TEXTOS DO AUTOR

 

GALERIA DOS ENTREVISTADOS

2010

 

2008

 

 

 

TEXTOS

 

de

 

PEDRO CÉSAR ALVES

 

Pedro César Alves é professor, gestor do PEF e coordenador do site "Araçatuba e Região".

 

Setembro de 2010

A DURA VIDA DAS MENINAS

Através das minhas andanças pelas ruas da cidade fico sabendo – às vezes observo – de cada cena, que só vendo pra crer!

No relato de hoje conto o que ‘as meninas’ passam em seu trabalho diário de salvar homens.

Que termo, não? Salvar homens!

Dizem-me (algumas) que o ofício, apesar de ser em algumas vezes lucrativo – é, portanto, nojento. Nojento no sentido de ter que agüentar homens de todos os tipos – inclusive a falta de higiene pessoal.

Acrescento: que bebem até quase não poder mais, pois ‘as ladies’ proprietárias destes estabelecimentos pedem ‘às meninas’ que faça os homens beberem, e beberem, e beberem – pior: a ‘geladinha’ nesses lugares custam um bom e elevado preço – acima de quatro vezes o preço normal, se comparado a um bar. E, os homens tomam uma após a outra – e ‘as meninas’ precisam acompanhar. Como dizem: “Às vezes não lucramos nada, pois bebemos tanto que acabamos na pior – e somente ‘as ladies’ lucram com isso!

Num mesmo dia conversei com duas ‘meninas’. Para a primeira – uma morena bonita, trinta e dois anos, de seios fartos, coxas grossas, bumbum avantajado e quatro filhos (do seu único casamento que durou cerca de quinze anos) – o dia tinha sido bom: faturado uma boa grana; estava alegre. Para a segunda – uma bela mulher, aparentando seus trinta anos (uma filha), branca, seios fartos, coxas grossas – não tinha sido nada bom: nenhum homem havia aparecido na casa naquele dia. Pensei comigo: quanta diferença! (E a última tinha me dito que havia telefonado para vários homens-amigos e nada.)

A fechar esse texto, acrescento que a vida destas ‘meninas’ não é nada fácil – mas também nem sempre a escolha feita fora a mais bem indicada, a mais bem sucedida; temos que usar, às vezes, o ‘livre arbítrio’ – se você acredita nele.

E nesse ‘livre arbítrio’ continuam ‘as meninas’ na tentativa de se salvarem e salvarem os homens na busca de realizações carnais. E o amor, onde fica? (Conto na próxima onde fica o amor...) – (23/10/2007)

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

 

Aosto de 2010

CRUZAMENTOS

Pensando no tudo, e não tendo nada a ver, resolvi escrever sobre os cruzamentos da vida. E, tendo em vista tal assunto – abrangente por sinal – por onde começar?

Talvez no cruzamento da Avenida Ipiranga com a Avenida São João; ou em outro lugar qualquer; talvez no cruzamento da menina-moça-donzela com o garotão-garanhão; talvez no cruzamento (e que acontece muito) das linhas telefônicas e ouve-se muitas conversas fiadas, de negócios, de amores e desamores – mas sem saber quem fala pra quem; talvez no cruzamento das idéias dos professores, dos autores, dos poetas, dos românticos, dos boêmios; dos políticos... Quantos cruzamentos a citar?

E, de cruzamentos em cruzamentos, tudo fica cruzado. Até as minhas palavras ficaram cruzadas. A vida é uma cruzada cheia de cruzamentos. Há tantos cruzamentos que nem a filosofia da vida pode explicar. Ou, o melhor é não explicar; o melhor é o inexplicável.

Continuar com pensamentos cruzados ainda é a solução para melhor se viver, pois enquanto um fio dela estiver embaraçado há mãos tentando desembaraçá-lo, mas quando o fio estiver sem nó não haverá mais mãos nele; logo: pensamentos cruzados, mente pensando, agindo, procurando solução e, às vezes, sem solução. (2007)

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

 

AMORTE DA BORBOLETA

Muitas vezes pensamos na morte como um ato triste, fúnebre – mas na verdade, pelo menos para nossa cultura, é (para outras culturas nem tanto). Outro dia pensei na morte da borboleta – claro que a partir de um simples fato.

Caminhava eu pelas ruas da cidade quando, ao cruzar uma avenida, a pobre da borboleta não desviou – entrou na contramão e eu também não consegui desviar da mesma. Apesar dos pesares: borboleta laranja, com pintas pretas saltitantes, fatal!

Fato simples, mas que leva a pensar – não pelo simples fato de pensar, mas pelo simples fato da vida não passar de segundos – claro que ao pé dessa eternidade que se consta aos olhos dos estudiosos do planeta.

A mesma – mesmo eu tentando desviar – chocou-se contra o meu automóvel e caiu a poucos metros. Caiu já sem vida. Doeu-me o fato dela cair. Olhei pelo retrovisor: lá estava ela estendida ao chão: asas juntinhas e o corpo tombado, sem vida. Somos assim também – e em muitas situações.

Somos insolentes: nem voltei para dar assistência, não fui enterrá-la, ou pelo menos avisar os parentes – consolar os amigos... – como somos! E isso acontece com todos os humanos.

A dor alheia não pesa tanto – ou pesa? Ou escondemos os sentimentos para tentarmos sobreviver nesse mundo ‘quase sem porteira’? A reflexão nem sempre evidencia a razão, mas por vezes a emoção também aflora. E quando uma ou outra aflora, sempre temos os problemas à tona. Esse vir à tona é o fator complicador.

A morte da borboleta é apenas um fato gerador – simples, mas é. A vida em si deve ser repensada, desfrutada com valor. Usar a razão, mas também dar evasão a emoção – afinal, como diz o cantor: “...somos humanos!” (30/01/2008)

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

PERSIANAS

Como professor, sei que sou chato – mas um chato ‘quase’ necessário. Mas, entre as minhas chatices existe o lado bom – e, como profissional, as minhas aulas são boas (reconhecidas pelos alunos).

Pelo menos duas vezes por mês visitamos a biblioteca e vamos à sala de leitura. Para quem não sabe – ou não entende – na escola em que trabalho, ao lado do anfiteatro, há uma sala com duas estantes de livros (poesias, crônicas, romances – e com vários volumes de cada títulos). Nesta sala não há cadeiras ou carteiras, há apenas uma poltrona azul pra o professor, três tapetes grandes e umas quarenta almofadas. Lá os alunos se sentem no céu: escolhem o livro (esta semana nos primeiros anos do Ensino Médio lemos fábulas e nos terceiros anos do Ensino Médio, contos), deitam no carpete, recostados nas almofadas, e com som – música clássica: Richard Clayderman ao piano. Vale registrar que a biblioteca e a sala de leitura não é o mesmo lugar – pelo menos onde trabalho.

Continuando – melhor, voltando ao assunto que ainda não iniciei, na sala de leitura, sentado ora na poltrona azul, ora no tapete ao lado dos alunos, comecei a observar a paisagem pelas frestas das persianas. Como a sala é no andar superior do prédio, se vê as árvores – algumas, por cima. Não me contive. Aproximei-me das vidraças – com as mãos afastei parte das persianas. Não me contive: abri lentamente as mesmas: um ‘mundo novo’ se abriu.

A claridade inundou plenamente o ambiente – apesar de lá fora o dia estar nublado – e estampou no rosto de cada um ali presente. O burburinho das leituras também tomou vida.

E eu, no final do período, ao fechar as persianas, a fechar um mundo. E a filosofar: do meu sobrado também sonho em desvendar o que há por trás das persianas vizinhas. (Mar/2008)

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

SEM VONTADE

Acordei hoje sem vontade de fazer alguma coisa - muito menos trabalhar - mas o dever me chamava: oito aulas. Quatro aulas eram de preparação pra o Vestibular (e o assunto era: interpretação de textos/imagens); duas aulas eram sobre crônica (leitura e interpretação também)/ e as outras duas aulas eram de Inglês (para os iniciantes). E lá fui eu...

No final da sexta aula estava super feliz - apesar dos problemas. A minha felicidade se dava pelo fato de os alunos realizarem os seus trabalhos: leitura de quatro crônicas - preparação pra o Vestibular ("Avô e neta", de José Carlos Oliveira; "Comunicação", de Luís Fernando Veríssimo; "Kni e Giv", de Carlos Eduardo Novaes; e "Para uma garota de quinze anos", de Lourenço Diaféria) - e responder às questões solicitadas. Acrescido a essas crônicas uma fotografia de Sebastião Salgado que retrata sacas de café em primeiro plano e, ao fundo, homens carregando-as (um trabalho árduo, pesado, de baixa remuneração). Riquezas concentram na mão de poucos - miséria por todo lado! Ah, meu Deus!

À tarde, com os meninos/as iniciantes do Inglês, trabalhamos as cores (desenhos) e horas (numerais até sessenta). Não sou um exímio desenhista, mas cada desenhista tem os seus traços p e os meus , por sinal, são péssimos.

Notei, porém, que uma parte do alunado espera muito do professor - isto é, esperam tudo pronto; não gostam de raciocinar. A resposta para eles é sim ou não, não existe a justificativa. Por que será que quando cobramos explicações (comprovação partindo do texto) não conseguem ou sentem dificuldades? Onde está o erro? Há erro? Ou é preguiça mental? (Pois, quando os 'forçamos', fazem.)

Fechando essas linhas (para começar a corrigir a interpretação dos textos) lembro que também fui assim - mas nem tanto. Será que as novas gerações vão ser sempre assim?

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

Julho de 2010

VOLTA AO PASSADO

Luis Fernando Veríssimo tem um texto que chama-se "História Estranha". A volta ao passado torna, ao mesmo tempo, estranha e inquietante - pelo menos aos meus olhos.

Eu com quarenta encontrar com o meu 'eu' de sete anos - estranho não? Mas, mais estranho ainda é o meu 'eu' de sete anos raciocinar e ir de encontro ao meu eu' de quarenta.

A visão é possível. Às vezes sentimos que já estivemos naquele lugar sem nunca estar (pelo menos nesta vida) - é possível? Paranormalismo? Não sei, mas acontece não raro comigo. (Sou anormal...) Será? Ou é uma visão espírita?

Muitos acreditam, outros tantos 'muitos' não acreditam. Só sei que nada sei - e ponto. Nada de ponto, mas sim de ponto-e-vírgula porque a história não acaba aí; como dizem: sempre tem algo a mais - e tem mesmo! Quem somos para dar explicações frente a este vasto mundo?

"Mundo, mundo - vasto mundo!" - e como é vasto e, ao mesmo tempo, pequeno os nossos conhecimentos! Como é vasto... Tantos séculos de estudos, de aprendizdo e o homem, na pouca existência na face da Terra, quer degustar grande parte desse aprendizado: pobre homem! Pobre ser! Pobre ser humano - será que consegue ser humano?

É a eterna luta da matéria contra o espírito - e alguns têm cada espírito! (28/7/2010)

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

MAIS QUE PAI E FILHO!

Mesmo não tendo inspiração para escrever neste dia, resolvi ler algumas canções e registrar aqui o que sinto - que não deve ser muito diferente dos pais que, por ocasião de separações conjugais, vivem meio longe dos filhos.

Há pouco escrevi sobre a minha filha. Disse que ouvi ontem a canção Filha, pela dupla Rick e Renner e me apaixonei. Letra encantadora! E, como sou curioso, fui buscar - ler - outras canções da dupla. E lá estava esta: "Mais que pai e filho" - lindíssima! (E o professor Flávio estava com a razão ao dizer o mesmo que eu: linda canção!) É um belo diálogo entre pai e filho, aprecie:

"Pai to aqui pra dizer que valeu / Olha o quanto o seu filho cresceu / Pai olha seu sonho aqui // Filho eu às vezes nem sei se mereço / Mesmo assim todo dia agradeço / A magia de te ver sorrir // Pai to deixando de ser um menino / Mais não quero que o meu destino / Venha nos distanciar // Filho não importa aonde o destino vai / Saiba que o meu amor de pai / Sempre ira te acompanhar // Que bom que deus fez de nos dois mais do que pai e filho permitiram que agente dividisse o brilho do sol que pra muito jamais vai nascer / Que bom que deus deu pra esse filme um lindo final transformando um sonho em vida real vida que agente só tem que viver // Pai sua voz hoje é minha voz / Tem um elo de paz entre nos / Que nada poderá romper // Filho nesse mundo azul que é tão só seu / Hoje tem um pai que compreendeu / O amor quando te viu nascer // Pai você é o meu grande amigo / (muito mais que um amigo) / Quando você conversa comigo / Me sinto seguro e melhor // Filho pode apostar na vida com fé / Que por deus todo homem já é uma luz a brilhar por si só // Que bom que deus fez de nos dois mais do que pai e filho permitiu que agente dividisse o brilho do sol que pra muito jamais vai nascer / Que bom que deus deu pra esse filme um lindo final transformando um sonho em vida real vida que agente só tem que viver (2x) // Pai, filho. - Rick e Renner" - Linda canção!

Nada melhor que um bom relacionamento... Nada mais a dizer... Nada melhor que poder ser chamado de "Pai!" "Pai, papai..." (Agosto de 2008)

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

DAR BEM DADO

A língua, ou melhor, o uso da língua nos proporciona inúmeras situações que - se não prestarmos atenção - entramos em cada problema, e alguns - diga-se de passagens - meio complicados.

Um exemplo legal é este a seguir: "Dar bem dado que fica o resto da vida dado." É uma frase que, a primeira leitura, leva a mil interpretações, a mil ideias - entre elas a que você, caro leitor, pensou.

Mas essa situação aconteceu na escola (e sem querer, é claro) e rimos muito. A situação foi assim - uma aluna deu um gritinho bem histérico chamando a minha pessoa, voltei o meu olhar pra ela e a mesma disse-me: "Professor, olha o 'Fulano' me atormentando." - notei que não era tão sério o assunto e, espontaneamente, disse (fazendo gesto): "Dê um bem dado que o resto da vida fica bem dado que ele não vai esquecer mais, assim, não vai mexer mais com você." Dito isto, a sala toda caiu na gargalhada, comentando: "Dê bem dado pra ele que ele nunca vai te esquecer..." - claro que ironizando a situação, levando para o outro lado - como dizem.

Essa nossa língua nos prega cada uma! Essa é a nossa língua: a nossa Língua Portuguesa!

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

A ALÇA DO SUTIÃ

Franceses – se não estiver enganado – têm cada idéia! Inventaram o danadinho do sutiã. Uma peça que evoluiu com o tempo e hoje há de vários modelos, cores...

Os mais variados modelos encobre peles claras, morenas e negras deixando a doçura dos seios cobertos, seguros – ou isto em parte. Para algumas damas – pelo excesso que possuem é um alívio: pois são seguros para não saírem pulando (deve ser horrível tê-los a balançar!). Prosseguindo, mas o que o título sugere não é o tamanho dos seios, a cor da pele ou o fato em si de estar cobertos, ou ainda o tamanho deles, mas a danadinha da alça.

Pessoalmente, o que vou relatar aqui é o problema que acho terrível em determinadas mulheres que não se prezam em se vestir.

Esquisito colocar o sutiã e ficar com as alças viradas – ou torcidas (salvo aqueles que são de silicone e possuem forma arredondada). Fica tão estranho que me dá vontade de cutucar a ‘fulana’ e dizer: “Arrume a alça do sutiã que está me incomodando!”

Imagine se a tal ‘fulana’ simplesmente dizer: “Se estiver incomodando você, arrume-o!” – o que vou fazer? Arrumar ou não, eis a questão!

Mas, caro leitor, se você for mulher, atente para este pequeno detalhe que lhe tira o charme, pois pode ser interpretado como “não saber se vestir”. (E, se encontrar eu na rua, não me provoque deixando-o torto, porque já viu...)

- Pedro César Alves - é professor de Língua Portuguesa; Escritor nas horas vagas; Gestor do Programa Escola da Família, da Secret. Est. de Educação de SP.

 

 

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