Setembro de 2010
A DURA VIDA
DAS MENINAS
Através das minhas andanças
pelas ruas da cidade fico sabendo – às vezes observo –
de cada cena, que só vendo pra crer!
No relato de hoje conto o que
‘as meninas’ passam em seu trabalho diário de salvar
homens.
Que termo, não? Salvar
homens!
Dizem-me (algumas) que o ofício,
apesar de ser em algumas vezes lucrativo – é, portanto,
nojento. Nojento no sentido de ter que agüentar homens de todos
os tipos – inclusive a falta de higiene pessoal.
Acrescento: que bebem até
quase não poder mais, pois ‘as ladies’ proprietárias
destes estabelecimentos pedem ‘às meninas’ que faça
os homens beberem, e beberem, e beberem – pior: a ‘geladinha’
nesses lugares custam um bom e elevado preço – acima de
quatro vezes o preço normal, se comparado a um bar. E, os homens
tomam uma após a outra – e ‘as meninas’ precisam
acompanhar. Como dizem: “Às vezes não lucramos
nada, pois bebemos tanto que acabamos na pior – e somente ‘as
ladies’ lucram com isso!”
Num mesmo dia conversei com duas
‘meninas’. Para a primeira – uma morena bonita, trinta
e dois anos, de seios fartos, coxas grossas, bumbum avantajado e quatro
filhos (do seu único casamento que durou cerca de quinze anos)
– o dia tinha sido bom: faturado uma boa grana; estava alegre.
Para a segunda – uma bela mulher, aparentando seus trinta anos
(uma filha), branca, seios fartos, coxas grossas – não
tinha sido nada bom: nenhum homem havia aparecido na casa naquele dia.
Pensei comigo: quanta diferença! (E a última tinha me
dito que havia telefonado para vários homens-amigos e nada.)
A fechar esse texto, acrescento
que a vida destas ‘meninas’ não é nada fácil
– mas também nem sempre a escolha feita fora a mais bem
indicada, a mais bem sucedida; temos que usar, às vezes, o ‘livre
arbítrio’ – se você acredita nele.
E nesse ‘livre arbítrio’
continuam ‘as meninas’ na tentativa de se salvarem e salvarem
os homens na busca de realizações carnais. E o amor, onde
fica? (Conto na próxima onde fica o amor...) – (23/10/2007)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Aosto de 2010
CRUZAMENTOS
Pensando no tudo, e não
tendo nada a ver, resolvi escrever sobre os cruzamentos da vida. E,
tendo em vista tal assunto – abrangente por sinal – por
onde começar?
Talvez no cruzamento da Avenida
Ipiranga com a Avenida São João; ou em outro lugar qualquer;
talvez no cruzamento da menina-moça-donzela com o garotão-garanhão;
talvez no cruzamento (e que acontece muito) das linhas telefônicas
e ouve-se muitas conversas fiadas, de negócios, de amores e desamores
– mas sem saber quem fala pra quem; talvez no cruzamento das idéias
dos professores, dos autores, dos poetas, dos românticos, dos
boêmios; dos políticos... Quantos cruzamentos a citar?
E, de cruzamentos em cruzamentos,
tudo fica cruzado. Até as minhas palavras ficaram cruzadas. A
vida é uma cruzada cheia de cruzamentos. Há tantos cruzamentos
que nem a filosofia da vida pode explicar. Ou, o melhor é não
explicar; o melhor é o inexplicável.
Continuar com pensamentos cruzados
ainda é a solução para melhor se viver, pois enquanto
um fio dela estiver embaraçado há mãos tentando
desembaraçá-lo, mas quando o fio estiver sem nó
não haverá mais mãos nele; logo: pensamentos cruzados,
mente pensando, agindo, procurando solução e, às
vezes, sem solução. (2007)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
AMORTE DA BORBOLETA
Muitas vezes pensamos na morte
como um ato triste, fúnebre – mas na verdade, pelo menos
para nossa cultura, é (para outras culturas nem tanto). Outro
dia pensei na morte da borboleta – claro que a partir de um simples
fato.
Caminhava eu pelas ruas da cidade
quando, ao cruzar uma avenida, a pobre da borboleta não desviou
– entrou na contramão e eu também não consegui
desviar da mesma. Apesar dos pesares: borboleta laranja, com pintas
pretas saltitantes, fatal!
Fato simples, mas que leva a
pensar – não pelo simples fato de pensar, mas pelo simples
fato da vida não passar de segundos – claro que ao pé
dessa eternidade que se consta aos olhos dos estudiosos do planeta.
A mesma – mesmo eu tentando
desviar – chocou-se contra o meu automóvel e caiu a poucos
metros. Caiu já sem vida. Doeu-me o fato dela cair. Olhei pelo
retrovisor: lá estava ela estendida ao chão: asas juntinhas
e o corpo tombado, sem vida. Somos assim também – e em
muitas situações.
Somos insolentes: nem voltei
para dar assistência, não fui enterrá-la, ou pelo
menos avisar os parentes – consolar os amigos... – como
somos! E isso acontece com todos os humanos.
A dor alheia não pesa
tanto – ou pesa? Ou escondemos os sentimentos para tentarmos sobreviver
nesse mundo ‘quase sem porteira’? A reflexão nem
sempre evidencia a razão, mas por vezes a emoção
também aflora. E quando uma ou outra aflora, sempre temos os
problemas à tona. Esse vir à tona é o fator complicador.
A morte da borboleta é
apenas um fato gerador – simples, mas é. A vida em si deve
ser repensada, desfrutada com valor. Usar a razão, mas também
dar evasão a emoção – afinal, como diz o
cantor: “...somos humanos!” (30/01/2008)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
PERSIANAS
Como professor, sei que sou chato
– mas um chato ‘quase’ necessário. Mas, entre
as minhas chatices existe o lado bom – e, como profissional, as
minhas aulas são boas (reconhecidas pelos alunos).
Pelo menos duas vezes por mês
visitamos a biblioteca e vamos à sala de leitura. Para quem não
sabe – ou não entende – na escola em que trabalho,
ao lado do anfiteatro, há uma sala com duas estantes de livros
(poesias, crônicas, romances – e com vários volumes
de cada títulos). Nesta sala não há cadeiras ou
carteiras, há apenas uma poltrona azul pra o professor, três
tapetes grandes e umas quarenta almofadas. Lá os alunos se sentem
no céu: escolhem o livro (esta semana nos primeiros anos do Ensino
Médio lemos fábulas e nos terceiros anos do Ensino Médio,
contos), deitam no carpete, recostados nas almofadas, e com som –
música clássica: Richard Clayderman ao piano. Vale registrar
que a biblioteca e a sala de leitura não é o mesmo lugar
– pelo menos onde trabalho.
Continuando – melhor,
voltando ao assunto que ainda não iniciei, na sala de leitura,
sentado ora na poltrona azul, ora no tapete ao lado dos alunos, comecei
a observar a paisagem pelas frestas das persianas. Como a sala é
no andar superior do prédio, se vê as árvores –
algumas, por cima. Não me contive. Aproximei-me das vidraças
– com as mãos afastei parte das persianas. Não me
contive: abri lentamente as mesmas: um ‘mundo novo’ se abriu.
A claridade inundou plenamente
o ambiente – apesar de lá fora o dia estar nublado –
e estampou no rosto de cada um ali presente. O burburinho das leituras
também tomou vida.
E eu, no final do período,
ao fechar as persianas, a fechar um mundo. E a filosofar: do meu sobrado
também sonho em desvendar o que há por trás das
persianas vizinhas. (Mar/2008)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
SEM VONTADE
Acordei hoje sem vontade de fazer
alguma coisa - muito menos trabalhar - mas o dever me chamava: oito
aulas. Quatro aulas eram de preparação pra o Vestibular
(e o assunto era: interpretação de textos/imagens); duas
aulas eram sobre crônica (leitura e interpretação
também)/ e as outras duas aulas eram de Inglês (para os
iniciantes). E lá fui eu...
No final da sexta aula estava
super feliz - apesar dos problemas. A minha felicidade se dava pelo
fato de os alunos realizarem os seus trabalhos: leitura de quatro crônicas
- preparação pra o Vestibular ("Avô e neta",
de José Carlos Oliveira; "Comunicação",
de Luís Fernando Veríssimo; "Kni e Giv", de
Carlos Eduardo Novaes; e "Para uma garota de quinze anos",
de Lourenço Diaféria) - e responder às questões
solicitadas. Acrescido a essas crônicas uma fotografia de Sebastião
Salgado que retrata sacas de café em primeiro plano e, ao fundo,
homens carregando-as (um trabalho árduo, pesado, de baixa remuneração).
Riquezas concentram na mão de poucos - miséria por todo
lado! Ah, meu Deus!
À tarde, com os meninos/as
iniciantes do Inglês, trabalhamos as cores (desenhos) e horas
(numerais até sessenta). Não sou um exímio desenhista,
mas cada desenhista tem os seus traços p e os meus , por sinal,
são péssimos.
Notei, porém, que uma
parte do alunado espera muito do professor - isto é, esperam
tudo pronto; não gostam de raciocinar. A resposta para eles é
sim ou não, não existe a justificativa. Por que será
que quando cobramos explicações (comprovação
partindo do texto) não conseguem ou sentem dificuldades? Onde
está o erro? Há erro? Ou é preguiça mental?
(Pois, quando os 'forçamos', fazem.)
Fechando essas linhas (para
começar a corrigir a interpretação dos textos)
lembro que também fui assim - mas nem tanto. Será que
as novas gerações vão ser sempre assim?
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
Julho de 2010
VOLTA AO PASSADO
Luis Fernando Veríssimo
tem um texto que chama-se "História Estranha". A volta
ao passado torna, ao mesmo tempo, estranha e inquietante - pelo menos
aos meus olhos.
Eu com quarenta encontrar com
o meu 'eu' de sete anos - estranho não? Mas, mais estranho ainda
é o meu 'eu' de sete anos raciocinar e ir de encontro ao meu
eu' de quarenta.
A visão é possível.
Às vezes sentimos que já estivemos naquele lugar sem nunca
estar (pelo menos nesta vida) - é possível? Paranormalismo?
Não sei, mas acontece não raro comigo. (Sou anormal...)
Será? Ou é uma visão espírita?
Muitos acreditam, outros tantos
'muitos' não acreditam. Só sei que nada sei - e ponto.
Nada de ponto, mas sim de ponto-e-vírgula porque a história
não acaba aí; como dizem: sempre tem algo a mais - e tem
mesmo! Quem somos para dar explicações frente a este vasto
mundo?
"Mundo, mundo - vasto mundo!"
- e como é vasto e, ao mesmo tempo, pequeno os nossos conhecimentos!
Como é vasto... Tantos séculos de estudos, de aprendizdo
e o homem, na pouca existência na face da Terra, quer degustar
grande parte desse aprendizado: pobre homem! Pobre ser! Pobre ser humano
- será que consegue ser humano?
É a eterna luta da matéria
contra o espírito - e alguns têm cada espírito!
(28/7/2010)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
MAIS QUE PAI
E FILHO!
Mesmo não tendo inspiração
para escrever neste dia, resolvi ler algumas canções e
registrar aqui o que sinto - que não deve ser muito diferente
dos pais que, por ocasião de separações conjugais,
vivem meio longe dos filhos.
Há pouco escrevi sobre
a minha filha. Disse que ouvi ontem a canção Filha, pela
dupla Rick e Renner e me apaixonei. Letra encantadora! E, como sou curioso,
fui buscar - ler - outras canções da dupla. E lá
estava esta: "Mais que pai e filho" - lindíssima! (E
o professor Flávio estava com a razão ao dizer o mesmo
que eu: linda canção!) É um belo diálogo
entre pai e filho, aprecie:
"Pai to aqui pra dizer
que valeu / Olha o quanto o seu filho cresceu / Pai olha seu sonho aqui
// Filho eu às vezes nem sei se mereço / Mesmo assim todo
dia agradeço / A magia de te ver sorrir // Pai to deixando de
ser um menino / Mais não quero que o meu destino / Venha nos
distanciar // Filho não importa aonde o destino vai / Saiba que
o meu amor de pai / Sempre ira te acompanhar // Que bom que deus fez
de nos dois mais do que pai e filho permitiram que agente dividisse
o brilho do sol que pra muito jamais vai nascer / Que bom que deus deu
pra esse filme um lindo final transformando um sonho em vida real vida
que agente só tem que viver // Pai sua voz hoje é minha
voz / Tem um elo de paz entre nos / Que nada poderá romper //
Filho nesse mundo azul que é tão só seu / Hoje
tem um pai que compreendeu / O amor quando te viu nascer // Pai você
é o meu grande amigo / (muito mais que um amigo) / Quando você
conversa comigo / Me sinto seguro e melhor // Filho pode apostar na
vida com fé / Que por deus todo homem já é uma
luz a brilhar por si só // Que bom que deus fez de nos dois mais
do que pai e filho permitiu que agente dividisse o brilho do sol que
pra muito jamais vai nascer / Que bom que deus deu pra esse filme um
lindo final transformando um sonho em vida real vida que agente só
tem que viver (2x) // Pai, filho. - Rick e Renner" - Linda canção!
Nada melhor que um bom relacionamento...
Nada mais a dizer... Nada melhor que poder ser chamado de "Pai!"
"Pai, papai..." (Agosto de 2008)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
DAR BEM DADO
A língua, ou melhor, o
uso da língua nos proporciona inúmeras situações
que - se não prestarmos atenção - entramos em cada
problema, e alguns - diga-se de passagens - meio complicados.
Um exemplo legal é este
a seguir: "Dar bem dado que fica o resto da vida dado." É
uma frase que, a primeira leitura, leva a mil interpretações,
a mil ideias - entre elas a que você, caro leitor, pensou.
Mas essa situação
aconteceu na escola (e sem querer, é claro) e rimos muito. A
situação foi assim - uma aluna deu um gritinho bem histérico
chamando a minha pessoa, voltei o meu olhar pra ela e a mesma disse-me:
"Professor, olha o 'Fulano' me atormentando." - notei que
não era tão sério o assunto e, espontaneamente,
disse (fazendo gesto): "Dê um bem dado que o resto da vida
fica bem dado que ele não vai esquecer mais, assim, não
vai mexer mais com você." Dito isto, a sala toda caiu na
gargalhada, comentando: "Dê bem dado pra ele que ele nunca
vai te esquecer..." - claro que ironizando a situação,
levando para o outro lado - como dizem.
Essa nossa língua nos
prega cada uma! Essa é a nossa língua: a nossa Língua
Portuguesa!
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.
A ALÇA
DO SUTIÃ
Franceses –
se não estiver enganado – têm cada idéia!
Inventaram o danadinho do sutiã. Uma peça que evoluiu
com o tempo e hoje há de vários modelos, cores...
Os mais variados
modelos encobre peles claras, morenas e negras deixando a doçura
dos seios cobertos, seguros – ou isto em parte. Para algumas damas
– pelo excesso que possuem é um alívio: pois são
seguros para não saírem pulando (deve ser horrível
tê-los a balançar!). Prosseguindo, mas o que o título
sugere não é o tamanho dos seios, a cor da pele ou o fato
em si de estar cobertos, ou ainda o tamanho deles, mas a danadinha da
alça.
Pessoalmente,
o que vou relatar aqui é o problema que acho terrível
em determinadas mulheres que não se prezam em se vestir.
Esquisito colocar
o sutiã e ficar com as alças viradas – ou torcidas
(salvo aqueles que são de silicone e possuem forma arredondada).
Fica tão estranho que me dá vontade de cutucar a ‘fulana’
e dizer: “Arrume a alça do sutiã que está
me incomodando!”
Imagine se a
tal ‘fulana’ simplesmente dizer: “Se estiver incomodando
você, arrume-o!” – o que vou fazer? Arrumar ou não,
eis a questão!
Mas, caro leitor,
se você for mulher, atente para este pequeno detalhe que lhe tira
o charme, pois pode ser interpretado como “não saber se
vestir”. (E, se encontrar eu na rua, não me provoque deixando-o
torto, porque já viu...)
- Pedro César Alves
- é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas
vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est.
de Educação de SP.