
PEDRO CÉSAR ALVES
PEDRO CÉSAR ALVES

TEOLOGIA SEM TRAVAS
Prezado Leitor, você terá contato semanalmente com 'Conhecimento Teologico', do ponto de vista do autor Pedro César Alves, voltado para a temática 'Teolóigica'.
Pedro César Alves é Professor de Língua Portuguesa, Literatura, Redação, Pós-Graduado em: Pedagogia, Gestão Educacional, Literatura Brasileira, Lit. Africana-Indígena-Latina, Gestão de Bibliotecas Públicas; Mestre em Teologia (doutorando em Teologia); Escritor (mais de 40 livros publicos, impressos e on-line), Jornalista e Editor do site 'Araçatuba e Região'; Fomentador Cultural; Pesquisador.
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IGREJA E (OU / É) HOSPÍCIO (DE MENTE E CORAÇÃO)
Talvez a igreja seja, de fato, um hospício (aliás, outros dizem que a igreja é um hospital de almas – lugar de feridos que procuram curas) – mas eu estou mais para o 'achar de hospício'. Ou seja, um espaço onde os homens depositam suas manias mais profundas: o medo da morte, a culpa pelo passado, o desejo de ser perdoados. Cada um traz sua loucura particular, e diante do altar ela encontra eco nas loucuras dos outros.
Fiquei ainda pensando: a igreja nos atuais dias se parece mais com um hospício mesmo – sem sombra de dúvida! Não desses de paredes frias e grades nas janelas, mas um hospício da mente e do coração. Interessante é que poucos param para pensar: lá dentro cada um carrega a sua loucura 'particular', deliram de certezas, acreditando possuir a chave do céu no bolso do paletó – (estranho, não?). Gritam seus erros / pecados, mas escondem os 'maiores' no silêncio da mente. E, pior ainda, há os que repetem frases prontas como se fossem mantras que 'só eles escutam'. E acrescentam 'glória a Deus, Aleluia, eita glória!' – e sem cessar.
Voltando ao 'x' da questão, por assim dizer, o sermão funciona como remédio: não cura, mas alivia (será?). Os cânticos são como mantras: repetidos até que o coração se convença daquilo que a razão hesita em aceitar (e, alguns são absurdamente absurdos!). As velas, os hinos, as orações — tudo é ritual que organiza o caos, que dá forma à insanidade de existir sem respostas.
E fico a pensar muito sobre tudo isso, e chega-me a ser curioso como 'ninguém se considera doente'. A fé é, ao mesmo tempo, delírio e anestesia (talvez, possivelmente). Mas é nela que muitos encontram abrigo (verdade é pela inocência que carregam) contra a solidão de suas próprias vozes internas.
Talvez seja essa a beleza da loucura coletiva: no hospício da fé, todos compartilham o mesmo delírio, e por isso sentem-se curados, 'ainda que continuem doentes'. (Ainda bem que não faço mais parte deste delírio coletivo! – como sempre digo: igreja passou a ser – para mim – um espaço social, nada mais!) Agora, para você: cada um tome a sua posição (estude!). (25/08/2025)
MINHA FÉ INABALÁVEL
Alguns ainda me questionam sobre a minha crença e sou claro em responder: hoje eu sigo 'o meu Deus Interior' – o que assusta muitas pessoas, inclusive amigos (leia até a última linha para compreender).
Para alguns soa estranho, porém explico: desde a minha infância fui criado dentro de igreja evangélica (protestantismo), e com os anos passando fui notando que havia (e há) muitas contradições, regras, doutrinas e falta de um senso comum – por assim dizer (ou seja, as igrejas que tentam 'pregar' o mesmo deus, mas não conseguem...). E, aos quarenta e cinco do primeiro tempo (somado às prorrogações necessárias), comecei a estudar 'Religião'.
Estudei, estudei, estudei Religião – e continuo a estudar. E minha formação de trabalho é Língua Portuguesa, Literatura e Redação (o que vem contribuir, e muito, para a compreensão textual) – e tenho formação em cinco literaturas (pós-graduação) – logo, estas me auxiliaram a desvendar muitos mistérios 'religiosos / textos bíblicos' que são textos literários 'modificados', ou seja, adaptados ao modelo de época necessário (e passaram a não ser mais mistérios para os que estudam, mas compreendidos como 'adaptações literárias' – e isso é comum quando um povo segue em cativeiro / sob o domínio de outro povo: soma de culturas). E, indo mais a fundo, nota-se que as adaptações foram feitas com uma intenção: domínio da classe favorecida sobre as menos favorecidas.
E, fazendo um pequeno adendo: estudei Religião e continuo a estudar, e aprendi a absorver os conceitos importantes que cada Religião disponibiliza aos seus seguidores; estudei e continuarei a estudar – além de Religião, alguns conceitos históricos, filosóficos e políticos.
De início, foi 'complicado' – citando o mestre Jesus Cristo: "Entre os humanos poucos buscam a verdade, mas os que buscam nunca deixam de buscar, e de tanto buscar um dia irão encontrar, e quando encontrarem ficarão estupefatos, depois se acalmarão e depois reinarão sobre o processo." – o mais interessante de tudo isso é que, como cita acima, no primeiro momento 'entraria em pânico, susto' e só depois as coisas iriam se 'assentando, tomando o seu lugar (após digeridas)'. E tudo isso significa que, ao sabermos a verdade (ou parte dela) – pois mentiram / esconderam muitas coisas / muitas verdades de nós enfiando conteúdos distorcidos 'goela abaixo' para se manterem no poder (e este poder nas mãos de poucos), respiraríamos fundo e tomaríamos posse do que deveríamos ter tido conhecimento desde o princípio – mas vale ressaltar que é para poucos. Assim como de início foi 'complicado', ao mesmo tempo foi abrindo-me a mente (e continua abrir a cada novo estudo que faço).
Sendo assim, tomei a decisão de não seguir nenhuma Religião, doutrina, ou regras que impõem limites ao meu ser – e limites estes colocados pelos homens que querem manter o poder (e no poder). Decidi criar as minhas próprias regras: fazer o bem sempre que possível; ser o mais humano, sempre que possível! E, assumindo este papel, digo com toda certeza: a minha fé é inabalável frente ao que possam dizer – Deus é Luz Interior (apenas na Bíblia não consta mais a palavra Interior – apenas Deus é Luz, pois se a mantivesse, com toda certeza as igrejas estariam vazias). E essa Luz Interior eu mantenho em mim! (21/08/2025)
- Teologia Sem Travas (23/08/2025)
- (Edição nº 45, Tabloide "ARAÇATUBA E REGIÃO", PDF, de 23/08/2025)
A HIPOCRISIA NOS TEMPLOS
Eu não sei você, caro leitor, mas como sou um estudioso das Escrituras Sagradas, compreendo a profundidade em falar sobre o tema: hipocrisia nos templos religiosos (querendo você aceitar ou não, tenho certeza, e mais uma boa parte da 'irmandade', que a hipocrisia reina em muitos corações). E, antes de mais nada, citar a Bíblia é a melhor situação: pois, esta condena veemente a prática da hipocrisia, especialmente quando ela se manifesta dentro da comunidade de fé.
E como pode ser entendido?
Num passo simples: quando alguém não concorda com o que acontece dentro dos templos religiosos, a 'cúpula / o ministério' simplesmente deixa este do lado (ignora).
A palavra hipócrita vem do grego hupokrites, que significa "ator" ou "aquele que finge". Nas Escrituras, Jesus Cristo é o principal a denunciar essa atitude (e por que seus seguidores não fazem o mesmo?).
Nos Evangelhos, ele (JC) confronta os fariseus e escribas, que eram líderes religiosos de sua época. Ele não os critica por sua dedicação à lei, mas sim pela incongruência entre o que diziam e o que praticavam (e assim acontece nos templos religiosos).
Em Mateus 23, Jesus profere uma série de "ais" contra esses líderes. Ele os acusa de: a) Fazer suas obras para serem vistos pelos homens: eles oravam em público e faziam jejuns para chamar a atenção, buscando a aprovação humana em vez da divina (a verdadeira piedade, segundo as Escrituras, é um relacionamento genuíno e íntimo com Deus, que não precisa de aplausos); b) Fechar o Reino dos Céus aos homens: ao impor fardos pesados e regras que eles mesmos não seguiam, impediam que as pessoas tivessem um acesso genuíno à fé (eles se tornavam obstáculos para o crescimento espiritual de outros). Entre outras citações possíveis.
E, voltando aos dias de hoje, não é diferente. Há líderes religiosos que quando confrontados, simplesmente 'descartam' o membro que o confrontou (e, principalmente os chamados 'evangélicos' – e não me questione sobre os tais, que sou capaz de citar, no particular, nomes / instituições religiosas...).
A condenação da hipocrisia não é um convite ao cinismo ou à desistência da fé, mas sim um chamado urgente à sinceridade. A Bíblia nos exorta a ter um coração puro e a viver uma vida que seja coerente com nossa fé. As palavras de Miqueias 6:8 ecoam esse chamado: "Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus?".
A verdadeira religião, segundo as Escrituras, não está na ostentação ou no desempenho, mas na humildade e no amor. A Bíblia nos ensina que o templo de Deus não são apenas edifícios de pedra, mas os próprios crentes, que devem ser testemunhas vivas de uma fé genuína. Portanto, a luta contra a hipocrisia começa no interior de cada indivíduo, com a busca por um coração transformado, que reflete a luz divina em vez de apenas a projetar.
- Teologia Sem Travas (16/08/2025)
- (Edição nº 44, Tabloide "ARAÇATUBA E REGIÃO", PDF, de 16/08/2025)
LIBERDADE RELIGIOSA (LIBERDADE DE PENSAMENTO)
Na maioria das vezes o ser humano não possui Liberdade Religiosa (Liberdade de Pensamento), principalmente quando tem os olhos fechados – não os olhos carnais, mas aqui trata-se da mente (ou, ainda, segundo algumas religiões: olhos espirituais).
A Religião, por sua vez, tem alguns papéis perante a sociedade que está inserida, tais como: dominar o homem (em nome de um deus que não se consegue provar materialmente, apenas por fé), conter os ânimos humanos (referindo-se a caráter), entre outros. Nesse texto vou comentar esses apenas.
O domínio através da Religião não vem de hoje. No Cristianismo, quando se estuda, nota-se que o Império Romano ao perceber que estava perdendo poder, uniu-se à Religião – que estava em 'alta no momento' (e que eles mesmo pensaram em destruir) e essa união fez o Império crescer – e é o que conhecemos hoje: claro que com algumas ou muitas alterações ao longo desses mais de dois milênios.
Por consequência de tudo isso – por busca de poder – o Império Romano, aliado à Religião, tendo Cristo como ponto de partida, se deu muito bem; ou seja, em nome de um deus ficcional (ou até mesmo real para alguns) destruíram grandes civilizações – e tudo a partir da Arte da Guerra em nome de 'uma fé destrutiva'. E, como é sabido, vai perpetuando na mente das pessoas, passando de geração para geração, através da imposição do medo, da culpa (céu versus inferno).
E é nesse nome religioso que o cristianismo se impõe, somando esse duelo de bem x mal, céu x inferno... A Religião – agindo assim (céu x inferno) tenta moldar o ser humano (inclusive em seu caráter). Alguns poderão dizer que é bom (talvez), mas em parte o homem que se dobra à Religião está 'fadado' sempre ao domínio dos que estão no poder (ou seja, de seus respectivos líderes) e quando não aceita 'as doutrinas impostas' é considerado rebelde, herege e desconsiderado de ser membro.
Fechando estas linhas – e nada contra Religião, mas apenas um alerta: o ser humano não deve estar sob o julgo de nenhuma Religião, ou seja, a partir do momento que se submete às regras por imposição religiosa (isso é proibido, aquilo é proibido – mas sim ter uma visão do que pode e não pode por caráter), passa a ser um 'escravo religioso' e nenhum deus o aceita assim. E o peso maior cairá sobre a liderança ao assim fazer, pois o que prega / o líder deve ensinar a paz, o amor, a fé, o respeito, a caridade (entre outras 'coisas boas') e não a submissão a dogmas religiosos. Pense!
- Teologia Sem Travas (06/08/2025)
- (Edição nº 43, Tabloide "ARAÇATUBA E REGIÃO", PDF, de 06/08/2025)
EU CREIO EM DEUS, MAS...
Muitos questionamentos já me fizeram sobre Religião (e gosto de sempre dizer que cada um acredita no que quer, porém 'eu' – Pedro César – não acredito mais no deus da bíblia). E por um simples motivo: a maneira como foi 'forjado' a construção deste deus.
Logo, você pode questionar: 'Em quem você crê?' E a resposta é breve, e a mais sincera possível: eu não creio no deus que os homens fizeram (forjaram para domínio), mas sim no Deus que fez os homens (jamais deixei de crer no Deus que fez os homens!).
Quando se lê a bíblia é uma coisa, quando se 'senta para interpretá-la' é outra. Os homens fizeram a 'caricatura' de um deus, ou seja, um deus moldado ao ego, aos medos, à vaidade dos que precisam de controle. Agora, preste atenção: quando se olha para este mundo / para este Universo, aprendemos muito! Ah! E como aprendemos!
Nota-se que ao olharmos 'as Leis da Física, para a ordem do Cosmos, para a beleza Matemática que rege até o caos, ali sim vejo Deus; não um velho de barba em um trono, mas uma inteligência tão profunda que minha mente só pode se curvar – por isso que eu creio no Deus que fez os homens, não no deus que os homens inventaram; e esse Deus não precisa de templos, nem dogmas. Ele habita o silêncio entre os átomos, a luz que se curva no espaço, o tempo que pulsa na eternidade'. (escrito em itálico atribuído a Albert Einstein – se é real ou não...)
E, como sempre digo – assim como o que li sobre o citado acima: quanto mais estudo, mais acredito em Deus (repito: no Deus Criador, na Mente Poderosa Criadora, e não no deus forjado pelos homens que – anos após anos, moldaram e deram ao povo o 'não saber', pois a bíblia em sua maioria textual é um livro forjado para domínio, culpa e medo; e nada de inspiração, porém – assim como em outros livros, há ensinamentos que aos longo dos anos os homens transportaram para dentro dela).
O QUE ENSINAM?
Sabemos que, por 'a mais b' que as religiões ensinam o que bem lhes interessam – e, por trás de tudo isso, existe interesse de domínio. O povo – em sua grande maioria – aceita porque não possui o conhecimento necessário (e pior: quando se ouve alguns falarem sobre – como eu e outros mais – apenas nos ignoram). E ainda acrescentam (como lhes ensinaram): mais um herege!
Tudo mostra um despreparo de alguns líderes, porque continuam a 'ensinar' de forma errônea, como 'que o deus mora nas alturas (e não dentro do próprio ser humano), que tem olhar em tudo e em todos, que determinada coisa / situação é pecado'... Então, a pergunta é bem simples, e principalmente aos que têm conhecimento de causa: conduzir um povo para o erro o fará 'perfeito diante do deus que pregam – e sabendo os porquês?' – pense sobre!
- Teologia Sem Travas (02/08/2025)
- (Edição nº 42, Tabloide "ARAÇATUBA E REGIÃO", PDF, de 02/08/2025)
CEIA E DÍZIMO
Primeira coisa a se pensar - o que escrevo aqui não é brincadeira, muito menos 'zoação', por assim dizer, mas é a realidade que acontece em muitas igrejas 'evangélicas'. Digo o que já presenciei pelo fato de visitar muitas igrejas constantemente.
E sendo a pura expressão da verdade, os senhores e senhoras que frequentam e não estão ainda 'em comu-nhão' com a igreja, ou seja, não estão ainda sendo membros, mas dão as ofertas, mas não podem cear... preste atenção nestas linhas a seguir: abra os olhos!
Que fique claro que a questão aqui é de observação - cada um faz o que achar melhor, porém faço a minha parte de observador: 'alertar o máximo que puder'. Muitos frequentam, dão o dízimo (todos que me conhecem sabem que sou contra a maneira que as igrejas agem com o dízimo, pois no meu entendimento: dízimo - época da Lei, estamos na graça e o que receber de graça, de graça dai... é assim que vejo, assim que analiso e não mudo!) - se dão o dízimo... sinal que estão participando da igreja, logo deveriam 'sim' tomar a Ceia.
E o que acontece? Simplesmente não acontece: boa parte das igrejas não permite que estes 'irmãos / irmãs' que não são ainda membros 'efetivos' participem da Ceia.
E agora fica a pergunta:
ACEITAM O DÍZIMO, POR QUE NÃO PODEM ACEITAR QUE TOMEM A CEIA?
Vou a uma ponderação - antes de quaisquer cosias - eu sei que quem dá o dízimo, em sua grande maioria, dá porque querem - embora eu sei que há uma circular de uma determinada igreja aqui em Araçatuba / e em todo o lugar que ela tem as portas abertas que, se o obreiro não for contribuinte do dízimo, que coloque o seu cargo à disposição até final de julho, ou acerte o dízimo... já imaginou a que ponto a fé está chegando? Aliás, diga-se de passagem e bem dito: que muitas agem assim!
Eu sei que todas as igrejas têm gastos para manutenção, mas que todos trabalhem - desde o pastor até o obreiro, e que somem os gastos e tenham todos os mesmos valores a pagar (justo!).
Sabemos que não é assim que funciona - aliás, se for assim, com toda certeza, não dá lucro (e igreja, queira você aceitar ou não, tem CNPJ, logo: tem que gerar lucro, ou - trocando os vocábulos: tem que ter 'renda' para propagar a fé - criando outras portas abertas em nome de um Evangelho que não condiz com o que o Mestre deixou).
Às vezes me criticam sobre o que falo, ou escrevo, mas através das minhas andanças pelos caminhos que foram criados pelas igrejas, tenho conhecimento de causa. E falo sem medo algum de estar errado - logo, por capricho de bom senso, não cito o nome das denominações - mas cada uma sabe 'a carapuça' que lhe serve.
Então, prezado leitor - irmão / irmã, olhe atentamente para os dízimos e ofertas que você está oferecendo - e confira onde estão sendo usados - porque, você querendo ou não, como se diz 'vai ser cobrado de você' (ou não!). Se você dá o dízimo, tenha certeza que você merece a ceia - e não é troca, é respeito.
- Teologia Sem Travas (16/07/2025)
- (Edição nº 41, Tabloide "ARAÇATUBA E REGIÃO", PDF, de 19/07/2025)