar de quem as recebeu. Imaginou? Particularmente:
não me sentiria bem. A pessoa que recebeu tal presente se ficou
contente, nem sei o que dizer – mas...
Antes que você me questione se a presenteada
ficou, ou não, contente com o mimo recebido, adianto-lhe: de
certa forma até que não achou ruim (o que não significa
que também ficou contente) – afirmativa da minha informante.
Mas creio que lá no fundo, mas bem lá no fundo mesmo –
pois por mais estranha que seja, toda mulher, pelo menos penso assim,
gosta de ganhar flores, bombons, roupas, sapatos, acessórios...
–, deve ter pensado: talvez a minha chatice ao reclamar dos presentes
o tenha levado a tal atitude.
Afinal, situações inusitadas levam
o escritor a produzir textos inusitados – assim também
ocorreu com o cidadão que presenteou a namorada como velas –
mas, pensando bem: não podia ser palitos de incenso? (Pub.
em 26/03/2011)
Março de 2011
MAIS PONTOS POSITIVOS
AOS ARAÇATUBENSES
Recebo diariamente e-mails sobre
o que, pelo menos em parte, está acontecendo em Araçatuba
em termos de cultura. Não digo somente em uma área da
cultura – a escrita, por exemplo, mas também nas apresentações
em palco. Tudo isso é louvável, mas com algumas ressalvas.
Muitos dizem que a nossa cidade – Araçatuba
– está sofrendo muito na atual administração
– problemas todas as administrações têm –
mas o que mais vale ressaltar, pelo menos penso assim, é o lado
positivo: aos poucos (e lentamente) a Secretaria de Cultura, através
do secretário da pasta professor Hélio Consolaro, vem
buscando alternativas para envolver a população. (Repito:
a passos lentos! – talvez nem seja por culpa do ocupante da pasta,
mas por muitos outros motivos que não é momento para discussão
agora.)
Às vezes ponho-me a pensar: por que será
que quando o assunto é cultura muitos mudam suas opiniões?
Se não muitos, pelo menos grande parte – a começar
por alguns políticos que nós, eleitores, colocamos lá
– e que deveriam ser os primeiros a se preocuparem com o assunto.
Esta semana a Secretaria Municipal de Cultura
divulgou a grade de shows do ‘Sabadão Musical’, num
total de dezesseis shows, que abrangem vários gêneros musicais,
como o reggae, blues, instrumental, samba, gospel e country. Os shows
acontecerão quinzenalmente, iniciando-se hoje e estendendo-se
até novembro. A abertura caberá ao ‘Rasta Reggae’
e encerrando com a apresentação do ‘Bando Arteiros’
– MPB e autoral, de Araçatuba. As apresentações
acontecem no Teatro Municipal ‘Paulo Alcides Jorge’ (ao
lado da Biblioteca Pública Municipal ‘Rubens do Amaral’),
a partir das 20h30 – entrada gratuita.
Consta ainda da grade neste mês de março
– dia 26: Swing Snake Blues (Blues). Em abril apresentam Grupo
Fermata (Gospel Clássico) e Tuca & Banda (Pop Rock), respectivamente
nos dias 09 e 23. Em maio Fast Fusion (Fusion Instrumental) e Grupo
Raízes do Samba (Samba), nos dias 07 e 28. Nos dias 11 e 25 de
junho Trio Correndo Atrás (MPB) e Paulo Belúcio &
Elvis Dean (MPB). Em agosto, dias 13 e 27, Talita Rustichelli &
Ariane Bego (MPB) e Rádio 84 (Sucessos Internacionais). Em setembro
Musical Talismã (MPB, Samba, Foxtrot, Vanerão) e Marcelo
Amorim & Convidados (Instrumental), nos dias 10 e 24. Outubro teremos
César Menezes & Convidados (MPB e Autoral) e Reizinho Country
Show Tirolez (Country estilo Bob Nelson) – nos dias 08 e 29. Fechando
a programação, em novembro apresentam Lionel & Convidados
(MPB) e Bando Arteiros (MPB e Autoral), nos dias 12 e 26.
Mas não fica por aí. Neste domingo,
dia 20, a partir das 20h30, acontece o show ‘Samba em Boca de
Mulher’ promovido pelo SESC Birigui, que faz parte da programação
‘Marias e Clarices’, em homenagem ao Dia Internacional da
Mulher – voz e piano, apresentados pela cantora Talita Rustichelli
e pela pianista Ariane Bego, com dezesseis canções maravilhosas
que ficaram gravadas nos corações dos brasileiros na década
de 40 – e foram eternizadas por musas brasileiras. A apresentação
acontecerá no Teatro Municipal ‘Paulo Alcides Jorge’,
com entrada gratuita.
Fechando este espaço, e elevando os pontos
positivos dos feitos da cultura de nossa cidade, espera-se que o cidadão
araçatubense compareça e prestigie as atividades culturais,
aplaudindo – de pé – louvável ação,
pois somente a presença deste poderá mostrar que há
interesse pelo que é cultura – e cobrança posterior
ainda maior. (Pub. em 19/03/2011)
Março de 2011
DE VOLTA AO PASSADO
Outro dia – e não
muito tempo atrás – ouvimos dizer que o vinil e a fita
cassete estavam ultrapassados – o CD e, posteriormente o DVD,
tomaram lugar da metade pra frente da década de 90. Mas há
pouco tempo ouvimos: a volta do vinil (e algumas gravadoras se propuseram
a gravar novamente). Esta semana a Folha de S. Paulo publicou matéria
interessante: a resistência (e possível volta) das fitas
cassete.
Antes de quaisquer comentários: será
que alguma gravadora vai se interessar por esta fatia do mercado? Ou,
melhor, será que existe a possibilidade para a volta? Segundo
ainda o texto, a fita cassete foi inventada em 1963, pela Philips, na
Holanda. Chegando ao auge em 1986 e em 1991 os CDs ultrapassam a venda
destas, entrando as fitas cassete em declínio.
Andei mexendo em caixas velhas (sabe aquele cômodo
nos fundos das casas que servem para depósito de quinquilharias?
– pois bem: nele mesmo que mexi) e encontrei algumas fitas meio
empoeiradas, mas em perfeito estado de funcionamento. E aí bateu
aquela saudade: coloquei algumas para ouvir.
Viajei no tempo. Lembrei dos meus tempos de jovem
– fui um pouco mais longe: do meu primeiro aparelho de som –
três em um: totalmente preto e em cima o lugar de pôr o
vinil (e mexer a agulha com a mão sobre o vinil), depois os botões
para sintonizar canais de AM/FM e, por último, o lugar da fita
cassete: na frente, centralizado no meio do aparelho. Tudo isso ligados
a duas enormes caixas de som (ainda em pleno funcionamento). Posteriormente
comprei um pequeno (de mão), mas já com toca CD.
E falando ainda de fitas cassete – que tal
lembrar, também, do ouvir som no carro? Lembro-me também
do meu primeiro carro – um fusca amarelo, modificado, faróis
enormes atrás, vidros pretos, bancos altos. E mais: sabe aquele
tempo de sossego em que se encostava o carro em ruas meio desertas,
no escurinho de uma árvore, e podia ouvir ‘de boa’,
ao lado de alguém que também estava a fim de curtir, um
bom som? Pois é: que delícia! E acrescentando ainda a
estas linhas de minhas memórias: quando chovia os canais AM/FM
chiavam muito! Mas são tempos que não voltam mais!
Ainda falando de fitas cassete, muitas das fitas
que eu tinha – e que foram se perdendo no tempo com as várias
mudanças que fiz – eram gravadas por mim, ou por amigos
– e um passava para o outro e as mais belas canções
(hoje ‘flash back’) eram propagadas continuamente. Há
poucos dias estive num jantar beneficente e ganhei um CD com músicas
desta época: um show memorável dos grandes talentos.
A tecnologia avançou: LP, fita cassete,
CD (este com vários formatos que, às vezes, cabem muitas
horas de boas músicas), DVD. Tudo isso graças ao esforço
do homem em buscar cada vez mais soluções rápidas
e, muitas das vezes, em peças cada vez menores e com potencial
cada vez maior de armazenamento – como é o caso dos ‘pen
drive’.
Apesar de todo esse aparato tecnológico,
o ser humano está sempre a voltar no tempo: às vezes simplesmente
pelo fato de ‘tocar’ o que antes tínhamos –
mas que na época queríamos sempre mais! (Pub.
em 12/03/2011)
Março de 2011
EPOPEIA CARNAVALESCA
A festa do povo, iniciada há
tempos, acaba na quarta-feira: com o grito de ‘É campeã!
É campeã! É campeã!’ – mas para
logo à frente (re) iniciar: um trabalho de análise de
resultados, de pesquisas e de estratégias que ficarão
para sempre marcados nos corações dos membros da comunidade.
Vencer, ou não, é uma questão
de apostas – e apostas que nem sempre apresentam os resultados
aguardados. Segundo meu amigo Faustino Vicente, o pioneirismo das escolas
de samba pertence a ‘Deixa Falar’, fundada pelos sambistas
Ismael Silva, Bide, Brancura e outros no ano de 1928. E ele ainda acrescenta
que desde aquela época os temas são os mais variados:
da pobreza à riqueza, da tradição à inovação,
da flora à fauna, da história à geografia, da antiguidade
à atualidade – gerando o maior espetáculo de artes
ao ar livre. Independente da raça, da cor, do credo religioso,
da classe social, da profissão: momento de sonho de igualdade
acontece – e de forma universal! E mais: adrenalina a mil!
Pense em tudo isso; analise a harmonia na passarela;
fantásticas apresentações! É, sem sombra
de dúvida, um espetáculo de deixar os ‘deuses’
de queixo caído. Os grandes nomes de literatura, se hoje vivessem,
como descreveriam? Construiriam – escrevo com convicção
– maravilhosas epopéias! Seriam verdadeiras viagens por
caminhos nunca dantes navegados. Passando por belos textos, primitivos
por excelência, como seria descrito o belíssimo espetáculo
que conhecemos hoje em tempos áureos da Mesopotâmia –
e em tábuas de argila e em sinais cuneiformes – como a
epopéia de Gilgamesh? Homero, autor de ‘Ilíada’
e ‘Odisséia’, como descreveria? E Dante, de ‘A
Divina Comédia’? E Luís Vaz de Camões, autor
de ‘Os Lusíadas’? E Santa Rita Durão, de ‘Caramuru’?
E Basílio da Gama, de ‘Uraguai’? E Cláudio
Manuel da Costa, de ‘Vila Rica’?
Com o auxílio de Camões, poeta português,
eu descreveria (que bom poder usar a imaginação! –
mas que não chego nem aos pés de tão consagrado
nome): “Os bumbos e os tambores assinalam / que, das boas avenidas
brasileiras, / passos nunca antes apresentados / passaram ainda além
da passarela / em esforços e treinos aplicados / mais do que
prometia a força humana / entre os pares da comunidade / buscam
novos títulos almejados. (...) Cantando espalham por toda cidade
/ se a tanto os ajudar o engenho e arte”.
Ainda, para simples fato de ilustração,
e não tão distante no tempo, vale citar o samba enredo
da GRES Unidos da Tijuca, de 1998: ‘De Gama a Vasco, a epopéia
da Tijuca’. Lembram? Se não lembram, recordem agora: ‘Vamos
vibrar meu povão (é gol, é gol) / A rede vai balançar,
vai balançar / Sou Vasco da Gama, meu bem / Campeão de
terra e mar (...) É nessa onda que eu vou / O povo vai recordar
/ Vem com a Unidos da Tijuca festejar’.
Mas como tudo tem um preço – e às
vezes nem sempre justo, o carnaval também tem seu preço
e deixa suas marcas. Para uns – muito a festejar; para outros
– muito a suplicar por clemência (clemência ao senhor
Tempo – que este volte atrás nos seus destinos). Encerrando
este texto – e valendo-me de uma frase que muitos pronunciam,
mas literariamente dizendo-a: em breve uma nova epopéia será
iniciada no Brasil – pois por aqui tudo começa após
o carnaval. (Pub. em 05/03/2011)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Fevereiro de 2011
PENSAMENTOS CRUZADOS
I
Com muitos assuntos fervendo
em meus pensamentos chego à conclusão que escrever não
é tão simples assim – aliás, meio que penoso
– por assim dizer, pois o ato da escrita é uma luta constante
com as palavras.
Pensando em muitas coisas para a produção
deste texto – com ideias em ebulição – às
vezes desconexas, resolvi escrever sobre os cruzamentos, encontros e
desencontros. E, tendo em vista tal assunto – muito abrangente
por sinal – por onde começar?
Eu, na dúvida, começo com a musicalidade
– interpretação maravilhosa de Caetano Veloso: ‘Alguma
coisa acontece no meu coração que só quando cruzo
a Ipiranga e a Avenida São João’; em minha cidade:
o que dizer dos muitos cruzamentos perigosos, seguidos de ‘acidentes
geográficos’ provocados pela má conservação
do asfalto? Talvez no cruzamento das linhas telefônicas e se ouve
muitas conversas fiadas, de negócios, de amores e desamores –
mas sem saber quem fala e para quem fala; talvez no cruzamento das ideias
dos professores com seus alunos – e que cruzamento! – tendo
em vista a diferença de gerações; dos prosadores,
dos poetas, dos românticos, dos boêmios – que sorte
tiveram em desencadear pensamentos maravilhosos, e até mesmo
filosóficos, como 'Não há ninguém, mesmo
sem cultura, que não se torne poeta quando o amor toma conta
dele’, de Platão; os versos inesquecíveis de Vinícius
de Morais com Tom Jobim em ‘Garota de Ipanema’; ou: ‘Algum
tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio
ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento
ou a minha morte.’, de Machado de Assis em Memórias Póstumas
de Brás Cubas; dos políticos: ‘Certos políticos
brasileiros confundem a vida pública com a privada.’, de
Aparício Torelli, o Barão de Itararé – e
falando-se de política: ‘Encontrou-se, em boa política,
o segredo de fazer morrer de fome aqueles que, cultivando a terra, fazem
viver os outros.’, de Voltaire. Quantos cruzamentos a citar?
Ou, talvez, no encontro da moça-donzela
com o garotão-senhor-de-si – onde pode ser notada a essência
da palavra do Criador: ‘Crescei e multiplicai-vos, enchei a Terra
e sujeitai-a, dominai sobre os peixes do mar, sobre os pássaros
do céu e sobre todos os animais que se movem na terra.’
– mas alguns fogem desta ideia, querem-na sem essência.
E, de cruzamentos em cruzamentos, tudo fica cruzado.
Até as minhas palavras ficaram cruzadas. Os meus pensamentos
ficaram totalmente cruzados. A vida é uma cruzada cheia de cruzamentos.
Há tantos cruzamentos que nem a filosofia da vida pode explicar.
Ou, o melhor é não explicar; o melhor é o inexplicável.
E o inexplicável, possivelmente, move a Terra.
Continuar com pensamentos cruzados ainda é
a solução para melhor se viver, pois enquanto um fio dela
estiver embaraçado há mãos tentando desembaraçá-lo,
mas quando o fio estiver sem nó não haverá mais
mãos nele; logo: pensamentos cruzados, mentes pensando, agindo,
procurando solução e, às vezes, sem solução.
(Pub. em 26/02/2011)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Fevereiro de 2011
DIAS MELHORES
VIRÃO
Sempre estamos a escrever sobre
a vida, sobre suas perspectivas – inclusive sonhamos com dias
melhores. Mas, ao mesmo tempo, nunca esquecemos o que a mesma nos proporcionou
no passado (seja este um passado próximo ou até distante,
como a nossa infância e juventude).
A vida proporciona a cada um de nós, conforme
dizem, o que merecemos – ou que plantamos, e a partir daí,
passamos provavelmente a colher – como dizia meu velho avô.
Se plantarmos coisas boas, colheremos coisas boas, caso contrário...
Às vezes são coisas novas – ou renovadas, e mesmo
as envelhecidas vistas por prismas diferentes são boas, pois
trazem marcas de experiência.
Dias melhores virão – com toda certeza,
mas os que passaram ficaram marcados, e nem mesmo o tempo apagará.
Outro dia me peguei pensando na vida e, quando isso acontece, qualquer
ser humano se vê meio que atrapalhado, e rapidamente começa
a fazer uma análise – e foi o que fiz. À noite,
sentado na área de serviço de casa – que é
bem modesta, mas ampla, clara – ao lado de um pé misto
de goiaba com araçá (misto porque de um galho colho goiaba,
do outro araçá) – passei a refletir. E nesses pensamentos
me dei conta, ao final, de que tinha feito uma retrospectiva de minha
vida: voltei ao passado – e, nesse passado não tão
distante, recordei de coisas que pouco tempo tive para pensar. Às
vezes não pensamos e, quando nos damos conta, o tempo já
passou. E como passa rapidamente!
Começando pela infância lembrei-me
do garotinho retraído que fui (fato que se estendeu até
mais ou menos meus quinze anos). Isso serve pra mim de reflexão:
em sala de aula é possível notar que muitos alunos se
fecham – apesar de todo aparato tecnológico que se tem.
Mas por quê? Eu tinha um forte motivo: estrabismo – que
só foi sanado aos quinze anos – mas que não me fez
parar, pelo contrário: corri atrás do que queria –
tive incentivo dos meus familiares; e os jovens de hoje (muitos são
belos, formosos, perfeitos)? Seguindo o caminho de quase todos os seres
humanos: arrumei uma namorada, depois namoradas; formação
profissional; casei-me, filhos, descasei-me; casei-me novamente.
Vale fazer um novo parágrafo para citar
que a vida passa rapidamente e, os jovens, nem sempre pensam no assunto
(ou quase nunca) – por quê? Ou, para pensar melhor: será
que estão preocupados com dias melhores? Será que pararam
para pensar sobre o assunto? Ou, será que alguém os orientou
(pai, mãe – ou o responsável)? A sociedade em que
está inserido o orientou? Ou será que sabem que se plantando
coisas boas hoje, num futuro não tão distante, colherão
coisas boas?
Os dias seguem em seu curso e, provavelmente,
dias melhores virão. Assim como eu que estou aqui na frente desta
tela fria digitando os meus pensamentos (assim como qualquer um pode
fazer o seu) – e ao som de boas músicas (outra paixão
que trago aqui dentro do peito, independente do ritmo) – e você,
caro leitor, agora com o texto em mãos pensando: será
que dias melhores virão?
Independente de qualquer coisa, a vida continua
o seu curso. E sempre sonhamos que dias melhores virão. Quem
sabe virão mesmo, não é? (Pub. em 12/02/2011)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Fevereiro de 2011
GOTÍCULAS
TRANSFORMADORAS
Passeando, por assim dizer, pelas
páginas do mundo virtual pode se descobrir muitas coisas boas
e destas o escritor colhe ideias, soma-se ao seu mundo interior –
a bagagem que acumulou durante a sua existência através
dos seus estudos e leituras, somando ainda ao mundo exterior (tudo que
o cerca), faz-se uma bela salada mista e a produção textual
acontece.
Sempre que me disponho a sair nestes passeios
virtuais leio textos maravilhosos (como ainda é bom saber que
há pessoas que escrevem textos desafiadores, de excelentes conteúdos,
que trazem mensagens maravilhosas – e sem sair de casa, consigo
ir longe!). Esta semana visitei páginas virtuais de velhos amigos
e num deles li sobre as pequenas gotículas de água, o
orvalho, que se prendem às pontas das folhagens. Verdadeiros
equilibristas, por assim dizer.
Meditando muito no assunto, resolvi escrever sobre
o que penso: realmente é maravilhoso; sábia a natureza.
Tudo o que o Ser Maior – Deus – fez é maravilhoso!
Não há o que se questionar – é inquestionável,
sempre, aos olhos dos homens! E, se questionável, não
há respostas que venham satisfazer a nossa imaginação.
Respostas... E pensando no inquestionável...
São tantas as coisas que são inquestionáveis
– ou melhor, sem possíveis explicações. Pensando
nas gotículas de água que se equilibram nas pontas das
folhas, das flores e dos frutos: que maravilhoso, não? Mínimos
detalhes – como dizia o texto – mas que somente um bom observador
consegue captar o fato e sabe, com toda certeza, dar o devido valor!
Quando estes pousam serenamente sobre a Terra trazem a fertilidade a
terra. Além disso, outra ciência há: de tanto bater
(pingar) molda coisas maiores – como as pedras.
E pensando ainda nas pequeninas gotículas
de orvalho, somados à chuva que cai sobre a Terra, ajudam a formar
as lagoas, a formar os rios. Formam os mares e os oceanos! Que vastidão
de água! E, a contemplar certo dia toda a imensidão de
água, tive ainda maior certeza de que nada somos perto desta
imensidão! Eu fui ver o mar quando completei trinta e cinco anos
– fiz como qualquer criança – será que o mar
realmente é salgado? Levei água à boca! E balbuciei:
‘Realmente, Pedro – tu és pedra, a água do
mar é salgada!’ – agora posso falar com convicção!
Estou entre os apóstolos São Pedro (és pedra) e
São Tomé (incrédulo).
Transformando tudo isso em virtudes: o ser humano
precisa saber que, apesar de ser tão pouco frente ao Universo
tão vasto, mas é ainda uma gotinha que somadas a outras
gotinhas, e a outras gotinhas que formará tudo-de-bom-ponto-com
neste Planeta Terra! – assim como escreveu o poeta João
Cabral de Melo Neto em seu maravilhoso poema Tecendo a Manhã:
“Um galo sozinho não tece a manhã: ele precisará
sempre de outros galos” – assim somos nós: sempre
precisamos do outro. O homem – por si – é um ser
bom, o que o deixa ruim são os vícios que vai adquirindo
com o seu desenvolvimento – e para notar bem isso é só
observar uma criança: seja rica ou pobre (sem o poder da malícia),
são crianças – são iguais! E elas não
precisam do ensinamento de que são todas iguais perante a lei
– e perante Deus, o Criador, também.
Não querendo escrever muito – não
prolongando o assunto – sejamos gotículas transformadora;
gotículas do ‘bem’, mesmo que crescidos... Mas sempre
do bem! (Pub. em 05/02/2011)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Janeiro de 2011
FELICIDADE ESTÁ
EM NÓS
Felicidade – o que é?
É sempre uma pergunta que muitos fazem a si e aos outros, mas
nem todos conseguem obter respostas – e com isso ficam desapontados.
Aliás, ficamos desapontados – inclusive quando lemos livros
que tratam do assunto, mas não apontam saídas concretas.
Outro dia recebi um e-mail dizendo muitas coisas
sobre a felicidade. Li e percebi que, pelo menos em parte estava correto
no que dizia (devemos ler tudo que nos é mandado e dele tirar
proveito) – inclusive percebi que a partir dos dados citados poderia
usá-los em benefício da criação de outro
texto, ou de outros textos. E cá estou eu a pensar e a rabiscar
algumas linhas.
Este e-mail trazia um aviso (nada mais que uma
reflexão): ‘você tem apenas doze horas de vida’
– avisava o anjo portador da mensagem. Imaginou? Imaginei! Você,
assim como eu, sentiria falta de quê? Sentiria falta de muitas
coisas – e em especial do calor da nossa família.
Elaboraríamos uma lista enorme das coisas
que sentiríamos falta. (Elabore uma.) Resolvi pensar em algumas:
sentiria falta do dia ensolarado, do dia nublado e chuvoso (apreciar
a chuva caindo, o cheiro da chuva caindo sobre o solo – se possível
dançar na chuva), do frio (e do calor das cobertas), do calor;
das pessoas que amo, dos parentes próximos – e dos distantes
(quando ainda se tem boa memória), dos colegas de trabalho, dos
amigos de jogos, dos poucos amigos verdadeiros que se conquista durante
a vida; da vida simplesmente que levo. Do ato de viver e conviver com
as alegrias e as tristezas, das perdas e dos ganhos; de momentos de
pura magia, de grande intensidade!
Viver ainda seria ler bons livros (escrever bons
textos – se possível visto assim pela crítica –
e não apenas ser reconhecido após a morte), assistir bons
filmes. Abraçar o cachorro, apreciar o pequeno felino em suas
travessuras, ouvir o cantar dos pássaros; ver os filhos sorrirem.
Fazer amor intensamente, eternamente. Pelo lado material ter dignidade,
tranquilidade – pois para viver não se precisa de muito...
(Pura verdade!) Dinheiro ajuda? Sim, mas não traz felicidade
– ainda cito que se tivesse dinheiro viajaria para lugares maravilhosos
que só conheço através das muitas leituras que
faço, dos filmes que assisto – ainda bem que o ser humano
tem imaginação fértil e pode viajar nas leituras,
nos filmes: com muito pouco se tem muito: felicidade – e isso
não depende do outro, mas sim de nós. Exclusivamente de
nós! Completo, ainda, que as pessoas acrescentam; religião
também, independente da denominação que se segue.
E não se deve esperar pelos outros.
Na verdade, a reflexão que cada um pode
ter a partir da mensagem do anjo, poderá nortear melhor a vida
– e ninguém melhor que nós mesmos para fazer. Não
existe felicidade plena, como já escrevi outro dia neste espaço,
mas depende muito de nós – nas mínimas coisas poderemos
encontrar a felicidade. Portanto, procuremos a felicidade a partir de
nós (e não a partir do nosso próximo, pois, às
vezes, o que nos parece o nosso próximo é o mais distante).
(Pub. em 29/01/2011)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Janeiro de 2011
UMA REFLEXÃO
SOBRE O
CAMINHO DO AMOR
Por mais que procure ser fiel,
talvez não possa retratar o caminho perfeito do amor, mas uma
reflexão é possível. Entre os vários caminhos
que podem levar a reflexão desta ideia, fixarei nestas poucas
linhas apenas dois: as diferentes formas de pensar e a busca da perfeição.
Nós, seres humanos, somos ímpares. A perfeição
é a palavra que o homem procura e está fora do seu alcance
– pelo menos em parte.
Nas ruas comecei a perguntar aos transeuntes sobre
o assunto com a seguinte pergunta em questão: Qual seria o caminho
correto do amor? Porque o caminho do amor inquieta a muitos, inclusive
o meu pobre ser. Obtive respostas das mais variadas e significativas.
Selecionei algumas que passo a discorrer: o caminho certo do amor seria
aquele que pintasse no momento, disse-me um adolescente; outro, já
demonstrando uma sabedoria um pouco mais avançada (pelo menos
do meu ponto de vista), disse que o caminho perfeito do amor seria aquele
que começasse no olhar e terminasse no túmulo - ou além
túmulo – para aqueles que acreditam na vida após
a morte; outro, já de uma idade mais avançada, acrescentou
que por mais que nos esforçássemos para traçar
o caminho do amor, não conseguiríamos, pois o próprio
amor traça o seu destino.
Logo cheguei a uma resposta: o amor é tão
cruel, pois ao mesmo tempo nos atravessa com sua flecha, também
nos deixa. Vejamos o porquê desta brutal afirmativa. Quando o
amor nos fisga, o nosso coração não ouve ninguém,
por mais absurdo que seja esse amor, para nós está tudo
perfeito – ou mais que perfeito. Não importa com o tamanho,
não importa com a origem, nem com o gênio, nem com a idade
– não importa com nada! Quando nós partimos neste
tumultuado caminho da busca do amor não há empecilho que
nos faça parar. Lutamos. Brigamos. Esquecemos pais, amigos, parentes.
Ora fazemos correto: ouvimos a voz do coração; ora o incorreto:
não ouvimos conselho de ninguém. (É de se pensar
até que ponto tudo isso vale a pena.)
Com a flecha atravessada percorremos inúmeros
caminhos, transpomos obstáculos que antes eram quase que intransponíveis,
encontramos a felicidade momentânea (não há felicidade
constante, contínua, existem momentos felizes) que enaltece o
coração.
Outras vezes partimos tão loucamente em
busca deste cruel amor que se pode fazer comparação a
um castelo medieval: trancado a sete chaves, por assim dizer. Quando
batemos à porta, depois de muito tempo de espera, empurramos
a porta – pois ninguém a abriu e não aguentávamos
mais esperar – e lá dentro nos encontramos. Momentaneamente
deslumbramos com tudo. Lutamos. Brigamos. Esforçamos. Afinal
- alcançamos. Mas a insistência foi dura. E a surpresa
ainda é maior. Agora já dentro, sentimo-nos sós
e cheios de dor – dor esta provocada por nós mesmos. Reina,
lá dentro, apenas o silêncio e a escuridão - e nada
mais. Estes fatos mostram-nos quanto o amor é cruel – e
nós, pensando em nossa perfeição, nada somos também.
E pode piorar se pensarmos: é correto chamar
tudo isso de amor ou de paixão? Segundo as enciclopédias,
amor é um sentimento que induz a aproximar, a proteger ou conservar
a pessoa pela qual se sente afeição ou atração.
Já a paixão significa sofrer ou suportar uma situação
difícil; é uma emoção de ampliação
quase patológica; perde sua individualidade em função
do fascínio que o outro exerce sobre ele.
Parei: refleti muito sobre o assunto. Questionei-me
mais ainda. Voltei a pensar, mas a conclusão que cheguei (e creio
que muitos também já chegaram – outros ainda vão
chegar, pois nada melhor que o tempo para ensinar) foi: o caminho do
amor chama-se mistério. (Pub. em 22/01/2011)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Janeiro de 2011
ADOLESCENTE SEMPRE
Adolescente sempre – talvez
seja a questão. Muitos cidadãos buscam em jornais, revistas,
livros, blogs ou sites a melhor maneira de manter-se adolescente. Nem
sempre conseguem, pois não há receitas (há indicações);
mas também por outro lado, ser adolescente não é
tão complicado assim: basta querer.
As diversas formas buscadas por nós revelam
que nem sempre estas trazem eficácia no rejuvenescimento (não
sou nenhum especialista no assunto, mas com as leituras que faço
tenho uma noção). O ser humano gostaria – pelo menos
grande parte – de permanecer eternamente jovem – o que é
impossível! Logo, sabendo que não é possível,
busca nas mais diferenciadas formas de pensar e agir uma saída
para o prolongamento da juventude humana.
A matéria humana (que do pó veio
e para o pó voltará), com ajuda de substâncias transformadoras
que interagem junto ao organismo pode mostrar uma melhor conservação
frente a outras – lembrando que alguns consumos exagerados podem
causar riscos à saúde: como o fumo, a bebida e os alimentos
com alto teor de colesterol.
Para se conservar o corpo humano todas as indicações
são válidas e a mais importante é a higienização
da mente. A leveza da alma. Neste campo há muitas dicas –
inclusive livros de autoajuda (e, às vezes, nas listas dos mais
vendidos).
Falando em dicas, separei algumas – que
tento constantemente pôr em prática em minha vida –
e as transcrevo aqui: um casal não deve zangar-se, tornando-se
hostis – nestes casos há alteração na pressão
arterial que pode levar a problemas cardíacos, soma-se a isso
que para voltar ao que pode ser considerado normal leva-se mais de 24
horas – neste período o sistema imunológico fica
afetado; fazer amor beneficia o corpo – a atividade sexual pode
reciclar o sistema imunológico; manter em dia as vacinas é
outro ponto que favorece o corpo humano, tornando-o apto a enfrentar
certas doenças; ser mais sociável – a sociabilidade
reduz problemas; o fator sono – às vezes esquecemos que
o corpo humano precisa entre sete a nove horas para descanso; prestar
muita atenção nos sinais (avisos) que o nosso corpo nos
envia – como pequenas dores e vagos sentimentos, que chamamos
de intuição; temos que fazer o que gostamos – caso
contrário, causa-nos stress; uma boa comida (comida saudável)
– como a abundância de cereais, frutas, vegetais, menor
quantidade possível de carne vermelha.
Pelo lado da mente humana ter a leveza nos atos
deixa-nos em perfeita harmonia com o mundo globalizado em que vivemos,
com a natureza, com o nosso próximo e, acima de tudo, com o nosso
Criador. A religiosidade pode ajudar: pois todas pregam o não
à violência, o não ao vício; a paz entre
os homens – logo, a vida torna-se mais saudável. Somado
a tudo escrito até aqui, é importante também ter
um espírito cheio de esperança – tendo esperança
vive-se mais, e melhor.
Voltando à ideia contida no final do primeiro
parágrafo: basta querer – sinceramente, o querer faz com
que o ser humano mova-se atrás do que lhe é interessante,
do que lhe é grato – mesmo que, às vezes, não
seja tão fácil de conseguir, mas que pode – com
o tempo – alcançar. Por isso, permanecer jovem, basta querer!
(Pub. em 15/01/2011)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Janeiro de 2011
ACREDITAR OU
NÃO:
SORTE, SUCESSO
E TRABALHO
Todos sabem que a sorte existe
e alguns acreditam, outros nem tanto, outros menos ainda: apenas dizem
que teria que acontecer aquilo (ou, o que aconteceu é fruto do
trabalho, da persistência). Alguns acreditam em forças
diferentes; outros em números (numerologia) – e, falando
em números, e para quem acredita em números, o ano de
2011 será regido, segundo alguns astrólogos, pelo número
4 (que é a soma de dos quatro dígitos).
Acreditar ou não – é uma questão
pessoal, o importante é trabalhar. E o trabalho sempre dignifica
o homem – apesar de ser uma frase pronta. Outro dia estava a ler
algumas dicas astrológicas (apesar de não acreditar, mas
leio – acredito, sim, na força de trabalho e expressão
total do ser humano) e notei que sempre estas tentam elevar o espírito
do ser humano (ainda bem!). Dizer que o ano que há pouco iniciou
vai ser produtivo e de grandes realizações – é
fácil, mas o problema é como fazer acontecer: aí
complica, não é mesmo? E não depende da sorte!
Depende, pelo menos pela minha visão de mundo, do esforço
de cada um.
Pelo meu pensar: sorte é o fruto do trabalho;
mas vale ressaltar que trabalho intenso causa problemas – trabalhar
causa problemas? Recebi um material que trazia doze dicas de como ter
um infarto feliz (por excesso de trabalho e por falta de cuidados pessoais),
que são: cuide de seu trabalho antes de tudo, as necessidades
pessoais e familiares são secundárias; trabalhe aos sábados
o dia inteiro e, se puder também aos domingos; se não
puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho
para casa e trabalhe até tarde; ao invés de dizer não,
diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem; procure fazer parte de todas
as comissões, comitês, diretorias, conselhos e aceite todos
os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões,
simpósios etc.; não se dê ao luxo de um café
da manhã ou uma refeição tranqüila. Pelo contrário,
não perca tempo e aproveite o horário das refeições
para fechar negócios ou fazer reuniões importantes; não
perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola
ou tênis, afinal, tempo é dinheiro; nunca tire férias,
você não precisa disso, lembre-se que você é
de ferro - e ferro enferruja; centralize todo o trabalho em você,
controle e examine tudo para ver se nada está errado –
delegar é pura bobagem, é tudo com você mesmo; se
sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego e pintar aquela
dor de estômago, tome logo estimulantes, energéticos e
antiácidos – eles vão te deixar tinindo; se tiver
dificuldades em dormir, não perca tempo: tome calmantes e sedativos
de todos os tipos – agem rápido e são baratos; e,
por último, o mais importante: não se permita ter momentos
de oração, meditação, audição
de uma boa música e reflexão sobre sua vida. Isto é
para crédulos e tolos sensíveis.
É interessante ler as dicas acima e, a
partir delas, fazer uma longa reflexão sobre o nosso cotidiano.
E esta vida corrida que levamos dentro desta sociedade capitalista conduz-nos
a esta falta de cuidado – falta que pode, em muitos casos, causar
o infarto. E, depois do acontecido, não adianta reclamar.
E onde está a palavra sucesso? Ela está
em tudo e em todos os lugares – depende do nosso eu; depende do
nosso desenvolvimento, da nossa dedicação ao que fazemos
(mas nada de forma excessiva). E, acreditando – ou não
– somente o trabalho trará o sucesso que almejamos, seja
ele material ou espiritual. Se, por acaso, acreditamos na sorte, será
– sem dúvida – uma forcinha a mais sempre. (Pub.
em 08/01/2011)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Janeiro de 2011
ANO NOVO COM
BONS VENTOS
Início de mais um ano
– por graça do Mestre dos mestres – e rogamos a Ele
que mande bons ventos para nos conduzir neste peregrinar de 2011 fazendo-o
melhor que o que ontem se findou. Rogamos a Ele que derrame bênçãos
em nossa casa trazendo bonança, saúde, paz – e que
em lar algum falte o pão de cada dia.
As bênçãos derramadas em nossa
casa podem – e significam – muito! Não é preciso
ser ganancioso, basta-se o necessário para a sobrevivência,
aliado à felicidade, a paz e tudo venceremos – claro que,
se possível (e devemos correr atrás), ter uma vida estável,
é mais satisfatório ainda. Neste ano que é iniciado
esperamos grandes vitórias – lutas todos teremos, pois
as mesmas fazem parte do cotidiano de cada cidadão (impossível
dizer que sem ela somos vencedores).
Citando dois pensamentos, de ilustres personalidades,
é possível fazer uma reflexão: “Jamais haverá
ano novo, se continuar a copiar os erros dos anos velhos” (Luis
Vaz de Camões, escritor português, 1524-1580) e “Embora
ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,
qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim” (Francisco
Cândido Xavier, escritor brasileiro, 1910-2002). Camões
leva-nos a dispensar as ‘cópias’ de velhos erros;
Chico Xavier lembra-nos que é impossível voltar ao passado,
mas podemos fazer o fim diferente. Dessas lições temos
que refletir e buscar o melhor para o nosso ser. Olharmos para dentro
de nós mesmos e, numa rápida análise – sem
se prender ao passado, partir para a limpeza do nosso espírito;
a leveza espiritual, com toda certeza, conduzir-nos-á a um ano
de prosperidade.
Nunca podemos baixar a cabeça, temos que
confiar que dias melhores virão, mas primeiro é preciso
confiar em nós – como dizer que queremos um ano melhor
se não confiamos em nós? Se não confiamos no que
fazemos – seja trabalho, estudo, relacionamento, política?
Temos que pensar sempre para mais, nunca para menos. Ainda, Chico Xavier
deixou escrito: “A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa
rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo
mais ou menos. A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um
feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até
ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro. A gente pode olhar
em volta e sentir que tudo está mais ou menos... Tudo bem! O
que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum... é
amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar
mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos.
Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos!”
E, pensando positivo passaremos – ou continuaremos a ser –
uma pessoa que crê num futuro promissor, mas que este futuro depende
mais de nós mesmos do que do outro. Trabalhar é preciso;
estudar é ter conhecimento; relacionar é necessidade;
política é um bem necessário, pois é a partir
dela que, numa sociedade capitalista como a nossa, que tudo se resolve.
Começar o ano fazendo festas e mais festas,
comemorações e mais comemorações: é
bom – e tudo dentro dos limites. Mas o melhor de tudo é
estarmos em paz conosco e com os que nos cercam, sejam estes de perto
ou de longe, de sangue ou não. A liberdade de espírito
conduz o ser humano ao caminho correto, ao caminho da paz interior,
da perfeição. A data de hoje serve para alertar, para
despertar aquela parte de nós que estava dormindo: acordar e
ser valente! Isto é que precisamos para vencer – pois de
estarmos aqui já é, em parte, uma vitória. Muitos
queriam estar festejando esta data, mas não puderam, já
partiram para a próxima parada.
Em 2011 mudanças ocorrerão (principalmente
na política – e grande parte da população
esquece ou não gosta desse detalhe) – politicamente falando,
para termos uma pátria vencedora precisamos enfrentar grandes
decisões, decisões estas que depositamos nas mãos
de nossos legisladores (somados ao poder executivo que pela primeira
vez na história da presidência do Brasil será exercido
por uma mulher: Dilma Rousseff) quando acessamos as urnas na última
eleição, mas devemos estar atento a tudo para triunfarmos,
para sermos vencedores! (Pub. em 01/01/2011)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Dezembro de 2010
ESPÍRITO
NATALINO DE VENCEDORES
Para a grande maioria, em especial
os cristãos, esta data especial é sinônimo de amor,
paz, união, felicidade, perdão, reencontro e etc. Os mais
novos, em especial as crianças, ao ouvirem os sinos, à
meia-noite, esperam com olhar atento a chegada do bom velhinho, o Papai
Noel. Na ansiedade de serem vistas, ouvidas e atendidas, montam árvores
e enfeitam-nas com luzes, estrelas, bolas e anjos; às vezes,
por falta de uma chaminé, usam a criatividade: penduram meias
em portas e janelas, e escrevem cartas pedindo seus presentes na esperança
de recebê-los – e algumas ainda deixam claro que durante
o ano se comportaram muito bem (as que não se comportaram, às
vezes – em sua inocência – pedem perdão). É
a hora das famílias estarem reunidas, de agradecerem por mais
um ano de terem a chance de estarem juntas: os reencontros.
Também temos que lembrar que nem todos
podem ter uma mesa farta; temos que lembrar, ainda, que há crianças
sem famílias; lembrar que há idosos desamparados, que
há doentes acamados – portanto, temos que agradecer ao
Rei pelo que temos.
Mas, temos que lembrar que em alguns setores da
sociedade, principalmente a parte que depende exclusivamente de vendas,
de lucros, há muito se passou de um feliz natal a um ‘feliz
natal comercial’ – e faz muito tempo! Mas agora estamos
na hora de voltarmos ao ‘feliz natal’ que realmente ultrapassa
o humano e alcança o divino – este lado sim deveria, e
com a maior rapidez possível, ser o intuito de cada ser humano.
O lado comercial do natal está em festa
– lojas abarrotadas de mercadorias e, acima de tudo, nota-se uma
concorrência um pouco desleal. Desleal não no sentido preciso
do termo, mas no sentido de fazer a família gastar nesta época
do ano até o que não tem – mas logo surgem os resultados:
longas e quase que intermináveis mensalidades a serem pagas durante
o próximo ano – mas cada um deve medir a sua capacidade
de gastos.
Mas voltando ao lado natalino, a espiritualidade,
a data traz muitas coisas a serem pensadas – e independente da
nacionalidade ou religiosidade que se segue. Em todas as nacionalidades
têm-se noção do maior acontecimento cristão
(pode até não ser comemorada a data por alguns povos).
O Brasil, um país de colonização cristã,
não se passa em branco, pelo contrário: muito se comemora
e, às vezes, de forma diferente, conforme as respectivas religiosidades.
Mas a maioria dos cidadãos de bem celebra o nascimento do nosso
Rei Maior, nosso Senhor Jesus Cristo que veio ao mundo para nos salvar,
para nos redimir – não nos deixando sozinhos nos caminhos
escuros. E, quando de sua morte na cruz para nossa salvação,
ao céu subiu, mas prometeu deixar-nos o Consolador: Espírito
Santo. E este foi nos dado para conforto até a volta do Rei em
nuvens de glória.
Neste momento a reflexão deve estar presente
no seio das famílias: o que se fez de excelente durante o ano,
que dentro em pouco se finda – deve continuar; o que não
foi bom deve, com toda precisão possível, ser retirada.
Estamos chegando ao término de mais um ano de trabalho e, acima
de tudo, somos mais que Vencedores, pois temos o menino Jesus, não
mais em carne, mas em Espírito, reinando em nossos corações.
Assim, partimos para a renovação espiritual na busca da
plenitude que, como deixou-nos claro o Salvador, alcançaremos
lá nos Céus. Que este dia seja não apenas mais
um dia de comemorações, mas mais um dia em nossa vida
a marcar-nos de fé, de esperança, de amor... Um Feliz
Natal abençoado pelo menino Jesus que se faz Rei entre nós.
(Pub. em 25/12/2010)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Dezembro de 2010
TRIBUTO AOS CIDADÃOS
DA BOA ESCRITA
Embora pouco é falado
sobre os nossos escritores, a nossa região tem bons nomes a serem
cultivados e cultuados em suas ideias. Ideias estas que devem ser espalhadas
aos ventos. E há também autores, ainda, a serem descobertos.
Antes de entrar diretamente no mérito da
questão, vale citar que hoje, das 8 às 13 horas, no Auditório
do SENAC, acontece o 1º ENESIAR (Encontro de Escritores Independentes
de Araçatuba e Região) direcionado a todos os escritores
e interessados em literatura, promovido pela UBE – União
Brasileira de Escritores, na pessoa do seu Diretor Regional, professor
Antônio Luceni. Nesta ocasião faz-se presente o escritor
Joaquim Maria Botelho (Presidente Nacional da UBE) e Menalton Braff
(Secretário de Integração Nacional) e autoridades
de vários municípios.
O tributo de hoje vai a todos os escritores e
escritoras que, de uma forma ou de outra, em verso ou em prosa, expressam
suas ideias no papel, do papel para o jornal e folhetins, para a tela
dos computadores, para os blogs e e-mails, e estes circulam o mundo.
Citar todos os companheiros escritores araçatubenses seria humanamente
impossível – até por falta de espaço ou também
por esquecimento (que me desculpem) – então, os de maior
contato, direto ou indiretamente (via e-mail) passam aqui a representar
o todo. Este mês tive contato com vários escritores, dentre
eles Antenor Rosalino que enviou seu ‘Soneto de Natal’ e,
em sua primeira estrofe traz: “O céu magnânimo está
límpido.../No infinito, uma estrela-guia/Enuncia o grande dia:/É
Natal do Menino Jesus!”; Márcia Rossi Maiorchini da Rocha
enviou-me um poema intitulado ’Natal em Família’
que, em especial, trata das crianças órfãs que
pede ao aniversariante Jesus uma família – simplesmente
profundo e comovente; a musa do Grupo Experimental da Academia Araçatubense
de Letras, dona Emília Goulart, enviou-me o conto ‘Só
por Deus’, onde apregoa que arma de fogo é perigosa e pode
até, se não for por Deus, acabar em tragédia; Marianice
Paupitz Nucera no conto ‘O Grito’ revela a astúcia
de escrever com genialidade a ideia do grito em forma divertida –
uma leitoa morta!; em ‘A velha Estante’, Marisa Mattos recorda
as lembranças da época que não se volta mais –
a infância; nas poesias ‘Navegantes’ (Edi Carlos),
‘Pedindo Apoio’ (Alaor Tristante Júnior, Alaorpoeta
– onde é reconhecível que criador e criatura não
se separam), ‘Mara Maira Maria’ (Beatriz Ferreira do Nascimento
teve a poesia premiada entre as 15 vencedoras do I Concurso de Poesia
organizado pelo Centro Acadêmico de Letras da UNESP de Araraquara);
na crônica ‘Rua Porto Alegre’ (Solange dos Santos
Longue que vencedora do II Concurso de Crônicas da Vida –
2010, editado pela Academia Araçatubense de Letras); textos de
Sylvia Senny com seu pinheiro imponente; Rita Lavoyer – lutadora
incansável das questões sociais, como o Bullying; José
Hamilton (o homem do Ipê Florido) – que teve a ideia brilhante
do projeto ‘Astros de amanhã’; Ana Almeida com suas
confissões; Mauro Rico com o projeto teatral ‘As Aventuras
do Rio Tietê’ – premiado em Brasília no último
dia 1º de dezembro; Hélio Consolaro, Tito Damazo, Antônio
Luceni, Marilurdes Martins Campezi, Cecília Ferreira, Lúcia
Maria Milani Piantino, Maria Luzia Villela, Wanilda Borghi, Luana Leite,
Everi Carrara, entre outros.
Fechando este texto vale ressaltar as atitudes
governamentais, as de grupo e também as individuais, na área
de publicação destes textos – na verdade poderia
ser bem maior... Sabido é que não somos, ainda, nenhum
‘bacharel’ em produção textual, mas sabemos
chorar a dor do nascimento das letras. (Pub. em 18/12/2010)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Dezembro de 2010
EDUCAÇÃO
VEM DEPOIS
Embora questionem muito a escola
pública e sua qualidade, ainda há pontos positivos. Claro
que não se pode esquecer os pontos negativos – pois todo
segmento da sociedade tem, não importa qual seja ele.
Antes de posicionar sobre educação
(pontos positivos e pontos negativos) vale ressaltar que os cidadãos
brasileiros estão de olho mais no bolso que na educação
propriamente dita. No bolso para se manter vivo (sobrevivência);
na educação nem sempre, pois esta, de imediato, não
enche os bolsos, mas a longo prazo (e nem todos, aliás, apenas
uma pequena parcela da população se preocupa com a formação
futura). Outros, com bem menos consciência dos fatos, admitem
que é preciso não deixar o estômago vazio.
Segundo alguns dados de pesquisas recentes, as
classes brasileiras sofreram mudanças. A classe baixa diminuiu
e a classe média aumentou. Isso é notável a partir
do momento do consumo – consumo mesmo. Do ponto educacional e
cultural nada mudou. Do ponto de vista do consumo pode ser notado quando
o comércio começou a abrir à noite – neste
final de ano: lojas com maior movimento; calçadão em Araçatuba
movimentado (mas há alguns comerciantes que dizem que o movimento
está fraco – talvez sim, talvez não: depende da
expectativa que se tinha feito para este final de ano). Logo, para quem
passa pelo calçadão de Araçatuba pode entender
de outra maneira – depende do ponto de vista, pois há pessoas
para todos os lados.
Voltando ao ponto de consumo de educação
e cultura, pouco se pode ver – tanto que medir conhecimento é
uma problemática um tanto quanto duvidosa. Começando pela
formação educacional, nota-se neste final de ano a preocupação
de muitos alunos em saber se foram ou não promovidos. Não
há preocupação em saber se aprenderam. Ou, melhor
ainda, se apreenderam ou não o conhecimento devido (em poucos
essa virtude é notável) – a preocupação
é outra: a promoção para, provavelmente, não
perder as tão prometidas férias.
Sonho algum dia escrever, com convicção,
que a maioria dos alunos brasileiros (principalmente de escola pública)
está preocupada com a qualidade de ensino. Pode ser que, nos
dias de hoje, há uma parcela que está preocupada com a
qualidade – mas somente quem está dentro da sala de aula
de uma escola pública é capaz de compreender o que escrevo
aqui.
Ainda falando-se de qualidade, pode notar que
– principalmente em época de férias – a Biblioteca
fica mais sossegada, menos visitada. Será que o alunado perde
a vontade de ler? Ou, durante o período letivo, frequentam apenas
por obrigação de cumprir a leitura para avaliação
em sala de aula, para passar nos temidos vestibulares e não pelo
puro prazer de ler?
Logo, partindo dos dados citados acima –
diminuição da classe baixa, aumento da classe média
(aumento do potencial de consumo), ser promovido ou não (a tão
sonhada e prometidas férias), obrigação de leitura
– que tal partir para a seguinte pergunta: como mudar essa realidade
que tanto atormenta os cidadãos (pais e educadores) preocupados
com o futuro de uma nação cujo povo tem pouco conhecimento
científico? (Pub.
em 11/12/2010)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Dezembro de 2010
O MUNDO VIRTUAL
Sempre estamos a falar e ouvir
sobre o mundo virtual, mas será que realmente pensamos nele sem
nos apoiar no mundo real? Recebi dias destes um e-mail, dos muitos que
recebo diariamente, que falava sobre este mundo virtual que para muitos
parece maravilhoso. Em parte é, mas em parte não –
basta saber usar.
O lado bom, a meu ver e aos olhos de muitos cidadãos
de bem, são os sites que proporcionam bons textos, bom material
para pesquisa e até mesmo jogos sem poder maléfico, jogos
interativos, de conhecimento; pode ainda ser citado o lado do consumo
de bens: a facilidade que os sites oferecem ao consumidor sem este sair
de casa, mas há de se ter o cuidado devido para o não
exagero. Ou, ainda, o poder que a rede virtual oferece ao usuário
na propagação de seus textos – neste caso o escritor
que poucas vezes lhe é concedido o acesso às grandes mídias
impressas. O lado ruim é melhor até deixar sem comentar,
pois muitos poderiam ignorar alguma citação para estes
tidas como boas.
Na canção ‘A casa’ Vinicius
de Moraes relata ‘Era uma casa muito engraçada / não
tinha teto, não tinha nada / ninguém podia entrar nela,
não / porque a casa não tinha chão’ –
no mundo virtual é semelhante: todo mundo se comunica, mas ninguém
sabe onde está (ao menos quando há identificação)
– é engraçado, não? Teto? Menos ainda. Entrar,
melhor, acessar a rede. Chão? Também não. Aliás,
onde estão todos?
Estão em todos os lugares, e ao mesmo tempo
em lugar algum – simplesmente cada um em sua casa (ou em lan houses)
e com uma casa virtual, com endereço e tudo mais. Pode ser o
seu vizinho – mas também pode ser um outro ‘vizinho
de condomínio virtual’ – os grandes provedores proporcionam
isso... E passam horas a papear, a jogar... Esquecem, por hora, do mundo
real – o que para muitos se torna um alívio. Por que não
ir ao vizinho real e papear com ele? Ou – como disse tempos atrás
aqui, conversam com os vizinhos, se achegam mais, apenas em tempos de
eleição porque não conseguem ouvir tantas coisas
impossíveis de se fazer.
Vinícius continua: ‘Ninguém
podia dormir na rede / porque na casa não tinha parede / ninguém
podia fazer pipi / porque pinico não tinha ali’ –
aproveitando, enquanto muitos pais dormem, muitos filhos ficam na rede
– e não é na rede que balança o pequeno para
dormir (e, por consequência, no outro dia dormem em sala –
em sala de aula!). O bate-papo, às vezes, é tão
cativante que esquecem até de fazer pipi... prejudicando, posteriormente,
a saúde. Mas, pensando por outro lado, será que realmente
é fascinante assim? Nos noticiários casos e mais casos
de pedofilia, sequestros, entre outros – e o mundo virtual continua
sem teto! Continua sem teto!
Continuam dentro de um teto real – mas isolados
do mundo real – mas acessando os lares de outros – irreais
tanto quanto o que possuem no mundo virtual. Lares estes que podem possuir
características ruins, como as citadas acima.
E o poeta arremata: ‘Mas era feita com muito
esmero / na rua dos bobos número zero’ – realmente!
E tentamos sempre construir, assim como o poeta, a nossa casa com muito
primor, mas nem sempre conseguimos – ainda mais perante os filhos
(pois, aos olhos destes – apesar de nos amarem – sempre
estamos deixando a desejar, salvo raras exceções). Passamos,
muitas vezes, por bobos – ou, um número zero.
Mas não adianta pedir ao mundo que pare
para poder descer – pois este não para. O modo mais correto
é tratar tudo e todos com esmero, mesmo sendo achado meio bobo
por alguns. Para na frente colocar um ponto no assunto – que não
seja este um ‘ponto final’, mas sim uma reticência,
que tal olharmos para nós, para dentro de nossos lares e buscarmos
uma visão mais realista que virtual? (Pub. em 04/12/2010)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Dezembro de 2010
MINHA CIDADE
COM OLHAR DIFERENTE
Carlos Drummond de Andrade escreveu
o texto poético intitulado ‘A rua diferente’, eu:
Minha cidade com olhar diferente. Mas diferentes em muitos sentidos,
em muitos aspectos – embora em âmbito diferente eu escreva
e faça comparação, Drummond teve a felicidade de,
apesar da oposição de alguns vizinhos, mostrar a alegria
da filha.
Na rua de Drummond cortaram árvores, botaram
trilhos, construíram casas. A minha cidade, Araçatuba,
que completa cento e dois anos neste próximo dia dois de dezembro,
fizeram um pouco diferente: também cortaram árvores (mas
em parte fizeram o reflorestamento – não como devia, mas...);
retiraram os trilhos que durante muito tempo levaram o progresso ao
interior – colocaram-no em outra parte onde não se ouve
mais o apito da máquina dado pelo maquinista; as casas, menores
e sem os seus belíssimos jardins floridos e quintais carregados
de árvores frutíferas, engaiolam o povo em agrupamentos
chamados de conjuntos habitacionais.
Minha cidade acordou mudada – muitos não
se conformam (e não é para conformar mesmo!), apesar dos
anos passarem velozmente e a tecnologia adentrar os lares – e
o poeta disse: ‘Eles não sabem que a vida / tem dessas
exigências brutas’. E como a exigência da vida é
bruta, tão bruta que muitos não aguentam e pedem ao mundo
para parar porquue eles querem descer – mas como o mundo não
para, eles param por conta e risco pondo fim penosamente em si próprio.
Na última estrofe o poeta diz que somente
a filha goza do espetáculo; na minha cidade também, principalmente
nas ruas dos bairros a meninada se diverte jogando pedrinhas (no lugar
de burquinhas) nas caçapas existentes... Quão triste é
ver e relembrar o título que outrora esta maravilhosa cidade
teve: cidade do asfalto!
Mas, minha cidade – por outro lado –
também possui coisas boas: principalmente o seu povo. Cidadãos
que dedicam suas vidas na busca da melhoria na qualidade de vida, na
melhoria da cultura, da educação, da saúde e de
outros segmentos da sociedade. Cidadãos que votaram e acreditaram
que estavam fazendo o melhor quando acessaram as urnas eletrônicas
– mas que, como qualquer cidadão brasileiro, nunca desiste
– e confia que dias melhores virão.
Não há de se acusar ninguém;
acredita-se, o povo, que a boa fé existe em seus governantes
– e ninguém quer ser pego pela Lei da Responsabilidade
Fiscal; é necessário enaltecer, também, o que se
fez de bom – principalmente na área que acompanho mais
de perto: a cultura. Os cidadãos responsáveis pelo setor
se empenharam de corpo e alma na busca de recursos, brigaram, discutiram
e, pelo menos em parte, conseguiram apresentar bons resultados –
e as apresentações teatrais é um bom exemplo (gratuitos
e, quando não foi possível, a um baixo custo).
Falando ainda em cultura, fora do setor governamental,
nesta última quinta-feira aconteceu na Câmara Municipal
sessão solene anual da Academia Araçatubense de Letras
onde foram entregues os certificados de premiação dos
Concursos Literários de Crônicas e de Poesias, posse da
nova presidente da Academia, a professora Cidinha Baracat – acompanhada
de uma excelente palestra proferida pelo professor e doutor Romildo
Antônio Sant’Anna, da Unesp, campus de São José
do Rio Preto, intitulada “Moda Caipira e a Estética da
Oralidade”: uma verdadeira aula sobre as origens de nossa moda
de viola. Ainda, na noite, o artista plástico Henry Mascarós
entregou à Secretaria da Cultura, que repassou à Academia
Araçatubense de Letras, o busto de Odete Costa Bodstein, para
ser instalado em sua sede.
Somando tudo isso, a minha cidade – mesmo
que interiorana, com problemas e diferente em partes da descrita por
Drummond, já desponta culturalmente no cenário nacional,
pois há nomes de peso que já estão aparecendo com
seus trabalhos, como o espetáculo que merece destaque e está
entre as três melhores em âmbito nacional: “As Aventuras
do Rio Tietê” – que no início de dezembro estará
em Brasília recebendo a premiação. (Pub.
em 27/11/2010)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Novembro de 2010
** CONSCIÊNCIA
NEGRA
EM BUSCA DE IGUALDADE
Hoje, vinte de novembro, feriado
na cidade de Araçatuba, muito há de se comemorar: dia
da Consciência Negra. Eventos acontecem pela cidade: no Teatro
"Paulo Alcides Jorge" - ao lado da Biblioteca Municipal, a
Pimenta Cultural Produções apresenta "Show Musical
Canto Negro", com Silvia Teodoro – com entrada franca.
Tratando-se do dia da Consciência Negra,
no último dia 16 de junho, após sete anos de trâmite
e discussões, o Congresso Nacional aprovou a versão final
do Estatuto da Igualdade Racial – um tempo razoável para
se medir o problema da questão – e no dia 20 de julho deste
corrente ano o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou
– sem vetos, o projeto de lei que criou o Estatuto da Igualdade
Racial, que tem por objetivo promover políticas públicas
de igualdade de oportunidades e combate à discriminação.
Observando um pouco a panorâmica mundial,
após sangrentas guerras (principalmente após a Segunda
Guerra Mundial – onde predominou a ambição humana),
os países vencedores reconheceram a necessidade da criação
de uma associação de países que lembrassem constantemente
ao mundo que nenhum objetivo ou ambição (de pessoa ou
de grupo social – ou país) justifica o desrespeito aos
seres humanos: foi criada a Organização das Nações
Unidas – ONU. E, em 10 de dezembro de 1948, num conjunto de trinta
artigos, foi publicado a Declaração Universal dos Direitos
Humanos, onde foi assinada por países do mundo inteiro, inclusive
o Brasil.
Em seu Artigo I diz “Todos os homens nascem
livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão
e consciência e devem agir em relação uns aos outros
com espírito de fraternidade.”
Segundo alguns dados do IBGE (publicados na Revista
Guia do Estudante 2011 – distribuídos nas escolas públicas
de São Paulo), em 2010 o Brasil passa a ter a maioria de sua
população negra (isto porque a conscientização
está mais presente), mas ao mesmo tempo constituem a parcela
que enfrenta maiores problemas socioeconômicos; no passado (não
muito distante: 1890 – dois anos após a abolição
da escravatura pela Lei Áurea), a maioria também era negra:
56% dos moradores em território nacional. Mas, por volta de 1940
os negros representavam menos de 36% da população porque
imigrantes vieram de outras partes (principalmente da Europa) para trabalhar
nas lavouras – substituindo a mão de obra escrava. Mas,
com esse fator, intensificou a marginalização econômica
e social dos ex-escravos.
Olhando de forma atenta, é possível
uma retomada a partir do momento em que os governos começam a
olhar esta parcela da população de forma diferente, com
programas específicos, como: criação do Sistema
Nacional da Igualdade Racial (Sinapir – para tratar das medidas
voltadas para a população negra). Somados a isto, pode-se
dizer que a diferença na expectativa de vida entre negros e brancos
caiu significativamente, diminuição na taxa de mortalidade,
no analfabetismo – principalmente nas regiões Norte e Nordeste.
Mas permanecem, ainda, os problemas de emprego e renda – sendo
que este último é significativo em seus resultados.
Esse último dado – emprego e renda
– leva a uma pergunta que nunca se cala e que está fixada
no Artigo XXIII da Declaração Universal dos Direitos Humanos:
“Todo homem tem direito ao trabalho, à livre escolha do
emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho
e à proteção contra o desemprego. Todo homem, sem
qualquer distinção, tem direito a igual remuneração
por igual trabalho. (...)” – mas, é sabido que não
é assim: até quando vamos dormir com este pesado fardo?
(Pub. em 20/11/2010)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Novembro de 2010
UMA RÁPIDA
PASSAGEM PELOS ANOS REPUBLICANOS
Na próxima segunda-feira,
dia quinze de novembro, data-se cento e vinte e um anos de que o marechal
Deodoro da Fonseca proclamou a República, passando o Brasil a
ter um regime republicano – deixando de ser monarquista. Na ocasião,
na Praça da Aclamação (hoje Praça da República),
na cidade do Rio de Janeiro – capital do império, passou
o país a ser designado de Estados Unidos do Brasil.
O então imperador, D. Pedro II, estava
na cidade de Petrópolis e só ficou sabendo no dia seguinte
ao receber uma carta avisando o ocorrido e pedindo que ele e a família
real deixassem o país – tentou uma reconstrução
ministerial, mas viu que não havia como, desistiu e seguiu exílio
para a Europa. Mas, no dia quinze de novembro, à noite, instalou-se
o primeiro governo provisório, tendo como primeiro presidente
o marechal Deodoro da Fonseca, vice-presidente marechal Floriano Peixoto.
Mas, olhando politicamente a instalação da República,
nota-se que vários fatos levaram à queda da monarquia,
tais como: atritos com a Igreja (a Igreja Católica era submetida
ao Estado, mas os Bispos de Olinda e de Belém do Pará
resolveram seguir a ordem Papal, deixando de lado as ordens da Monarquia
– foram punidos por esta a quatro anos de serviço braçal
– quebrar pedras, sendo posteriormente perdoados, graças
à intervenção de Duque de Caxias junto ao Imperador
– mas o fato levou a monarquia a perder prestígio perante
a igreja); perda do apoio político dos grandes fazendeiros com
o fim de escravidão no Brasil (1850 – abolição
do tráfico negreiro; 1871 – Lei do Ventre Livre; 1885 –
Lei dos Sexagenários; em 13 de maio de 1888 – Lei Áurea,
assinada pela Princesa Isabel, que colocava fim no trabalho escravo
no Brasil); questão militar (os militares sentiam-se inferiorizados,
menosprezados pela monarquia – mas aos olhos da população
ganhavam prestígios), logo, a soma de tudo levou ao Brasil que
se conhece hoje: um Brasil ainda em busca de sua própria identificação
social, econômica e política.
A República – um sistema de estados
confederados (hoje 26 estados e um distrito federal) – foi aos
poucos se estruturando. Entre os primeiros passos tomados podem ser
citados: a determinação da criação da nova
bandeira, a estruturação dos três poderes, sendo
o executivo (exercido pelo presidente da república, pelos governadores
dos estados confederados e pelos prefeitos), o legislativo (exercido
pelos deputados federais e senadores em âmbito federal, pelos
deputados estaduais e pelos vereadores) e o judiciário. E os
anos passaram, e a Capital Federal passou a ser a cidade de Brasília
(1960); os presidentes também passaram – e até alguns
ditadores subiram, ou melhor, tomaram posse do poder; houve, também,
mudanças na Lei Magna: 1988, data-se a última –
e no próximo ano uma mulher subirá ao poder e tomará
em suas mão as ‘rédeas’ da nação
brasileira: Dilma Rousseff, eleita com mais de 56% dos votos válidos.
Retomando as ideias republicanas – ou melhor,
falando-se do povo brasileiro que ‘nunca desiste’, espera-se
este que nos próximos anos a realidade sonhada – e em parte
vivida nos primeiros anos de república e nos últimos dias
– continue a se realizar e, de preferência, de forma mais
concreta – pois as promessas ficaram registradas: combate à
pobreza e a miséria do país – ou seja, a busca de
um país mais justo.(Pub. em 13/11/2010)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Novembro de 2010
SERÁ
QUE ACABOU?
Passado uma semana do acesso
às urnas e ainda se fala em eleições. E, como o
assunto é meio desagradável – pelo menos para uma
boa parte da sociedade – o jeito é falar de eleições
de modo (se é que pode dizer assim) agradável. E como
ser agradável ao leitor quando este não gosta? Então,
o jeito é perguntar: será que acabou?
Recebi outro dia de um amigo um texto com o título
‘AFF! Acabou’ – parece que até os mais acostumados
com o assunto também se cansam. Será? Ou sabem que na
realidade não acabou, está apenas começando mais
uma nova etapa?
Sabem que uma nova etapa em breve se iniciará
em âmbito nacional – querendo ou não, tendo em vista
que os novos ocupantes serão do mesmo partido de agora –
mudanças ocorrerão: novas velhas cabeças. E, como
é sabido: novos no poder, novos nos poderes menores farão
parte, pois cada um que passa pelo poder quer deixar sua marca: trocar
ministros, ajustes dos secretariados, e outras coisas mais – pois
a marca tem que ficar!
Passamos a semana toda ouvindo discursos e mais
discursos – será que o povo brasileiro acreditou? Tanto
se fala (e não é de hoje) e pouco se faz – gostaria
o povo brasileiro de ouvir menos discursos e mais ações,
independente do partido que ocupe o poder. Bastaria fazer cumprir o
que manda a Constituição e mais da metade dos problemas
estariam resolvidos – a outra metade: correríamos atrás.
Mas é sabido que não é assim; a realidade é
outra, mesmo sabendo que o poder vem das mãos do povo, ainda
mais num país onde se prega a democracia. Mas a máxima
do povo brasileiro se faz presente: ser brasileiro é não
desistir nunca!
Agora se inicia um período de transição
de governo e a base aliada se movimentando, correndo atrás de
quem foi eleito: do poder! E aqui na base da pirâmide –
os munícipes, como estes ficam? Já é sabido: sem
cargo (ou com um forte encargo na consciência dependendo do resultado
dos próximos anos). Ainda aqui no município: iniciam-se
os barulhos eleitoreiros para o próximo pleito.
Então, será que acabou? Claro que
não – política não se acaba; todo dia se
renova; todo dia evolui; todo dia abre e fecha portas. Findou-se outubro
e novembro se inicia com belos discursos de quem venceu um pleito; mas
também não se pode esquecer os entes queridos que se foram
(pois estes também lutaram por causas nobres); não se
pode esquecer que estamos num mês de grande valor democrático
para o cidadão brasileiro: proclamação da república,
dia da bandeira; e ainda: precisamos sair do papel e ir à luta
contra o preconceito racial – o dia da consciência negra.
Fala-se muito, pouco se faz: e não é apenas na cor, mas
de forma geral há muito ainda a discutir.
Portanto, será que acabou? Novamente pode-se
afirma que não, tendo em vista que a maior política que
um cidadão pode fazer com o seu concidadão é respeitá-lo
em seu todo: físico-psicologicamente. Só assim alcançaremos
bons resultados, só assim sairemos das urnas mais que vitoriosos:
sairemos verdadeiros cidadãos brasileiros. (Pub. em
06/11/2010)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Outubro de 2010
A ESCOLHA E
OS PRÓXIMOS ANOS DE GOVERNO
No dia trinta
e um de outubro, o povo brasileiro vai à urna definir os próximos
anos de governo – mas a pergunta é: será que o cidadão
brasileiro está preparado para escolher seu legítimo representante?
Preparado no sentido de escolher o que é
melhor para a nação brasileira, e não apenas para
alguns; preparado no sentido de exercer a cidadania, e não de
vender o seu voto a este ou aquele partido; preparado no sentido de
cobrar do candidato eleito as promessas de campanha – mesmo sabendo
que quem foi eleito deve colocar em prática o que manda a Lei
Maior, a Contituição –, mesmo que não tenha
votado nele; preparado no sentido de, através dos representantes
mais próximos, ter representatividade, ter voz.
Mais uma data que passará para a história
de um povo que pouco, ou quase nada, sabe de sua própria história
(principalmente nos ‘bastidores políticos’) –
e, quando sabe, são histórias contadas por livros que
em sua grande maioria defende a classe mais favorecida, e não
a massa que elege este ou aquele representante legal. Ou, quando bem
contada, ou ainda a história recente, se faz por esquecido? A
hora de aprender a contar a história é agora: votar num
ou noutro candidato é escolha e direito de cada cidadão,
mas há necessidade de aprender a olhar a história, de
ver os fatos – e, por excelência, não estão
muito distantes – pois fazemos parte desta história (exceto
esta última geração – mas que poderia usar
os computadores para eventuais pesquisas: mas não usa). Vivenciamos
todo o processo na pele. Por isso é preciso que a democracia
reine, indiferente do partido que suba ao poder. E reine com a maior
clareza possível – sem escândalos!
Política, para muitos cidadãos,
não faz parte do primeiro escalão de necessidades do ‘manual
de sobrevivência’ – o que é errado pensar assim.
Política deveria estar na veia de todo cidadão, pois a
mesma faz aumentar, ou diminuir, o que se tem em casa, o que é
servido na mesa, o que é vestido pelo corpo, o que é ensinado
nas escolas, que teto possuir, que segurança ter, que saúde
usufruir, que cultura possuir, que lazer desfrutar, etc. Política,
indiferente de ser época ou não de belos discursos –
muitas vezes vazios – deveria ser ensinada nos bancos escolares
(e não apenas em alguns ‘cursinhos’ preparatórios
onde poucos têm acesso). Política foi, é e sempre
será política! Independente da época, do povo...
Agora é a hora de contar a história;
é a hora de contar a história de forma diferente; é
a hora, para muitos, da vingança! Votar no candidato que escolheu
convicto de que está fazendo a melhor escolha (estar contando
ou recontando a história) – ou simplesmente não
fazer escolha e esperar sentadinho no banquinho, cotovelos apoiados
nos joelhos, mãos apoiando a cabeça, olhos presos num
futuro incerto, para ver no que vai dar – mas não vale
reclamar depois do golpe da ‘vingança’ que quis aplicar.
Ficar esperando o resultado nem sempre é a saída.
Um mandato não passa rapidamente: demora
alguns anos; e, quando mal governado, demora mais ainda! Ser consciente
é a melhor escolha neste próximo domingo para não
se arrepender nos próximos anos de governo! (Pub. em
30/10/2010)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Outubro de 2010
ÀS PORTAS
DAS ELEIÇÕES
Mais uma vez estamos às
portas das eleições e, frente a frente, dois candidatos
fortes – uma disputa grande e, às vezes, nem sempre de
acordo com o que o eleitor deseja. Nem sempre necessária ao eleitor
do ponto de vista da necessidade de esclarecimentos. Explico.
Nos últimos dias estamos
apreciando uma campanha, de ambos os lados, de trocas de alguns ‘elogios
ofensivos’ onde, o eleitor atento – alvo principal da campanha
– fica totalmente indignado. Indignado no sentido de ver tanto
tempo perdido com manobras que nem sempre surgirão efeitos, mas
o que precisa ser dito, esclarecido, não vem à tona.
Uma campanha voltada para pequenas
coisas que, na verdade, não são necessárias. É
necessário sim debater sobre economia, educação,
saúde, segurança, moradia, lazer (bem-estar de forma geral),
entre outros assuntos que, a princípio, parece não fazer
parte da pauta destes candidatos dentro de um plano que realmente venha
esclarecer o eleitor. Mas, por quê? Será que não
sabem? Sabem sim, mas para que esclarecer?
O‘x’ da questão
parece estar exatamente neste ponto: para que esclarecer? Se há
um velho ditado que ensina que ‘quanto mais burro um povo, quanto
menos conhecimento este povo tem, mais fácil de governar’
– então, para que esclarecer se pode embasar o discurso
político em palavras bonitas, que satisfaçam muitos a
princípio, mas confusas?
O cidadão sábio,
com toda certeza, sabe o que estou a dizer. Há grandes discursos
políticos perante os eleitores, mas de pouco conteúdo,
de pouco esclarecimento. Por que debater economia, educação,
saúde, segurança, moradia, lazer, entre outros, se nada
(ou pouco) há de se fazer? Nada contra partido algum, ou contra
candidato algum, pelo contrário: esta é a hora dos esclarecimentos
– mas os esclarecimentos estão deixando a desejar.
Esclarecer, ao assalariado, o
que de economia, se lhe falta muito no final de cada mês? Educação,
saúde, segurança, moradia, lazer e etc. não constam
da Lei máxima? Da Constituição? Então, caímos
no velho discurso vazio de sempre: promessas, promessas e mais promessas...
Até quando?
Na semana passada discursei no
texto “E o ticket voto?” o direito de cobrança dos
candidatos sobre suas respectivas promessas em tempos de campanha –
pois alguns eleitores dentro dos próximos três ou quatro
anos nem mais se lembrarão em quem votaram –, mas como
cobrar se a grande maioria se sente indignado ao ouvir, ou assistir,
o horário eleitoral gratuito? Outros, por sinal, desligam seus
aparelhos televisivos e dirigem-se às calçadas para papear
com o vizinho – o que, por sinal, é positivo (isso acontece
apenas em tempos de eleição).
O eleitor atento está,
como os jovens dizem, ‘ligado’ em tudo e promete vingar-se
na urna. Mas, retorno à fala: poucos conseguem enxergar tais
desatinos dentro das campanhas políticas; poucos conseguem extrair
de cada palavra de candidato o que realmente o mesmo quer dizer; poucos
notam que o palco da vida é o maior desafio pessoal – e
que cada um, independente de qual candidato subir ao poder, deverá
remar – deverá preparar-se para a luta contra o grande
peixe – a vida – para não sofrer grandes derrotas
– assim como sofreu em primeiro momento o personagem Santiago
em ‘O velho e o mar’, de Ernest Hemingway e que concluiu
que deveria se preparar melhor para retornar ao mar – mas poucos
têm segunda chance. Pense – votar é isso! (Pub.
em 23/10/2010)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Outubro de 2010
E O TICKET VOTO?
Antes de entrar diretamente no
assunto, como funcionário publico que sou, na última eleição
eu trabalhei. E, trabalhando, observei que alguns não possuem
o mínimo de educação ao se dirigirem às
suas respectivas seções eleitorais. Sem entrar muito no
mérito da questão, mas até xingamento ouvi –
como se a culpa pela demora fosse minha.
Mas, indo diretamente ao assunto
– o ticket voto – por que não tê-lo? Explico:
levando-se em conta que, mesmo sendo o voto secreto, deveríamos
receber um ticket voto onde estariam impresso os nomes dos candidatos
que votamos, assim como acontece quando compramos algum objeto em estabelecimento
comercial e vem o ticket do comprovante da mercadoria descrevendo-as,
e não apenas o comprovante de votação, para posteriormente
se fazer as cobranças.
O leitor pode ponderar: “O
voto é secreto, passaria, então, a não ser?”
Repito: é secreto sim, mas como comprovar na hora de cobrar do
candidato caso o mesmo seja eleito e não cumpra as promessas
de campanha – como a maioria não faz? Imaginamos que o
candidato, agora eleito, questione-o: “Por que me cobrando, não
te conheço?” Era só enfiar a mão no bolso
(o secreto passaria a não ser mais) e sacar o tal ticket voto
e apresentar ao tal candidato – problema resolvido, pelo menos
em parte. (E tem mais: alguns somente conhecem o eleitor em tempo de
campanha eleitoral, depois o mesmo não conhece mais, ou não
lembra mais do leitor – memória fraca? Mas você depositou
a confiança nele como seu representante legítimo, nada
mais justo que cobrar.
Escrever parece simples –
mas, claro que não é. Não é tão simples
assim porque os políticos (salvos raras exceções)
não querem tais cobranças – e, logo, fica o dito
pelo não dito. (Ou, estaríamos voltando ao tempo do voto
de ‘cabresto’?) Por isso dizem: “Sem ticket voto!”
Continuando a defesa do ticket
voto, com o resultado das eleições na mão, e o
secreto passando a não ser mais secreto (ainda mais para aquelas
pessoas que não conseguem guardar segredo), muitos políticos
passariam maus bocados. Alguns podem dizer: alguns veículos de
comunicação deixaram em suas páginas impresso e
para recorte uma cópia de cédula eleitoral para anotar
os nomes dos candidatos no qual se votou (para posterior cobrança).
Volto a questionar: e se o candidato questionar a veracidade do escrito
ali?
Por outro lado, como cobrar dos
candidatos que não se elegeram? Ficariam as pessoas que votaram
nesses tais candidatos que não se elegeram sem direito às
cobranças? Claro que não – cobrar-se-ia do partido.
A sugestão seria aparentemente simples, mas não é.
Até para este escriba das letras torna-se difícil do ponto
de vista do raciocínio lógico, mas faz-se necessário
uma larga reflexão sobre o caso.
O partido poderia alegar que
não tem responsabilidade pelo que disseram – seria uma
saída. Nem sempre, pois o leitor pode questionar: “Então,
como tal candidato foi aceito dentro do partido, se o partido não
se responsabiliza pelos dizeres de época de campanha?”
Eu, escriba destas ideias, diria que por isso que há muitos ‘tiriricas’
a surgir ainda (nada contra a pessoa do tal cidadão que profissionalmente
leva esse nome), mas contra a manipulação, contra o aproveitamento
da situação – e alguns disseram que a tal expressividade
de voto se cabe a uma forma de protesto. Será? Talvez sim, talvez
não, mas...
Pelo ‘ticket voto’,
ou não – o brasileiro tem que aprender a cobrar de seus
políticos (antes candidatos) o que se tem em seus respectivos
‘planos de governo’ – mas será que conhecem,
ou sabem o que é plano de governo? (Pub. em 16/10/2010)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
O VELHO E O
MAR
Escrever sobre literarura não
é fácil, pois não sou nenhum crítico literário.
Escrevo sobre as leituras que faço, sobre o que consigo captar
a partir do que leio - e isso depende muito do estado de espírito
em que me encontro no momento.
Esta última semana estava
a ler e reler "O velho e o mar", escrito por Ernest Hemingway.
Considerado por muitos - inclusive pela crítica literária
da época um dos melhores, ou o melhor livro de Ernest Hemingway.
Considerado, também, de um classicismo tão puro como o
teatro grego e tão novo como o futuro que os hoemns de boa vontade
esperam produzir.
Alguns amigos meus dizem que
o livro traz uma mensagem um pouco pesada, isto é, certas características
negativas do ser humano - e que o autor vivenciou e passou para a obra
- concordo plenamente. Mas por outro lado, creio que não.
Aprendi muito. (Re) Aprendi a
ter fé no homem, na luta constante do homem, na busca incessante
de querer vencer - de nunca desistir. A esperança não
se pode perder, deve-se lutar até o último instante. Alguns
zombam de nossa capacidade, ou até mesmo de nossa sorte, mas
quem são eles para julgarem? (E quem somos nós apra julgarmos?)
O importante é não desanimar.
Com o desenrolar da história
notei que a conversa travada entre ele com ele mesmo (esquisito, não?)
é o resultado de uma busca cada vez mais intensa. É uma
busca interior, contínua. A luta, sem esmorecer, com o grande
peixe - é a luta que travamos diariamente (e o pior é
que alguns esmorecem pelo caminho) - não pode abater. Temos que
lutar até o fim, mesmo que sendo quase vencidos. Outro dia li
que 'perde-se a batalha, mas não se perde a guerra' - ou vice-versa
- perde-se, mas aprende-se e muito com ela.
Mesmo vendo tudo ir para a boca
dos inimigos (tubarões), Santiago (o velho) luta até as
suas forças (e armas) resistirem - mas deixa um lado também
em aberto: nem sempre estamos preparados para enfrentar determinadas
situações (pois Santiago não se muniu de armas
necessárias para enfrentar o grande mar - a vida), mas com toda
certeza, na última página do livro, ele mostra-nos que
serviu de lição - e preparou-se melhor para as próximas
aventuras em alto-mar.
Assim somos nós, temos
que tirar de cada situação vivida o que não funcionou,
os porquês de tantos não, e passar a buscar os sim. Aprende-se
muito e leva a reflexões: leva a buscar cada vez mais o 'eu'
interior - cada leitura uma nova aprendizagem. Leia por prazer, por
degustar a mensagem. Vale muito! (Pub. em 09/10/2010)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
A MORTE DA BORBOLETA
Muitas vezes pensamos na morte
como um ato triste, fúnebre – mas na verdade, pelo menos
para nossa cultura, é (para outras culturas nem tanto). Outro
dia pensei na morte da borboleta – claro que a partir de um simples
fato.
Caminhava eu pelas ruas da cidade
quando, ao cruzar uma avenida, a pobre da borboleta não desviou
– entrou na contramão e eu também não consegui
desviar da mesma. Apesar dos pesares: borboleta laranja, com pintas
pretas saltitantes, fatal!
Fato simples, mas que leva a
pensar – não pelo simples fato de pensar, mas pelo simples
fato da vida não passar de segundos – claro que ao pé
dessa eternidade que se consta aos olhos dos estudiosos do planeta.
A mesma – mesmo eu tentando
desviar – chocou-se contra o meu automóvel e caiu a poucos
metros. Caiu já sem vida. Doeu-me o fato dela cair. Olhei pelo
retrovisor: lá estava ela estendida ao chão: asas juntinhas
e o corpo tombado, sem vida. Somos assim também – e em
muitas situações.
Somos insolentes: nem voltei
para dar assistência, não fui enterrá-la, ou pelo
menos avisar os parentes – consolar os amigos... – como
somos! E isso acontece com todos os humanos.
A dor alheia não pesa
tanto – ou pesa? Ou escondemos os sentimentos para tentarmos sobreviver
nesse mundo ‘quase sem porteira’? A reflexão nem
sempre evidencia a razão, mas por vezes a emoção
também aflora. E quando uma ou outra aflora, sempre temos os
problemas à tona. Esse vir à tona é o fator complicador.
A morte da borboleta é
apenas um fato gerador – simples, mas é. A vida em si deve
ser repensada, desfrutada com valor. Usar a razão, mas também
dar evasão a emoção – afinal, como diz o
cantor: “...somos humanos!” (Pub. em 25/09/2010)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.