Agosto de 2011
ALUNAS DE PEDAGOGIA
PARTICIPAM PELA 2ª VEZ DA JORNADA ACADÊMICA DO NÚCLEO
DA UNESP DE MARÍLIA

Vanilda Gonçalves de Lima; Rafael Bermejo Alves
(UNESP, Marília); Rosana Moraes de Sousa (FAC-FEA, Araçatuba);
Valéria Pavão Palú (UNESP, Prudente); Maria Valéria
Barbosa Veríssimo (Coordenadora do grupo de estudo GEPENE, UNESP,
Marília)
No
dia 10/08/2011 as alunas Maria Faria dos Reis e Rosana Moraes de Sousa
, do 6º Semestre do Curso de Pedagogia, participaram da 10º
Jornada Acadêmica do Núcleo da UNESP de Marília,
cujo tema do Evento foi “A Teoria Histórico Cultural e
a Educação Escola: dos fundamentos à Práxis”.
Na jornada, foram apresentados diversos trabalhos
abordando os eixos temáticos, tais como: Política Educacional,
Psicologia e Educação, Teoria Histórico-Cultural
em Questão, TICS - Tecnologias de Informação e
Comunicação, Práticas Pedagógicas; Educação
Ambiental; Inclusão Educacional, Educação Infantil
e Ensino Fundamental de 9 anos, Educação de Jovens e Adultos,
Ciências Sociais e filosofia na Escola, Formação
de Professores, Escola: Cultura e Etnia/ Raça, Leitura e Escrita,
Lúdico e educação, Gestão Escolar e Currículo
e Educação Matemática,Química e Física.
As alunas puderam partilhar e ouvir experiências
vividas e refletidas enquanto cidadãs neste país - tais
experiências observadas em sala de aula, com os estudantes de
graduação, outros estudantes de mestrado, orientadores
e professores da instituição de ensino.
Rosana Moraes de Sousa apresentou o artigo científico
intitulado com “Um Olhar sobre o Preconceito” onde o mesmo
é um recorte do seu TCC, sendo orientado pela professora Mestra
Andrea Soares.
No trabalho acadêmico, a aluna aponta questões
que os professores podem deparar-se no universo escolar, como os diversos
tipos de preconceito, aponta sendo como os principais, o preconceito
de gênero, etnia, orientação sexual, preconceito
social e contra as pessoas deficientes.
Ela acredita que os professores devem estar preparados
para trabalhar com a diversidade, pois trata-se de "um novo retrato
escolar da contemporaneidade”.
No breve estudo buscou analisar a temática
do preconceito e suas diferentes vertentes, na tentativa de mostrar
que é preciso um olhar minucioso sobre seu universo, que nos
permita distinguir, por exemplo, preconceito de discriminação,
bem como compreender as diversas categorias de preconceito.
Como no universo escolar a prática do preconceito
é uma realidade eminente, os atores escolares devem estar preparados
para combatê-lo, com uma postura mais inclusiva e preparada, permitindo
que todos tenham condições de ensinar e aprender, sem
ser submetido a qualquer espécie de constrangimento. Isto porque
atrás de todo tipo de preconceito há um cidadão
que precisa ser protegido, tendo garantido seus direitos básicos,
como a vida, mas uma vida digna e justa. Matéria
enviada por Rosana Moraes de Sousa e, a pedido da mesma, publicada.
Junho de 2011
MÃE E
PROFISSIONAL:
O DIFÍCIL
DESAFIO DA MULHER NOS DIAS ATUAIS
1. Introdução
Este estudo parte das inquietações
surgidas no dia-a-dia dos debates e estudos do quarto semestre do curso
de Licenciatura em Pedagogia na Faculdade da Fundação
Educacional de Araçatuba-SP (FAC-FEA), assim como das questões
por mim vividas e refletidas enquanto cidadã deste país.
Apresenta uma reflexão teórica,
à luz dos pressupostos da fenomenologia existencial, sobre as
escolhas vivenciadas por mulheres, na condição de serem
mulheres e se permitirem estarem como mães e profissionais, assim
como reconhecerem o reflexo destas escolhas no universo feminino na
atualidade.
Um trabalho que se apoiou na pesquisa bibliográfica
com o objetivo de compreender o papel de profissional e mãe nos
dias atuais e tentar entender se estes papéis estão, de
alguma forma, vinculados entre si.
Faz os seguintes questionamentos: É possível
unir os papéis de mulher e mãe? Como exercer a maternidade
e o lado profissional? Há dicotomia ?
Assim, este estudo traz a possibilidade de refletirmos
sobre esse tema, trazendo-o para o debate, como forma de repensarmos
alguns conceitos a figura feminina na sociedade.
Ao desenvolvermos a ideia de profissional e mãe
deparamo-nos com a questão do gênero, apontando que para
a mulher dos dias atuais as horas urgem; portanto mais que necessário
é atuar com êxito ao que a vida lhe presenteia e ao que
também se faz necessário, ou seja, assumir o papel de
mãe e trabalhadora, mas, acima de tudo, o de mulher.
2. Objetivos
O interesse em pesquisar sobre
a mulher, mãe e profissional surgiu, inicialmente, por uma questão
singular, que se fortaleceu e persistiu a partir de atividades acadêmicas
do Curso de Pedagogia.
Este trabalho tem como objetivo mostrar que a
mulher, que exerce seus papéis de mãe, esposa, profissional
não deve ser tratada com inferioridade, já que ela ainda
é vista, em meios sociais diversos, como um simples objeto.
Também objetiva eliminar a imagem de mulher
boazinha, da mulher submissa, e mostrar que há a possibilidade
da mulher vencer em diferentes âmbitos, enquanto esposa, mãe
e trabalhadora.
Sendo assim, a mulher, como qualquer ser humano,
deve ser ouvida e tratada como uma pessoa comum na sociedade; a atividade
profissional feminina permitiu às mulheres adquirir o direito
à cidadania, contudo a condição pós-moderna
se recusa a presenciar uma identidade feminina constituída exclusivamente
pelas funções de mãe e esposa.
Este trabalho permite apreciar e voltar o olhar
para aquela que merece ser reconhecida de maneira digna, na condição
de ser mulher e, também, permitir estar como mãe e profissional,
assim como reconhecer os reflexos destas escolhas no universo feminino
na atualidade.
3. Metodologia
Aliando observações
acerca da figura feminina na sociedade e um levantamento bibliográfico
sobre o papel da mulher na sociedade atual, averiguamos suas principais
facetas e dificuldades enquanto esposa, mãe e trabalhadora.
Para obtermos uma visão mais clara sobre
nossos questionamentos e reflexões, reportamo-nos a autores de
Psicologia, Filosofia e Fenomenologia, dentre outros.
Assim, esse trabalho tem o intuito de elaborar
uma breve reflexão sobre o cenário, a identidade, as conquistas
e a superação das mulheres no Brasil, observando sua capacidade
de unir a ternura de ser mãe e a fragilidade de ser mulher de
fibra, profissional.
4. Desenvolvimento
Na atualidade, podemos notar
que há vários dispositivos discursivos que vendem uma
imagem de mulher versátil, a que sabe administrar a casa, os
filhos, o marido e o trabalho.
Ao mesmo tempo, no entanto, o discurso social,
bem como as próprias mulheres, mantém ainda a crença
de que a maternidade é parte da essência feminina, acreditando
ser a figura da mãe indispensável para o bom desenvolvimento
dos filhos. lugar onde ela arranjou formas de exercer o controle mesmo
que, indiretamente, sobre os filhos e marido; isto é, a dedicação
da mulher com os afazeres da casa gerou uma situação de
dependência em relação a ela na esfera doméstica.
Além disso, em sua capacidade de se sacrificar
para atender às necessidades e desejos dos familiares, também
encontrou uma arma poderosa, qual seja, a cobrança por onde reivindica
a realização de alguns dos seus desejos e mudanças
de comportamento na família.
Nesse sentido veremos várias perspectivas
sobre o significado de ser mulher, para então refletirmos que
é possível exercer o duplo papel de maneira eficaz e eficiente.
4.1 - Definição de Mulher
Muitos poetas, estudiosos, curiosos
tentaram e tentam escrever os mistérios que envolvem a figura
da mulher. Muito além do “sexo frágil” descrito
por Rita Lee ou da bandeira feminista desferida no século passado,
nada mais simples que cantar a música Mulher, de Elba Ramalho:
“para descrever uma mulher não é do jeito que quiser/
Primeiro tem que ser sensível, se não é impossível/
Quem vê por fora não vai ver por dentro o que ela é/
É um risco resumir/ Mulher”.
O dicionário Aurélio (2009, p.568)
define mulher como ser humano do sexo feminino; mulher após a
puberdade; esposa.
Fábio de Melo (2008) descreve de uma maneira
singela a figura da Mulher, ora de aço, ora de flores. Mergulhado
num encanto feminino, o autor mostra histórias do cotidiano das
mulheres, homenageia todas as mulheres, desde as mais recatadas às
mais ousadas.
As mulheres experimentam na carne o destino de
serem como Deus, porém em pequenas partes: são elas que
geram o mundo, embalam os destinos e entrelaçam num mesmo tecido
as cores da fragilidade e da força. Elas são de aço.
Elas são de flores.
4.2. É possível ser mãe
e trabalhar ao mesmo tempo?
Vimos anteriormente alguns conceitos
de mulher. Neste capítulo falaremos sobre a possibilidade dessa
mulher trabalhar e ser mãe ao mesmo tempo.
Segundo a Ministra da Secretaria Especial de Políticas
para as Mulheres, Nilcéa Freire (2010), “de acordo com
estudo da Organização Internacional do Trabalho, as mulheres
trabalham cinco horas semanais a mais do que os homens. Elas têm
uma jornada total semanal de 57,1 horas, contando com 34,8 horas semanais
de trabalho e mais 20,9 horas de atividades domésticas”.
Portanto, o tempo cronológico feminino
dos dias atuais se apresenta cada vez mais acelerado. As atividades
que a mulher deve realizar não cessam: levar filhos na escola,
na aula de inglês, trabalhar, especializar-se, cuidar dos afazeres
domésticos, ir ao supermercado, cuidar de pai, mãe, pagar
contas etc. Ao mesmo tempo sabemos que essa mesma mulher necessita se
adequar ao mercado, à demanda e ao que a vida impõe.
Então, faz-se necessário respondermos
ao seguinte questionamento: é possível ser mãe
e trabalhar ao mesmo tempo?
O ideal seria que a mulher pusesse em prática
a maternidade, embora essa atitude lhe traga uma sensação
de morosidade em outros aspectos de sua vida, já que os compromissos
se acumulariam nos demais espaços nos quais atua como profissional.
E ainda que cuide bem do seu marido ou que a comida não seja
regada de temperos, ela, a mulher-esposa-mãe, precisa se multiplicar
para atender as demandas pelas quais exigem grande responsabilidade.
Nesta problemática, certamente o maior
prejudicado será a criança, o filho, já que este
necessita de um cuidado especial, caso contrário, poderá
sentir profundamente a ausência materna e até suscitar
um trauma futuro.
Num outro ângulo, o que sente esta mulher
que não pode apreciar a graça de conceber a maternidade
em seu lar, do simples ninar à preparação da mamadeira?
Ao contrário, hoje a mulher fica estressada,
com contas no vermelho, filho pedindo a atenção, marido
reclamando, levando-a a ter um sentimento de devedora em relação
aos filhos e marido.
Contudo, diante de todas as problemáticas
abordadas, como a mulher pode viver o duplo papel de mãe e profissional?
Fica outro questionamento: seria possível dividir o espaço
a cada um desses papéis?
4.3 Os diferentes ângulos e perspectivas
sobre Mulher
Veremos abaixo os diferentes
ângulos e perspectiva sobre a mulher. Alguns autores afirmam que
a mesma deve ser submissa, que de fato nasceu para ser frágil;
outros demonstram a capacidade de superação da mulher,
externando a sua fortaleza.
Segundo Freud (1913) a mulher é vista numa
visão tradicional e conservadora. Sua psicanálise foi
marcante no que diz respeito aos discursos da modernidade e tentaram
definir e conceituar a figura feminina, seu corpo, sua função
e sua sexualidade.
Para que uma mulher seja considerada boa mãe
dentro da psicanálise, é preferível que tenha experimentado
em sua infância uma evolução sexual e psicológica
satisfatória, junto de uma mãe também relativamente
equilibrada. Para Freud, se a mulher foi criada por uma mãe perturbada,
terá grande probabilidade de sentir dificuldade em assumir feminilidade
e sua maternidade. Quando for mãe, produzirá as mesmas
atitudes inadequadas de sua própria mãe.
Segundo Beauvoir (1980, p.9) “ninguém
nasce mulher: torna-se mulher”, sendo assim, há uma construção
social, dada a partir das relações interpessoais realizadas
no tempo, espaço e contexto social nos quais a mulher está
inserida.
De acordo com Heidegger (2002, p.32) “ser
está naquilo que é e como é, na realidade, no ser-simplesmente-dado
(Vorhandenheit), no teor e recurso, no valor e validade, na presença
e no há “, ou seja, é desdobrar-se em possibilidade,
buscando sentido para as vivências e experiências em seu
tempo enquanto sujeito de singularidade, único no jeito de ser,
pensar, agir e estar no mundo.
Nesse sentido Heigdegger aponta o quanto é
importante a pessoa ser aquilo que é em sua singularidade, podemos
então através disse ressaltar que a mulher tem uma maneira
peculiar de exercer sua feminilidade, quer seja como esposa, que seja
como mãe
Lipovetsky (2007) anuncia que a mulher quando
concebe a possibilidade de se perceber na condição de
ser mãe, e em ser profissional, chama para si todas as responsabilidades
que são peculiares a cada papel desempenhado, implicando diretamente
nas consequências advindas desse processo de escolhas de vida.
Enquanto a mulher-mãe tende a esmerar-se
(e se cobra nessa condição) em dar o melhor de si como
tentativa de superar a condição de ter sido subjugada
na comparação ao outro e ver-se restrita ao lar, na vida
profissional a mulher também tem buscado atividades que exigem
força, geralmente atribuídos ao homem, e da mesma maneira
que estes, elas buscam definir e inventar sua própria vida. Neste
sentido, ao contrário de sexo frágil, nota-se que a capacidade
de lutar, trabalhar, vencer independe de sexo; a mulher pode sim tomar,
apropriar, apreender o papel de homem e vice-versa, hora em sua garra,
ora em sua singeleza.
As tarefas de casa, com efeito,
são a oportunidade de constituir territórios identitários
e pessoais, de impor seus critérios, personalizando a sua maneira
de agir e pensar, de fazer valer sua concepção da organização
doméstica, do limpo, do ordenado, da alimentação
ou decoração. (LIPOVETSKY, 2007, p.255).
Muitos artistas também já se manifestaram
sobre o tema “mulher”. Milton Nascimento, por exemplo, exprime
através de sua canção o verdadeiro dom de ser mulher,
e o que tantas Marias passam no dia-a-dia, tribulações
na vida, tropeços... mas prontamente, com toda a garra, levantam-se
prontas para a labuta.
...Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece
Viver e amar
Como outra qualquer
Do planeta
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida... ( Milton Nascimento )
Cada artista, compositor, profissional, estudante,
possui uma maneira singular de expressar sobre a mulher e mãe;
para alguns é digna de honra, a outros como Roberto Carlos, uma“lady”
Há pessoas que veem suas mães como um porto seguro, um
alicerce, uma âncora para suas vidas. A maternidade na visão
de Caetano Veloso é vista com uma força estranha, que
o impele a cantar, é uma mulher que prepara em seu ventre, a
vinda de um filho almejado...
Eu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz tamanha..(CAETANO VELOSO, 1978)
Próximo à IV Conferência Mundial
sobre a Mulher, o Papa João Paulo II relatou sua importante carta
apostólica sobre Mulieris Dignitate.
O Papa, em nome da igreja, agradecia a todas as
mulheres, à mulher-mãe a qual faz ventre de ser humano,
na alegria e no sofrimento, de uma experiência única que
guia os primeiros passos, ampara o crescimento do filho, e torna ponto
de referência por todo o caminho; citou a mulher-trabalhadora,
que empenhada em todos os âmbitos da vida social, econômica,
cultural capaz de conjugar razão e sentimento, a uma concepção
da vida sempre aberta ao sentido do mistério, à edificação
das estruturas econômicas e políticas mais ricas de humanidade;
e finalizou sua pregação dizendo:
'o segredo para percorrer diligentemente a estrada
do pleno respeito da identidade feminina não passa só
pela denúncia, apesar de necessária, das discriminações
e das injustiças, mas também, e sobretudo, por um eficaz
e claro projeto de promoção, que englobe todos os âmbitos
da vida feminina, a partir de uma renovada e universal tomada de consciência
da dignidade da mulher. Ao reconhecimento desta, não obstante
os múltiplos condicionalismos históricos, leva-nos a própria
razão, que capta a lei de Deus inscrita no coração
de cada homem. Mas é sobretudo a Palavra de Deus, que nos permite
identificar com clareza o radical fundamento antropológico da
dignidade da mulher, apontando-o no desígnio de Deus sobre a
humanidade'. (PAPA JOÃO PAULO II, Vaticano, 29 de Junho
de 1995, solenidade dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo.)
4.4. A entrada das mulheres ao mercado de trabalho
A partir das duas Guerras Mundiais
(1914 – 1918 e 1939 – 1945), quando as mulheres assumiram
negócios de família e se posicionaram à frente
das finanças, o mundo nunca mais teria apenas a energia profissional
masculina.
Segundo o Guia dos Direitos da Mulher (1994, p.
13), em seu art. 11:
Os Estados Partes garantirão às
mulheres os mesmos direitos que os homens, e, em particular:
- O direito ao trabalho, como direito inalienável de todo ser
humano;
- mesmas oportunidades de emprego e de critériso de seleção;
- livre-escolha de profissão e de empregos, direito à
promoção, estabilidade, aprendizagem, formação
profissionalizante e reciclagem;
- direito à remuneração igual para trabalho igual,
e aos mesmos critérios de avaliação;
- direito à Previdência Social e férias pagas;
- direito à proteção, à saúde e à
segurança.
Porém, o mercado de trabalho
alterou o quadro mulher-mãe-profissional, de tal modo que conciliar
a atividade remunerada com o cotidiano familiar nem sempre configura-se
uma tarefa das mais simples. Cada vez mais a mulher está inserida
no mundo do trabalho, conquistando espaços, delimitando novos
horizontes nesse universo de probalidades, embora esse caminho possa
ser marcado, não raras vezes, por barreiras a serem vencidas.
Assim, ao fazermos uma retorspectiva das últimas
décadas a respeito da inserção da mulher no mercado
de trabalho, observamos sua crescente atuação na economia,
notadamente a brasileira. Esse fato torna-se cada vez mais intenso ano
a ano e não tem demonstrado nenhuma tendência em retroceder.
Tal fato conduziu e conduz a mulher a consequências
significativas em seu cotidiano. Esse processo social vem adquirindo
uma dimensão estrutural no mundo contemporâneo, proporcionando,
por exemplo, o aparecimento de inúmeros métodos anticoncepcionais.
Dessa maneira, a mulher passou a ter o poder sobre seu próprio
corpo e a possível gravidez, retirando de seu companheiro/esposo
a decisão da procriação.
Este foi, certamente, um dos fatores que mais
contribuíram para a redefinição do lugar da mulher
na sociedade, gerando frutos decisivos nas relações familiares
que, gradativamente, foram modificadas em seu processo educacional e
social. Com essa mudança, a mulher permitiu-se ao prazer de desfrutar
de sua sexualidade, o que anteriormente era negado até por ela
mesma.
Porém, a decisão ou ocorrência
da gravidez traz para a mulher questionamentos, conflitos, receios e
tomada de decisões pelas quais nem sempre serão consideradas
as mais acertadas, pois em alguns momentos vive o receio de usar da
sua liberdade de forma errônea em relação ao filho,
ao companheiro e à profissão.
Exemplo de uma situação cotidiana
da mulher/profissional é a vivida no momento de afastamento momentâneo
de seu filho, o que é muitas vezes crucial para algumas mulheres
e que pode ser permeado por angústias, culpas e escolhas: deixá-lo
em escola ou com babá? Estar presente na entrada do filho na
escola, bem como no acompanhamento das reuniões de pais, na maioria
das vezes, não são atitudes consideradas importantes pela
maioria das empresas.
Situações como estas geram na mulher/mãe
e na mulher/profissional conflitos, por perceber que para a empresa
o importante é a sua garra e sua determinação profissional,
desvinculada das questões existentes em seu ambiente familiar.
Contudo, o trabalho muitas vezes invade esse espaço feminino,
ignorado pelo empregador, e que afeta os vínculos afetivos entre
mãe/filho e mulher/ companheiro. Portanto, conciliar o papel
de mãe, esposa e profissional torna-se difícil, não
só emocional, mas também fisicamente.
A mulher-mãe, vivenciando tais situações,
fica ansiosa, sentindo-se duplamente culpada por não dar a devida
atenção (que julga ser a mais adequada) para a casa e
para os filhos e, em contrapartida, também não consegue
dedicar uma parcela maior de tempo para o desenvolvimento profissional,
permanecendo em constante conflito.
Com a ocorrência desses fatores, a sensação
de culpa ficará dissociada do papel de boa mãe e das responsabilidades
maternas para com o filho. Esse sentimento encontra forte relação
na cultura e no processo de educação e socialização
do indivíduo. o que pode levar a mulher-mãe a sentir medo
e a culpa de criar filhos em desajuste com os padrões da sociedade.
Talvez esses conflitos que permeiam as relações
da mulher com o trabalho e os deveres com a família deixem de
lado a divisão da responsabilidade com o companheiro e, assim,
a pouca colaboração do mesmo frente às decisões
pelas quais devem ser compartilhadas, ou ainda, a falta de aparatos
sociais que garantam a educação escolar no período
de trabalho. Esses são fatores questionados constantemente pela
mulher da atualidade.
Mas é construindo-se como uma pessoa que
pensa, ri, chora, acerta, erra, ama e tem sentimentos, que a mulher
certamente descobrirá para si uma forma harmônica, coerente
e prazerosa de exercer sua função de mãe e esposa,
sem esquecer-se da pessoa que é como mulher e profissional.
A mulher profissional-mãe-esposa, apesar
dos conflitos que perpassam em seu cotidiano, também sente alegrias,
frustações, decepções e preocupações,
em decorrência de suas múltiplas funções.
5. Conclusão
A maternidade é desejada
e vivenciada por muitas mulheres, fator importante e comumente considerado
como ocasião especial em suas vidas.
Notamos que existem diversas razões pelas
quais uma mulher gera um filho: para safisfazer a expectativa do seu
meio social, por realização pessoal e/ou do casal, ou
ainda, para tentar melhorar o relacionamento em seu casamento .
Entretanto, a maternidade requer responsabilidades,
compromisso, amor e grandes doses de paciência, muita energia
física e mental, doação, capacidade de dar afeto
e demonstrar alegria.
Outro aspecto importante a ser destacado é
que ser mãe é um privilégio também, pois
é maravilhoso presenciar o crescimento sadio e harmonioso dos
filhos, dar retoques em sua personalidade e acompanhá-los pelos
caminhos da vida, até se tornarem homens e mulheres maduros e
responsáveis.
Nessa perspectiva, ser mãe envolve a responsabilidade
consequente da maternidade e o privilégio de dar ao mundo um
ser humano único, singular.
Assim, destacamos que a mulher-esposa, a mulher-profissional
e a mulher-mãe são complementos da mulher-pessoa, que
é pouco evidenciada, percebida, não sendo considerada
nas reais necessidades pessoais em seu cotidiano.
6. Referências Bibliográficas
BEAUVOIR, S. O segundo sexo: A experiência
vivida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.
CFEMEA – Guia dos Direitos da
Mulher/Centro Feminista de Estudos e Assessoria. Brasília: CFEMEA,
1994.
FRANÇA, C. A. Mito da mulher
moderna. São Paulo: Elevação, 2005.
FREIRE, N. Os 100 anos do Direito
da Mulher. Mulher, Cidadania e Direitos Humanos. 2010. Disponível
em <http://www.mulherecidadania.al.gov.br/artigos/os-100-anos-do-dia-internacional-da-mulher>
Acesso em 17 ago. 2010.
HEIDEGGER, M. Ser e tempo. Parte I.
Petrópolis: Vozes, 2002.
HOLANDA, A. B. de. Minidicionário
Aurélio – Revisado conforme acordo ortográfico.
7 ed. São Paulo: Positivo, 2009.
LETRAS.MUS.BR. 2003. Disponível
em <http://letras.terra.com.br/elba-ramalho> Acesso em 17 ago.
2010.
LIPOVETSKY, G. A terceira mulher:
permanência e revolução do feminino. São
Paulo: Companhia das Letras, 2007.
MELO, F. de. Mulheres de Aço
e de Flores. (.São Paulo): Gente, 2008.
II PAULO JOÃO. Vaticano, 29
de Junho de 1995, solenidade dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo.
Disponível em : http://www.cleofas.com.br/
OBS.: Trabalho produzido pela aluna e publicado
aqui a pedido da mesma.
Outubro de 2010
CARPE DIEM
Carpe Diem sugere, aproveitar o dia, colher o dia...
Aproveitar como se fosse o último, não
esperar o amanhã para ser feliz.
Vivemos numa sociedade consumista em que a agilidade,
o fast-food, a precisão, a celeriade, são os marcos principais.
Para sermos bons naquilo que fizermos, é necessário
sermos competentes e ágeis.
Aproveitar o dia é decisão certeira a
quem não quer errar, contudo o Cape Diem do consumismo, impulsiona
erroneamente aproveitar o dia nos eximindo de viver a essência
humana, num simples deitar no sofá ao assistir TV com a família,
num bom dia ao vizinho, numa simples mão estendida ao caído,
pois agir com solicitude nos dias atuais, é perda de tempo!
A dialógica é para a sociedade consumista,
uma prática equivocada, atualemente é difícil vermos
pais conversando com filhos, patrões com empregados, maridos
com esposas, professores com alunos, netos com avós... já
que os ponteiros caminham e sem ao menos perceber, mais um dia se passou.
Contudo, é diante das tragédias vistas
nos telejornais que nos surpreendemos, nos lamentamos por não
ter aproveitado o dia, ouvindo o que o ente querido nos falaria pela
última vez... é deparando com a morte que pensamos o porquê
não aproveitamos o dia com quem partiu.
Inúmeras vezes somos como Marta a quem Jesus
foi visitar, e ela o recebeu apressadamente e preocupada, faz-se necessário
assumirmos o papel de Maria, sabendo escutar, sentar, dialogar, aprender
e aproveitar o dia com quem amamos e com quem temos aversão;
com quem simpatizamos e com quem fugimos de encontrar; com aqueles que
agem com grosseria e com os que agem com educação.
Pois diante da morte, do funeral, do sepultamento,
a pessoa que está sendo velada, receberá os mais lindos
adjetivos, aqueles que poderiam ser expressados, ditos, manifestados,
enquanto o consumismo sugeria o 'Carpe Diem'.
Aproveitamos para tanto o dia, enquanto a contração
sistólica e diastólica ainda agem sobre a essência
humana. por Rosana Moraes de Sousa, Estudante do Curso
de Pedagogia da FAC FEA - Fundação Educacional de Araçatuba
- Bolsista Universitária do Programa Escola da Família.
Agosto de 2010
INTELIGÊNCIA
NÃO TEM COR,
O PRECONCEITO
SIM
Resumo:
Este estudo parte das inquietações
surgidas no dia-a-dia dos debates e estudos do terceiro semestre do
curso de Licenciatura em Pedagogia na Faculdade da Fundação
Educacional de Araçatuba-SP (FAC-FEA), assim como das questões
por mim vividas e refletidas enquanto cidadã neste país.
Um estudo que se apoiou na pesquisa bibliográfica com o objetivo
de compreender as raizes históricas do conceito de inteligência
e preconceito e , com a finalidade de compreender se estes, estão
de alguma forma, vinculados entre si. Faz o seguinte questionamento:
Inteligência tem cor? O que é inteligência? Esta
é camuflada diante do preconceito? Assim, este estudo traz a
possibilidade de tirarmos este conceito do escuro trazendo-o para o
debate, como forma de repensarmos esta questão. Ao desenvolvermos
a idéia de inteligência e preconceito, nos deparamos com
a questão do gênero apontando que, para a mulher, ocorre
um duplo preconceito: o de sexo e o de raça. Assim, apresenta
uma breve reflexão sobre o cenário, a identidade, as conquistas
e a superação das mulheres negras no Brasil, propondo
mudanças pautadas na sua capacidade de inteligência, uma
vez que a inteligência não tem cor, mas o preconceito sim.
Palavras chaves: inteligência e
preconceito.
Orientada pela professora mestra Silvia Regina Pincerato
Petrilli. Curso de Pedagogia – Faculdade da Fundação
Educacional de Araçatuba – FAC FEA - SP.
Agosto de 2010
UNIVERSITÁRIA
ROSANA SE DESTACA COM ARTIGO SOBRE PRECONCEITO
A
estudante de Pedagogia e educadora universitária do Programa
Escola da Família no 'Paraísão' vai apresentar
artigo científico na 9ª Jornada Acadêmica da UNESP
de Marília.
Rosana Moraes
de Souza, 32 anos, cursa o segundo ano do Curso de Pedagogia na Faculdade
FEA de Araçatuba. Em troca da bolsa integral do curso, ela trabalha
aos finais de semana no Programa Escola da Família, na Escola
Estadual “Dr. Clóvis de Arruda Campos”, Paraísão,
assim como outros quatorze estudantes.
Amante de leitura e escrita,
Rosana produziu um artigo científico com o tema “Inteligência
não tem cor, preconceito sim”. O trabalho concorreu
ao concurso de artigos científicos realizado pela faculdade e
Ministério da Educação e Cultura (MEC). “O
artigo defende que a inteligência não está atrelada
à pigmentação, e ainda que não devemos julgar
as pessoas como mais ou menos inteligentes, porque cada um tem um tipo
de inteligência”, explica Rosana.
Segundo seu estudo, que foi baseado
em uma vasta bibliografia, a estudante acredita que seja impossível
erradicar o preconceito, porém ele pode ser amenizado, principalmente
dentro da sala de aula.
Rosana explica que psicólogos
e estudiosos acreditam que existam vários tipos de inteligência,
e que uma pessoa possa desenvolver todos, ou apenas um tipo. “Tem
gente é que melhor em matemática, outro em português,
e isso não quer dizer que um seja mais inteligente que o outro”,
defende a estudante.
Para ela, desenvolver o artigo
foi ainda mais importante, por ser um assunto que ela mesma já
sofrera. “Eu já fui muito discriminada, pela cor e
julgada inferior. Não me achava inteligente porque não
conseguia assimilar muitas matérias, e foi a partir desse estudo
que passei a entender esse pré-julgamento”, relata.
Na área da educação,
Rosana acredita que este conhecimento seja de suma importância.
“Ter esse conhecimento de que cada um é diferente e
que tem inteligências diferentes, é primordial antes de
entrar em uma sala de aula para ensinar”.
O artigo será apresentado
na 9ª Jornada Acadêmica da UNESP, que acontecerá em
Marília-SP, de 24 a 26 de agosto. Além de Rosana, mais
209 estudantes universitário de todo o Brasil, terão a
oportunidade de expôr seus trabalhos. Foram mais de mil artigos
inscritos, só os melhores foram selecionados.
A participação
no evento renderá um certificado e a publicação
do trabalho na revista da Universidade Estadual Paulista. “Com
esta publicação, eu estarei a um passo do meu mestrado”,
conta sorridente a estudante que sonha em continuar os estudos.
Além de ter acrescentado
para seu currículo, o artigo também marcou a vida de Rosana.
“Depois desse estudo, nunca mais olharei as pessoas da mesma
forma”, finaliza. - por Fernanda Souza,
- 'educadora universitária e estudante do Curso de Jornalismo'.
Julho de 2010
PROGRAMA ESCOLA
DA FAMÍLIA
- Um compromisso de amor pela família!
Diante de inúmeras notícias
ruins apresentadas dia-a-dia, onde “mães” jogam os
filhos na lata do lixo, “pasi” ensinam ao filho a prática
da criminalidade, idosos são agredidos...
Informações deste
gênero adentram os nossos lares, contribuindo para uma sociedade
inerte, decorrente ao medo. Uma luz no fim do túnel surge...
Universitários, Educadores, Diretoria de Enesino, Governo, Faculdades,
juntos, de mãos dadas, com a missão e o lema: “Escola
da Família, um compromisso de amor pela família”.
Você, caro leitor, por
algum momento questionou o que fazem alguns universitários todos
os finais de semana nas escolas?
Hoje você pode certificar
que eles cuidam, ensinam, educam aqueles que a própria sociedade
os presenteou: crianças, idosos, jovens, adultos... fazem com
que esse movimento, a verdadeira práxis educacional, seja um
sonho concretizado.
É gratificante e louvável
poderem dar um empurrãozinho à luz da educação
e para a educação.
Poderem ver nos olhinhos das
crianças a alegria em aprender, nos olhos dos idosos a descoberta
de que a vida começa aos 50. É compensador notar que os
caminhos que nossos jovens percorrem são os da cultura, do esporte,
do lazer, da saúde e do trabalho e nesses passos há uma
pitada do Programa Escola da Família.
Quase 13 mil jovens universitários
de todo o Estado de São Paulo dedicam hoje seus finais de semana
ao Programa “Escola da Família” e, em contrapartida,
têm seus estudos custeados por um dos maiores Programas de concessão
de bolsas de estudo do país, realizado em convênio com
234 Instituições Particulares de Ensino Superior.
E 'Escola da Família'
nome sugestivo esse que nos impele a adotar aquele que nos procura para
aprender.
Todos da comunidade têm
um valor inestimável e se não houvessem alunos, não
haveria 'Escola da Família'.
Como Paulo Freire dizia:“Educar
é impregnar sentido na vida dos outros...” Os alunos e
toda a comunidade são para nós, universitários
desse projeto, os protagonistas da escola!
Por tudo isso aquele que se sentir
impulsionado em fazer parte da grande família, poderá
nos procurar aos finais de semana das 09 horas às 17 horas (sábados
e domingos) na Escola "Dr. Clóvis de Arruda Campos"
(Paraisão) e apreciar como é bom aprender coisas novas,
podendo também ecoar conosco o lema: “Escola da Família,
um compromisso de amor pela família.” - por Rosana
Moraes de Sousa, Estudante do Curso de Pedagogia da FAC FEA-
Fundação Educacional de Araçatuba - Bolsista Universitária
do Programa Escola da Família.