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PEDRO CÉSAR ALVES

 

PEDRO CÉSAR ALVES

Pedro César Alves é professor, gestor do PEF e coordenador do site "Araçatuba e Região".

 

Leia mais textos do autor: POLITICAMENTE CORRETO (publ. no Jornal "O Liberal")

 

CATA-VENTO

Não se sabe claramente a origem – pois cada site de pesquisa cita determinado lugar e isso pouco importa neste momento – mas ele está aí e deve ser usado, e da melhor forma possível. Segundo o dicionário on-line Michaelis, cata-vento é uma palavra composta: catar + vento, mas que tal catar ideias?
E, pensando assim, que tal começarmos a buscar as ideias tendo em vista um objetivo bem claro, bem delineado?
Exemplificando, estamos às vésperas das eleições e, com algumas exceções, os políticos de plantão possuem um objetivo bem claro: angariar a maior quantidade de votos para vencer o pleito. E nós, dentro da Educação, o que queremos? Ou, como venceremos? Como cataremos estas ideias tornando-as um objetivo alcançado ao final de cada etapa?
Na Educação temos dois lados, a princípio. Por um lado temos o aluno, pelo outro o professor – ou seja: famílias preocupadas com o melhor aprendizado de seus filhos e, pelo outro lado, a escola buscando oferecer o melhor a estas famílias. Todos buscando o melhor preparo do cidadão que em breve atuará no mercado de trabalho.
Partindo para uma breve reflexão: este aluno, o nosso aluno, o que nós temos em mãos, será que está preocupado com seu aprendizado? O leitor pode pensar que este escriba não conhece a situação, mas posso afirmar claramente que vivencio a situação de perto há mais de duas décadas e vejo, gradativamente, o desinteresse destes em relação aos estudos – consequentemente, temos cidadãos despreparados para enfrentar o mercado de trabalho e isso agrava sistematicamente a nossa vida – pois somos parte de uma sociedade que, independente da classe social, precisamos uns dos outros.
Continuando a reflexão, mas vista pelo outro lado – a família: nota-se a preocupação destas pelo melhor aprendizado destes futuros cidadãos que entrarão num mercado de trabalho competitivo. Posso afirmar que estão preocupados sim, mas não sabem como manipulá-los para que se preocupem mais com o melhor aprendizado e, consequentemente, um futuro mais digno.
Agora surgem as perguntas que não deixam as mentes mais prodigiosas sossegadas: como mudar tudo isso? Como entrar na mente do educando e, pelo menos, fazê-la pensar de forma diferente da atual? Como interagir junto à família para que esta consiga melhores resultados? Como a escola – que auxilia no preparo deste cidadão para o mundo, para o mercado de trabalho – pode contribuir? (Sem deixar de pensar que tudo hoje gira em torno de duas simples palavras: ‘velocidade tecnológica’.)
São perguntas que muitos estudiosos, pais e escolas fazem. Solução? Não há respostas prontas, concretas, mas somente um caminho aponta para que tudo isso funcione de maneira a produzir resultados: uma interação maior entre as partes envolvidas. E não esquecer que as cobranças devem ser feitas (talvez até intensificadas), mas tudo dentro de uma pedagogia onde o relacionamento entre as partes envolvidas fortaleça-se mais. - 25/07/2012 - Prof. PEDRO CÉSAR ALVES

 

 

FIM DA QUARESMA, SÁBADO DE ALELUIA E DOMINGO DE PÁSCOA

 

A partir de pesquisas em sites religiosos, apresento aqui algumas datas do calendário cristão que estamos vivendo: Quarta-feira de Cinzas, Quaresma, Sábado de Aleluia e Domingo de Páscoa.
A Quarta-feira de Cinzas representa o primeiro dia da Quaresma no calendário gregoriano, podendo também ser designada por Dia das Cinzas e é uma data com especial significado para a comunidade cristã. A data é um símbolo do dever da conversão e da mudança de vida, para recordar a passageira fragilidade da vida humana, sujeita à morte. Coincide com o dia seguinte à terça-feira de Carnaval e é o primeiro dos 40 dias entre essa terça-feira e a sexta-feira, (Santa) anterior ao Domingo de Páscoa. A origem deste nome é puramente religiosa. Neste dia, é celebrada a tradicional missa das cinzas. As cinzas utilizadas neste ritual provêm da queima dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior. A estas cinzas mistura-se água benta. De acordo com a tradição, o celebrante desta cerimônia utiliza essas cinzas úmidas para sinalizar uma cruz na fronte de cada fiel, proferindo a frase ‘Lembra-te que és pó e que ao pó voltarás’, ou a frase ‘Convertei-vos e crede no Evangelho’.
A Quaresma é a designação do período de quarenta dias que antecedem a principal celebração do cristianismo: a ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no domingo de Páscoa, praticada desde o século IV. A Quaresma começa na quarta-feira de cinzas (após o Carnaval – festa carnal) e termina na quinta-feira da Semana Santa, quando os católicos realizam a preparação para a Páscoa. O período é reservado para a reflexão, a conversão espiritual e onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar seu espírito. Cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 d.C. a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias e foi assim que surgiu a Quaresma.
Sábado de Aleluia, Sábado Santo – último dia da Semana Santa. Antecede o domingo de Páscoa – faz parte do calendário dos seguidores do cristianismo. Neste dia acende-se o Círio Pascoal – uma grande vela que simboliza a luz de Cristo, que ilumina o mundo. Na vela estão gravadas as letras gregas Alfa e Ômega, que quer dizer ‘Deus é o princípio e o fim’. Na tradição católica, os altares são descobertos, pois assim como na Sexta-Feira Santa, não se celebra a Eucaristia. As únicas celebrações que fazem parte é a Liturgia das Horas. Além da Eucaristia, é proibido celebrar qualquer outro sacramento, exceto o da confissão. Antes de 1970, no sábado de aleluia os católicos romanos deveriam praticar um jejum limitado, como abstinência de carne de gado, mas poderiam consumir peixe, etc. É também no Sábado de Aleluia que se faz a tradicional Malhação de Judas, representando a morte de Judas Iscariotes.
Domingo de Páscoa – Páscoa: significa passagem, e vem do hebraico Pessach. Páscoa é uma celebração da religião Católica, que simboliza a Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte, após ter sido crucificado. A Páscoa é uma data móvel, que varia o dia a cada ano. Os espanhóis chamam a data de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de Pâques. A Páscoa é o dia mais importante para os católicos, e é cheio de símbolos que marcam gerações. As famílias judaicas fazem um jantar especial – e este jantar pode durar até oito dias, geralmente. O símbolo mais conhecido na Páscoa atualmente é o coelhinho. O animal tornou-se símbolo porque, em tempos antigos, no hemisfério norte, a celebração era exatamente no fim do inverno e o início da primavera – quando os animais apareciam novamente, cheios de ovos, então os pastores e camponeses se davam de presente. O ovo de páscoa é o momento mais esperado pelas crianças, e nas culturas antigas, o ovo trazia a ideia de começo de vida. Os povos costumavam presentear os amigos com ovos, desejando-lhes boa sorte. Atualmente, existem diversos tipos de ovos de chocolate, com recheios, bombons, brinquedos, e muito mais.
Aos cristãos resta-nos apenas ajoelhar, agradecer pelas dádivas recebidas e, humildemente suplicar ao Criador que ilumine cada dia mais o nosso caminhar nesta face de Terra, pois só a Ele devemos reverenciar, sempre! 05/04/2012 Prof. PEDRO CÉSAR ALVES

 

UM DIA GOSTARIADE SER POLÍTICO

POLÍTICO HONESTO? NÃO GENERALIZE! rsrsrsrsOutro dia lendo os jornais locais – recebo-os em casa – e notei que há tantas coisas a pensar sobre a política. E, já não é a primeira vez que me vem à mente: por que não ser político? Ou, por que não tentar uma cadeira no legislativo?
Deve ser interessante: pois as brigas são constantes, os desacordos enormes... Logo, eu que sou meio ‘fuçado’ – por assim dizer, seria uma boa. Pra não dizer que gosto de ver e fazer as coisas certas, por isso ‘brigo’ pelas coisas que acho certas, ou – ainda – para ter as coisas certas.
E, pensando neste assunto, conversei com alguns amigos (amigas) que também estão nesta situação desconfortável perante os atos de nossos políticos (desconfortável porque não concordam com o que eles fazem) e disseram-me – pelo menos uns quatro ou cinco: nestas próximas eleições sairei para o campo. Ou seja: darão a cara a bater pelos ideais que pregam.
Fico a me perguntar: será que valerá a pena? As eleições estão às portas e nossa cidade tem muito a se fazer – e não apenas em final de mandato (como notamos por aqui – e não somente aqui na esfera municipal, acontecem tais estratégias também nas esferas estadual e federal). Por que os cidadãos araçatubenses não começam a pensar de forma diferente. Simples: mudança nos quadros do executivo e do legislativo.
Creio que devemos pensar de forma diferente e o mais rápido possível. Como cidadão, observo atentamente os políticos, e ressalto: que nem tudo está perdido – pois há coisas boas, ainda! Mas, por outro lado, os que lá estão não fazem mais do que obrigação: foram eleitos para isso!
E nós, aqui do lado de fora, como espectador, concluímos: por que será que os que lá estão mudaram de suas posições iniciais – principalmente antes de serem eleitos? Será que meus amigos vão mudar quando lá chegarem, se chegarem? Ou, ainda: será que mudarei se um dia chegar lá?
Começo a rir sozinho com tais ideias e observo atentamente ao Troféu “Odette Costa”, recebido em dois mil e onze, por fazer parte contínua da divulgação cultural em ‘Mídia Livre’ no ano anterior em nossa cidade – oferecido pelo Conselho Municipal de Cultura. Mais acima o ‘Voto de Aplauso’ recebido em fevereiro deste ano de dois mil e doze na Câmara dos Vereadores pelos trabalhos prestados ao setor da Educação, em dois mil e onze. É de se pensar: tenho potencial! 24/03/2012 - Prof. PEDRO CÉSAR ALVES

 

ANJO, ÀS VEZES, É ENVIADO

Não entendo bem as coisas, melhor: não entendo bem os propósitos do Ser Maior, Deus – o Criador. E, por não entender, às vezes reluto. Relutando, às vezes, tropeço. Mas Ele me estende as mãos e levanta-me sempre.
Sou um ser que penso muito (escrevo assim porque há seres que têm preguiça de pensar). Eu, pelo contrário, às vezes ‘fervo’ de tanto pensar – e, às vezes, na busca de explicações de certas coisas que me acontecem. Na busca de tentar adivinhar o porquê daquilo estar acontecendo.
Nesta manhã de domingo estou leve. Passei um sábado maravilhoso: o ‘fervo’ das baladas não me estavam caindo bem: resolvi mudar/ queria mudar – mas não encontrava forças. Mas o Criador, Pai e conhecedor de tudo, em sua benignidade, estendeu sua mão novamente. Até saí de casa no sábado, mas com propósito diferente e hoje – domingo – estou ótimo!
Resolvi na tarde de ontem visitar minha mãe. Depois dar uma alongadinha e dar os parabéns a uma grande amiga que se encontrava numa balada aqui da cidade – após um rápido telefonema. Fui, mas não me senti bem – meia hora depois estava em casa (o que causou estranheza nela).
Espero que essa estranheza permaneça, não somente nela, mas nos grandes amigos que lá possuo – pois de hoje em diante quero guiar os meus pés para os templos de Deus. (E, acrescento: não sou eu apenas que sinto um vazio quando lá está - explico: enquanto a esperava chegar até onde eu estava sentado, uma amiga se aproximou e comentou comigo que também estava farta daquilo – que gostaria de mudar e estava pensando seriamente em abandonar tudo – as baladas – e guiar os seus passos para a Casa de Deus, de onde viera e não deveria ter saído. Concordei com ela e disse que buscaria forças também no meu interior para isso acontecer comigo.) E quero continuar causando estranheza sim.
Mas para tudo tem os porquês que, às vezes, desconhecemos. Em mim aconteceu por causa de um anjo. Um anjo que, por propósitos do Ser Maior, foi colocado em meu caminho. Vejo desta forma – o Ser Maior entende.
Este anjo tem nome e sobrenome – e como sempre digo: da cor do pecado! (A cor do pecado, como às vezes cito, é cor morena! Negra!) Encontramos, por acaso, e no tecer dos dedos conversamos durante bons dias. Contava as peripécias vividas, os sentimentos, as vivências – e ela fazendo o mesmo: criamos laços de amizade. Resolvemos nos encontrar.
Hoje, domingo, dia dezoito de março: vou dar os primeiros passos de volta ao templo do Criador e firmar os pés lá – pois somente Ele é o ser Maior para me ajudar. E os dias dezesseis, dezessete e dezoito de março deverão ficar marcados em minha mente – quero acreditar nas transformações.
E, ao voltar para casa hoje à noite, quero sentar aqui novamente nesta cadeira, ligar este notebook e escrever que estou mais leve que esta manhã – mesmo tendo um dia cheio de trabalho (pois agora passarei a preparar as aulas da semana – um total de quarenta e quatro aulas!) – e não reclamar, pois tendo bastante trabalho significa que o Criador abençoou o fruto do meu trabalho, fazendo-o reconhecido.
E a você, meu caro leitor, acredite que Deus pode fazer coisas magníficas por aquele que n’Ele crer – basta crer! Crer – ter fé – e pensar (repensar) na vida que leva e pedir ao Criador que a mude, que opere a seu favor. E Ele, conhecedor dos mistérios da vida, operará a favor. 18/03/2012, 09h - Prof. PEDRO CÉSAR ALVES

NOITE DE DOMINGO

Hoje, noite de domingo. São exatamente 23h e 30 minutos, estou começando a escrever e não me estenderei por muito tempo: apenas o que eu acho necessário. Necessário, é claro, do meu ponto de vista. E tem mais: amanhã acordo cedo.
Como comentei nesta manhã sobre anjos – e ele me acompanhou. Aliás, os anjos me acompanharam. Fui nesta noite de domingo à igreja – e realmente estou mais leve: estou consciente de que Deus é Pai, mesmo estando em desobediência com Ele. (E tenho certeza que Ele vai me corrigir, pois escrito está ‘Que o pai corrige o filho que ama’ – mesmo que sofrendo um pouco.)
Quero nas poucas linhas deste texto agradecer ao Criador pelas maravilhas que Ele faz – e de joelhos ao chão hei de agradecer sempre! E acrescento: eu acredito nas transformações que Deus faz, pois somente Ele tem o poder de criar oportunidades para que o próprio homem se regenere; somente ele coloca anjos em nossa frente para nos guiar – de volta – ao caminho que leva a Deus – e consciente de que Igreja não salva, mas sim a fé que depositamos no Criador.
Agora, em particular – mas que vai ficar público: “Anjinha morena que está no meu caminho – você foi o melhor de tudo que me aconteceu nestes últimos seis meses...” 18/03/2012, 23h45 - Prof. PEDRO CÉSAR ALVES

 

 

08 DE MARÇO

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

'TODOS OS MESES'

Meus sinceros parabéns às mulheres que fazem, e fizeram, parte da minha vida: em especial a minha mãe, a mãe dos meus filhos, a minha filha F. Caroline; às mulheres que conviveram comigo (e as que ainda vão conviver): amantes-amadas; as minhas colegas de trabalho, as minhas alunas... - pois aturar-me não é fácil!!!

Se eu pudesse...

Não somente flores daria, mas muitos beijos no 'coração'!

 

A SOLIDÃO PEDE PASSAGEM

DAR PASSAGEM À SOLIDÃONão sei se posso dizer que é opção, ou imposição da vida, mas muitos vivem sozinhos. Viver sozinho não é nada interessante como dizem, mas o contrário.
Alguns alegam que viver sozinho é ter liberdade total, é fazer o que bem entender a qualquer momento, é conhecer o mundo sem pedir licença a alguém, é o ir e o vir sem dar explicação, entre outras coisas mais. Em parte é tudo isso – talvez até um pouco mais, mas será que vale a pena?
Outro dia, sentado à mesa de uma lanchonete, sozinho contemplava a multidão que alegremente dançava ao som da voz rouca e bêbada do cantor e dos sons dos instrumentos – e fiquei a imaginar o que alguns e algumas faziam após o término do show: a vida não pode parar – voltavam para baixo de seus respectivos tetos, sozinhos, e começavam a falar com as paredes – assim como já ocorreu com este que vos escreve. De tanto imaginar, certo dia aconteceu o inesperado.
A roda se abriu, as conversas tomaram muitos caminhos, mas o fim chegou. Fecharam-se as cortinas e eu a levei para sua casa. Ofereceu-me água, e ficamos por algum tempo a conversar. Ela confessou-me: “O difícil começa agora: o estar sozinha.” Pensei com meus botões: também estou nesta, menina!
Logo, por que não deixar a solidão ir embora? Por que não aceitar certas convivências a dois? Por quê? E se começasse a citar, vários motivos seriam enunciados aqui. O que será que acontece com os homens e mulheres que se mostram alegres, mas no apagar das luzes a solidão permanece – não pede passagem?
Será que estamos voltando para dentro de nós e não estamos dando passagem à solidão? Refiro-me aos que nesta situação se encontram (outros, a trancos e barrancos – como dizem – levam a vida a dois... – ou, tentam levar).
É fácil para quem está de fora a comentar, mas o difícil é o viver, difícil é o conviver com a solidão; ou, difícil é conviver... Então, dar ou não dar passagem a tal solidão? Você – se é o caso de estar nesta situação – decida! 07/03/2012, 19h - Prof. PEDRO CÉSAR ALVES

 

AS PESSOAS COMO SÃO

'VIVER SOZINHO'

BANCO - SOLITÁRIOComo são engraçadas as coisas! Às vezes percorremos longos caminhos e nem sempre acontece como esperávamos, mas... E de repente acontece de maneira que não esperávamos. Como é este mundo, não é mesmo?
Eu sou uma pessoa que não me dou muito bem com o conviver junto – sou muito estourado! Tenho, possivelmente, o olhar franco das coisas e não fico medindo palavras – apenas falo o que penso, não guardo facilmente mágoas – só em extrema repetição de mesmos erros, e acabo de falar chamo para tomar café – como se nada tivesse acontecido. Sou assim... E pretendo ser assim até o último suspiro de minha permanência neste tabernáculo terrestre. (Tabernáculo vem do latim ‘tabernaculum’ e significa tenda, cabana, barraca; no tempo do Êxodo também existia – e era uma tenda portátil onde Deus falava ao seu povo por meio de seu profeta - Moisés; aqui no texto, quando usei, dei-lhe a proporção de ‘corpo humano’.)
Decidi há pouco tempo que, apesar do viver sozinho ser penoso, mas a mim está sendo necessário. Vivo bem – e sem brigas. Claro! – pode você, caro leitor, dizer. É obvio que não é possível eu brigar com eu mesmo – mas às vezes acontece... Acontece quando faço determinada coisa e, tempos depois, vejo que não era aquela a melhor maneira – logo, discuto comigo mesmo: por que não pensei melhor antes de fazer?
E, como disse outro dia, ‘assim caminha a humanidade’ – e como caminhamos! Sempre, apesar de tanta solidão que há no mundo, sempre procuramos no outro algo que ‘achamos’ que vai nos satisfazer. Mas nem sempre somos correspondidos em nossas expectativas. E logo aparecem as decepções.
Outro dia li que devemos procurar em nós mesmos o nosso outro eu! Fiquei a pensar e conclui que é pura verdade... Se não nos encontrarmos, como vamos nos encontrar no outro o que queremos? Assim, precisamos ser independentes – e cada vez mais e fazer da solidão uma amiga aventureira. Aventureira no sentido de dar a ela (e a nós) oportunidades de ‘ausentar’. Explico: hoje preciso de espaço para estar só; amanhã preciso de espaço para estar com o outro – e assim levando a vida... Ou, como diz a canção ‘Deixa a vida me levar’, que Zeca Pagodinho entoa muito bem: ‘Eu já passei / Por quase tudo nessa vida / Em matéria de guarida / Espero ainda a minha vez / Confesso que sou / De origem pobre / Mas meu coração é nobre / Foi assim que Deus me fez... // E deixa a vida me levar / (Vida leva eu!) / Deixa a vida me levar / (Vida leva eu!) / Deixa a vida me levar / (Vida leva eu!) / Sou feliz e agradeço / Por tudo que Deus me deu... // Só posso levantar / As mãos pro céu / Agradecer e ser fiel / Ao destino que Deus me deu / Se não tenho tudo que preciso / Com o que tenho, vivo / De mansinho lá vou eu... // Se a coisa não sai / Do jeito que eu quero / Também não me desespero / O negócio é deixar rolar / E aos trancos e barrancos / Lá vou eu! / E sou feliz e agradeço / Por tudo que Deus me deu... // Deixa a vida me levar / (Vida leva eu!) / Deixa a vida me levar / (Vida leva eu!) / Deixa a vida me levar / (Vida leva eu!) / Sou feliz e agradeço / Por tudo que Deus me deu... // Eu já passei / Por quase tudo nessa vida / Em matéria de guarida / Espero ainda a minha vez / Confesso que sou / De origem pobre / Mas meu coração é nobre / Foi assim que Deus me fez...”
E, finalizando, viver na solidão não é fácil não, mas precisamos dar tempo a nós mesmos – principalmente quando as coisas não estão dando certo. Então, o melhor remédio de quem vive só – ou está aprendendo a viver só é: nunca deixe a solidão te tomar totalmente, dê a ela – e a você – o direito de se ausentar. 21/02/2012, 22h - Prof. PEDRO CÉSAR ALVES

 

ANJO E DEMÔNIO

(ANJA E DIABA)

Outro dia fiquei a pensar sobre anjo e demônio – e, às vezes, nos deparamos com eles bem ao nosso lado, aqui nesta Terra de bênção e de maldade – mas não é por isso que vamos desanimar. Estamos, afinal, aqui pra isso: para vencer sempre; fracos são aqueles que, durante a caminhada, desistem e ceifam a própria vida.
Pensando em escrever sobre anjo e demônio, mais anjo que demônio, fiz algumas reflexões – que você, caro leitor, pode também tirar as suas conclusões. E, nas minhas reflexões de pensador desocupado (pelo menos neste momento), somos nós mesmos os anjos e os demônios. Às vezes fazemos o bem, às vezes – e sem querer, fazemos o mal: por quê?
Nós, seres humanos, entramos constantemente em contradições: às vezes queremos certas coisas, logo depois queremos outras coisas – e ‘assim caminha a humanidade’, como diz a canção. Mas, afinal, caminhamos; progredimos.
A imagem ilustrativa deste texto, que já diz tudo, é melhor que a minha (como diz meu amigo José Marcos Taveira). Disse-me certa vez que era melhor eu colocar uma imagem que fazia referência ao texto, pois a minha era muito feia, justificava. Acreditei: e esta veio de encontro!
E como alguns sabem, eu adoro escrever sobre o anjo chamado de mulher – que ao mesmo tempo também é diaba. Como são terríveis! Mas, apesar do adjetivo citado, são ao mesmo tempo adoráveis (quando querem). Por quê? (Gostaria que, algum dia, uma ‘anjinha’ me respondesse...)
Às vezes penso que uma anja ‘torta’, loura (que não é a minha praia), de olhos claros fora indicada pelo Criador para estar ao meu lado – mas, como eu recusei – não tenho certeza disso (pois deve ter sido inconscientemente), sempre dou com ‘os burros n’água’! Creio que minha preferência pelas anjas/diabas morenas me causa tudo isso.
Apesar de tudo, ainda continuarei a tentar – afinal, estou vivo, não é mesmo? Ou, como ontem ouvi de uma colega de trabalho: “Você diz isso porque não encontrou, ainda, a sua alma gêmea.” Existe? (13/02/2012)

Obs.: se você souber a resposta, envie-me: Prof. PEDRO CÉSAR ALVES

 

 

QUESTÃO DE OPINIÃO

Leia o comentário a seguir - em forma de texto "QUE POLÍTICA É ESTA", sobre a posse do Conselho Municipal de Cultura de Araçatuba. Sou uma pessoa clara, sem intenções partidárias, mas com uma visão diferenciada. E, a partir do que aqui escrevi, o professor Hélio Consolaro, Secretário de Cultura de Araçatuba, enviou-me o seguinte e-mail (que reproduzo após o termino do meu texto):

 

CRÔNICA DO DIA

13/11/2012

"QUE POLÍTICA É ESTA?"

MINHA INDIGNAÇÃO COM QUEM TRABALHA COM CULTURA

PEDRO CÉSAR ALVESEsta semana o assunto ferveu aqui na cidade. E não é por puro exagero, mas por um fato a ser pensado. Digo fato a ser pensado porque apenas vou comentá-lo a partir do meu ponto de vista – e não do ponto de vista legal, pois neste último citado não compete a mim – mas deixo claro que, se na Legislação em vigor (e no Estatuto da Entidade) tiver esta brecha, é muito maior ainda o fato a se pensar.
Esta semana passada a cidade de Araçatuba passou pela vergonhosa disputa da nova Presidência do Conselho Municipal de Cultura. E você, caro leitor deste site, imagine o que é ser fiscal de si próprio? Pois bem – é o que ficou estampado no jornal... E sabe por quê? Não sabe ainda? Então vou dizer: o Secretário de Cultura saiu candidato numa chapa! E pior: voto aberto e ganhou!
E dizem as más línguas que, até pessoas que dificilmente apareciam nas reuniões, neste dia apareceram e deram voto ao eleito! E olha que não sou linguarudo! Mas sou um ser pensante sim!
Desculpem a minha indignação (e a de muitos outros araçatubenses que sabem como é duro viver numa cidade em que a Cultura não está em primeiro plano – que, sempre que possível, fica para trás, inclusive na aplicação de verbas): mas onde está o que podemos chamar de ‘razão e ética’? Será que não existe profissionalismo? Ou apenas interesse de quem exerce o poder?
Não sou politiqueiro. Sou filiado a partido político sim, mas não tenho intenção momentaneamente de disputar cargo nenhum – mas não poderia me calar frente a este absurdo. E penso mais: trabalho é trabalho, amizade é amizade, mas que a verdade seja dita!
“ARAÇATUBA (ou melhor – seus dirigentes) deu um enorme passo para trás nos progressos que, embora pequenos, mas que ainda podiam se ver – e agora não mais – pois passa a ser duvidoso qualquer ação a partir de agora: passou a ser presidente do Conselho Municipal de Cultura o próprio Secretário de Cultura. É mole ou você quer mais? Você já viu tal fato? Deve ser somente no Brasil...”.
E seguindo o meu raciocínio – como terá um Conselho força de cobrar de seus gestores se, o próprio Gestor Público exerce a função principal? Não terá força alguma. E não adianta sair dizendo que o Presidente do Conselho não faz sozinho – mas a partir de opiniões dos Conselheiros – mas, diga-se de passagem: tal fala não entra na cabeça de nenhum ser que tem, pelo menos, um pouco de noção. E que me poupe as mentes menos esclarecidas com comentários furtivos: eu sou um cidadão que sei ler nas entrelinhas. Posso, às vezes, não estar presente em muitas reuniões aqui na cidade, mas acompanho de perto o que acontece por aqui. Não sou e nem no meu nome tem a letra ‘b’ – que ajuda a formar a palavra ‘burro’!
A ética, acima de tudo, deveria prevalecer, mas não. E pior: porque não adianta neste momento falar apenas da presidência, mas dos que se fizeram presentes na mesma chapa. Parecem leões soltos, famintos, perdidos, ou abandonados após algum espetáculo circense e que seus donos não puderam sustentar por medo de que o picadeiro, num futuro próximo, caísse.
E, para finalizar, acrescento: é vergonhoso saber (embora por más línguas, mas neste momento verdadeiras) que até alguns membros do Conselho – representantes legais de deferentes meios artísticos, que podiam exercer o direito de vetar a ação – se ausentaram na hora da votação. É UMA VERGONHA A MAIS PARA A CIDADE! Não são dignos de representar a categoria que representam.
Ausentaram-se para não ser chicoteados mais tarde pela oposição que poderiam ter feito. Mas, penso cá com meus botões: ficou mais feio ainda, pois não possuem cabeças firmes para saber o que é certo ou errado e deixaram levar pela amizade – esqueceram que Araçatuba, naquele momento, era a estela!
Se você chegou até aqui em sua leitura, e sentiu indignado com a atitude tomada por parte da política araçatubense (e espero que pensem muito neste assunto’), dê a sua opinião através do e-mail a seguir que em breve será publicado aqui e divulgado nos meios culturais. Eu faço a minha parte, mostro a minha indignação – independente que conhecer a pessoa de quem falo de longa data. Eu sou assim: língua felina! PROF. PEDRO CÉSAR - publicado às 08h30.

 

E-MAIL do prof. Hélio Consolaro:

Pedro,

Já que o site entrou na briga e eu fui seu padrinho na indicação dele para o prêmio Odette Costa, gostaria que publicasse a minha versão também, publicando meu artigo anexo.

 

Respondi às 12:23 - :

Hélio, não é briga, nada pessoal - acredito no seu trabalho, no trabalho da Secretaria, mas sou claro nos meus pensamentos - é a minha visão sobre o assunto, sobre o lado ético... por isso coloquei sobre o meu ponto de vista, e não sobre o ponto de vista legal, pois aí cabe uma discussão diferente.

Eu também sou GESTOR público - e tenho uma Comissão que fiscaliza o que faço... - eu não posso 'me fiscalizar' - pois passa aos olhos dos que assistem que é hipocresia de minha parte eu me fiscalizar... (Não posso dar nome a isso de democracia quando eu exerço simultaneamente funções parecidas.). É apenas essa uma visão minha... e creio eu, como somos inteligentes o bastante, temos que debater o assunto sim e procurar arrumar saídas... Você sabe que tento divulgar o que eu posso de CULTURA - amo a nossa cidade, mas achei muito feio/deselegante a atitude tomada de sua parte e dos que estiveram com você na chapa... E acrescento que, ainda mais feio, foram os que se retiraram por não concordar, mas por ligações pessoais, não votaram - e eu entendo, cá entre nós, que é uma questão política! Espero poder crer que, você, de sã consciência - e ocupando o cargo que você ocupa (e tendo um histórico dentro de nossa cidade), não teria tomada essa posição se não fosse questões políticas.

Assim que chegar em casa publicarei, pois entendo que você tem o direito de explicar-se... estou lendo diariamente os comentários... até 15 horas estarei em casa... estou trabalhando no momento...

Quanto à indicação, sou grato, mas fiz pelo que mereci - e quando me avisaram até fiquei surpreso, pois fiz e contiuo fazendo porque gosto do que faço e sem esperar retorno! Prof. Pedro César.

TEXTO enviado pelo prof. Hélio Consolaro solicitando publicação:

Conselho Municipal de Políticas Culturais - Hélio Consolaro*

Na última terça-feira, 8/11, houve eleição da presidência do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Araçatuba (CMPCA), da qual, como secretário municipal de Cultura, saí presidente, acumulando funções.

O CMPCA é diferenciado em relação aos demais (dezenas deles) conselhos. Posso dizer que é o mais consciente e mais político deles, possui 41 membros. Não é paritário, embora nele os segmentos culturais estejam proporcionalmente contemplados.

É bom dizer, para que tenhamos a dimensão de tais instâncias, que eles fazem parte do Poder Executivo. Quanto mais aberto e deliberativo for, significa que o prefeito está abrindo mão de seus poderes, dividindo-os com um coletivo. Nenhum conselho tem CNPJ próprio, não se trata de uma entidade. Eles participam do organograma de suas respectivas secretarias.

No biênio 2007-2008, participei do antigo “conselhinho” da Cultura. Ele tinha em torno de 10 membros. E não era deliberativo, como o atual. O prefeito da época não dava importância a tais instâncias. O maior feito dele foi montar a Conferência Municipal de Cultura, uma instância de discussão da cultura de Araçatuba, cujo maior feito foi a elaboração da “Carta aos candidatos a prefeito de 2008”, que foi adotada pelo prefeito Cido Sério (PT), inclusive me chamando para ser seu secretário e aplicá-la como havíamos planejado.

Se o CMPCA tem todo esse gás, trata-se de uma cidadania cultural que vem sendo formada desde 2004, quando eu era presidente da Academia Araçatubense de Letras, e montamos o Fórum Cultural, que começou a fazer o Barracão Cultural na Expô, e também fez uma carta aos candidatos. Conseguimos, naquela época, que a antiga Secretaria Municipal de Cultura, que tinha sido rebaixada a departamento pelo prefeito Maluly Neto no seu primeiro mandato fosse transformado novamente em secretaria.

Podemos dizer que boa parte do conteúdo da “Carta aos candidatos” foi adotada pelo prefeito Cido Sério (PT). Estamos num momento em que a Câmara Municipal de Araçatuba discute em suas comissões quatro projetos de leis importantíssimos: criação do Fundo Municipal de Apoio à Cultura (600 mil para projetos culturais de artistas e entidades), da lei de incentivo fiscal (a nossa Rouanet municipal), a lei do tombo e, por último, o projeto que cria o sistema municipal de cultura. Atravessamos um momento bom na cultura de Araçatuba. O foco deve ser esse e não se perder em futricas e pichações nas redes sociais, fazendo tempestade em copo d’água.

Diante disso, troquei ideias com o prefeito Cido Sério (PT), para formar uma coordenação partidariamente neutra para atravessar o pleito eleitoral que se avizinha. Ele me disse: “A criatura é sua, eu apenas dei o sopro de vida a ela, mandando para a Câmara Municipal projeto de lei elaborado por vocês”.

Não consegui, porque os neutros perceberam quão difícil seria conduzir o CMPCA diante do clima de guerra que fora instalado. A partidarização ficou evidente.

Então, combinamos: caso não conseguíssemos essa coordenação mais neutra, eu seria presidente, nem que fosse provisoriamente, mas também foi tratado que a vice-presidente Margareth Martins teria (como terá) uma função muito importante, representando a presidência em situações em que o acúmulo de funções fosse gerar excesso de poder.

E assim ocorreu. Nunca desejei isso. É um desafio da função que ocupo posto pela realidade. Espero levar o barco para zonas menos turbulentas.

* Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Atualmente é secretário municipal de Cultura.

Agora, 14h10, faz-se publicado.

O NOME DELA NÃO É...

As conversas são coisas que prendem um ser ao outro. Talvez seja pelo clima que se estabelece: principalmente quando este é amigável.
Mas o que me angustia é não saber o porquê de muitos casai passar a discussões constantes depois de certa altura de convivência. Por quê?
Aliás, creio eu, são tantos os porquês que poderiam – as palavras – encher várias páginas apontando os problemas e, de certa forma, possíveis soluções.
As conversas, no início, fluem (e não é um jornal famoso), mas depois parecem que emperram – semelhante a portas velhas. E por aí se tira o restante: complicado ao extremo. Às vezes, ninguém quer ceder – é o primeiro apontamento. Entre outros tantos.
Vamos dizer – quem já passou por isso: tudo é flor, depois labor. E, certos labores, quando não bem definidos, acabam no que já é conhecido: indiferenças, desavenças, dissabores.
Logo, o nome dela não é o que todos imaginam que é – acho que até o melhor poeta, pensador, filósofo – ou egoísta mesmo – conseguiu dar nome. Prefiro ficar na pendência com o leitor – e, desculpe-me por não dar também nome a ela – você decide! (01/11/2011 )

 

ESCREVINHANDO SER PAI

Escrever é uma coisa que sai de dentro – nem sempre. Escrever é uma arte que pede trabalho. Que pede ação, e às vezes com certa urgência. Escrevinhar não é um trabalho, mas sim um fazer o tempo passar.
Aos que se apegam no ato de escrever, sempre terão a preocupação com o que escrever – os outros não. Escrevinhando é o que me proponho a fazer neste texto. Logo, se houver leitor para ele, que não se preocupe com o mesmo, pois há controvérsias.
Hoje, vinte e oito de outubro, passará a ser um marco: boas coisas me aconteceram. Ruins também, mas deixo estas pra lá.
O ato de ser pai, por exemplo, é algo que me faz pensar constantemente nos últimos dias: pai no mais amplo sentido – apesar de não estar perto constantemente. Mas ser pai é algo que transcende o espaço corporal e acaba na alma – no sentido mais perfeito que possa existir no universo. Ser pai: quantas vezes é preciso?
Não saberia dizer quantas vezes é preciso ser pai, mas ser pai é um estado de graça. Uma virtude que faz delirar. Aliás – estou refletindo muito nestes últimos dias: amadurece. Amadurecer é o mesmo que poder dizer que ser pai é sentir-se seguro diante de um filho; diante das adversidades de criar um filho.
Continuaria a dizer que não saberia dizer quantas vezes é necessário ser pai – mas acrescentaria que, independente das vezes, o importante é ter o amadurecimento preciso para ser pai. Será que o jovem está preparado para ser pai? Aliás, diga-se bem: os de pouca idade: sem chance. Os de mais idades, talvez os de vinte e cinco a trinta, um pouco. Mas o ideal seria ser pai após os trinta e cinco – o diferencial será enorme.
Escrevinhando ser pai está chegando ao fim, mas com uma pergunta que não me quer fazer calar, muito menos os meus dedos pararem quietos ao lado do teclado: quem, nos dias de hoje, está preparado para ser pai? Ou, quem fez uma escolinha, diplomou-se para ser pai? Mas, antes de dar a resposta (e não há resposta) – e no início disse que as palavras aqui hoje sairiam contraditórias – ficarei pensando sobre o assunto... (28/10/2011)

NÃO É FÁCIL

Às vezes, quer dizer: nem sempre. Mas na maioria das vezes a vida nos é cruel – ou, somos com ela – não sei explicar. Aliás, nem gostaria de saber, muito menos de explicar. Por isso não é fácil.
As pessoas não pensam como é difícil dizer um ‘adeus’ – aliás, não é fácil. Outras vezes temos que ser forte o suficiente para aguentar: rosto descontraído – coração amargurado! Que oposição fatal! Mas, de repente não surge uma luz no fim do túnel.
O ser humano aparece, às vezes, do nada – e aparece como luzes no caminho. Mas, de repente argumenta: não posso mais ficar! E, simplesmente, não fica. Apagam-se as luzes. E eu fico! Fico aqui a pensar: o que fazer? Aliás...
Aliás, pensando bem mesmo: nada posso fazer – a vida tem o seu curso, tem os seus momentos, tem as suas ‘lembranças’ – que apenas ficam! E como ficam... Mas, será? Será que um dia essas lembranças voltam? Será que um dia essas lembranças voltam...
Sou apenas um escrevente das coisas que espero estar pensando, que vivo – que presencio. Nada mais! Nada mais que isso! Mas... Não é fácil!
Não é fácil ver uma porta se fechar. Aliás, por que as portas se fecham de maneira estranha? Ou, simplesmente, eu não sei e não consigo entender o motivo. Pior: as pessoas se vão sem olhar para trás... Fico a pensar: onde se está o erro? Melhor é não achar o erro! Ou, o errado.
Mas – repito: não é fácil! Ao som de uma clarineta em dó, madeira de lei, 1982 – mentalize: ‘Ela é a dona de tudo / Ela é a rainha do lar / Ela vale mais para mim / Que o sol, que terra, que o mar // Ela é a palavra mais linda / Que um dia o poeta escreveu / Ela ‘passou’ a ser o tesouro que o pobre / Das mãos do Senhor recebeu // Mulher, mulher, mulher, / Eu te lembro...’ – prefiro parar por aqui, pois oparodiar não sairia tão bem.
Não sei nem mais o que escrever – prefiro, então, parar logo a seguir, possivelmente no próximo ponto para não desafiar as leis cerebrais que me cercam! (23/10/2011)

O SORRISO ENIGMÁTICO

Estou estudando um pouco a arte. Aliás, como sempre digo: a imagem me fascina – e me fascina a tal ponto que vejo nas pessoas um pouco de um sorriso enigmático. Lendo algumas destas artes – arte é leitura, deparei-me com o sorriso enigmático de Mona Lisa.
Em Mona Lisa, ou La Gioconda, o pintor italiano Leonardo Da Vinci utilizou de Sfumato: técnica artística usada para gerar gradientes perfeitos na criação de luz e sombra de um desenho ou de uma pintura – e mostra uma mulher com expressão de indiferença. Talvez o retrato mais famoso da história da arte. E, assim sendo, parto-me para o presente: ao andarmos nas ruas deparamos-nos sempre com sorrisos enigmáticos.
O sorriso enigmático, assim como a imagem, me fascina também. Você, caro leitor, deve estar pensado: ‘Daqui a pouco ele vai deizer que outras coisas também o fascinam!’ – verdade seja dita: muitas coisas me fascinam. E sorriso: quantas coisas traz – quantas?
Fico a pensar nas pessoas com sorrisos maravilhosos – em especial uma: quando ela sorri parece-me (não, tenho certeza) que os céus se abaixam e ela, em forma de anjo, alegra a alma dos que lhe assistem. Agraciados os que a asssitem. Um sorriso angelical, mas ao mesmo tempo, enigmático. Enigmático no sentido, possivelmente, de: nossa! Assustei-me com as coisas que vieram-me à cabeça, mas que os dedos recusaram a digitá-las.
O olhar penetrante dela, quando apresenta serenidade, é crucial. Crucial no sentido de ‘esconder’ algo – algo que tenta-se descobrir. Talvez nem Da Vinci conseguiria pintar tão bem quanto ela se apresenta. Imagens são imagens. Realidade – nada mais do que ‘ao vivo’. E em belas cores!
E, pensando no sorriso enigmático das pessoas, em especial desta citada por mim – mas que ao mesmo tempo guardo aqui dentro o nome – fazendo, ou traçando um paralelo com a obra de arte, nada se compara ao que ela traz aos que a assistem. E estes, por vezes, podem se dizer: ‘Somos agraciados com este belo sorriso, mas ao mesmo tempo enigmático.’ E eu diria: como é enigmático! E ainda acrescento: será que vai permancer, assim como a Mona Lisa, enigmático por muito tempo? Prof. Pedro César Alves, Out./2011

 

FRED

Subiu, lentamente, degrau a degrau – treze, para se exato. Caminhou cinquenta e um passos, parou. Retirou a chave da bolsa, girou-a na fechadura.
Dentro do pequeno apartamento colocou a sacola de saco sobre a mesa. Abriu a pequena geladeira – tomou água. Da sacola retirou algumas compras do supermercado, colocou-as no lugar.
O pequeno Fred, de pêlos macios, apenas levantou a cabeça e fez uma tentativa de miar – continuou sobre o puf que lhe servia de aconchego. Sabia que não tinha lugar melhor para ele naquele apartamento de poucos metros quadrados: sala-cozinha, banheiro, quarto.
No quarto, sobre a cama, estava ela. Olhar vidrado, cabeça altiva. Parou na porta, trazia o pequeno Fred no colo que, ao vê-la, soltou um miado e seus pêlos se ergueram.
- Não se assuste, Fred, não acostumou com ela ainda?
Fred, como a entender, deixou seus pêlos abaixarem e miou, novamente, baixinho.
- Isso! Bom menino, merece um pouquinho de ração.
Na sala-cozinha abriu uma lata e retirou alguns grãos de ração e estendeu-os a Fred que, animadamente, os comeu.
No banheiro, tirou a roupa, abriu o chuveiro e mergulhou embaixo por quase duas horas.
Ao retornar ao quarto – depois de longo tempo – encontrou Fred ao lado dela – de olhar petrificado, apaixonado – assim como ela: boneca, com cabeça em porcelana, estendida sobre a cama. (Pub. em 12/08/2011).

O ILUSTRE

Chamavam-no de Ilustre Morador. Poucos o conheciam, ou de poucos eram conhecidos. Não se sabia ao certo de onde viera, apenas era sabido que estivera três dias antes na cidade a procura de casa. Visitou três imóveis, gostou do último, pagou em dinheiro corrente, dirigiu-se ao cartório, fez a papelada.
Três dias após a compra um pequeno caminhão baú encostara e descarregara os móveis que agora ocupava o imóvel.
A casa – nem tão pequena assim para o Ilustre Morador (no jardim, logo após os móveis serem introduzidos no imóvel, aparecera uma placa com os seguintes dizeres: Ilustre Morador) – vivia quase sempre de janelas fechadas, raramente se via uma aberta. O Ilustre Morador dirigia-se mensalmente ao supermercado, ao único banco da cidade; trocava poucas palavras nestes lugares. E era sempre chamado de Ilustre Morador.
Ao longe tudo observava.
A cada quinze dias um veículo dos Correios parava na frente do imóvel – e não dava nem tempo do chofer apertar a campainha, pois o ilustre Morador abria o portão, e recebia e entregava um pacote. Era uma troca rápida, sem palavras entre os envolvidos. Sem documento assinados.
O Ilustre Morador saiu em seu portão apenas e exatamente a metade de um cento, mais um, para não voltar mais – superstição! Dias depois uma placa de ‘aluga-se’ fora fincada no jardim. (Pub. em 11/08/2011).

ENAMORADOS SEMPRE

Sem superpoderes, não vieram do espaço e não sabem voar – mas estão na lista dos super-heróis: os amantes – namoradas, namorados. Às vezes são heróis e heroínas, outras vezes, vilãs e vilões – entre o bem e o mal (dependendo do campo de visão de quem analisa) – é o resumo da identidade de cada heroína, de cada herói.
Travam, estes, uma luta contínua contra o sentimento mais profundo que atormenta o homem: a vingança. Ainda: são suscetíveis a pecados (e muitas vezes sofrem por não serem perdoados).
Possuem poder inimagináveis, vivem em espaços imagináveis (ou quase reais) e querem sempre voar além dos limites da mente humana – e, às vezes, estão na lista de mais de um coração: arrebentando-os, dilacerando-os. Simplesmente amantes!
Amantes, amantes; vilãs, vilões. Lutam permanentemente contra o seu próprio ‘eu’. Amante-amiga, amante-amigo! Sempre dependendo do campo de visão de cada um – ainda, talvez, a busca da identidade. Na luta contínua dessa busca profunda, o amor sofre para vencer os mais árduos preconceitos. Vence – mas nem sempre. Às vezes, na derrota, aprende. Faz reflexões.
Amanhã, dia dos namorados, são vitórias para muitos (derrotas para outros) – mas sinto o gosto de declarar aqui neste espaço mais uma vitória pessoal: bodas de algodão! Foi um ano de sonhos, mas também um ano duro, pois todo começo traz dúvidas e incertezas. Mas estamos conseguindo deixar o amor que nos uniu falar mais forte e florescer como os ramos de algodão, que representam o brotar cheio de luz de mais uma nova etapa em nossas vidas. O conviver entre duas almas diferentes, difíceis, é complicado – mas nada supera o que se sente: ainda mais um amor à primeira vista; uma conquista contínua a cada dia – e de ambos os lados.
Dedico a você, Ana Maria, este texto, pois a cada dia que passa o que sinto por você aumenta – somos pessoas completamente diferentes, mas voltados para o mesmo intuito: crescermos juntos na busca de nossas realizações pessoais, profissionais – amorosas. Somos, assim como tantos outros casais, heróis neste mundo, pois a cada dia vencemos os novos desafios que a vida nos proporciona. Feliz dia dos namorados! Feliz seja sempre o nosso dia! (Pub. em 11/06/2011).

 

PÁSCOA

Hoje, sábado, vésperas de Páscoa. Amanhã acontece a maior festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo: depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em sepulcro – onde permaneceu até a ressurreição. Também este dia é considerado o dia mais importante da religião cristã: as pessoas dirigem-se às igrejas, participando de toda cerimônia religiosa.
Na religião judaica é uma das mais importantes festas – celebrada por oito dias (comemora o êxodo dos israelitas do Egito durante o reinado do faraó Ramsés II – da escravidão para a liberdade). Nas religiões cristãs – a passagem de Cristo da morte para a vida. A passagem das trevas para a luz
A data da Páscoa dentro do nosso calendário é móvel – vindo logo após a Quaresma e culminando com a Vigília Pascal. Em 2012 a Páscoa acontecerá no dia 08 de abril. Entre os símbolos da Páscoa encontram-se: o ovo da Páscoa – a existência da vida está intimamente ligada ao ovo, que simboliza o nascimento; o coelhinho da Páscoa - por serem animais com capacidade de gerar grandes ninhadas, sua imagem simboliza a capacidade da Igreja de produzir novos discípulos constantemente; a cruz da ressurreição - traduz, ao mesmo tempo, sofrimento e ressurreição; o cordeiro - simboliza Cristo, que é o cordeiro de Deus, e se sacrificou em favor de todo o rebanho; o pão e o vinho - na ceia do senhor, Jesus escolheu o pão e o vinho para dar vazão ao seu amor. Representando o seu corpo e sangue, eles são dados aos seus discípulos, para celebrar a vida eterna; o círio - é a grande vela que se acende no Sábado da Aleluia – e dele se acendem todas as outras velas da igreja. E traz um significado: ‘Cristo, a luz dos povos’. E trazem gravadas Alfa e Ômega, que querem dizer: ‘Deus é o princípio e o fim de tudo’.
Junto a toda esta tradição, o chocolate nesta época toma conta das prateleiras das lojas e supermercados – mas por quê? Primeiramente: capitalismo; consumo. Segundo a pesquisa que fiz em vários sites da rede, o nome, a princípio era Theobroma, nome dado pelos gregos ao ‘alimento dos deuses’, o chocolate. ‘Theobroma cacao’ é o nome científico deste alimento delicioso chamado chocolate, foi batizado assim pelo botânico sueco Linneu, em 1753. Por estas bandas do Atlântico, na verdade, nossos vizinhos Maias e Astecas que iniciaram essa história. O chocolate era considerado sagrado por essas duas civilizações, tal qual o ouro. Na Europa chegou por volta do século XVI, tornando rapidamente popular aquela mistura de sementes de cacau torradas e trituradas, depois juntada com água, mel e farinha. Vale lembrar que o chocolate foi consumido, em grande parte de sua história, apenas como uma bebida. Em meados do século XVI, acreditava-se que, além de possuir poderes afrodisíacos, o chocolate dava poder e vigor aos que o bebiam. Por isso, era reservado apenas aos governantes e soldados. Além de afrodisíaco, o chocolate já foi considerado um pecado, remédio, ora sagrado, ora alimento profano. Os astecas chegaram a usá-lo como moeda, tal o valor que o alimento possuía. Chega o século XX, e os bombons e os ovos de Páscoa são criados, como mais uma forma de estabelecer de vez o consumo do chocolate no mundo inteiro. É tradicionalmente um presente recheado de significados. E não é só gostoso, como altamente nutritivo, um rico complemento e repõe a energia. Não é aconselhável, porém, consumi-lo isoladamente.
Depois de todas essas explicações a partir da pesquisa realizada, cabe a nós cristãos lutarmos por dias melhores, sem guerras, sem violência, sem miséria – só assim sentiríamos o sentido do que é viver a Páscoa. Vivermos toda a simbologia vivida por Jesus, todas as suas palavras – pois não adianta querermos transformar o mundo se não nos transformamos: tudo pode ser diferente, mas precisa partir de nós. Precisamos aprender a perpetuar o amor – começando a amarmos a nós mesmos em primeiro lugar. Tudo que há no mundo Deus nos concedeu: pense nisso e faça a sua parte. (Pub. em 23/04/2011).

 

SER HUMANO

Dentro das causas da vida, do ir, do vir, do ir-vir, lá está o ser humano. Estar lá... nem sempre significa estar.
Espécie - humano; ser humano – racionalidade; ser humano – ser o humano presente.
Ser humano. Ser humano; o humano ser sendo humano. Quantas colocações: necessárias ou não, eis a questão! Uma questão questionável, ou não? Se não, por que aqui rabiscada? Se sim – por quê? Ser ou não ser, estar ou não estar, eis a questão – não é mesmo? Mas a questão é ser humano!

 

COSER

“Algumas pessoas cosem para fora; eu coso para dentro” – Clarice Lispector. Que grande ideia, não?Lendo Clarice Lispector cada vez mais fico intrigado.
Volto ao passado – fico absorto! Terrível a verdade. Terrível – o ser humano! Condição ímpar: escrever!
O homem, o universo! Cosmos, cosmos, cosmos. Meu eu: onde está? Procuro – não encontro. Em que passado ele ficou? Em que passado se perdeu?
Cozer-me; ou buscar-me e coser-me. Meus pedaços... onde estão? Que perigo é viver! (28/07/2010)

 

TRIBUTO A NOEL ROSA

Não sou fã número 1 do samba, mas aprendi a apreciar, pois conheci a minha esposa numa roda de samba que, a princípio, não queria ir – mas de tanto ligarem pra mim, fui.
Hoje frequento roda de samba; ouço, também, samba em casa – até comprei CDs. Mas o momento desta homenagem é a Noel de Medeiros Rosa, nascido em 11 de dezembro de 1910, na cidade do Rio de Janeiro, RJ, o homem apaixonado declarado por Ceci (Juraci Correia de Moraes), a dama do Cabaré Apolo, a quem dedicou várias músicas, como a impecável canção “Dama do Cabaré”, composta em 1936 – mas era casado com Lindaura Martins.
Segundo a Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 6, nº 63 (dez/2010), o poeta da Vila cantou os bêbados, os maltrapilhos, os maltratados, a boemia, a cidade, a noite, a modernidade, os acertos e os desmazelos do Brasil – e cantou de forma crítica, irreverente, satírica e bem-humorada; zombou da tragédia alheia e também da sua própria. Ao falar de tudo isso usa a linguagem do povo, do cotidiano – no amor também, mas fala sério (sem galhofas). Noel criou personagens de carne e osso – não ‘musas’ encasteladas.
Noel Rosa, em Araçatuba-SP, foi homenageado pela turma da Seresta, na Praça João Pessoa (teatro aberto) – eu termino este texto com a canção “Último desejo”: “Nosso amor que eu não esqueço, e que teve o seu começo / Numa festa de São João / Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete, / sem luar, sem violão / Perto de você me calo, tudo penso e nada falo / Tenho medo de chorar / Nunca mais quero o seu beijo mas meu último desejo / você não pode negar / Se alguma pessoa amiga pedir que você lhe diga / Se você me quer ou não, / diga que você me adora / Que você lamenta e chora a nossa separação / Às pessoas que eu detesto, / diga sempre que eu não presto / Que meu lar é o botequim, que eu arruinei sua vida / Que eu não mereço a comida que você pagou pra mim.”

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

 

Dezembro de 2010

O DEZ / ENCONTROS DE ANA - Cap. 10

Ana adormeceu, assim como Tom. Beirando dez horas da noite Ana acorda e percebe que também dormira muito. Estranha o fato de o abajur estar aceso. Olha Tom que dorme sossegadamente. Resolve tomar um banho – embora não muito calor, mas um banho sempre faz bem.
A água começa a descer suavemente pelo seu corpo. O sabonete suave desliza deixando-lhe pequenas bolhas que são levemente por ela estouradas. Mas o barulho suave é quebrado pelo leve ranger da porta a se abrir.
- Não resisti... Posso entrar?
- Não deveria, mas já que veio...
Tom adianta um passo, retira a cueca, puxa a cortina e pára diante de Ana. Mede-a de cima a baixo. Ana faz o mesmo, observando – ambos – cada detalhe do corpo alheio.
Ana afasta-se da água do chuveiro e faz sinal para Tom. Este não recusa e deixa a água cair sobre seu corpo. Meia noite dois corpos tombam sobre a mesma cama...
Em Brasília ao darem entrada no Hotel recebem um envelope. Tom e Ana seguiram rapidamente para o quarto. Ana estranhou ter no quarto quatro computadores, impressoras, scanner, fax – uma aparelhagem completa de rede de comunicação.
Tom leu a mensagem – que por sinal – era uma árdua missão: descobrir o autor de uma conspiração que pretendia a morte do senhor Presidente da República.
Tom classificou a missão como árdua porque nem sempre se consegue num alto escalão – como se tratava o assunto – o autor da ‘criança’.
- Temos pessoas por toda parte trabalhando neste assunto.
- Como você sabe?
- É que já trabalhei com algumas.
- E elas te reconheceram?
- Sim, mas no momento não conhecemos ninguém.
- E o que fazer? Por onde começar?
- Não temos ponto de partida. Mas o meu e o seu negócio aqui é tentar desvendar através de computadores.
- Computadores?
- Sim. Você, pelo que me informaram, é boa nisso.
- Nem tanto. Apenas para o gasto.
- Certo.
- Temos que entrar na caixa postal de todos os parlamentares.
- Como?
- Verificar os referidos e-mails de todos os parlamentares e saber sobre as correspondências deles nos últimos trinta dias.
- Entrar nos e-mails dos parlamentares?
- Sim, Ana, é o nosso dever proteger o senhor Presidente da República.
Ana apenas olhou para Tom e virou-se para um dos computadores apertando o botão de ligar. Pela cabeça de Ana aquilo não era nada normal, mas sabia perfeitamente como fazer. Aliás, estava preparada para isso porque entrou onde não podia ter entrado. E, com o tom de voz que Tom lhe dissera, nada a temer, apenas por em ordem o que sabia. Aliás, não podia fracassar.
No final da noite – quase meia noite, ambos cansados, Tom pede a Ana que durma durante as próximas cinco horas. Revezariam depois: não poderiam deixar o serviço parado. Ana concorda, toma um rápido banho e apenas de camisola, deita-se.
Tom prossegue nas buscas. Parecia incansável. Tom na hora combinada acorda Ana com um leve beijo. Ana acaricia-o e levanta-se. Começa o seu trabalho. Tom apenas cai na cama pedindo que o acorde às dez horas.
Durante os dois próximos dias fizeram trabalhos incansáveis diante da tela. Trabalhavam até a meia noite juntos, depois revezamento. No terceiro dia, quando o relógio se aproximava das treze horas, receberam um envelope: estavam dispensados – um dos integrantes da equipe descobrira que partira de Minas Gerais a proposta e fora logo o tal parlamentar, sem vestígios, desta para uma melhor.
No envelope ainda diziam que deveriam dormir duas noites em Brasília – tomar fôlego. Partiriam para São Paulo, para o mesmo hotel, num ônibus leito às vinte horas. Ana suspirou aliviada. Olhou para Tom que retribui com um leve convite:
- Que tal um banho?
- Juntos?
- Negócio fechado...

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP. - Respeite os Direitos Autorais - Obra Registrada em Cartório.

Dezembro de 2010

O DEZ / ENCONTROS DE ANA - Cap. 09

No final de quinze dias despachou o relatório para o mesmo local no interior do Estado de São Paulo. Esperou novo contato – que por sinal não demorou muito. Deveria viajar para a cidade de São Paulo, hospedar no mesmo hotel, no mesmo apartamento.
Estranhou o fato, mas seguiu no avião determinado na passagem. Fez a rota explicada no envelope. Na portaria se identificou, pegou a chave do apartamento. Para sua surpresa sua mãe a aguardava no quarto.
As conversas rodaram por várias partes, as únicas que não foram citadas: as suas missões. A mãe permaneceu junto de Ana apenas por duas horas. Pegou um táxi para a rodoviária e voltou para o interior.
Ana ficou feliz por aqueles momentos, feliz por estar ao lado da mãe. Sabia que poucas vezes ficaria perto da mãe. Sabia que a mãe estivera ali apenas para cumprir parte de seu contrato – mas Ana não sabia que estava sendo testada – como dizem: “as paredes têm ouvidos”. Ana passara naquele teste. Não sabia exatamente o que fazer, resolve tomar um longo banho.
Ao retornar encontra um envelope sobre a cama. Como? Não ouvira a porta abrir, muito menos alguém entrar. Mas o certo era que o envelope estava lá. E logo estando lá, deveria ser aberto.
Abre-o e em letras grandes aprecia uma pequena frase em destaque: Parabéns! – que por sinal era bem-vindo para o momento, mesmo não sabendo a que parte se aplicava o tal. Continuou a leitura e logo viu que deveria continuar ali por mais dois dias e depois seguir para a capital federal, Brasília. Deveria hospedar no Hotel Intercontinental, no quinto andar. Outro sim, deveria aguardar a visita de um parceiro e seguiriam juntos para Brasília.
Não sabia quando o novo parceiro viria ao seu encontro, no entanto, deveria ficar atenta. Todos, pelo jeito, conheciam como entrar e sair de algum lugar sem ser notado. Ela, principiante, deveria apenas observar e começar a imitar.
Nada de diferente aconteceu naquele fim de dia. Ao amanhecer do outro dia Ana foi acordada pelo toque do telefone.
- Alô?
- Ana?
- Sim.
- Eu sou Tom, o seu novo parceiro. Estou subindo.
- Sim.
Desligou o telefone. Trocou-se rapidamente. A voz meio meiga, meio tom – por assim dizer. Tentou fazer idéia de como seria o novo parceiro. Talvez jovem, ou de sua idade. Mais velho ou experiente. Ou ainda, de idade bem mais que a voz aparentava ter. Nem sempre é possível identificar alguém pelo simples ato de falar poucas palavras ao telefone.
Minutos depois um leve toque na porta. Ana abre-a cautelosamente.
Um sujeito de aparência pouco apresentável, uns trinta e cinco anos, se vê à porta, estende-lhe a mão num ato de cordialidade. Ana retribui e faz sinal para este entrar. Familiarizam-se em poucos minutos. Tom diz que precisa de um banho urgente: há dois dias que está de viagem – saíra de Fortaleza, passara pela cidade do Rio de Janeiro e agora São Paulo. Ana indica o banheiro e logo é ouvido o som da água cair.
Ana ainda não pensara que daquele momento em diante deveria repartir o quarto com um desconhecido. Embora o tal Tom trabalhasse para o mesmo senhor X – tratava-se de um desconhecido. Ana caiu em si: por que será que o tal Tom não fora para outro quarto?
Dormir com um estranho seria coisa nada fácil. Nunca fizera isto antes. Já tivera vários casos de amor, mas nunca dormira na primeira noite – sempre curtia um ‘conhecer’ com o outro e depois de um bom tempo que ia para a cama, ou inventavam para os pais alguma excursão e se viam livres para fazer o que bem entendessem.
Meia hora depois Tom aparece no quarto enrolado o corpo em uma toalha. Barba feita – já aparentava outro Tom. Puxa a sua valise para perto de si, retira as roupas que necessita, veste-se. Ana observa tudo, sua nudez, nada diz. Seus pensamentos estão a mil: um homem ali ao seu lado (e ela ali sem homem há vários meses). Tom, indiferente aos pensamentos de Ana, convida-a a almoçar. Ana sem titubear aceita.
- Então, troque-se de roupa rapidamente – que ainda pegamos alguma coisa do almoço.
- Psiu, não é para tanto.
- Às vezes, menina, já passei maus apuros. Algumas damas demoram pra se arrumarem... outras, que já sabem como sou: arrumam-se rápidinhas porque sabem que as deixo para trás.
Ana apenas ri. E continua no mesmo lugar.
- Troque-se, vamos!
Ana pega uma roupa mais apropriada para a ocasião e dá os primeiros passos rumo ao banheiro.
- Ana!
- Sim.
- Troque-se aqui mesmo. Já estou acostumado a ver mulheres trocando-se de roupas constantemente.
Ana fixa o olhar em Tom. Tom compreende o olhar, e completa:
- Você ainda é jovem no trabalho. Acostume-se, garota, nosso trabalho – às vezes – não há tempo nem para pensar em sexo.
Ana recua e coloca a muda de roupa sobre a cama. Retira a que está e rapidamente coloca a que pegara. Ouve de Tom:
- Belo corpo você tem!
- Obrigada.
- Belo mesmo!
A frase falada por Tom repetidamente faz Ana fugir de seus pensamentos. Medita no que a mãe sempre dizia: “Todo homem sabe deixar uma mulher no céu” – ou – “no Inferno” – depende deles e do momento.
Tom abre a porta. Ana passa e Tom fecha-a. Estende o braço para Ana que também segura cautelosamente. O elevador custa a chegar – Ana apenas observa Tom que a olha de soslaio.
Almoçam um belo prato brasileiro: carnes em rodízio. De volta ao quarto encontram um novo envelope sobre a cama. Tom o abre. Deveriam no outro dia seguir viagem para Brasília. A instrução dizia que Ana já tinha conhecimento do lugar onde deveriam ficar.
Tom apenas disse:
- Tudo bem, tudo bem. Amanhã viajaremos.
- Brasília.
- É... não gosto de Brasília.
- Por quê?
- É uma cidade cheia de federais...
- Só por isso?
- É que não gostam do nosso trabalho.
- Não?
- Não. Sabem que somos superiores a eles.
- Hum.
E Tom retirou os sapatos, a camisa, a calça – apenas permaneceu de cueca. Estendeu-se na cama e suspirou:
- Tenho uma tarde e uma noite para dormir. Que bom!
Ana olhou-o cautelosamente. Retirou a roupa que colocara, colocou a camisola que recebera. Deitou na cama ao lado - observando-o sempre.

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP. - Respeite os Direitos Autorais - Obra Registrada em Cartório.

Novembro de 2010

O DEZ / ENCONTROS DE ANA - Cap. 08

Em Paris já havia uma nova missão ‘debaixo da porta’. No dia seguinte deveriam retornar ao Brasil, precisamente a cidade de São Paulo. Fizeram as malas, mas as munições tinham ordem de não levá-las.
Em São Paulo hospedaram-se num hotel barato. O destino da missão era vigiar um correspondente da Tevê Nacional da Colômbia. Conforme comunicado trazido no envelope, o mesmo correspondente fazia parte de uma facção contra as Forças Armadas da Colômbia. Suas matérias, conforme o comunicado, eram cifradas.
Ana não entendeu muito bem, mas Ellen explicou o problema a Ana que não demorou a entender: seguir fielmente os passos do ‘tal correspondente’. Tinham que no décimo primeiro dia fazer um relatório completo do mesmo e enviar a um determinado endereço no interior do Estado.
Todo trabalho era cuidadoso. Ana percebeu que o ‘tal correspondente’ sempre que saía de um lugar para outro ficava na espreita observando se alguém o seguia. Passou bons apertos para manter-se escondida. Acompanhou de perto as reportagens que fazia, outras vezes até passou como repórter de jornal ao lado do ‘tal correspondente’.
Os dias designados para seguir o ‘tal correspondente’ chegou ao fim. Ana e Ellen sentaram, reuniram o material coletado e fizeram um extenso relatório. Despacharam pela manhã para o destino no interior do Estado.
Permaneceram no hotel por mais três dias. Logo depois encontraram dois envelopes no quarto: um para cada. Ana abriu o seu envelope, leu o conteúdo; olhou a parceira: era o momento da separação.
Ellen partiu no dia seguinte para uma missão na África. Ana permaneceu no Brasil por mais alguns dias – fora enviada para a cidade de Porto Alegre a vigiar por quinze dias outro ‘correspondente’ da Tevê Nacional da Colômbia.

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP. - Respeite os Direitos Autorais - Obra Registrada em Cartório.

 

Novembro de 2010

O DEZ / ENCONTROS DE ANA - Cap. 07

Ana dormiu tanto que acordou com olheiras. Já era o noticiário da madrugada do dia seguinte da chegada a Paris. Ellen parecia que estava acostumada a viagens contínuas. Sentada num canto da sala ouvia atentamente a reportagem: um cidadão da comitiva egípcia que fora ao Brasil fora assassinado brutalmente em pleno centro da cidade do Rio de Janeiro.
O assassino, descrito por um garoto de catorze anos, era uma pessoa que trajava calça jeans, camisa verde clara, tênis, feição oriental, e que fugira num veículo de cor preta – mas que não soubera identificar.
- Atente para esta notícia, Ana.
- É. Escutei-a quase por inteiro.
- Fizemos o que nos mandaram, mas um ficou para trás.
- Mas não foi culpa nossa.
- Eu sei.
- Mas um dia este assassino será capturado.
- Você não tem medo de ser capturada?
- Todo mundo tem, Ana, mas temos que cumprir o nosso dever. Afinal – balançando a cabeça, completa – ganhamos para isso.
- É.
Ellen continua a ouvir os fatos do dia pelo mundo. Ana dirige-se para a cozinha e prepara um lanche. Já sabia que ali todos eram donos. Nada faltava desde boas comidas e bebidas, mas cada uma preparava o seu.
Os dias se passavam e as parceiras continuavam a ler revistas que sempre chegavam a casa; ou a assistir tevê. Na casa Ana percebeu desde a chegada que não havia telefone – talvez para evitar suspeitas. Ana já se adaptara perfeitamente ao fuso horário da Europa.
Quinze dias depois, logo ao anoitecer, encontram um envelope debaixo da porta. Teriam que viajar no próximo dia para Portugal. Tudo já estava preparado: desde passagem até hospedagem. Para Ana tudo aquilo deveria ser uma máfia perfeita – como no livro que lera. Em parte estava certa.
Pela manhã no aeroporto Ana olha atentamente para Ellen que demonstra semblante triste.
- O que há contigo, Ellen?
- Nada.
- Não é o que parece. Não quer falar?
- Lembro-me que dois anos atrás fiz uma viagem para Portugal com uma grande parceira e amiga...
- E o que aconteceu?
- Faleceu no meu colo.
Silêncio.
- Como?
- Fomos designadas para estar em ‘sinal de alerta’ numa apresentação do Príncipe de Gales na Rua Augusta, na Baixa, na altura que liga a Praça do Comércio e a Praça do Rosário. Eu estava numa posição de costas para o Príncipe e ela seguiu alguns passos à frente...
- E...
- Repentinamente caiu estirada no chão ferida com um projétil.
- Meu Deus!
- Nada pude fazer... apenas ouvi-la dizer que cumpriu o seu dever.
- Meu Deus!
- Soube depois que atrás dela passava um membro da família real inglesa.
- É bem chocante!
- Muito! Lembro-me deste fato todas as vezes que vou a Portugal.
A conversa logo cessou. Poucas palavras trocaram no percurso. Ana observava cada vez mais a parceira. Seus movimentos pareciam calculados – talvez fossem.
Em Portugal se hospedaram num pequeno hotel, de segunda classe, na periferia de Lisboa. Conforme o comunicado deveriam permanecer – como sempre – no lugar até a próxima ordem.
Uma semana passou rapidamente. Entre uma refeição e outra, entre um dia e outro, caminhavam pelas ruas do bairro sem perturbar ou chamar a atenção de ninguém. Ana ‘curtia’ um novo momento em sua vida. A lembrança da mãe ao despedir era a que trazia sempre em mente. Do pai apenas a recordação do velório. No fim de dez dias um envelope foi deixado embaixo da porta.
Deveriam retornar a Paris, a missão havia sido cancelada. Ana estranhou, mas o que fazer. Ellen nada disse, nada pensou. Apenas cumpriu a ordem: pegou o primeiro avião para Paris.

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP. - Respeite os Direitos Autorais - Obra Registrada em Cartório.

 

Outubro de 2010

O DEZ / ENCONTROS DE ANA - Cap. 06

No avião tudo parecia calmo até o momento da partida. Ana nunca viajara de avião. Ellen percebendo o momento, apenas segurou na mão da parceira e disse:
- Coragem!
Ana tomou fôlego e nada de pânico. Nas alturas tudo aos olhos de Ana era leve. Mas uma coisa ainda intrigava-a: “Como embarcara sem ser revistada.”
Olhou para Ellen com um olhar interrogativo. No mesmo momento a parceira lê os pensamentos de Ana.
- Alguma pergunta?
- Como embarcamos sem nos revistarmos?
- Isto é normal de agora para frente. Essa roupa que você está usando possui um transmissor que avisa aos federais quem somos.
- Hum! Mais uma para a coleção.
- É, você terá muitas surpresas para a sua coleção.
- Que bom!
Ana continuou com os seus pensamentos. Mas foi quebrado pelo som da televisão que fora ligado. Um canal de televisão abordava um assassinato: um moço loiro, aparentando uns vinte anos fora brutalmente assassinado, mas o assassino não fora capturado. Ana deu um leve toque na perna de Ellen que respondeu apenas com um olhar meio indiferente.
Enquanto o repórter fazia o seu trabalho, Ana perdia-se em seus pensamentos. Procurava uma causa para aquilo tudo. Mas esquecera que não seria ela quem teria que resolver mais este mistério, mas a polícia.
Retornou com seus pensamentos ao mundo que a cercava. Ellen estava completamente alheia, totalmente perdida em seus pensamentos. Atenta para o repórter que, junto a um policial, passa ao telespectador mais informações sobre o caso. Tratava-se de um homem egípcio. Por deveres do ofício, o policial disse apenas que o tal homem que fora assassinado pertencia a uma facção egípcia e que chegara há poucos dias no Brasil com finalidade não muito boa.
O tempo passa velozmente. O avião já em solo francês. Paris deslumbra aos olhos de Ana. Ellen dirige-se a um táxi. Ana acompanha. Ellen indica o lugar onde o táxi deverá levá-las.
Depois de mais de meia hora percorrida de táxi, estão num lugar periférico da cidade. Ellen abre o portão da casa. Retira do bolso de sua calça uma pequena chave e abre a porta da casa. Para Ana tudo é meio estranho, mas segue os passos da parceira.
A casa aparentava ser confortável, embora pequena. Sala seguida da cozinha; banheiro no final da cozinha; quarto com banheiro. Para os franceses aqueles cômodos não seriam nada agradáveis, mas para uma cidadã tipicamente brasileira – como ela, já era um bom começo.
- Precisamos de um bom banho e dormir sem preocupar até a nossa próxima missão.
- Você tem idéia de quando será a nossa próxima missão?
- Tanto pode ser amanhã como depois, ou daqui a trinta dias. Sei lá... – jogando um olhar de desaprovação para a pergunta.
- Entendi. Peço desculpas de novo – às vezes me perco perguntando certas coisas...
- Entendo o que se passa com você, mas logo se acostumará.
- Obrigada.
- Vamos tomar um banho?
- Sim, preciso de um bom banho. Um banho que me lave completamente...
- Eu também...
A água minutos depois era ouvida no banheiro. As parceiras deixavam a água percorrer os seus corpos. O deslize dos dedos pelos corpos fazia a dor d’alma diminuir momentaneamente. Para Ana parecia que estava vivendo em um filme onde sempre era procurada pelo assassinato de um jovem louro...

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP. - Respeite os Direitos Autorais - Obra Registrada em Cartório.

 

Outubro de 2010

O DEZ / ENCONTROS DE ANA - Cap. 05

Ana percebe que a noite fora uma criança. Lembra que saíra mais leve do banheiro na noite anterior. Preferiu não entrar em sua mente e descobrir o que acontecera naquelas quase duas horas que permaneceram debaixo d’água.
Ellen estava radiante naquela manhã. Tomaram café às nove. Subiram para o apartamento. Ao abrir a porta um pequeno envelope é encontrado sobre a cama. Abriram e nele continha apenas uma foto. Era de um jovem de aproximadamente vinte anos, cabelos louros. No verso da foto continha uma pequena mensagem que Ellen leu tranqüilamente, mas Ana não.
Logo Ellen percebeu que Ana não estava tranqüila e explicou:
- Nosso trabalho consiste em evitar danos aos outros.
- Mas vamos cometer um...
E Ellen rapidamente coloca uma de suas mãos na boca de Ana e diz:
- Lembre-se: cumprimos ordens.
- Sim, desculpe-me.
- Não há motivo para desculpas. É a sua primeira vez.
- Obrigada.
Um silêncio sepulcral toma conta do apartamento. Ellen dessa vez quebra o silêncio:
- Amiga, temos que fazer. Não há volta no nosso trabalho.
- Sei disto. Nem volta e nem aceitam erros.
Por mais alguns segundos Ellen permaneceu com a foto entre as mãos. Passou-a a Ana:
- Atente bem para o rosto do ‘danadinho’.
- E o que vamos fazer?
- Vigiar as vidraças dos prédios ao nosso redor.
- E se não o encontrarmos?
- Outros dos nossos o encontrarão.
- E como saberemos?
- Fique tranqüila. Nos avisarão.
- E se o encontrarmos?
- Faremos o serviço.
- E depois?
- Temos uma viagem programada para hoje. Paris, às cinco horas da tarde.
- Paris?
- É.
- Mas se não o pegarem até lá?
- Fique tranqüila. O nosso serviço nunca pode falhar.
- Eu sei. Nunca falhamos.
- É verdade, parceira. Tenha sempre isso em mente.
Ellen rapidamente abre uma de suas valises, toma dois binóculos de longo alcance. Entrega um a Ana. Abre a outra valise e arma rapidamente um pequeno rifle sobre um tripé à beira da janela.
Ana observa tudo. Olha para Ellen e começa a sorrir. É interrompida:
- Agora, mãos à obra.
As duas mulheres começam a percorrer as vidraças dos prédios em volta. Ana repara que num dos prédios há uma arma na mesma posição que Ellen montara. Observa mais alguns minutos, depois relata o fato para Ellen.
Ellen dirige o seu binóculo para o local, mas parte da arma está coberta por uma cortina. Volta-se para onde deixara a sua valise, retira outro binóculo de lente infravermelha. Eepois de alguns minutos, suspira:
- É um dos nossos.
- Como você sabe?
- Há uma pequena indicação no tripé. Observe este sinalzinho aqui no tripé nosso e depois observe o outro.
Ana observa o que Ellen lhe falara. Realmente são iguais.
- Como você sabe deste truque?
- Me ensinaram. E cá estou eu a te ensinar.
- Quem te ensinou?
- Um dos jovens do senhor X.
- Hum!
- Fizemos algumas missões e quando estava apta, ele me abandonou.
- Que pena!
- Que pena mesmo, pois soube que dois meses depois que comecei a trabalhar sozinha ele foi pego numa emboscada no Peru e morreu.
- Que Deus o tenha! – fazendo o sinal da cruz, disse Ana.
- É mesmo. Agora, guarde bem o sinalzinho que te mostrei. E vamos aos nossos postos.
- E até às cinco.
- Até às cinco? Não, antes. Cinco horas estaremos partindo para Paris.
Quase duas horas depois, por dizer exatamente, dez horas e cinqüenta minutos Ana avistou o moço loiro. Fez sinal para a outra, que apenas abaixou a cabeça, conferiu com o da foto e preparou o rifle.
Com a mira de longo alcance achou um lugar calmo para o momento do disparo sem que alguém fosse atingido. Preparou rapidamente a arma, e...

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP. - Respeite os Direitos Autorais - Obra Registrada em Cartório.

 

Outubro de 2010

O DEZ / ENCONTROS DE ANA - Cap. 04

Na cidade do Rio de Janeiro Ana se depara com multidões pelas ruas gritando comandos de paz. Nada àquela altura era estranho para ela. Parecia que eram apenas gritos de pessoas que tentavam usurpar a paz alheia.
Dirigi-se de táxi para o Hotel El-Dourado. Ao mostrar a credencial ao recepcionista do hotel, logo lhe é dado a chave de um apartamento: quinto andar, 551. Coincidência ou não, algo deveria acontecer que envolvesse aqueles números.
Abre a porta do apartamento e depara-se com a jovem que lhe buscara em casa quando saíra com destino a cidade de São Paulo. Ana olha-a por alguns minutos, fecha a porta.
- Boa tarde.
- Boa tarde.
- Algum recado?
- Há um envelope sobre a cama para você.
Ana olha-o atentamente primeiro, pega-o nas mãos. Nada há escrito pelo lado de fora. Abre-o com sutileza. Lê. Faz novamente a leitura. Já sabia o que devia fazer. Olha atentamente para a jovem que permanece no mesmo lugar, diz:
- Parceiras?
- Sim, parceiras. Eu sou Ellen.
- Prazer em revê-la. Eu sou Ana. O que devemos fazer?
- No momento certo saberemos.
- Certo. Há tempo para um banho?
- Sim, nosso trabalho começa apenas amanhã à tarde.
Ana coloca a sua valise sobre a cama. Pega as suas roupas e pendura-as no armário – apesar de pequena, a valise trazia duas mudas completas de roupas, além de uma camisola toda em renda vermelha e uma toalha de banho.
A água do chuveiro é convidativa e Ana permanece já há mais de meia hora. A água naquele momento lavava-lhe não só o corpo, mas também a alma. O burburinho violento que se ouvia da janela do quarto no banheiro não havia: a água encobria-o.
Lentamente a porta do banheiro é aberta. Ana afasta a pesada lona (que está no lugar de boxe) e vê Ellen nua dirigindo-se para o boxe.
- Posso entrar?
Ana titubeia um momento, mas consente.
- Pode.
Ana observa que Ellen afasta mais a cortina e começa observá-la. Parece medi-la de alto a baixo. Faz o mesmo. Ellen possuía um belo corpo: moldado, perfeito. Corpo de violão, como costumam dizer. Apenas, ao seu olhar de mulher, lhe faltava um pouco mais de volume nos seios.
Pelo outro lado, Ellen fez um julgamento parecido com o de Ana: corpo de violão, mas atentou para o fato de Ana ter belos seios. Além de belos, volumosos.
Trocaram olhares por longos minutos. E Ana quebra o silêncio:
- Quantos anos você tem?
- Tenho vinte e seis. Imagino que você tenha quase a mesma.
- Quase você acertou. Tenho vinte e oito.
- E como conseguiu entrar neste trabalho?
- Apenas descobri alguns lances, depois fiz alguns testes e depois de dois meses fui intimada a trabalhar. É a minha primeira vez. E você?
- Trabalhei numa empresa que fazia transações comerciais e depois de algumas coisas que descobri fui chamada para trabalhar para o senhor X.
- E o que você faz?
- Faço o que mandam.
- Arriscado?
- Às vezes.
- Qual foi o último serviço?
- Foi um serviço no Pantanal.
- Hum!
E Ana tenta manter a conversa apenas no olhar, mas nota que Ellen não quer falar.
- A água está boa?
- Está. Apenas uma última perguntinha.
- Sim.
- O que vamos fazer amanhã?
- Não sei completamente, mas você tem que dar cobertura pra mim no que eu for realizar.
- E quando saberá?
- Pode deixar, logo saberemos.
Ellen passa ao lado de Ana sem tocá-la. Fecha os olhos e deixa a água cair sobre seu corpo por alguns segundos. O tempo para Ana parece uma eternidade. Logo ela que era fã de homens – pode se dizer de carteirinha – ali parada olhando para o corpo de uma mulher.
A eternidade passa. Ellen abre os olhos e faz sinal para que Ana se aproxime. Ana não sai do lugar, apenas olha-a. Não se contendo com a resistência de Ana, Ellen dá um passo em direção de Ana e puxa-a para junto. Ana não consegue resistir. Sente que precisa de alguém ao seu lado...

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP. - Respeite os Direitos Autorais - Obra Registrada em Cartório.

 

Outubro de 2010

O DEZ / ENCONTROS DE ANA - Cap. 03

Passava das dezoito horas quando um mensageiro do hotel bateu à porta. Trazia um envelope. Ana agradeceu, fechou a porta e fez a leitura.
Tinha muito tempo disponível. Deveria permanecer no hotel nos dois dias seguintes até a próxima instrução. Sair para passear era fato descartado. Assinara um contrato que teria que se manter de maneira a não levantar suspeitas. Junto com o envelope viera um livro: uma história de máfia. Gostara do título: De operário a Mafioso. Tudo indicava que o tal operário virara mafioso, mas como? Teria que ler. E, para isso, tinha tempo disponível: dois dias.
A noite caíra rapidamente na cidade de São Paulo. A estação do ano ajudava: inverno. Assistiu a todas as novelas da televisão, jornais e ao filme do fim de noite.
A manhã já era alta quando o telefone de seu apartamento tocou.
- Sim?
- Ana?
- Ela mesma.
- Há uma encomenda para você retirar aqui na entrada do hotel.
- Dentro de cinco minutos pegarei. Obrigada.
E o recepcionista desliga o telefone.
Ana estranha, mas apronta-se e desce. Apanha a encomenda que não é muito grande e dirigi-se ao apartamento.
No apartamento abre a caixa e depara-se com uma pequena arma e uma folha explicando o que deveria fazer.
Ana lê tudo duas vezes, presta bem atenção nos detalhes que estão colocados; atenta para um pequeno detalhe no final das explicações: “Você não pode falhar.”
Assiste atentamente os noticiários da televisão. Na cidade do Rio de Janeiro havia uma conferência – O Mundo pela Paz através da Leitura. Vários representantes de chefes de Estado estavam presentes, alguns reis e príncipes; organizações não-governamentais e literatos renomados também se faziam presentes. Todos buscavam soluções de paz associadas à leitura.
Estranha a posição que tem que tomar. Passa o dia na leitura dos últimos capítulos do livro que lhe fora enviado. O escritor estava de parabéns! Este conduziu o enredo tão bem que somente na última folha é revelado a chefe da máfia. Pensa bem nos entraves da história que acabara de ler; percebe que ela já faz parte de um dos lados, mas ainda não sabe qual; talvez um dia ficaria sabendo, aliás, seria difícil, pois não sabia para quem trabalhava.
No fim da tarde atenta para a avenida em frente ao hotel. Bem movimentada. As pessoas parecem que não possuem tempo para se olharem, para trocar um gesto de amor; quando uma destas coisas acontece percebe-se que é para se castigarem – atos de desamor. Raríssimas vezes nota-se um gesto de amor... mas, ainda bem que há algumas raridades na humanidade que ainda lembram que existe o outro.
Anoitece. Faz o mesmo do dia anterior: novelas, telejornais. Resiste ao filme, pois no outro dia deveria viajar pela manhã para a cidade do Rio de Janeiro.
Logo pela manhã recebe novo telefonema para retirar nova encomenda na recepção do hotel.
A encomenda, um pouco maior que a anterior, trazia roupas perfeitas para o seu corpo e uma credencial – tudo dentro de uma pequena valise. Fora ótimo: já não agüentava mais ficar sem trocar de roupas, mas nada podia fazer, apenas cumpria ordens.
O tempo passa; a hora de Ana chega. Prepara-se para dirigir a cidade do Rio de Janeiro.

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP. - Respeite os Direitos Autorais - Obra Registrada em Cartório.

 

Setembro de 2010

O DEZ / ENCONTROS DE ANA - Cap. 02

Ao chegar em casa Ana abriu o envelope, leu as instruções. Passou tudo certinho para a mãe. O cartão estava em nome da sua mãe – era vitalício.
Joaquina, a mãe, guardou tim-tim por tim-tim do que Ana falara. Sabia que a filha em breve estaria trabalhando para o senhor X, ganharia asas no céu – conheceria o mundo.
Algo não lhe parecia bem porque tudo devia ser mantido em absoluto segredo. Parecia que tudo era segredo de Estado.
Duas semanas se passaram e num final de tarde um carro estaciona em frente da casa de Ana, aperta a campainha.
Ana atende à porta.
- Ana?
- Sim, sou eu.
Sem mais nada dizer entrega-lhe um envelope. Vira-se, entra no carro que parte imediatamente.
Ana entra e vai direto para seu quarto. Um dos itens a serem cumpridos: nem a mãe deveria saber o que continha cada envelope. Lê atentamente as instruções. Deveria partir no dia seguinte.
Arruma uma sacola – estas frágeis de supermercado – coloca nela apenas o que manda a mensagem. Avisa a mãe que sairá cedo para o trabalho.
Deita mais cedo do que antes, pois deverá estar no portão de sua casa assim que o relógio marcar três horas da manhã. Coloca o despertador para meia hora antes do encontro.
Sonha com encontros fantásticos, em palácios, em alto-mar, no deserto, em embaixadas, em grandes (pequenos) hotéis, motéis... parecia uma caçada, um safári.
É despertada pelo som do relógio. Toma um banho rápido. Apronta-se como mandara o envelope.
“Cinco minutos ainda!”
E o tempo não passa...
Um minuto. Beija a mãe que lhe deseja sorte.
Abre a porta, lentamente o portão.
“Trinta segundos.”
“Quinze segundos.”
“Cinco segundos.”
Um carro de farol baixo aproxima-se – era o que estava descrito no envelope. Encosta e a porta se abre.
Ana entra no carro e uma jovem está no comando do veículo. Aparentava uns vinte e cinco anos. Cabelos longos e pretos, pele clara. Recebe-a com um sorriso leve:
- Bom dia.
- Bom dia.
- Sabes o que fazer?
- Minha instrução terminou quando entrei no carro.
- Tudo bem. Abra este porta-luva à sua frente, retire o envelope e leia.
Ana cumpre a ordem.
Ana faz rapidamente a leitura, deveria descer na rodoviária e pegar um ônibus para a cidade de São Paulo. Estava numa pequena cidade do interior.
- Deixe-me na rodoviária.
- Sim.
A moça ao volante agora cumpre a ordem. A poucas quadras dali se encontrava a rodoviária.
Toma o ônibus indicado na passagem que havia dentro do envelope.
As horas passam e de acordo com o indicado deveria chegar na rodoviária da cidade de São Paulo por volta do meio dia. Pegaria um táxi para o Hotel American Press – que ficava a oito quadras dali. Hospedaria no quinto andar, apartamento 551.
Às treze horas já tomava um bom banho, mas usava a mesma roupa. Era esperar o próximo envelope.

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP. - Respeite os Direitos Autorais - Obra Registrada em Cartório.

Setembro de 2010

O DEZ / ENCONTROS DE ANA - Cap. 01

Os desencontros sempre marcaram a vida de Ana.
O que estava acontecendo naquele momento parecia mais calmo, sereno.
Procurou resposta em sua atormentada mente para aquela situação. Talvez, fosse o seu dia de sorte – sempre ouvia: para tudo há um momento certo.
Continuou a ouvir as palavras do cavalheiro que estava à sua frente: alto, cabelos não tão curtos e louros, de corpo atlético, bem vestido. Pareciam que céus e terra se encontravam naquele exato instante.
As palavras pausadamente penetravam dentro de si, ardiam. Seria o momento do clímax – fato que nunca sentira antes. Tinha que curtir aquele momento, afinal, nem sempre a sorte bate duas vezes no mesmo lugar (ou, o raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar: que grande mentira!). As palavras pareciam tomar formas, cores, sabor quando pronunciadas por ele.
Olhou atentamente para os olhos dele: seriam verdades as palavras ditas?
Abriu a pequena bolsa, retirou o cigarro e o fósforo.
- Posso?
- Não faz bem à saúde.
- Leio todos os dias esta mensagem. Mas... posso?
- Você sabe se pode ou não.
Guardou-o. Levemente fechou a pequena bolsa.
- Continue.
Ela degustava suas palavras como se fosse o melhor sorvete do mundo: chocolate, morango, abacaxi...
- Afinal, o que devo fazer?
- Seguir à risca cada dica que você receber.
- Apenas isto?
- Sim.
- E os acertos?
- Quais?
- Todos! – já alterando a voz.
- Ah! Cada vez que você cumprir a tarefa recebe uma parte.
- E no final?
- Não tem fim...
- Não?
- Não. Você foi uma das escolhidas para estas aventuras.
Silêncio. Até as folhas das árvores pareciam naquele momento calar o seu murmúrio.
- Qual o valor exato?
- Não há valor exato. Você passou a ser propriedade do senhor X.
- Mas o senhor X não é o...
- Psiuuuuuuuuuu!!!!!!!!!!
- Por quê?
- Outros podem ouvir.
- Então... não há volta?
- Não, não há. Sempre ir em frente, ou...
Ela já sabia o que significava aquele ”ou”.
- Tudo bem. Mas garante-me que não me faltará nada?
- Isto é a primeira coisa que lhe foi garantida. Você superou todos os testes. Você é muito inteligente, de raciocínio rápido, bonita...
- Está bem. Quando começo?
- Calma. Você saberá. Breve você começará a conhecer o mundo.
- Como assim?
- Aguarde em sua casa as instruções.
- Posso confiar?
- Claro que pode. Aqui estão os papéis que garante o sustento à sua família, às vezes, você pode demorar nas missões.
- Obrigada.
- Leia atentamente o envelope. Há instruções junto com o cartão que ficará para sua mãe.
E, levantando-se, o cavalheiro estendeu-lhe a mão.
- Verei você mais vezes?
- Talvez. Até...
- Até.

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP. - Respeite os Direitos Autorais - Obra Registrada em Cartório.

 

Setembro de 2010

E O AMOR, ONDE FICA?

Outro dia comentei sobre as atividades que ‘as meninas’ fazem – tudo por dinheiro (sobrevivência), mas que nem sempre o dia é proveitoso. No texto de hoje o relato fica por conta do amor, isto é, onde fica o amor?

Por consequência, o amor não tem lugar nessas paradas – fingimento, como as próprias ‘meninas’ dizem. E acrescentam: sexo agora; amor, depois – Rita Lee já cantou assim (salvo engano).

Mas o que me perturbou foi um caso recente que presenciei com meus próprios olhos. E dizia ele: “Encontrei-a lá, e no primeiro olhar, amei. Os dias se passaram, voltei lá e a levei pra casa. Vivemos dias, meses e anos felizes – meia década. Acho que não dei valor e ela se foi...” E lágrimas rolavam dos olhos quando completou a sentença: “... voltou pra lá novamente!” – é de se pensar.

Pensar em ‘quem não correspondem às expectativas’, sabendo que no início tudo era maravilha – como em qualquer relacionamento – que decisão tomar? E o amor, onde fica? (Ou pensar que alguns relacionamentos funcionam assim: cada um ganha o seu dinheiro, a sua vida como pode – e, perante a sociedade, são casais perfeitos?)

Até onde, pergunto-me, a sociedade vai com tais problemas – ou não são problemas? Para quem anda na rua, como eu, e observo as donzelas, senhoras, madames e etc. e tal ‘toda-toda’ (mas por outro lado não é nada disso) já não estranho mais nada... E continuo a perguntar: onde fica o amor? (24/10/2007)

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

 

Setembro de 2010

A DURA VIDA DAS MENINAS

Através das minhas andanças pelas ruas da cidade fico sabendo – às vezes observo – de cada cena, que só vendo pra crer!

No relato de hoje conto o que ‘as meninas’ passam em seu trabalho diário de salvar homens.

Que termo, não? Salvar homens!

Dizem-me (algumas) que o ofício, apesar de ser em algumas vezes lucrativo – é, portanto, nojento. Nojento no sentido de ter que agüentar homens de todos os tipos – inclusive a falta de higiene pessoal.

Acrescento: que bebem até quase não poder mais, pois ‘as ladies’ proprietárias destes estabelecimentos pedem ‘às meninas’ que faça os homens beberem, e beberem, e beberem – pior: a ‘geladinha’ nesses lugares custam um bom e elevado preço – acima de quatro vezes o preço normal, se comparado a um bar. E, os homens tomam uma após a outra – e ‘as meninas’ precisam acompanhar. Como dizem: “Às vezes não lucramos nada, pois bebemos tanto que acabamos na pior – e somente ‘as ladies’ lucram com isso!

Num mesmo dia conversei com duas ‘meninas’. Para a primeira – uma morena bonita, trinta e dois anos, de seios fartos, coxas grossas, bumbum avantajado e quatro filhos (do seu único casamento que durou cerca de quinze anos) – o dia tinha sido bom: faturado uma boa grana; estava alegre. Para a segunda – uma bela mulher, aparentando seus trinta anos (uma filha), branca, seios fartos, coxas grossas – não tinha sido nada bom: nenhum homem havia aparecido na casa naquele dia. Pensei comigo: quanta diferença! (E a última tinha me dito que havia telefonado para vários homens-amigos e nada.)

A fechar esse texto, acrescento que a vida destas ‘meninas’ não é nada fácil – mas também nem sempre a escolha feita fora a mais bem indicada, a mais bem sucedida; temos que usar, às vezes, o ‘livre arbítrio’ – se você acredita nele.

E nesse ‘livre arbítrio’ continuam ‘as meninas’ na tentativa de se salvarem e salvarem os homens na busca de realizações carnais. E o amor, onde fica? (Conto na próxima onde fica o amor...) – (23/10/2007)

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

 

Aosto de 2010

CRUZAMENTOS

Pensando no tudo, e não tendo nada a ver, resolvi escrever sobre os cruzamentos da vida. E, tendo em vista tal assunto – abrangente por sinal – por onde começar?

Talvez no cruzamento da Avenida Ipiranga com a Avenida São João; ou em outro lugar qualquer; talvez no cruzamento da menina-moça-donzela com o garotão-garanhão; talvez no cruzamento (e que acontece muito) das linhas telefônicas e ouve-se muitas conversas fiadas, de negócios, de amores e desamores – mas sem saber quem fala pra quem; talvez no cruzamento das idéias dos professores, dos autores, dos poetas, dos românticos, dos boêmios; dos políticos... Quantos cruzamentos a citar?

E, de cruzamentos em cruzamentos, tudo fica cruzado. Até as minhas palavras ficaram cruzadas. A vida é uma cruzada cheia de cruzamentos. Há tantos cruzamentos que nem a filosofia da vida pode explicar. Ou, o melhor é não explicar; o melhor é o inexplicável.

Continuar com pensamentos cruzados ainda é a solução para melhor se viver, pois enquanto um fio dela estiver embaraçado há mãos tentando desembaraçá-lo, mas quando o fio estiver sem nó não haverá mais mãos nele; logo: pensamentos cruzados, mente pensando, agindo, procurando solução e, às vezes, sem solução. (2007)

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

 

A MORTE DA BORBOLETA

Muitas vezes pensamos na morte como um ato triste, fúnebre – mas na verdade, pelo menos para nossa cultura, é (para outras culturas nem tanto). Outro dia pensei na morte da borboleta – claro que a partir de um simples fato.

Caminhava eu pelas ruas da cidade quando, ao cruzar uma avenida, a pobre da borboleta não desviou – entrou na contramão e eu também não consegui desviar da mesma. Apesar dos pesares: borboleta laranja, com pintas pretas saltitantes, fatal!

Fato simples, mas que leva a pensar – não pelo simples fato de pensar, mas pelo simples fato da vida não passar de segundos – claro que ao pé dessa eternidade que se consta aos olhos dos estudiosos do planeta.

A mesma – mesmo eu tentando desviar – chocou-se contra o meu automóvel e caiu a poucos metros. Caiu já sem vida. Doeu-me o fato dela cair. Olhei pelo retrovisor: lá estava ela estendida ao chão: asas juntinhas e o corpo tombado, sem vida. Somos assim também – e em muitas situações.

Somos insolentes: nem voltei para dar assistência, não fui enterrá-la, ou pelo menos avisar os parentes – consolar os amigos... – como somos! E isso acontece com todos os humanos.

A dor alheia não pesa tanto – ou pesa? Ou escondemos os sentimentos para tentarmos sobreviver nesse mundo ‘quase sem porteira’? A reflexão nem sempre evidencia a razão, mas por vezes a emoção também aflora. E quando uma ou outra aflora, sempre temos os problemas à tona. Esse vir à tona é o fator complicador.

A morte da borboleta é apenas um fato gerador – simples, mas é. A vida em si deve ser repensada, desfrutada com valor. Usar a razão, mas também dar evasão a emoção – afinal, como diz o cantor: “...somos humanos!” (30/01/2008)

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

PERSIANAS

Como professor, sei que sou chato – mas um chato ‘quase’ necessário. Mas, entre as minhas chatices existe o lado bom – e, como profissional, as minhas aulas são boas (reconhecidas pelos alunos).

Pelo menos duas vezes por mês visitamos a biblioteca e vamos à sala de leitura. Para quem não sabe – ou não entende – na escola em que trabalho, ao lado do anfiteatro, há uma sala com duas estantes de livros (poesias, crônicas, romances – e com vários volumes de cada títulos). Nesta sala não há cadeiras ou carteiras, há apenas uma poltrona azul pra o professor, três tapetes grandes e umas quarenta almofadas. Lá os alunos se sentem no céu: escolhem o livro (esta semana nos primeiros anos do Ensino Médio lemos fábulas e nos terceiros anos do Ensino Médio, contos), deitam no carpete, recostados nas almofadas, e com som – música clássica: Richard Clayderman ao piano. Vale registrar que a biblioteca e a sala de leitura não é o mesmo lugar – pelo menos onde trabalho.

Continuando – melhor, voltando ao assunto que ainda não iniciei, na sala de leitura, sentado ora na poltrona azul, ora no tapete ao lado dos alunos, comecei a observar a paisagem pelas frestas das persianas. Como a sala é no andar superior do prédio, se vê as árvores – algumas, por cima. Não me contive. Aproximei-me das vidraças – com as mãos afastei parte das persianas. Não me contive: abri lentamente as mesmas: um ‘mundo novo’ se abriu.

A claridade inundou plenamente o ambiente – apesar de lá fora o dia estar nublado – e estampou no rosto de cada um ali presente. O burburinho das leituras também tomou vida.

E eu, no final do período, ao fechar as persianas, a fechar um mundo. E a filosofar: do meu sobrado também sonho em desvendar o que há por trás das persianas vizinhas. (Mar/2008)

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

SEM VONTADE

Acordei hoje sem vontade de fazer alguma coisa - muito menos trabalhar - mas o dever me chamava: oito aulas. Quatro aulas eram de preparação pra o Vestibular (e o assunto era: interpretação de textos/imagens); duas aulas eram sobre crônica (leitura e interpretação também)/ e as outras duas aulas eram de Inglês (para os iniciantes). E lá fui eu...

No final da sexta aula estava super feliz - apesar dos problemas. A minha felicidade se dava pelo fato de os alunos realizarem os seus trabalhos: leitura de quatro crônicas - preparação pra o Vestibular ("Avô e neta", de José Carlos Oliveira; "Comunicação", de Luís Fernando Veríssimo; "Kni e Giv", de Carlos Eduardo Novaes; e "Para uma garota de quinze anos", de Lourenço Diaféria) - e responder às questões solicitadas. Acrescido a essas crônicas uma fotografia de Sebastião Salgado que retrata sacas de café em primeiro plano e, ao fundo, homens carregando-as (um trabalho árduo, pesado, de baixa remuneração). Riquezas concentram na mão de poucos - miséria por todo lado! Ah, meu Deus!

À tarde, com os meninos/as iniciantes do Inglês, trabalhamos as cores (desenhos) e horas (numerais até sessenta). Não sou um exímio desenhista, mas cada desenhista tem os seus traços p e os meus , por sinal, são péssimos.

Notei, porém, que uma parte do alunado espera muito do professor - isto é, esperam tudo pronto; não gostam de raciocinar. A resposta para eles é sim ou não, não existe a justificativa. Por que será que quando cobramos explicações (comprovação partindo do texto) não conseguem ou sentem dificuldades? Onde está o erro? Há erro? Ou é preguiça mental? (Pois, quando os 'forçamos', fazem.)

Fechando essas linhas (para começar a corrigir a interpretação dos textos) lembro que também fui assim - mas nem tanto. Será que as novas gerações vão ser sempre assim?

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

Julho de 2010

VOLTA AO PASSADO

Luis Fernando Veríssimo tem um texto que chama-se "História Estranha". A volta ao passado torna, ao mesmo tempo, estranha e inquietante - pelo menos aos meus olhos.

Eu com quarenta encontrar com o meu 'eu' de sete anos - estranho não? Mas, mais estranho ainda é o meu 'eu' de sete anos raciocinar e ir de encontro ao meu eu' de quarenta.

A visão é possível. Às vezes sentimos que já estivemos naquele lugar sem nunca estar (pelo menos nesta vida) - é possível? Paranormalismo? Não sei, mas acontece não raro comigo. (Sou anormal...) Será? Ou é uma visão espírita?

Muitos acreditam, outros tantos 'muitos' não acreditam. Só sei que nada sei - e ponto. Nada de ponto, mas sim de ponto-e-vírgula porque a história não acaba aí; como dizem: sempre tem algo a mais - e tem mesmo! Quem somos para dar explicações frente a este vasto mundo?

"Mundo, mundo - vasto mundo!" - e como é vasto e, ao mesmo tempo, pequeno os nossos conhecimentos! Como é vasto... Tantos séculos de estudos, de aprendizdo e o homem, na pouca existência na face da Terra, quer degustar grande parte desse aprendizado: pobre homem! Pobre ser! Pobre ser humano - será que consegue ser humano?

É a eterna luta da matéria contra o espírito - e alguns têm cada espírito! (28/7/2010)

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

MAIS QUE PAI E FILHO!

Mesmo não tendo inspiração para escrever neste dia, resolvi ler algumas canções e registrar aqui o que sinto - que não deve ser muito diferente dos pais que, por ocasião de separações conjugais, vivem meio longe dos filhos.

Há pouco escrevi sobre a minha filha. Disse que ouvi ontem a canção Filha, pela dupla Rick e Renner e me apaixonei. Letra encantadora! E, como sou curioso, fui buscar - ler - outras canções da dupla. E lá estava esta: "Mais que pai e filho" - lindíssima! (E o professor Flávio estava com a razão ao dizer o mesmo que eu: linda canção!) É um belo diálogo entre pai e filho, aprecie:

"Pai to aqui pra dizer que valeu / Olha o quanto o seu filho cresceu / Pai olha seu sonho aqui // Filho eu às vezes nem sei se mereço / Mesmo assim todo dia agradeço / A magia de te ver sorrir // Pai to deixando de ser um menino / Mais não quero que o meu destino / Venha nos distanciar // Filho não importa aonde o destino vai / Saiba que o meu amor de pai / Sempre ira te acompanhar // Que bom que deus fez de nos dois mais do que pai e filho permitiram que agente dividisse o brilho do sol que pra muito jamais vai nascer / Que bom que deus deu pra esse filme um lindo final transformando um sonho em vida real vida que agente só tem que viver // Pai sua voz hoje é minha voz / Tem um elo de paz entre nos / Que nada poderá romper // Filho nesse mundo azul que é tão só seu / Hoje tem um pai que compreendeu / O amor quando te viu nascer // Pai você é o meu grande amigo / (muito mais que um amigo) / Quando você conversa comigo / Me sinto seguro e melhor // Filho pode apostar na vida com fé / Que por deus todo homem já é uma luz a brilhar por si só // Que bom que deus fez de nos dois mais do que pai e filho permitiu que agente dividisse o brilho do sol que pra muito jamais vai nascer / Que bom que deus deu pra esse filme um lindo final transformando um sonho em vida real vida que agente só tem que viver (2x) // Pai, filho. - Rick e Renner" - Linda canção!

Nada melhor que um bom relacionamento... Nada mais a dizer... Nada melhor que poder ser chamado de "Pai!" "Pai, papai..." (Agosto de 2008)

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

DAR BEM DADO

A língua, ou melhor, o uso da língua nos proporciona inúmeras situações que - se não prestarmos atenção - entramos em cada problema, e alguns - diga-se de passagens - meio complicados.

Um exemplo legal é este a seguir: "Dar bem dado que fica o resto da vida dado." É uma frase que, a primeira leitura, leva a mil interpretações, a mil ideias - entre elas a que você, caro leitor, pensou.

Mas essa situação aconteceu na escola (e sem querer, é claro) e rimos muito. A situação foi assim - uma aluna deu um gritinho bem histérico chamando a minha pessoa, voltei o meu olhar pra ela e a mesma disse-me: "Professor, olha o 'Fulano' me atormentando." - notei que não era tão sério o assunto e, espontaneamente, disse (fazendo gesto): "Dê um bem dado que o resto da vida fica bem dado que ele não vai esquecer mais, assim, não vai mexer mais com você." Dito isto, a sala toda caiu na gargalhada, comentando: "Dê bem dado pra ele que ele nunca vai te esquecer..." - claro que ironizando a situação, levando para o outro lado - como dizem.

Essa nossa língua nos prega cada uma! Essa é a nossa língua: a nossa Língua Portuguesa!

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

A ALÇA DO SUTIÃ

Franceses – se não estiver enganado – têm cada idéia! Inventaram o danadinho do sutiã. Uma peça que evoluiu com o tempo e hoje há de vários modelos, cores...

Os mais variados modelos encobre peles claras, morenas e negras deixando a doçura dos seios cobertos, seguros – ou isto em parte. Para algumas damas – pelo excesso que possuem é um alívio: pois são seguros para não saírem pulando (deve ser horrível tê-los a balançar!). Prosseguindo, mas o que o título sugere não é o tamanho dos seios, a cor da pele ou o fato em si de estar cobertos, ou ainda o tamanho deles, mas a danadinha da alça.

Pessoalmente, o que vou relatar aqui é o problema que acho terrível em determinadas mulheres que não se prezam em se vestir.

Esquisito colocar o sutiã e ficar com as alças viradas – ou torcidas (salvo aqueles que são de silicone e possuem forma arredondada). Fica tão estranho que me dá vontade de cutucar a ‘fulana’ e dizer: “Arrume a alça do sutiã que está me incomodando!”

Imagine se a tal ‘fulana’ simplesmente dizer: “Se estiver incomodando você, arrume-o!” – o que vou fazer? Arrumar ou não, eis a questão!

Mas, caro leitor, se você for mulher, atente para este pequeno detalhe que lhe tira o charme, pois pode ser interpretado como “não saber se vestir”. (E, se encontrar eu na rua, não me provoque deixando-o torto, porque já viu...)

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

 

 

*

ABRAÇOS!

 

 




restaurante recife

 

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E quem não pensa será para sempre um servo."

 

ESTOU MUITO FELIZ!

 

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