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ROSANA M. DE SOUZA

 

ROSANA M. DE SOUZA

 

 

Agosto de 2011

ALUNAS DE PEDAGOGIA PARTICIPAM PELA 2ª VEZ DA JORNADA ACADÊMICA DO NÚCLEO DA UNESP DE MARÍLIA

Vanilda Gonçalves de Lima; Rafael Bermejo Alves (UNESP, Marília); Rosana Moraes de Sousa (FAC-FEA, Araçatuba); Valéria Pavão Palú (UNESP, Prudente); Maria Valéria Barbosa Veríssimo (Coordenadora do grupo de estudo GEPENE, UNESP, Marília)

No dia 10/08/2011 as alunas Maria Faria dos Reis e Rosana Moraes de Sousa , do 6º Semestre do Curso de Pedagogia, participaram da 10º Jornada Acadêmica do Núcleo da UNESP de Marília, cujo tema do Evento foi “A Teoria Histórico Cultural e a Educação Escola: dos fundamentos à Práxis”.
Na jornada, foram apresentados diversos trabalhos abordando os eixos temáticos, tais como: Política Educacional, Psicologia e Educação, Teoria Histórico-Cultural em Questão, TICS - Tecnologias de Informação e Comunicação, Práticas Pedagógicas; Educação Ambiental; Inclusão Educacional, Educação Infantil e Ensino Fundamental de 9 anos, Educação de Jovens e Adultos, Ciências Sociais e filosofia na Escola, Formação de Professores, Escola: Cultura e Etnia/ Raça, Leitura e Escrita, Lúdico e educação, Gestão Escolar e Currículo e Educação Matemática,Química e Física.
As alunas puderam partilhar e ouvir experiências vividas e refletidas enquanto cidadãs neste país - tais experiências observadas em sala de aula, com os estudantes de graduação, outros estudantes de mestrado, orientadores e professores da instituição de ensino.
Rosana Moraes de Sousa apresentou o artigo científico intitulado com “Um Olhar sobre o Preconceito” onde o mesmo é um recorte do seu TCC, sendo orientado pela professora Mestra Andrea Soares.
No trabalho acadêmico, a aluna aponta questões que os professores podem deparar-se no universo escolar, como os diversos tipos de preconceito, aponta sendo como os principais, o preconceito de gênero, etnia, orientação sexual, preconceito social e contra as pessoas deficientes.
Ela acredita que os professores devem estar preparados para trabalhar com a diversidade, pois trata-se de "um novo retrato escolar da contemporaneidade”.
No breve estudo buscou analisar a temática do preconceito e suas diferentes vertentes, na tentativa de mostrar que é preciso um olhar minucioso sobre seu universo, que nos permita distinguir, por exemplo, preconceito de discriminação, bem como compreender as diversas categorias de preconceito.
Como no universo escolar a prática do preconceito é uma realidade eminente, os atores escolares devem estar preparados para combatê-lo, com uma postura mais inclusiva e preparada, permitindo que todos tenham condições de ensinar e aprender, sem ser submetido a qualquer espécie de constrangimento. Isto porque atrás de todo tipo de preconceito há um cidadão que precisa ser protegido, tendo garantido seus direitos básicos, como a vida, mas uma vida digna e justa. Matéria enviada por Rosana Moraes de Sousa e, a pedido da mesma, publicada.

 

Junho de 2011

MÃE E PROFISSIONAL:

O DIFÍCIL DESAFIO DA MULHER NOS DIAS ATUAIS

1. Introdução

Este estudo parte das inquietações surgidas no dia-a-dia dos debates e estudos do quarto semestre do curso de Licenciatura em Pedagogia na Faculdade da Fundação Educacional de Araçatuba-SP (FAC-FEA), assim como das questões por mim vividas e refletidas enquanto cidadã deste país.
Apresenta uma reflexão teórica, à luz dos pressupostos da fenomenologia existencial, sobre as escolhas vivenciadas por mulheres, na condição de serem mulheres e se permitirem estarem como mães e profissionais, assim como reconhecerem o reflexo destas escolhas no universo feminino na atualidade.
Um trabalho que se apoiou na pesquisa bibliográfica com o objetivo de compreender o papel de profissional e mãe nos dias atuais e tentar entender se estes papéis estão, de alguma forma, vinculados entre si.
Faz os seguintes questionamentos: É possível unir os papéis de mulher e mãe? Como exercer a maternidade e o lado profissional? Há dicotomia ?
Assim, este estudo traz a possibilidade de refletirmos sobre esse tema, trazendo-o para o debate, como forma de repensarmos alguns conceitos a figura feminina na sociedade.
Ao desenvolvermos a ideia de profissional e mãe deparamo-nos com a questão do gênero, apontando que para a mulher dos dias atuais as horas urgem; portanto mais que necessário é atuar com êxito ao que a vida lhe presenteia e ao que também se faz necessário, ou seja, assumir o papel de mãe e trabalhadora, mas, acima de tudo, o de mulher.

2. Objetivos

O interesse em pesquisar sobre a mulher, mãe e profissional surgiu, inicialmente, por uma questão singular, que se fortaleceu e persistiu a partir de atividades acadêmicas do Curso de Pedagogia.
Este trabalho tem como objetivo mostrar que a mulher, que exerce seus papéis de mãe, esposa, profissional não deve ser tratada com inferioridade, já que ela ainda é vista, em meios sociais diversos, como um simples objeto.
Também objetiva eliminar a imagem de mulher boazinha, da mulher submissa, e mostrar que há a possibilidade da mulher vencer em diferentes âmbitos, enquanto esposa, mãe e trabalhadora.
Sendo assim, a mulher, como qualquer ser humano, deve ser ouvida e tratada como uma pessoa comum na sociedade; a atividade profissional feminina permitiu às mulheres adquirir o direito à cidadania, contudo a condição pós-moderna se recusa a presenciar uma identidade feminina constituída exclusivamente pelas funções de mãe e esposa.
Este trabalho permite apreciar e voltar o olhar para aquela que merece ser reconhecida de maneira digna, na condição de ser mulher e, também, permitir estar como mãe e profissional, assim como reconhecer os reflexos destas escolhas no universo feminino na atualidade.

3. Metodologia

Aliando observações acerca da figura feminina na sociedade e um levantamento bibliográfico sobre o papel da mulher na sociedade atual, averiguamos suas principais facetas e dificuldades enquanto esposa, mãe e trabalhadora.
Para obtermos uma visão mais clara sobre nossos questionamentos e reflexões, reportamo-nos a autores de Psicologia, Filosofia e Fenomenologia, dentre outros.
Assim, esse trabalho tem o intuito de elaborar uma breve reflexão sobre o cenário, a identidade, as conquistas e a superação das mulheres no Brasil, observando sua capacidade de unir a ternura de ser mãe e a fragilidade de ser mulher de fibra, profissional.

4. Desenvolvimento

Na atualidade, podemos notar que há vários dispositivos discursivos que vendem uma imagem de mulher versátil, a que sabe administrar a casa, os filhos, o marido e o trabalho.
Ao mesmo tempo, no entanto, o discurso social, bem como as próprias mulheres, mantém ainda a crença de que a maternidade é parte da essência feminina, acreditando ser a figura da mãe indispensável para o bom desenvolvimento dos filhos. lugar onde ela arranjou formas de exercer o controle mesmo que, indiretamente, sobre os filhos e marido; isto é, a dedicação da mulher com os afazeres da casa gerou uma situação de dependência em relação a ela na esfera doméstica.
Além disso, em sua capacidade de se sacrificar para atender às necessidades e desejos dos familiares, também encontrou uma arma poderosa, qual seja, a cobrança por onde reivindica a realização de alguns dos seus desejos e mudanças de comportamento na família.
Nesse sentido veremos várias perspectivas sobre o significado de ser mulher, para então refletirmos que é possível exercer o duplo papel de maneira eficaz e eficiente.

4.1 - Definição de Mulher

Muitos poetas, estudiosos, curiosos tentaram e tentam escrever os mistérios que envolvem a figura da mulher. Muito além do “sexo frágil” descrito por Rita Lee ou da bandeira feminista desferida no século passado, nada mais simples que cantar a música Mulher, de Elba Ramalho: “para descrever uma mulher não é do jeito que quiser/ Primeiro tem que ser sensível, se não é impossível/ Quem vê por fora não vai ver por dentro o que ela é/ É um risco resumir/ Mulher”.
O dicionário Aurélio (2009, p.568) define mulher como ser humano do sexo feminino; mulher após a puberdade; esposa.
Fábio de Melo (2008) descreve de uma maneira singela a figura da Mulher, ora de aço, ora de flores. Mergulhado num encanto feminino, o autor mostra histórias do cotidiano das mulheres, homenageia todas as mulheres, desde as mais recatadas às mais ousadas.
As mulheres experimentam na carne o destino de serem como Deus, porém em pequenas partes: são elas que geram o mundo, embalam os destinos e entrelaçam num mesmo tecido as cores da fragilidade e da força. Elas são de aço. Elas são de flores.

4.2. É possível ser mãe e trabalhar ao mesmo tempo?

Vimos anteriormente alguns conceitos de mulher. Neste capítulo falaremos sobre a possibilidade dessa mulher trabalhar e ser mãe ao mesmo tempo.
Segundo a Ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire (2010), “de acordo com estudo da Organização Internacional do Trabalho, as mulheres trabalham cinco horas semanais a mais do que os homens. Elas têm uma jornada total semanal de 57,1 horas, contando com 34,8 horas semanais de trabalho e mais 20,9 horas de atividades domésticas”.
Portanto, o tempo cronológico feminino dos dias atuais se apresenta cada vez mais acelerado. As atividades que a mulher deve realizar não cessam: levar filhos na escola, na aula de inglês, trabalhar, especializar-se, cuidar dos afazeres domésticos, ir ao supermercado, cuidar de pai, mãe, pagar contas etc. Ao mesmo tempo sabemos que essa mesma mulher necessita se adequar ao mercado, à demanda e ao que a vida impõe.
Então, faz-se necessário respondermos ao seguinte questionamento: é possível ser mãe e trabalhar ao mesmo tempo?
O ideal seria que a mulher pusesse em prática a maternidade, embora essa atitude lhe traga uma sensação de morosidade em outros aspectos de sua vida, já que os compromissos se acumulariam nos demais espaços nos quais atua como profissional. E ainda que cuide bem do seu marido ou que a comida não seja regada de temperos, ela, a mulher-esposa-mãe, precisa se multiplicar para atender as demandas pelas quais exigem grande responsabilidade.
Nesta problemática, certamente o maior prejudicado será a criança, o filho, já que este necessita de um cuidado especial, caso contrário, poderá sentir profundamente a ausência materna e até suscitar um trauma futuro.
Num outro ângulo, o que sente esta mulher que não pode apreciar a graça de conceber a maternidade em seu lar, do simples ninar à preparação da mamadeira?
Ao contrário, hoje a mulher fica estressada, com contas no vermelho, filho pedindo a atenção, marido reclamando, levando-a a ter um sentimento de devedora em relação aos filhos e marido.
Contudo, diante de todas as problemáticas abordadas, como a mulher pode viver o duplo papel de mãe e profissional? Fica outro questionamento: seria possível dividir o espaço a cada um desses papéis?

4.3 Os diferentes ângulos e perspectivas sobre Mulher

Veremos abaixo os diferentes ângulos e perspectiva sobre a mulher. Alguns autores afirmam que a mesma deve ser submissa, que de fato nasceu para ser frágil; outros demonstram a capacidade de superação da mulher, externando a sua fortaleza.
Segundo Freud (1913) a mulher é vista numa visão tradicional e conservadora. Sua psicanálise foi marcante no que diz respeito aos discursos da modernidade e tentaram definir e conceituar a figura feminina, seu corpo, sua função e sua sexualidade.
Para que uma mulher seja considerada boa mãe dentro da psicanálise, é preferível que tenha experimentado em sua infância uma evolução sexual e psicológica satisfatória, junto de uma mãe também relativamente equilibrada. Para Freud, se a mulher foi criada por uma mãe perturbada, terá grande probabilidade de sentir dificuldade em assumir feminilidade e sua maternidade. Quando for mãe, produzirá as mesmas atitudes inadequadas de sua própria mãe.
Segundo Beauvoir (1980, p.9) “ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, sendo assim, há uma construção social, dada a partir das relações interpessoais realizadas no tempo, espaço e contexto social nos quais a mulher está inserida.
De acordo com Heidegger (2002, p.32) “ser está naquilo que é e como é, na realidade, no ser-simplesmente-dado (Vorhandenheit), no teor e recurso, no valor e validade, na presença e no há “, ou seja, é desdobrar-se em possibilidade, buscando sentido para as vivências e experiências em seu tempo enquanto sujeito de singularidade, único no jeito de ser, pensar, agir e estar no mundo.
Nesse sentido Heigdegger aponta o quanto é importante a pessoa ser aquilo que é em sua singularidade, podemos então através disse ressaltar que a mulher tem uma maneira peculiar de exercer sua feminilidade, quer seja como esposa, que seja como mãe

Lipovetsky (2007) anuncia que a mulher quando concebe a possibilidade de se perceber na condição de ser mãe, e em ser profissional, chama para si todas as responsabilidades que são peculiares a cada papel desempenhado, implicando diretamente nas consequências advindas desse processo de escolhas de vida.
Enquanto a mulher-mãe tende a esmerar-se (e se cobra nessa condição) em dar o melhor de si como tentativa de superar a condição de ter sido subjugada na comparação ao outro e ver-se restrita ao lar, na vida profissional a mulher também tem buscado atividades que exigem força, geralmente atribuídos ao homem, e da mesma maneira que estes, elas buscam definir e inventar sua própria vida. Neste sentido, ao contrário de sexo frágil, nota-se que a capacidade de lutar, trabalhar, vencer independe de sexo; a mulher pode sim tomar, apropriar, apreender o papel de homem e vice-versa, hora em sua garra, ora em sua singeleza.

As tarefas de casa, com efeito, são a oportunidade de constituir territórios identitários e pessoais, de impor seus critérios, personalizando a sua maneira de agir e pensar, de fazer valer sua concepção da organização doméstica, do limpo, do ordenado, da alimentação ou decoração. (LIPOVETSKY, 2007, p.255).
Muitos artistas também já se manifestaram sobre o tema “mulher”. Milton Nascimento, por exemplo, exprime através de sua canção o verdadeiro dom de ser mulher, e o que tantas Marias passam no dia-a-dia, tribulações na vida, tropeços... mas prontamente, com toda a garra, levantam-se prontas para a labuta.

...Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece
Viver e amar
Como outra qualquer
Do planeta
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida...
( Milton Nascimento )

Cada artista, compositor, profissional, estudante, possui uma maneira singular de expressar sobre a mulher e mãe; para alguns é digna de honra, a outros como Roberto Carlos, uma“lady” Há pessoas que veem suas mães como um porto seguro, um alicerce, uma âncora para suas vidas. A maternidade na visão de Caetano Veloso é vista com uma força estranha, que o impele a cantar, é uma mulher que prepara em seu ventre, a vinda de um filho almejado...


Eu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz tamanha..
(CAETANO VELOSO, 1978)

Próximo à IV Conferência Mundial sobre a Mulher, o Papa João Paulo II relatou sua importante carta apostólica sobre Mulieris Dignitate.
O Papa, em nome da igreja, agradecia a todas as mulheres, à mulher-mãe a qual faz ventre de ser humano, na alegria e no sofrimento, de uma experiência única que guia os primeiros passos, ampara o crescimento do filho, e torna ponto de referência por todo o caminho; citou a mulher-trabalhadora, que empenhada em todos os âmbitos da vida social, econômica, cultural capaz de conjugar razão e sentimento, a uma concepção da vida sempre aberta ao sentido do mistério, à edificação das estruturas econômicas e políticas mais ricas de humanidade; e finalizou sua pregação dizendo:

'o segredo para percorrer diligentemente a estrada do pleno respeito da identidade feminina não passa só pela denúncia, apesar de necessária, das discriminações e das injustiças, mas também, e sobretudo, por um eficaz e claro projeto de promoção, que englobe todos os âmbitos da vida feminina, a partir de uma renovada e universal tomada de consciência da dignidade da mulher. Ao reconhecimento desta, não obstante os múltiplos condicionalismos históricos, leva-nos a própria razão, que capta a lei de Deus inscrita no coração de cada homem. Mas é sobretudo a Palavra de Deus, que nos permite identificar com clareza o radical fundamento antropológico da dignidade da mulher, apontando-o no desígnio de Deus sobre a humanidade'. (PAPA JOÃO PAULO II, Vaticano, 29 de Junho de 1995, solenidade dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo.)


4.4. A entrada das mulheres ao mercado de trabalho

A partir das duas Guerras Mundiais (1914 – 1918 e 1939 – 1945), quando as mulheres assumiram negócios de família e se posicionaram à frente das finanças, o mundo nunca mais teria apenas a energia profissional masculina.
Segundo o Guia dos Direitos da Mulher (1994, p. 13), em seu art. 11:
Os Estados Partes garantirão às mulheres os mesmos direitos que os homens, e, em particular:
- O direito ao trabalho, como direito inalienável de todo ser humano;
- mesmas oportunidades de emprego e de critériso de seleção;
- livre-escolha de profissão e de empregos, direito à promoção, estabilidade, aprendizagem, formação profissionalizante e reciclagem;
- direito à remuneração igual para trabalho igual, e aos mesmos critérios de avaliação;
- direito à Previdência Social e férias pagas;
- direito à proteção, à saúde e à segurança.

Porém, o mercado de trabalho alterou o quadro mulher-mãe-profissional, de tal modo que conciliar a atividade remunerada com o cotidiano familiar nem sempre configura-se uma tarefa das mais simples. Cada vez mais a mulher está inserida no mundo do trabalho, conquistando espaços, delimitando novos horizontes nesse universo de probalidades, embora esse caminho possa ser marcado, não raras vezes, por barreiras a serem vencidas.
Assim, ao fazermos uma retorspectiva das últimas décadas a respeito da inserção da mulher no mercado de trabalho, observamos sua crescente atuação na economia, notadamente a brasileira. Esse fato torna-se cada vez mais intenso ano a ano e não tem demonstrado nenhuma tendência em retroceder.
Tal fato conduziu e conduz a mulher a consequências significativas em seu cotidiano. Esse processo social vem adquirindo uma dimensão estrutural no mundo contemporâneo, proporcionando, por exemplo, o aparecimento de inúmeros métodos anticoncepcionais. Dessa maneira, a mulher passou a ter o poder sobre seu próprio corpo e a possível gravidez, retirando de seu companheiro/esposo a decisão da procriação.
Este foi, certamente, um dos fatores que mais contribuíram para a redefinição do lugar da mulher na sociedade, gerando frutos decisivos nas relações familiares que, gradativamente, foram modificadas em seu processo educacional e social. Com essa mudança, a mulher permitiu-se ao prazer de desfrutar de sua sexualidade, o que anteriormente era negado até por ela mesma.
Porém, a decisão ou ocorrência da gravidez traz para a mulher questionamentos, conflitos, receios e tomada de decisões pelas quais nem sempre serão consideradas as mais acertadas, pois em alguns momentos vive o receio de usar da sua liberdade de forma errônea em relação ao filho, ao companheiro e à profissão.
Exemplo de uma situação cotidiana da mulher/profissional é a vivida no momento de afastamento momentâneo de seu filho, o que é muitas vezes crucial para algumas mulheres e que pode ser permeado por angústias, culpas e escolhas: deixá-lo em escola ou com babá? Estar presente na entrada do filho na escola, bem como no acompanhamento das reuniões de pais, na maioria das vezes, não são atitudes consideradas importantes pela maioria das empresas.
Situações como estas geram na mulher/mãe e na mulher/profissional conflitos, por perceber que para a empresa o importante é a sua garra e sua determinação profissional, desvinculada das questões existentes em seu ambiente familiar. Contudo, o trabalho muitas vezes invade esse espaço feminino, ignorado pelo empregador, e que afeta os vínculos afetivos entre mãe/filho e mulher/ companheiro. Portanto, conciliar o papel de mãe, esposa e profissional torna-se difícil, não só emocional, mas também fisicamente.
A mulher-mãe, vivenciando tais situações, fica ansiosa, sentindo-se duplamente culpada por não dar a devida atenção (que julga ser a mais adequada) para a casa e para os filhos e, em contrapartida, também não consegue dedicar uma parcela maior de tempo para o desenvolvimento profissional, permanecendo em constante conflito.
Com a ocorrência desses fatores, a sensação de culpa ficará dissociada do papel de boa mãe e das responsabilidades maternas para com o filho. Esse sentimento encontra forte relação na cultura e no processo de educação e socialização do indivíduo. o que pode levar a mulher-mãe a sentir medo e a culpa de criar filhos em desajuste com os padrões da sociedade.
Talvez esses conflitos que permeiam as relações da mulher com o trabalho e os deveres com a família deixem de lado a divisão da responsabilidade com o companheiro e, assim, a pouca colaboração do mesmo frente às decisões pelas quais devem ser compartilhadas, ou ainda, a falta de aparatos sociais que garantam a educação escolar no período de trabalho. Esses são fatores questionados constantemente pela mulher da atualidade.
Mas é construindo-se como uma pessoa que pensa, ri, chora, acerta, erra, ama e tem sentimentos, que a mulher certamente descobrirá para si uma forma harmônica, coerente e prazerosa de exercer sua função de mãe e esposa, sem esquecer-se da pessoa que é como mulher e profissional.
A mulher profissional-mãe-esposa, apesar dos conflitos que perpassam em seu cotidiano, também sente alegrias, frustações, decepções e preocupações, em decorrência de suas múltiplas funções.

5. Conclusão

A maternidade é desejada e vivenciada por muitas mulheres, fator importante e comumente considerado como ocasião especial em suas vidas.
Notamos que existem diversas razões pelas quais uma mulher gera um filho: para safisfazer a expectativa do seu meio social, por realização pessoal e/ou do casal, ou ainda, para tentar melhorar o relacionamento em seu casamento .
Entretanto, a maternidade requer responsabilidades, compromisso, amor e grandes doses de paciência, muita energia física e mental, doação, capacidade de dar afeto e demonstrar alegria.
Outro aspecto importante a ser destacado é que ser mãe é um privilégio também, pois é maravilhoso presenciar o crescimento sadio e harmonioso dos filhos, dar retoques em sua personalidade e acompanhá-los pelos caminhos da vida, até se tornarem homens e mulheres maduros e responsáveis.
Nessa perspectiva, ser mãe envolve a responsabilidade consequente da maternidade e o privilégio de dar ao mundo um ser humano único, singular.
Assim, destacamos que a mulher-esposa, a mulher-profissional e a mulher-mãe são complementos da mulher-pessoa, que é pouco evidenciada, percebida, não sendo considerada nas reais necessidades pessoais em seu cotidiano.

6. Referências Bibliográficas

BEAUVOIR, S. O segundo sexo: A experiência vivida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.

CFEMEA – Guia dos Direitos da Mulher/Centro Feminista de Estudos e Assessoria. Brasília: CFEMEA, 1994.

FRANÇA, C. A. Mito da mulher moderna. São Paulo: Elevação, 2005.

FREIRE, N. Os 100 anos do Direito da Mulher. Mulher, Cidadania e Direitos Humanos. 2010. Disponível em <http://www.mulherecidadania.al.gov.br/artigos/os-100-anos-do-dia-internacional-da-mulher> Acesso em 17 ago. 2010.

HEIDEGGER, M. Ser e tempo. Parte I. Petrópolis: Vozes, 2002.

HOLANDA, A. B. de. Minidicionário Aurélio – Revisado conforme acordo ortográfico. 7 ed. São Paulo: Positivo, 2009.

LETRAS.MUS.BR. 2003. Disponível em <http://letras.terra.com.br/elba-ramalho> Acesso em 17 ago. 2010.

LIPOVETSKY, G. A terceira mulher: permanência e revolução do feminino. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

MELO, F. de. Mulheres de Aço e de Flores. (.São Paulo): Gente, 2008.

II PAULO JOÃO. Vaticano, 29 de Junho de 1995, solenidade dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo. Disponível em : http://www.cleofas.com.br/

OBS.: Trabalho produzido pela aluna e publicado aqui a pedido da mesma.

 

Outubro de 2010

CARPE DIEM

Carpe Diem sugere, aproveitar o dia, colher o dia...

Aproveitar como se fosse o último, não esperar o amanhã para ser feliz.

Vivemos numa sociedade consumista em que a agilidade, o fast-food, a precisão, a celeriade, são os marcos principais.

Para sermos bons naquilo que fizermos, é necessário sermos competentes e ágeis.

Aproveitar o dia é decisão certeira a quem não quer errar, contudo o Cape Diem do consumismo, impulsiona erroneamente aproveitar o dia nos eximindo de viver a essência humana, num simples deitar no sofá ao assistir TV com a família, num bom dia ao vizinho, numa simples mão estendida ao caído, pois agir com solicitude nos dias atuais, é perda de tempo!

A dialógica é para a sociedade consumista, uma prática equivocada, atualemente é difícil vermos pais conversando com filhos, patrões com empregados, maridos com esposas, professores com alunos, netos com avós... já que os ponteiros caminham e sem ao menos perceber, mais um dia se passou.

Contudo, é diante das tragédias vistas nos telejornais que nos surpreendemos, nos lamentamos por não ter aproveitado o dia, ouvindo o que o ente querido nos falaria pela última vez... é deparando com a morte que pensamos o porquê não aproveitamos o dia com quem partiu.

Inúmeras vezes somos como Marta a quem Jesus foi visitar, e ela o recebeu apressadamente e preocupada, faz-se necessário assumirmos o papel de Maria, sabendo escutar, sentar, dialogar, aprender e aproveitar o dia com quem amamos e com quem temos aversão; com quem simpatizamos e com quem fugimos de encontrar; com aqueles que agem com grosseria e com os que agem com educação.

Pois diante da morte, do funeral, do sepultamento, a pessoa que está sendo velada, receberá os mais lindos adjetivos, aqueles que poderiam ser expressados, ditos, manifestados, enquanto o consumismo sugeria o 'Carpe Diem'.

Aproveitamos para tanto o dia, enquanto a contração sistólica e diastólica ainda agem sobre a essência humana. por Rosana Moraes de Sousa, Estudante do Curso de Pedagogia da FAC FEA - Fundação Educacional de Araçatuba - Bolsista Universitária do Programa Escola da Família.

 

Agosto de 2010

INTELIGÊNCIA NÃO TEM COR,

O PRECONCEITO SIM

Resumo:

Este estudo parte das inquietações surgidas no dia-a-dia dos debates e estudos do terceiro semestre do curso de Licenciatura em Pedagogia na Faculdade da Fundação Educacional de Araçatuba-SP (FAC-FEA), assim como das questões por mim vividas e refletidas enquanto cidadã neste país. Um estudo que se apoiou na pesquisa bibliográfica com o objetivo de compreender as raizes históricas do conceito de inteligência e preconceito e , com a finalidade de compreender se estes, estão de alguma forma, vinculados entre si. Faz o seguinte questionamento: Inteligência tem cor? O que é inteligência? Esta é camuflada diante do preconceito? Assim, este estudo traz a possibilidade de tirarmos este conceito do escuro trazendo-o para o debate, como forma de repensarmos esta questão. Ao desenvolvermos a idéia de inteligência e preconceito, nos deparamos com a questão do gênero apontando que, para a mulher, ocorre um duplo preconceito: o de sexo e o de raça. Assim, apresenta uma breve reflexão sobre o cenário, a identidade, as conquistas e a superação das mulheres negras no Brasil, propondo mudanças pautadas na sua capacidade de inteligência, uma vez que a inteligência não tem cor, mas o preconceito sim.

Palavras chaves: inteligência e preconceito.

Orientada pela professora mestra Silvia Regina Pincerato Petrilli. Curso de Pedagogia – Faculdade da Fundação Educacional de Araçatuba – FAC FEA - SP.

 

Agosto de 2010

UNIVERSITÁRIA ROSANA SE DESTACA COM ARTIGO SOBRE PRECONCEITO

ROSANA MORAES DE SOUZAA estudante de Pedagogia e educadora universitária do Programa Escola da Família no 'Paraísão' vai apresentar artigo científico na 9ª Jornada Acadêmica da UNESP de Marília.

Rosana Moraes de Souza, 32 anos, cursa o segundo ano do Curso de Pedagogia na Faculdade FEA de Araçatuba. Em troca da bolsa integral do curso, ela trabalha aos finais de semana no Programa Escola da Família, na Escola Estadual “Dr. Clóvis de Arruda Campos”, Paraísão, assim como outros quatorze estudantes.

Amante de leitura e escrita, Rosana produziu um artigo científico com o tema “Inteligência não tem cor, preconceito sim”. O trabalho concorreu ao concurso de artigos científicos realizado pela faculdade e Ministério da Educação e Cultura (MEC). “O artigo defende que a inteligência não está atrelada à pigmentação, e ainda que não devemos julgar as pessoas como mais ou menos inteligentes, porque cada um tem um tipo de inteligência”, explica Rosana.

Segundo seu estudo, que foi baseado em uma vasta bibliografia, a estudante acredita que seja impossível erradicar o preconceito, porém ele pode ser amenizado, principalmente dentro da sala de aula.

Rosana explica que psicólogos e estudiosos acreditam que existam vários tipos de inteligência, e que uma pessoa possa desenvolver todos, ou apenas um tipo. “Tem gente é que melhor em matemática, outro em português, e isso não quer dizer que um seja mais inteligente que o outro”, defende a estudante.

Para ela, desenvolver o artigo foi ainda mais importante, por ser um assunto que ela mesma já sofrera. “Eu já fui muito discriminada, pela cor e julgada inferior. Não me achava inteligente porque não conseguia assimilar muitas matérias, e foi a partir desse estudo que passei a entender esse pré-julgamento”, relata.

Na área da educação, Rosana acredita que este conhecimento seja de suma importância. “Ter esse conhecimento de que cada um é diferente e que tem inteligências diferentes, é primordial antes de entrar em uma sala de aula para ensinar”.

O artigo será apresentado na 9ª Jornada Acadêmica da UNESP, que acontecerá em Marília-SP, de 24 a 26 de agosto. Além de Rosana, mais 209 estudantes universitário de todo o Brasil, terão a oportunidade de expôr seus trabalhos. Foram mais de mil artigos inscritos, só os melhores foram selecionados.

A participação no evento renderá um certificado e a publicação do trabalho na revista da Universidade Estadual Paulista. “Com esta publicação, eu estarei a um passo do meu mestrado”, conta sorridente a estudante que sonha em continuar os estudos.

Além de ter acrescentado para seu currículo, o artigo também marcou a vida de Rosana. “Depois desse estudo, nunca mais olharei as pessoas da mesma forma”, finaliza. - por Fernanda Souza, - 'educadora universitária e estudante do Curso de Jornalismo'.

 

Julho de 2010

PROGRAMA ESCOLA DA FAMÍLIA

- Um compromisso de amor pela família!

Diante de inúmeras notícias ruins apresentadas dia-a-dia, onde “mães” jogam os filhos na lata do lixo, “pasi” ensinam ao filho a prática da criminalidade, idosos são agredidos...

Informações deste gênero adentram os nossos lares, contribuindo para uma sociedade inerte, decorrente ao medo. Uma luz no fim do túnel surge... Universitários, Educadores, Diretoria de Enesino, Governo, Faculdades, juntos, de mãos dadas, com a missão e o lema: “Escola da Família, um compromisso de amor pela família”.

Você, caro leitor, por algum momento questionou o que fazem alguns universitários todos os finais de semana nas escolas?

Hoje você pode certificar que eles cuidam, ensinam, educam aqueles que a própria sociedade os presenteou: crianças, idosos, jovens, adultos... fazem com que esse movimento, a verdadeira práxis educacional, seja um sonho concretizado.

É gratificante e louvável poderem dar um empurrãozinho à luz da educação e para a educação.

Poderem ver nos olhinhos das crianças a alegria em aprender, nos olhos dos idosos a descoberta de que a vida começa aos 50. É compensador notar que os caminhos que nossos jovens percorrem são os da cultura, do esporte, do lazer, da saúde e do trabalho e nesses passos há uma pitada do Programa Escola da Família.

Quase 13 mil jovens universitários de todo o Estado de São Paulo dedicam hoje seus finais de semana ao Programa “Escola da Família” e, em contrapartida, têm seus estudos custeados por um dos maiores Programas de concessão de bolsas de estudo do país, realizado em convênio com 234 Instituições Particulares de Ensino Superior.

E 'Escola da Família' nome sugestivo esse que nos impele a adotar aquele que nos procura para aprender.

Todos da comunidade têm um valor inestimável e se não houvessem alunos, não haveria 'Escola da Família'.

Como Paulo Freire dizia:“Educar é impregnar sentido na vida dos outros...” Os alunos e toda a comunidade são para nós, universitários desse projeto, os protagonistas da escola!

Por tudo isso aquele que se sentir impulsionado em fazer parte da grande família, poderá nos procurar aos finais de semana das 09 horas às 17 horas (sábados e domingos) na Escola "Dr. Clóvis de Arruda Campos" (Paraisão) e apreciar como é bom aprender coisas novas, podendo também ecoar conosco o lema: “Escola da Família, um compromisso de amor pela família.” - por Rosana Moraes de Sousa, Estudante do Curso de Pedagogia da FAC FEA- Fundação Educacional de Araçatuba - Bolsista Universitária do Programa Escola da Família.

 

 

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"Quem não lê não pensa,

E quem não pensa será para sempre um servo."

 

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"Quem não lê não pensa, e quem não pensa será para sempre um servo."

 

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